{"id":39481,"date":"2014-01-20T08:25:50","date_gmt":"2014-01-20T11:25:50","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=39481"},"modified":"2014-01-20T08:25:50","modified_gmt":"2014-01-20T11:25:50","slug":"esvaziado-por-acoes-do-governo-mst-chega-aos-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/esvaziado-por-acoes-do-governo-mst-chega-aos-30-anos\/","title":{"rendered":"Esvaziado por a\u00e7\u00f5es do governo, MST chega aos 30 anos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-39482\" alt=\"1e0914a282aa51cbbf69c389eaf79e56\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/1e0914a282aa51cbbf69c389eaf79e56-300x146.jpg\" width=\"300\" height=\"146\" \/><\/p>\n<p>Criado durante o 1.\u00b0 Encontro Nacional dos Sem Terra, aberto em Cascavel, no Paran\u00e1, no dia 20 de janeiro de 1984, o Movimento dos Sem Terra (MST)chega nesta segunda-feira (20) ao anivers\u00e1rio de trinta anos em meio \u00e0 sua maior crise de identidade.<\/p>\n<p>\u00c9 cada vez mais reduzida sua capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o para concretizar sua principal consigna: \u201cocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Sem for\u00e7a para organizar novos acampamentos de sem-terra e pressionar o governo para a cria\u00e7\u00e3o de assentamentos, o grupo tamb\u00e9m sofre os impactos da pol\u00edtica da presidente Dilma Rousseff, que s\u00f3 n\u00e3o desapropriou menos terras no per\u00edodo p\u00f3s-democratiza\u00e7\u00e3o do que Fernando Collor em sua breve gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Dilma tamb\u00e9m vem adotando medidas que tendem a enfraquecer a for\u00e7a do MST entre fam\u00edlias j\u00e1 assentadas. Em dezembro, em meio a uma s\u00e9rie de decretos para o setor, determinou que os recursos que o governo repassa \u00e0s fam\u00edlias assentadas para facilitar sua instala\u00e7\u00e3o nos lotes n\u00e3o passem mais por cooperativas. Ser\u00e3o entregues diretamente \u00e0s fam\u00edlias, o que enfraquece a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o das cooperativas e, indiretamente, do MST, que controla boa parte delas.<\/p>\n<p>Indicadores da redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a do MST est\u00e3o por toda parte. Um deles \u00e9 o mais recente relat\u00f3rio da Ouvidoria Agr\u00e1ria Nacional, vinculada ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio. Ele mostra que n\u00famero de invas\u00f5es de terras em 2013 deve ser o mais baixo dos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>O MST n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o que organiza ocupa\u00e7\u00f5es e acampamentos (a Ouvidoria registra a exist\u00eancia de quase quatro dezenas delas no Pa\u00eds), mas \u00e9 a principal. Responde por quase 60% de todo tipo de a\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a Ouvidoria, o auge de sua capacidade mobiliza\u00e7\u00e3o ocorreu em 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. O ponto mais baixo foi 2002 &#8211; ano que os movimentos de sem-terra fizeram um recuo para favorecer a elei\u00e7\u00e3o do petista Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>CONJUNTURA &#8211; Um dos l\u00edderes do MST, o economista Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile aponta as raz\u00f5es para a redu\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es atualmente. \u201cElas se devem a uma conjuga\u00e7\u00e3o de diversos fatores. Do lado do latif\u00fandio, houve uma avalanche de capital que foi para agricultura atra\u00eddo pelos pre\u00e7os das commodities, que d\u00e3o elevados lucros e aumentaram o pre\u00e7o das terras. E com isso bloqueia a reforma agr\u00e1ria. Do lado dos trabalhadores os sal\u00e1rios aumentaram nas cidades, e isso refor\u00e7ou o \u00eaxodo rural. H\u00e1 um bloqueio tamb\u00e9m no Judici\u00e1rio e no Congresso.\u201d<\/p>\n<p>Quanto ao Executivo, diz: \u201cO governo abandonou as desapropria\u00e7\u00f5es. E os trabalhadores acabam desanimando.\u201d Para St\u00e9dile, tudo isso \u00e9 conjuntural, uma vez que n\u00e3o se teria resolvido o problema dos sem-terra: \u201cA retomada da luta com mais for\u00e7a, \u00e9 a apenas uma quest\u00e3o de tempo.\u201d<\/p>\n<p>Raul Jungmann, que foi ministro do Desenvolvimento Agr\u00e1rio no governo FHC e hoje \u00e9 vereador em Recife, pelo PPS, diz que a desidrata\u00e7\u00e3o do MST ocorreu com a chegada do PT ao poder: \u201cO grande fator de coes\u00e3o do movimento e das for\u00e7as que o apoiavam era a cruzada contra o grande inimigo, o chamado neoliberalismo de Fernando Henrique. Ele era o grande Sat\u00e3, at\u00e9 mesmo dentro da da vis\u00e3o religiosa dos padres da Teologia de Liberta\u00e7\u00e3o que apoiavam o MST. Sem ele, houve uma grande crise. Em segundo lugar aparecem as bolsas, como as do Programa Bolsa Fam\u00edlia, que foram se universalizando e esvaziando os estoques onde MST arregimentava pessoas. Outro fator foi a coopta\u00e7\u00e3o de militantes pelo governo .\u201d<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor Bernardo Man\u00e7ano Fernandes, do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da Unesp, as ocupa\u00e7\u00f5es de terra n\u00e3o v\u00e3o desaparecer. Mas dificilmente ter\u00e3o a mesma intensidade de anos passados. Isso dever\u00e1 levar o MST a inverter suas prioridades: \u201cO movimento \u00e9 respons\u00e1vel por 55% das fam\u00edlias assentadas no Pa\u00eds. \u00c9 um patrim\u00f4nio que vai ter que cuidar daqui para a frente. Se antes investia 20% das for\u00e7as nos assentamentos e 80% nas ocupa\u00e7\u00f5es, agora ter\u00e1 fazer o contr\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: Jornal do Comercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criado durante o 1.\u00b0 Encontro Nacional dos Sem Terra, aberto em Cascavel, no Paran\u00e1, no dia 20 de janeiro de 1984, o Movimento dos Sem Terra (MST)chega nesta segunda-feira (20) ao anivers\u00e1rio de trinta anos em meio \u00e0 sua maior crise de identidade. \u00c9 cada vez mais reduzida sua capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o para concretizar sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":39482,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-39481","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/1e0914a282aa51cbbf69c389eaf79e56.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39481\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}