{"id":397599,"date":"2022-09-04T11:45:58","date_gmt":"2022-09-04T14:45:58","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=397599"},"modified":"2022-09-04T11:45:58","modified_gmt":"2022-09-04T14:45:58","slug":"bahia-de-150-anos-atras-tinha-cachoeira-metropole-excesso-de-homens-e-so-catolicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/bahia-de-150-anos-atras-tinha-cachoeira-metropole-excesso-de-homens-e-so-catolicos\/","title":{"rendered":"Bahia de 150 anos atr\u00e1s tinha Cachoeira metr\u00f3pole, excesso de homens e s\u00f3 cat\u00f3licos"},"content":{"rendered":"<div class=\"row visible-lg\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div>Gabriel Moura<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><source srcset=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/b\/6\/csm_salvador_1870_428046313e.jpg\" media=\"(min-width: 420px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/b\/6\/csm_salvador_1870_4b6dc602d6.jpg\" alt=\"Salvador era totalmente concentrada no Centro Hist\u00f3rico em 1870\" \/><\/picture><span class=\"noticias-single__image-caption\">Salvador era totalmente concentrada no Centro Hist\u00f3rico em 1870 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop noticias-single__title--with-image visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Primeiro Censo da hist\u00f3ria, em 1872, revelou a cara da popula\u00e7\u00e3o do estado na \u00e9poca<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">A capital do Brasil n\u00e3o era Salvador h\u00e1 mais de 100 anos, mas a Bahia ainda era refer\u00eancia \u00a0em v\u00e1rias \u00e1reas. \u00a0Os grandes c\u00e9rebros da na\u00e7\u00e3o se abrigavam sob o teto da j\u00e1 sexagen\u00e1ria Faculdade de Medicina. Liderados pelo Bar\u00e3o de Cotegipe, os baianos formavam a segunda maior bancada do Senado Federal. Quatro das dez maiores cidades do imp\u00e9rio se encontravam dentro das nossas divisas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A d\u00e9cada de 1870 foi um dos \u00faltimos per\u00edodos de gl\u00f3ria da prov\u00edncia, que outrora fora a joia da col\u00f4nia. A prosperidade do Rec\u00f4ncavo, a intelectualidade de uma das regi\u00f5es mais letradas do Brasil e o retrato dos 1.379.616 homens e mulheres que aqui habitavam foram capturados pelo censo de 1872, o primeiro feito no pa\u00eds e que completa 150 anos em 2022, quando est\u00e1 sendo feito o 13\u00ba levantamento nacional para tra\u00e7ar um panorama de quem somos e conduzir novas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Esque\u00e7a os tablets e question\u00e1rios digitais, era tudo papel e caneta. Tudo calculado na m\u00e3o, com aux\u00edlio de instrumentos rudimentares, pela Diretoria Geral de Estat\u00edstica do Imp\u00e9rio (DGE) \u2013 o IBGE s\u00f3 seria fundado mais de 50 anos depois. Em comum com a atualidade, apenas os recenseadores batendo nas portas das 181.511 casas, chamadas \u00e0 \u00e9poca de \u201cfogos\u201d, catalogadas na segunda maior prov\u00edncia do Brasil, atr\u00e1s apenas de Minas Gerais. Algumas aldeias ind\u00edgenas e quilombos mais distantes n\u00e3o foram contabilizados, por isso o n\u00famero de habitantes era maior, mas nada que comprometesse os dados do estudo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Aos baianos, assim como a \u00a0todos os brasileiros, foram feitas perguntas sobre seu sexo, condi\u00e7\u00e3o (livre ou escravizado), se sabiam ler e escrever, religi\u00e3o, idade, profiss\u00e3o, ra\u00e7a, onde nasceram, se portavam alguma defici\u00eancia f\u00edsica e o estado civil. Tamb\u00e9m foram levantados o n\u00famero de \u201cfogos\u201d, e se estavam habitados ou n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ideia de fazer um censo no Brasil existia desde 1850, mas revoltas populares ocorridas em estados como Bahia e Pernambuco contra o \u2018retrato\u2019 nacional adiaram o plano em 20 anos. Os pretos e pardos que j\u00e1 eram livres achavam que o objetivo do estudo seria catalog\u00e1-los para os<br \/>\nreescravizarem.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_03\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Em 1869, por decis\u00e3o do Gabinete de Itabora\u00ed, foi aprovada a lei prevendo o estudo, que ficou sob responsabilidade do Gabinete Rio Branco (o Visconde, n\u00e3o o Bar\u00e3o), comandado por Francisco Manuel Correia, o maior animador cultural da Corte. Segundo Nelson Senra, especialista em hist\u00f3ria do IBGE, essa segunda tentativa de censo ocorreu sem problemas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cPara o censo de 1872 a aceita\u00e7\u00e3o foi a melhor poss\u00edvel, pois teve o envolvimento das altas autoridades do Imp\u00e9rio, inclusive do pr\u00f3prio Imperador d. Pedro II, em sua fala do trono, na abertura do parlamento. N\u00e3o se tem registros nos relat\u00f3rios da DGE ao parlamento de resist\u00eancia, afora que, em havendo, a pol\u00edcia ou Guarda Imperial poderia ser chamada a atuar. O censo, pode-se dizer, transcorreu de modo tranquilo\u201d, explica Nelson.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"censo 1872\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/d\/a\/csm_censo_info-web_6d99b05257.png\" alt=\"gr\u00e1fico\" width=\"1000\" height=\"622\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_04\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Agr\u00e1ria e escravista<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">O censo ocorreu 18 anos antes da Lei \u00c1urea, que extinguiu a escravid\u00e3o oficial no Brasil. Portanto, todo o censo foi feito sob este vi\u00e9s, separando as pessoas entre livres (87,8% dos baianos) e escravizadas (12,2%).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No question\u00e1rio racial, havia quatro op\u00e7\u00f5es: brancos, caboclos, pardos e pretos, das quais os escravizados podiam responder apenas as duas \u00faltimas alternativas. Ao total, a sociedade baiana era composta por 24,1% de brancos, 45,7% de pardos, 26,6% de pretos e 3,6% de caboclos. Comparando com o \u00faltimo censo, o de 2010, nota-se que a popula\u00e7\u00e3o se miscigenou ainda mais, visto que brancos e pretos diminu\u00edram (22,19% e 17,1%, respectivamente), enquanto os pardos dispararam, atingindo 59,16% do total.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_05\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">\u201cOs relacionamentos entre pretos e brancos (gerando os pardos) sempre aconteceram, marcados por muita viol\u00eancia. Mas, na \u00e9poca, era algo mal visto pela sociedade escravista quando feito de forma mais oficial, como em um casamento. Tinha-se uma cultura muito forte de branquear a sociedade naquele per\u00edodo. Com o tempo, isso foi perdendo for\u00e7a, apesar de ainda estar muito presente, aumentando o n\u00famero de pardos\u201d, explica o historiador Rafael Dantas,\u00a0especialista na Bahia do\u00a0s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Outra discrep\u00e2ncia escravista \u00e9 observada na educa\u00e7\u00e3o. Enquanto o estado se gabava por ter uma taxa de analfabetismo de \u201capenas\u201d 80,5%, uma das menores do Imp\u00e9rio (cujo n\u00famero era 84,3%), apenas 64 escravizados, em um universo de 167.824, sabiam ler e escrever. Apenas a popula\u00e7\u00e3o livre poderia frequentar as escolas da \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cEra uma sociedade basicamente agr\u00e1ria, com o empreendedorismo e industrializa\u00e7\u00e3o ainda dando os primeiros passos. Apenas as elites iam para as escolas e faculdades, enquanto a maioria da popula\u00e7\u00e3o aprendia apenas alguns c\u00e1lculos b\u00e1sicos. No entanto, havia uma camada m\u00e9dia e alta da sociedade que era bastante erudita, trocando livros e jornais. As primeiras tipografias do Brasil, por exemplo, foram em Salvador\u201d, diz o historiador.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_06\"><\/div>\n<\/div>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"censo 1872\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/1\/a\/csm_censo_info-web02_2b8b16e48b.png\" alt=\"Quintino\" width=\"1000\" height=\"622\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Homens religiosos<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">O Brasil era um estado com religi\u00e3o oficial, a Cat\u00f3lica. Isso fica evidente em dois aspectos do censo: ap\u00f3s serem perguntados sobre sua religiosidade, os brasileiros s\u00f3 poderiam responder cat\u00f3licos ou \u201cacat\u00f3licos\u201d; e a pesquisa foi feita n\u00e3o baseada em cidades, mas em par\u00f3quias. A capital, por exemplo, tinha 18 que foram respons\u00e1veis por estudar a vizinhan\u00e7a. Atualmente, s\u00e3o 101 na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Um dado que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a quantidade de baianos natos que se declararam \u201cacat\u00f3licos\u201d: zero. A Bahia tinha, oficialmente, apenas 212 pessoas de outras religi\u00f5es ou ateus, que eram ingleses, alem\u00e3es, russos e su\u00ed\u00e7os.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cA Bahia era dominada por uma vis\u00e3o de mundo baseada pela igreja, uma cristianiza\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio. Havia outras express\u00f5es de f\u00e9, como as religi\u00f5es de matrizes africanas, mas elas eram professadas em lugares afastados e envoltas em segredo. Expressar algo contr\u00e1rio ao catolicismo era muito mal visto naquele per\u00edodo. Por isso, mesmo quem n\u00e3o era cat\u00f3lico dizia ser\u201d, revela Rafael Dantas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">J\u00e1 sobre os estrangeiros, o estado contabilizou oficialmente 22.397, majoritariamente africanos (o censo n\u00e3o especificava pa\u00eds, colocava o continente inteiro como uma coisa s\u00f3), que somavam 16.905, seguidos por portugueses (4.206), franceses (324) e italianos (270).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A maioria dos que vinham de fora eram homens (61,7%), isso ajudava a criar um desequil\u00edbrio de g\u00eanero, transformando a Bahia em um estado majoritariamente masculino. Eram 52,1% machos contra 47,9% de mulheres. A solteirice tamb\u00e9m dominava, atingindo 69,2% da popula\u00e7\u00e3o, enquanto 25,8% era casado e 5% vi\u00favo. O div\u00f3rcio s\u00f3 foi legalizado 100 anos depois, por isso n\u00e3o aparecia esta op\u00e7\u00e3o no censo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\n<strong>Metr\u00f3poles do sert\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00e3o Francisco n\u00e3o era apenas rio, era a vig\u00e9sima segunda cidade mais populosa do Brasil, maior que Porto Alegre, Fortaleza, Cuiab\u00e1 e at\u00e9 S\u00e3o Paulo. O farol mais famoso de Salvador tinha um xar\u00e1, o munic\u00edpio de Santo Ant\u00f4nio da Barra, que, em 1872, aglutinava mais de 40 mil pessoas, o colocando em 32\u00ba no ranking nacional de popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No total, a Bahia tinha nove entre as 50 cidades mais populosas do pa\u00eds, incluindo<br \/>\nalgumas que n\u00e3o existem mais, como as citadas acima. S\u00e3o Francisco estava localizada entre Salvador e Santo Amaro, na regi\u00e3o onde atualmente fica Pojuca, Catu e S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9. J\u00e1 Santo Ant\u00f4nio da Barra era entre Caetit\u00e9 e Victoria (a atual Vit\u00f3ria da Conquista).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em 2010, apenas duas cidades baianas estiveram no top-50: Salvador e Feira de Santana, terceira e trig\u00e9sima quarta, respectivamente. As metr\u00f3poles do sert\u00e3o eram Minas do Rio de Contas (atual Rio de Contas, oitava maior do Brasil), Santo Amaro (9\u00aa), Feira de Santana (16\u00aa), Maragogipe (21\u00aa), S\u00e3o Francisco (22\u00aa), Purifica\u00e7\u00e3o (onde atualmente \u00e9 a regi\u00e3o de Serrinha era a 30\u00aa), Santo Ant\u00f4nio da Barra (32\u00aa), Nazar\u00e9 (39\u00aa), Geremoabo (41\u00aa), Maca\u00fabas (44\u00aa) e \u00a0Rio das \u00c9guas (no extremo Oeste da Bahia era a 46\u00aa).\n<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/2\/2\/csm_bahia_1872_1e18515399.jpg\" width=\"1000\" height=\"890\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><b>Mapa da Bahia em 1872\u00a0<\/b>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ IBGE)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">No entanto, o protagonismo era dividido entre duas cidades: Salvador e Cachoeira, segunda e quinta maiores cidades do Brasil no per\u00edodo. Os saveiros conectavam as metr\u00f3poles, transportando pessoas e carga.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cSalvador era a segunda cidade mais importante do imp\u00e9rio, dona de um grande com\u00e9rcio portu\u00e1rio e de rua. Havia muitos problemas de infraestrutura urbana e pobreza, mas tamb\u00e9m tentativas de moderniza\u00e7\u00e3o, como o Elevador Lacerda. As poucas f\u00e1bricas ficavam no Sub\u00farbio, mas o setor de servi\u00e7os era o mais importante\u201d, conta Rafael.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas Salvador pouco produzia, a riqueza baiana era gerada na Chapada Diamantina, com as pedras preciosas, e, principalmente, no Rec\u00f4ncavo, lar das planta\u00e7\u00f5es de cana, que estavam em decad\u00eancia, e do tabaco.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Os primeiros engenhos da Bahia foram instalados no Rec\u00f4ncavo, pr\u00f3ximos ao Rio Paragua\u00e7u, que passa, justamente, por Cachoeira. O tabaco e a mandioca tamb\u00e9m foram muito plantados naquela regi\u00e3o. Ent\u00e3o tudo que era produzido pelo interior da Bahia iam at\u00e9 Cachoeira antes de chegar em Salvador&#8221;, conta o historiador\u00a0F\u00e1bio Batista.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A cidade, por\u00e9m, era dependente da m\u00e3o de obra escrava que trabalhava nas lavouras, engenhos e minas de pedras preciosas. Com a aboli\u00e7\u00e3o, Cachoeira entrou em decad\u00eancia. A soma da crise econ\u00f4mica com a emancipa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios como S\u00e3o F\u00e9lix e Muritiba fez a popula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio despencar dos 88 mil em 1872 para os atuais 33 mil.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cCuriosamente, foi justamente esse decl\u00ednio que fez Cachoeira preservar o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e se tornar um museu ao ar livre. Enquanto a vizinha Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o passou por um processo de desenvolvimento, que resultou na destrui\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas para dar lugar a novas, Cachoeira ficou parada no tempo, sem nenhuma moderniza\u00e7\u00e3o\u201d, pontua Rafael Dantas.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"paywall-barreiras-trial\" class=\"modal hide paywall-barreiras-inread paywall-barreiras--trial-wall is-active\" tabindex=\"-1\" role=\"dialog\" data-type=\"trial\" data-base-url=\"https:\/\/assine.correio24horas.com.br\/v2\" data-enable-modal=\"false\" data-enable-swg=\"true\" data-sku-plan=\"basic_monthly\" data-chartbeat=\"false\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__content\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__header\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os primeiros engenhos da Bahia foram instalados no Rec\u00f4ncavo, pr\u00f3ximos ao Rio Paragua\u00e7u, que passa, justamente, por Cachoeira. 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