{"id":392884,"date":"2022-07-10T16:41:20","date_gmt":"2022-07-10T19:41:20","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=392884"},"modified":"2022-07-10T16:41:20","modified_gmt":"2022-07-10T19:41:20","slug":"das-periferias-urbanas-para-as-rocas-os-novos-agricultores-baianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/das-periferias-urbanas-para-as-rocas-os-novos-agricultores-baianos\/","title":{"rendered":"Das periferias urbanas para as ro\u00e7as: os novos agricultores baianos"},"content":{"rendered":"<div class=\"row visible-lg\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__tags\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div>Fernanda Santana<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__share \">\n<div class=\"noticias-single__share-item noticias-single__share-item--whatsapp noticias-single__share-item--whatsapp--desktop  \"><\/div>\n<div class=\"noticias-single__share-item noticias-single__share-item--more   \"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area__left\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-12 col-md-12 \">\n<div id=\"CW3677\" class=\"publicidade publicidade-responsive1  \">\n<div id=\"minhabahia_300x250_02\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><source srcset=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/c\/3\/csm_Prosemiarido_Lume_CampoAlegre_IsaacSouto___5__a3af77cc06.jpeg\" media=\"(min-width: 420px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/c\/3\/csm_Prosemiarido_Lume_CampoAlegre_IsaacSouto___5__505bf8c4df.jpeg\" alt=\"Das periferias urbanas para as ro\u00e7as: os novos agricultores baianos\" \/><\/picture><span class=\"noticias-single__image-caption\">(Foto: CAR\/SDR\/Isaac couto)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop noticias-single__title--with-image visible visible-lg\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\">Fam\u00edlias se mudam para zonas rurais para tentar garantir subsist\u00eancia<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\">Depois da segunda f\u00e1brica de papel em Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o, no Rec\u00f4ncavo Baiano, a primeira entrada \u00e0 esquerda leva ao assentamento Bela Vista, que reverencia, no nome, a beleza do entorno da Ba\u00eda de Todos-os-Santos. Por l\u00e1, 13 agricultores rec\u00e9m-chegados acabaram de fazer a sua primeira grande colheita&gt; o\u00a0milho que comp\u00f4s os pratos t\u00edpicos das festas juninas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pela necessidade imediata da sobreviv\u00eancia que s\u00f3 a terra pode garantir, pessoas como as instaladas\u00a0neste ano em Bela Vista abandonam periferias urbanas e se tornam agricultoras. A Bahia re\u00fane 15% (2 milh\u00f5es) de todos os agricultores familiares do Brasil, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). \u00c9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/bahia-se-mantem-como-estado-com-mais-areas-agropecuarias-do-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o maior n\u00famero do pa\u00eds<\/a>.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Neste novo fluxo da cidade para as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/o-que-e-que-a-bahia-tem-entenda-o-que-fez-agricultura-do-estado-disparar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">zonas agr\u00edcolas<\/a>, existe gente que s\u00f3 agora aprenda os tempos da agricultura e quem, no passado, deixou zonas rurais rumo \u00e0 cidade e precisou retornar, por necessidade. Espalhadas\u00a0pelo pa\u00eds, h\u00e1 pelo menos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/pesquisa-aponta-que-fome-atinge-331-milhoes-de-pessoas-no-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">33 milh\u00f5es de pessoas com fome<\/a>, segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">As estat\u00edsticas tamb\u00e9m assombram, principalmente aqui no estado, que lidera o ranking do desemprego no Brasil, com 1,25 milh\u00e3o de pessoas em busca de trabalho. Em janeiro, a falta de emprego levou\u00a0Luiz Alberto Barreto, 40,\u00a0a esposa, Maria, e os dois filhos para Bela Vista. A fam\u00edlia vivia no Cabula 6, onde mantinha\u00a0uma mercearia, que faliu durante a pandemia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0O coordenador do assentamento, que j\u00e1 conhecia Luiz Alberto, ligou para ele h\u00e1 um ano para avisar que uma casa na regi\u00e3o tinha vagado e perguntar se ele gostaria de ir. Apesar da d\u00favida pela dimens\u00e3o da mudan\u00e7a, o ex-comerciante aceitou o convite, porque as perspectivas na metr\u00f3pole n\u00e3o eram das melhores.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Depois da safra do milho, que durou 40 dias entre o plantio e a colheita, ele e outros 12 novatos se preparam para plantar mandioca em agosto. A perda dos milharais foi m\u00ednima, mas a terra precisa de um momento de descanso para nutrir as pr\u00f3ximas sementes. \u201cEstamos felizes em ver o trabalho resultado nisso\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Seis meses depois da mudan\u00e7a, os migrantes ainda se adaptam e aprendem a viver uma vida que nunca tiveram. Diariamente, Luiz vai \u00e0s planta\u00e7\u00f5es, enquanto a esposa Maria Regina dedica tr\u00eas dias \u00e0s atividades agr\u00edcolas. O sindicato de produtores locais ofereceu um curso de forma\u00e7\u00e3o e o casal tamb\u00e9m consegue plantar, no quintal, hortali\u00e7as que semanalmente s\u00e3o colhidas.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cUma perspectiva que passei a ter \u00e9 que a terra pode dar o que a gente quiser\u201d,<\/strong>\u00a0diz o agricultor, natural\u00a0de Salvador, que antes s\u00f3 ia \u00e0s zonas rurais em visitas a parentes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Foi um senhor, veterano no assentamento, quem o ajudou a ter essa vis\u00e3o. Longe de dominar a lida com o solo, Luiz acreditava que o melhor era despejar o m\u00e1ximo de sementes que pudesse na terra. \u201cEle disse que eu n\u00e3o podia fazer assim\u201d. Daquele jeito, com tanta semente, nada brotava, mas o novato insistia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cA\u00ed ele veio e disse que j\u00e1 tinha me avisado e que se eu quisesse ter algo, n\u00e3o podia fazer daquele jeito\u201d. A li\u00e7\u00e3o assimilada foi que \u201ca natureza n\u00e3o aceita excesso\u201d. Nem muita \u00e1gua, nem muito sol, nem muita semente, apenas o suficiente, nada al\u00e9m ou aqu\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"embed-content\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/embed?mid=1IvNFlyZdUiLfFDtek5KqriuuQf0cyws&amp;ehbc=2E312F\" width=\"640\" height=\"480\" data-gtm-yt-inspected-13=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A busca por\u00a0terras<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00c0s 4h30, no m\u00e1ximo, Sinho \u2013 apelido de Luiz Alberto &#8211; j\u00e1 est\u00e1 acordado, exceto quando dormiu mais tarde na noite anterior para assistir algum jogo de futebol. Geralmente, deita-se entre 19h e 20h. \u201cQuanto mais cedo a gente chega na ro\u00e7a, melhor. \u00c9 uma grande mudan\u00e7a. Mas agora queremos realizar sonhos atrav\u00e9s da terra\u201d, justifica.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Existem 37.652 mil fam\u00edlias em 565 assentamentos distribu\u00eddos por 183 munic\u00edpios baianos, mas o n\u00famero n\u00e3o foi atualizado, oficialmente, pelo Incra, j\u00e1 que desde 2018 duas recomenda\u00e7\u00f5es do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) determinaram a reformula\u00e7\u00e3o do processo de sele\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rios de reforma agr\u00e1ria. Existe um edital em andamento, que selecionar\u00e1 44 fam\u00edlias para um assentamento em Uru\u00e7uca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para quem n\u00e3o \u00e9 dono de uma terra, existem tr\u00eas destinos: assentamentos, \u00e1reas rurais que foram desapropriadas pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra); em propriedade de parentes ou em uma associa\u00e7\u00e3o com os donos de um latif\u00fandio, a parceria agr\u00edcola que pressup\u00f5e a partilha da produ\u00e7\u00e3o entre as partes (o que \u00e9 considerado desvantajoso por trabalhadores).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A agricultura familiar abrange, no estado, 593 mil estabelecimentos rurais espalhados por todo o mapa. H\u00e1 dois anos, quando saiu a \u00faltima pesquisa especializada realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a Bahia teve a maior produtividade desse segmento da agricultura em 26 anos, com destaque para os gr\u00e3os, leguminosas, oleaginosas e soja.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/8\/c\/csm_plantio_b69ebbd0fe.jpeg\" width=\"1000\" height=\"622\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>Plantio de hortali\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>(Foto: Manuela Cavadas\/CAR\/SDR)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">O estudo do IBGE traz os dez munic\u00edpios baianos com maior valor de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em 2020. Por ordem, s\u00e3o eles: S\u00e3o Desid\u00e9rio, Formosa do Rio Preto, Barreiras, Correntina, Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es, Riach\u00e3o das Neves, Jaborandi, Mucug\u00ea, Juazeiro e Ibicoara.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), respons\u00e1vel por pol\u00edticas p\u00fablicas para o desenvolvimento agr\u00edcola, somente o censo poder\u00e1 confirmar a impress\u00e3o de que se t\u00eam hoje do retorno de egressos do campo e da migra\u00e7\u00e3o de novos agricultores para a ro\u00e7a. O \u00faltimo censo agropecu\u00e1rio foi realizado em 2017.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O secret\u00e1rio Geandro Ribeiro cita o exemplo de Itabuna, onde as planta\u00e7\u00f5es de cacau foram varridas pela praga da vassoura-de-bruxa, entre o fim da d\u00e9cada de 1990 e in\u00edcio dos anos 2000, ao falar da nova ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas rurais.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cItabuna teve uma explos\u00e3o demogr\u00e1fica na sua zona urbana por causa da crise [desde os anos 1980, a popula\u00e7\u00e3o rural em Itabuna diminuiu 8%]. Mas hoje, com o avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de chocolate, h\u00e1 pessoas que v\u00e3o querer voltar ou ir para cooperativas, onde possam tecer parcerias e ter muito al\u00e9m da subsist\u00eancia\u201d,<\/strong>\u00a0comenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Quando conversou com a reportagem, Ribeiro tinha acabado de retornar de uma viagem a Santana, no oeste baiano, que se destaca pela produ\u00e7\u00e3o de leite e queijo. \u201cL\u00e1 mesmo encontrei duas pessoas que tinham acabado de se mudar da zona urbana para a rural para come\u00e7arem um neg\u00f3cio\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Os novos sozinhos<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Depois de cinco anos longe de Sa\u00fade, no norte da Bahia, Ma\u00e9cio Gon\u00e7alves, 32, retornou para a ro\u00e7a onde vivem os pais. O desembarque de Ma\u00e9cio, vindo da regi\u00e3o metropolitana de Goi\u00e2nia, aconteceu na rodovi\u00e1ria de Jacobina. No trajeto para casa, o sol j\u00e1 se punha, mas deu tempo de ver as planta\u00e7\u00f5es no horizonte. \u201cTinha muita coisa j\u00e1\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ma\u00e9cio saiu da terra natal em busca de um trabalho mais bem remunerado. Primeiro, trabalhou como encarregado do almoxarifado de uma obra da constru\u00e7\u00e3o civil, em Salvador. Depois, partiu para Goi\u00e1s, onde deveria trabalhar numa f\u00e1brica de enlatados.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Por oito horas, fechava e etiquetava latas de ervilha. Estava cansado da rotina que, no fim do m\u00eas, lhe rendia o suficiente para pagar as contas \u2013 a mais cara, o aluguel de uma quitinete \u2013 e nada mais.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Hoje, ele acorda junto com os pais e os acompanha at\u00e9 as ro\u00e7as de mandioca. Agora, est\u00e1 empenhado em construir cercas, pois o inverno est\u00e1 pr\u00f3ximo e o ciclo de produ\u00e7\u00f5es ser\u00e1 modificado. Sente saudade de passear no shopping e dos amigos que fez em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cEstar aqui n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 falta de oportunidade, ou gastos, essas coisas, mas vontade de estar trabalhando com as demandas da terra, \u00e9 muito satisfat\u00f3rio quando o esfor\u00e7o \u00e9 recompensado\u201d,<\/strong>\u00a0conta ele, que chegou na mesma \u00e9poca que outros conhecidos \u00e0 zona rural de Sa\u00fade.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Movimento contr\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A migra\u00e7\u00e3o de agora \u00e9 o contr\u00e1rio do que ocorreu no passado. O movimento de industrializa\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas urbanas e os problemas de produtividade das lavouras impulsionaram a fuga do campo \u2013 na \u00e9poca sin\u00f4nimo de agricultura \u2013 para as cidades. No intervalo de 30 anos, \u00e9 poss\u00edvel ter uma dimens\u00e3o da mudan\u00e7a da conforma\u00e7\u00e3o territorial e os n\u00fameros ajudam a entender: a Bahia de 1991, por exemplo, era 65% rural; em 2010, a porcentagem dos habitantes no campo caiu para 47%.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A cidade baiana com mais moradores fora da zona urbana naqueles anos 90, Serra Preta, no centro-norte, ocupava a 162\u00aa posi\u00e7\u00e3o na lista dos mais rurais quando recenseadores do IBGE revisitaram a comunidade. A aus\u00eancia de um novo censo, durante a pandemia, impede que exista um acompanhamento fidedigno da realidade.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cHoje mesmo eu lancei essa pergunta na reuni\u00e3o de departamento: parece que estamos mais rurais, mas ser\u00e1 que ficaremos mais agr\u00edcolas? Essas zonas rurais ter\u00e3o que tipo de crescimento? A gente ainda n\u00e3o sabe\u201d, conta Andrea da Silva Gomes, professora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e doutora em Desenvolvimento Rural.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E de quem ser\u00e3o essas zonas agr\u00edcolas? \u00c9 outra pergunta que Andr\u00e9a se faz. A chegada de novos habitantes para trabalharem como agricultores no campo n\u00e3o significa que eles ser\u00e3o incorporados ao territ\u00f3rio, nem que se habituar\u00e3o \u00e0 nova realidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cAs zonas agr\u00edcolas n\u00e3o s\u00e3o as mesmas do passado. Se a pessoa chega sem nunca ter manejado a terra, vai se deparar com uma s\u00e9rie de limita\u00e7\u00f5es de planta\u00e7\u00e3o e escoamento\u201d.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Para ela, \u00e9 mais prov\u00e1vel que os novos agricultores recorram \u00e0 terra, por ora, apenas para a subsist\u00eancia, n\u00e3o para grandes investimentos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00c9 o que S\u00f4nia Maria de Ara\u00fajo, 54, tem observado. H\u00e1 15 anos, S\u00f4nia fez o movimento inverso do que era comum \u00e0 \u00e9poca, deixou S\u00e3o Paulo e voltou para Sa\u00fade. \u00a0At\u00e9 os \u00faltimos dois anos, os vizinhos mais pr\u00f3ximos estavam distantes cinco quil\u00f4metros. \u201cAgora, olho e vejo v\u00e1rias pessoas chegando. Quando cheguei, n\u00e3o era uma coisa comum, as pessoas estavam saindo\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Entre os novos vizinhos est\u00e1 Ma\u00e9cio. Dez deles acabam de ser contempladas com projetos de planta\u00e7\u00e3o de palma. &#8220;Alguns filhos voltaram para ajudar. Acho que a ro\u00e7a est\u00e1 mais popular que a cidade&#8221;, brinca Sonia, que tira do quintal quase tudo o que precisa para comer. S\u00f3 vai ao mercado, quinzenal ou mensalmente, para comprar arroz integral e a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"paywall-barreiras-trial\" class=\"modal hide paywall-barreiras-inread paywall-barreiras--trial-wall is-active\" tabindex=\"-1\" role=\"dialog\" data-type=\"trial\" data-base-url=\"https:\/\/assine.correio24horas.com.br\/v2\" data-enable-modal=\"false\" data-enable-swg=\"true\" data-sku-plan=\"basic_monthly\" data-chartbeat=\"false\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__content\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__header\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias se mudam para zonas rurais para tentar garantir subsist\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":392885,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-392884","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/agricultura-familiar.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/392884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=392884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/392884\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/392885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=392884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=392884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=392884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}