{"id":39353,"date":"2014-01-19T09:21:54","date_gmt":"2014-01-19T12:21:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=39353"},"modified":"2014-01-19T09:21:54","modified_gmt":"2014-01-19T12:21:54","slug":"organizacao-estrutura-e-sossego-o-que-os-estudantes-buscam-em-uma-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/organizacao-estrutura-e-sossego-o-que-os-estudantes-buscam-em-uma-republica\/","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00e3o, estrutura e sossego: o que os estudantes buscam em uma rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<div>\n<h1 id=\"noticia-titulo\" itemprop=\"name\"><\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\"><em>Com o crescimento do SiSU, jovens do Brasil buscam moradia para estudar longe de casa. Em vez de festas, muitos deles buscam lugares tranquilos e organizados<\/em><\/h2>\n<div id=\"barra-superior\">\n<p><strong itemprop=\"name\">Caio Menezes<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"botoes\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"noticia\" itemprop=\"articleBody\">\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/ev\/3w\/jx\/ev3wjxaa7vi3ehzpp43c1ew53.jpg\" \/><figcaption><cite>Getty Images\/Thinkstock<\/cite><\/p>\n<div>As rep\u00fablicas s\u00e3o uma boa op\u00e7\u00e3o para os estudantes que v\u00e3o fazer fora de seus estados de origem<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para quem mora em cidades pequenas do interior do Brasil, fazer faculdade longe de casa sempre foi uma alternativa &#8212; ou at\u00e9 um sonho. Mas desde a cria\u00e7\u00e3o do SiSU, em 2009, o n\u00famero de estudantes que deixaram sua cidade natal para cursar o ensino superior em outras regi\u00f5es vem crescendo cada vez mais.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/08\/1q\/04\/081q04r49p0g286k2bgv502ev.jpg\" \/><figcaption><cite>Arquivo pessoal<\/cite><\/p>\n<div>\u201cAcho super saud\u00e1vel ocorrerem festas, mas elas t\u00eam que acontecer com a concord\u00e2ncia de todos\u201d, diz Vit\u00f3ria<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dados do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o provam que o deslocamento de estudantes no Brasil aumentou nos \u00faltimos anos. Em 2013, mais de 15 mil estudantes deixaram seu Estado de origem para fazer faculdade em outros lugares. Minas Gerais foi a regi\u00e3o que mais recebeu alunos, pouco mais de 2400, enquanto S\u00e3o Paulo \u201cexportou\u201d quase 5000 calouros.<\/p>\n<p>Depois de terem se dado bem nos vestibulares e no Enem, milhares de estudantes brasileiros que entrar\u00e3o na faculdade neste ano e estudar\u00e3o longe de casa est\u00e3o passando por outros desafios. O maior deles \u00e9 achar onde morar. E a primeira op\u00e7\u00e3o que vem na cabe\u00e7a de quem est\u00e1 saindo das asas dos pais \u00e9 morar em uma rep\u00fablica, que al\u00e9m de ser a alternativa mais barata, tamb\u00e9m parece ser a mais divertida.<\/p>\n<p>Mas est\u00e1 enganado quem acredita que a vida numa rep\u00fablica \u00e9 um eterno \u201cAmerican Pie\u201d. Quem espera ir para l\u00e1 e fazer festas todos os dias vai ter um grande choque: a experi\u00eancia \u00e9 mais um aprendizado de como sobreviver longe dos pais do que uma farra intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Caroline Fernandes, 20, \u00e9 prova disso. Ela saiu de Jacare\u00ed, no interior de S\u00e3o Paulo, para estudar Comunica\u00e7\u00e3o em Mariana, Minas Gerais. \u201cEu sempre fui muito dependente dos meus pais. Eles me levaram e buscaram na escola a vida toda\u201d, conta a segundanista da Universidade Federal de Ouro Preto. \u201cN\u00e3o foi f\u00e1cil acostumar com as novas responsabilidades, a gente passa a dar muito mais valor a coisas bem simples e v\u00ea que a realidade \u00e9 complicada\u201d, admite.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, Caroline \u00e9 uma das cinco moradoras da rep\u00fablica Boa Pergunta. \u201cEu procurava uma rep\u00fablica sem aquelas tradi\u00e7\u00f5es de batalha, uma coisa bem de boa mesmo, sem as bagun\u00e7as de festas\u201d, conta a paulista.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos podem pensar &#8212; inclusive os pais &#8211;, nem todo mundo que est\u00e1 em busca de uma rep\u00fablica est\u00e1 procurando por festas e curti\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de Vit\u00f3ria Bena, 19, que vai come\u00e7ar a cursar medicina em uma faculdade particular de Belo Horizonte e est\u00e1 em busca de uma moradia. \u201cEu estou saindo de casa e gastando dinheiro dos meus pais para estudar. N\u00e3o quero desperdi\u00e7ar nenhuma oportunidade\u201d, afirma a mato-grossense.<\/p>\n<p>Para ela, as festas s\u00e3o legais, mas n\u00e3o podem atrapalhar os estudos. \u201cAcho super saud\u00e1vel ocorrerem festas, mas elas t\u00eam que acontecer com a concord\u00e2ncia de todos\u201d, diz a futura universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o querer curti\u00e7\u00e3o, a socializa\u00e7\u00e3o entre os estudantes \u00e9 um dos motivos que levam os calouros \u00e0s rep\u00fablicas. Mariana Chevrand, 18, \u00e9 um exemplo disso. \u201cSou bem t\u00edmida e isso foi uma das coisas que me levou a escolher morar em rep\u00fablica, porque assim vou ser obrigada a socializar com os outros\u201d, explica a carioca de Nova Friburgo, atualmente matriculada em um curso interdisciplinar em Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerias.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/71\/j9\/wd\/71j9wd3jnfsedbl3d3v020zz1.jpg\" \/><figcaption><cite>Arquivo pessoal<\/cite><\/p>\n<div>Caroline Fernandes (esquerda) e as outras quatro moradoras da rep\u00fablica Boa Pergunta, em Mariana<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>A socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das quest\u00f5es que deve ser levada em conta na hora de decidir morar ou n\u00e3o em uma rep\u00fablica. Esse foi o principal motivo pelo qual Caroline saiu da primeira rep\u00fablica em que morou em Mariana. \u201cCom uma semana l\u00e1, eu percebi que n\u00e3o me adaptava e que as meninas n\u00e3o combinavam comigo. Era eu e mais tr\u00eas meninas, nenhuma fazia o mesmo curso que eu e s\u00f3 uma se preocupava em conversar comigo\u201d, lembra a estudante. \u201cSem contar que eu era t\u00edmida, a\u00ed dificultava muito tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/8c\/ve\/9c\/8cve9cixpjyb5y8l9i7y7dch8.jpg\" \/><figcaption><cite>Arquivo pessoal<\/cite><\/p>\n<div>Mariana escolheu morar em uma rep\u00fablica para tentar superar a timidez<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para Vit\u00f3ria, conviver com pessoas diferentes \u00e9 o maior desafio de dividir uma casa com outros estudantes. \u201cUma coisa \u00e9 morar com a sua fam\u00edlia, onde todo mundo te conhece e tem total liberdade pra te mandar ficar quieta ou lavar a lou\u00e7a. J\u00e1 com outras pessoas, fica sempre aquela ressalva de falar alguma coisa com medo de prejudicar a conviv\u00eancia\u201d, avalia Vit\u00f3ria, que dividia um apartamento com uma amiga em Curitiba.<\/p>\n<p>Os que j\u00e1 passaram pela fase da decis\u00e3o &#8212; e convencimento dos pais &#8212; t\u00eam uma outra preocupa\u00e7\u00e3o: achar a rep\u00fablica ideal. \u201cA minha rep\u00fablica ideal teria regras de conviv\u00eancia, como hor\u00e1rio m\u00e1ximo pra barulho e festas e um quadro de tarefas pra limpeza e organiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um ambiente claro e fresco pra conviv\u00eancia comum\u201d, enumera Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>A infraestrutura tamb\u00e9m deve ser levada em conta. \u201cTem que ter uma estrutura adequada. N\u00e3o adianta ter muitas pessoas legais se n\u00e3o tem estrutura pra sustent\u00e1-las\u201d, diz Mariana.<\/p>\n<p>Outro ponto a ser avaliado \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel. \u201c\u00c9 bom procurar uma rep\u00fablica que n\u00e3o seja muito longe do campus\u201d, aconselha Iago Moraes, 17, que saiu de Socorro, no interior de S\u00e3o Paulo, para morar em Limeira e cursar o ensino m\u00e9dio em um col\u00e9gio da Unicamp. \u201cSe n\u00e3o puder ser perto, que seja num lugar seguro ou que precise pegar um \u00f4nibus s\u00f3 [para chegar \u00e0 faculdade]. Ajuda at\u00e9 a guardar dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o mais importante na hora de escolher a rep\u00fablica certa talvez seja os colegas de casa. \u201c\u00c9 importante se dar bem com a galera que mora com a gente, sem d\u00favidas. Saber conversar, negociar e ser tolerante \u00e9 fundamental\u201d, garante Caroline. \u201c\u00c9 importante estar num lugar onde voc\u00ea se identifique com os moradores, j\u00e1 que eles v\u00e3o acabar virando sua segunda fam\u00edlia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Mas, depois de ter tudo certo, veteranos e calouros concordam em uma coisa: a experi\u00eancia de morar em uma rep\u00fablica \u00e9 \u00fanica e muito v\u00e1lida. \u201cRecomendo muito para quem \u00e9 dependente demais dos outros\u201d, afirma Igor. Caroline vai mais longe. &#8220;A experi\u00eancia acaba sendo \u00f3tima e o resultado s\u00e3o amizades que duram a vida toda\u201d, garante a universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Fonte: iG<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o crescimento do SiSU, jovens do Brasil buscam moradia para estudar longe de casa. 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