{"id":400055,"date":"2022-10-02T09:04:32","date_gmt":"2022-10-02T12:04:32","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=400055"},"modified":"2022-10-02T09:04:32","modified_gmt":"2022-10-02T12:04:32","slug":"os-baianos-que-tentaram-ser-presidente-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-baianos-que-tentaram-ser-presidente-do-pais\/","title":{"rendered":"Os baianos que tentaram ser presidente do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div class=\"row visible-lg\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div>Gabriel Moura<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><source srcset=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/4\/4\/csm_Collage_Maker-30-Sep-2022-12.49-PM_13aa3c9f4a.jpg\" media=\"(min-width: 420px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/4\/4\/csm_Collage_Maker-30-Sep-2022-12.49-PM_d2c8ec1da2.jpg\" alt=\"Padre Kelmon, Ruy Barbosa e Ant\u00f4nio Pedreira t\u00eam em comum o fato de serem baianos que se candidataram \u00e0 presid\u00eancia\" \/><\/picture><span class=\"noticias-single__image-caption\">Padre Kelmon, Ruy Barbosa e Ant\u00f4nio Pedreira t\u00eam em comum o fato de serem baianos que se candidataram \u00e0 presid\u00eancia (Fotos: Reprodu\u00e7\u00e3o e Ag\u00eancia Brasil)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop noticias-single__title--with-image visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Com quatro candidatos ao longo da hist\u00f3ria, Bahia n\u00e3o elegeu ningu\u00e9m<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">A Galeria dos Ex-presidentes nos conta que, ao longo dos 132 anos de rep\u00fablica, 44 pessoas assumiram o cargo mais importante do Brasil. Investigando a vida desses poderosos, encontra-se uma variedade de g\u00eaneros, opini\u00f5es pol\u00edticas e profiss\u00f5es ocupadas, e um importante detalhe coloca todos no mesmo pote: nenhum \u00e9 baiano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E n\u00e3o foi por falta de tentativa. Em elei\u00e7\u00f5es passadas, tr\u00eas baianos se colocaram como postulantes ao cargo e n\u00e3o conquistaram a simpatia da maioria do eleitorado. Ruy Barbosa, o mais famoso, tentou por tr\u00eas vezes (1910, 14 e 19), enquanto Ant\u00f4nio Pedreira e Jo\u00e3o de Deus Barbosa de Jesus arriscaram a sorte em 1989 e 1998, mas passaram longe de registrar um ponto percentual sequer.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\" data-google-query-id=\"CJCFzIq-wfoCFUwfuQYdQp0C1Q\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_minhabahia_300x250_01_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Em 2022 um novo filho da terra tenta encerrar o jejum: Padre Kelmon. No entanto, as pesquisas eleitorais indicam que ele deve passar longe da vit\u00f3ria. Apesar da falta de competitividade, a candidatura do ex-filiado ao PT, atualmente no PTB, chama a aten\u00e7\u00e3o pela contundente defesa que presta a outro candidato, o atual presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Apesar de estar conhecido como &#8220;Candidato Padre&#8221; ap\u00f3s o debate da TV Globo, at\u00e9 o t\u00edtulo sacerdotal est\u00e1\u00a0envolto em d\u00favidas. Kelmon atua em um templo na Ilha de Mar\u00e9, em Salvador,\u00a0mas \u00e9 membro da Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Ortodoxa do Peru, que n\u00e3o \u00e9 reconhecida pelas correntes ortodoxas brasileiras.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Esclarecemos que, em pleno respeito, mas tamb\u00e9m gozando da mesma liberdade de pensamento, consci\u00eancia e religi\u00e3o prevista no 18\u00ba artigo da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos e no artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal do Brasil, o referido candidato n\u00e3o \u00e9 membro de nossa Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia do Brasil em nenhuma de suas par\u00f3quias, comunidades, miss\u00f5es ou obras sociais\u201d, diz a referida igreja em nota.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_03\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Asteriscos<\/strong><br \/>\nAntes de destrinchar os candidatos do passado, \u00e9 necess\u00e1rio esclarecer dois asteriscos envolvendo Manuel Vitorino e Itamar Franco.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Manuel \u00e9 soteropolitano e foi vice-presidente entre 1894 e 1898. Durante quatro meses ele assumiu a presid\u00eancia por causa do afastamento de Prudente de Morais por motivos de sa\u00fade. No entanto, ele n\u00e3o consta na lista oficial de ex-presidentes &#8211; dispon\u00edvel na Biblioteca da Presid\u00eancia\u00a0 da Rep\u00fablica\u00a0em Bras\u00edlia ou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/secretariageral\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/biblioteca-da-pr\/galeria-dos-ex-presidentes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em meio digital<\/a>.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O\u00a0epis\u00f3dio mais marcante da gest\u00e3o de Manuel Vitorino foi um ataque que ele organizou \u00e0\u00a0sua terra natal. Ap\u00f3s pedido do governador da Bahia, Lu\u00eds Viana, ele enviou o terceiro ataque ao arraial de Canudos. A expedi\u00e7\u00e3o militar fracassou solenemente, com direito \u00e0 morte do coronel Moreira C\u00e9sar, l\u00edder das tropas, e o Ex\u00e9rcito Brasileiro se tornando piada nacional. Al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m foi o respons\u00e1vel pela compra do Pal\u00e1cio do Catete, que foi a resid\u00eancia oficial da presid\u00eancia at\u00e9 a capital migrar do Rio de Janeiro para Bras\u00edlia, em 1960.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_04\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Atualmente, o baiano que assumiu a presid\u00eancia por mais tempo \u00e9 homenageado em Salvador com o batismo de uma pequena rua no Dois de Julho e de um hospital em Nazar\u00e9 (ele tamb\u00e9m era m\u00e9dico) &#8211; com varia\u00e7\u00f5es na grafia para Manoel Vitorino e Manoel Victorino, respectivamente. H\u00e1 tamb\u00e9m um\u00a0pequeno munic\u00edpio no Sudoeste do estado que carrega seu\u00a0nome.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">J\u00e1 Itamar Franco, presidente entre 1992 e 1995, \u00e9 um caso mais complexo, pois a naturalidade dele n\u00e3o \u00e9 clara. Nasceu em mar aberto, em um navio que fazia o trecho Rio de Janeiro\/Salvador. N\u00e3o se sabe exatamente na costa de qual estado\u00a0se deu o nascimento, mas a m\u00e3e o registrou em Salvador no dia 28 de junho de 1930.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No entanto, segundo a Galeria dos ex-Presidentes, o registro de batismo aponta nascimento em 1931 na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, pois ele fazia parte de uma tradicional fam\u00edlia daquele estado. Al\u00e9m disso, Itamar nunca reivindicou ser baiano, sempre exaltando suas ra\u00edzes mineiras.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_05\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Civilista<\/strong><br \/>\nDe um lado, um militar sobrinho do ex-presidente Deodoro da Fonseca e conhecido, principalmente, por sua trucul\u00eancia na repress\u00e3o de revoltas populares. Do outro, um intelectual, poliglota, l\u00edder pol\u00edtico da rep\u00fablica e, o principal, baiano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O brasileiro se deparou com essa escolha para definir o presidente nas elei\u00e7\u00f5es de 1910, e, com 64,35% dos votos, escolheu Hermes da Fonseca ao inv\u00e9s de Ruy Barbosa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A derrota do baiano se deu, principalmente, pela ajuda que Nilo Pe\u00e7anha, presidente entre 1909 e 1910, deu ao militar ga\u00facho. Em meio \u00e0 chamada Rep\u00fablica do Caf\u00e9 com Leite, Ruy at\u00e9 angariou\u00a0aliados importantes, como as bancadas paulistas e baianas, mas n\u00e3o foi o suficiente para derrotar o grande acordo nacional.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"internas_300x250_06\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">\u201cEle teve uma campanha muito forte, apoiado pela massa. Muita gente queria romper com os militares, que instauraram uma ditadura durante 20 anos. Ruy era famoso em todo o Brasil e apontava esse veio autorit\u00e1rio dos militares, mas n\u00e3o furou o bloqueio dos grandes estados\u201d, narra o historiador e professor da Ufba\u00a0Carlos Zacarias.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m houve fraude, reconhecida at\u00e9 pela Justi\u00e7a Eleitoral. Era uma \u00e9poca em que o voto de cabresto reinava, as mulheres e analfabetos n\u00e3o podiam votar. Ou seja: as elites rurais, que dominavam o pa\u00eds, escolhiam quem quisessem. E a maioria estava fechada com Hermes.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No entanto,\u00a0Ruy foi a personifica\u00e7\u00e3o da frase \u201co mais importante \u00e9 o caminho e n\u00e3o a chegada\u201d. O baiano rodou o Brasil inteiro no que ficou conhecido como a Campanha Civilista, se colocando como a \u201cterceira via\u201d (na \u00e9poca n\u00e3o se usava este termo) entre os militares e os ruralistas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cFoi a primeira campanha pol\u00edtica propriamente dita de um candidato \u00e0 presid\u00eancia. Ele era o representante civil, a intelectualidade, a \u2018\u00c1guia de Haia\u2019. Enquanto os outros candidatos defendiam um Brasil conservador, muito ligado \u00e0s lideran\u00e7as tradicionais, Ruy era o que projetava um pa\u00eds voltado para o futuro\u201d, afirma o historiador Rafael Dantas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ruy voltou a ser candidato em 1914 e 1919, mas tamb\u00e9m passou longe de se eleger. Na primeira marcou apenas 8,24% dos votos ante o vencedor Venceslau Br\u00e1s, e na outra foi um pouco melhor: 28,85% contra Epit\u00e1cio Pessoa.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/09\/29\/ruy_barbosa.jpg\" width=\"747\" height=\"471\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Ruy Barbosa \u00e9 um dos nomes mais importantes da hist\u00f3ria do Brasil\u00a0<\/strong><br \/>\n(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>KGB brasileira<\/strong><br \/>\nOs chamados candidatos nanicos sempre reclamam da falta de exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica tanto para serem conhecidos pelo eleitor, quanto para apresentar suas propostas. O baiano Ant\u00f4nio Pedreira se deparou com esse problema nas elei\u00e7\u00f5es de 1989. Disputando com nomes como Collor, Lula, Brizola, Ulysses Guimar\u00e3es, M\u00e1rio Covas\u00a0e Paulo Maluf numa lista com incr\u00edveis 22 presidenci\u00e1veis, ele encontrou uma forma de se destacar no notici\u00e1rio: ser sequestrado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na falta de bandidos dispostos a realizar tal crime, o baiano tornou-se seu pr\u00f3prio algoz: sumiu por dois dias da campanha sem dar explica\u00e7\u00f5es e, ao retornar, berrou pelos quatro cantos do Brasil que sofrera um sequestro. No entanto, a farsa foi desqualificada pela imprensa, que ridicularizou o candidato que se apresentava como o \u201cSenador do Povo\u201d, apesar de nunca ter exercido tal cargo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m do auto sequestro, Pedreira se destacou na campanha por defender que o antigo Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) se transformasse em uma esp\u00e9cie de KGB brasileira.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O candidato tamb\u00e9m era famoso por seus ataques, tanto aos advers\u00e1rios quanto \u00e0 l\u00edngua portuguesa. Em propagandas marcadas por erros de concord\u00e2ncia, ele xingava tanto os oponentes\u00a0que atingiu o posto de l\u00edder de puni\u00e7\u00f5es na corrida eleitoral de 1989. A propaganda dele chegou a ficar banida da televis\u00e3o por oito dias.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pedreira tamb\u00e9m gabava-se por ser \u201camigo pessoal\u201d do presidente Jos\u00e9 Sarney e, ap\u00f3s conquistar somente 0,12% dos votos, mostrou uma certa crise de identidade. Lan\u00e7ou-se candidato a deputado por diversos estados como Rio de Janeiro, Distrito Federal, Amap\u00e1 e, claro, Bahia. Foi derrotado em todas.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/8\/2\/csm_antonio_pedreira_6f228b5701.jpg\" width=\"1000\" height=\"682\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><b>Ant\u00f4nio Pedreira tentou se lan\u00e7ar candidato novamente em 2010, mas foi vetado pelo seu partido, o PMDB\u00a0<\/b>(Foto: Ag\u00eancia Brasil)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>De Deus e de Jesus<\/strong><br \/>\nAntes de Padre Kelmon, o \u00faltimo baiano lan\u00e7ado como candidato \u00e0 presid\u00eancia tamb\u00e9m carregava uma forte presen\u00e7a religiosa: Jo\u00e3o de Deus Barbosa de Jesus. Sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica foi muito marcada por uma peregrina\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, rodando por quatro legendas\u00a0no espa\u00e7o de seis anos, e por ser um ferrenho defensor de Get\u00falio Vargas, inclusive colocando o sobrenome do ex-presidente em um dos filhos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Foi candidato no pleito presidencial de 1998, pelo PTdoB (atual Avante), e fez uma campanha discreta, em que defendia o retorno de pol\u00edticas varguistas e o fim das privatiza\u00e7\u00f5es. Terminou a disputa com 198 mil votos, ficando em 8\u00ba lugar entre 12 concorrentes. O vencedor foi Fernando Henrique Cardoso, reeleito para seu segundo mandato ainda no primeiro turno, com 53% dos votos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TqXqbPRSaE4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-gtm-yt-inspected-12=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Cad\u00ea o baiano?<\/strong><br \/>\nA Bahia \u00e9 o estado mais populoso do Brasil que nunca elegeu um presidente. Se as propor\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas fossem respeitadas na pol\u00edtica, com cerca de 8% da popula\u00e7\u00e3o o estado teria celebrado\u00a0tr\u00eas chefes do Executivo nacional.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O estado mais vitorioso nas campanhas presidenciais \u00e9 Minas Gerais, com nove, seguido por Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo, ambos com sete. Ao todo, 13 estados t\u00eam um presidente para chamar de seu, incluindo os tamb\u00e9m nordestinos Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Maranh\u00e3o, Cear\u00e1 e Pernambuco.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A situa\u00e7\u00e3o fica ainda mais feia\u00a0quando colocada em perspectiva hist\u00f3rica. Tendo Salvador como primeira capital do Brasil (at\u00e9 1763), a Bahia foi uma das prov\u00edncias mais importantes do per\u00edodo imperial, comumente dona da segunda maior bancada do Senado Federal.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para os historiadores, alguns motivos explicam a falta de protagonismo da Bahia na pol\u00edtica nacional ap\u00f3s a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1889, principalmente a crise econ\u00f4mica enfrentada pelo estado no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cA Bahia sempre foi um estado muito ligado \u00e0 aristocracia, \u00e0 elite que era rica simplesmente por ser filho de algu\u00e9m tamb\u00e9m rico e com um t\u00edtulo de nobreza. O Imp\u00e9rio era aristocrata, mas a Rep\u00fablica passa a ser olig\u00e1rquica. Ou seja: era rico e, consequentemente, poderoso quem construiu sua riqueza com o caf\u00e9, principalmente. Por isso, a elite baiana n\u00e3o consegue manter o prest\u00edgio. Tanto que a Rep\u00fablica, inicialmente, \u00e9 militar e depois Caf\u00e9 com Leite\u201d, explica o historiador Carlos Zacarias &#8211; a\u00a0express\u00e3o caf\u00e9 com leite indica o per\u00edodo da Rep\u00fablica Velha em que o poder se alternava entre pol\u00edticos de S\u00e3o Paulo (produtor de caf\u00e9) e Minas Gerais (produtor de leite).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Isso, no entanto, n\u00e3o quer dizer que a Bahia era desimportante. Dono de um dos maiores col\u00e9gios eleitorais, o estado sempre era convocado pelas elites de Minas, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro para fazer parte das coaliz\u00f5es \u2013 e em quase todos os momentos aceitava fazer parte do acordo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cOu seja: a Bahia era importante para fazer parte do grupinho, mas n\u00e3o o bastante para lider\u00e1-lo. Talvez essa quest\u00e3o tamb\u00e9m explique por que estados menores como Para\u00edba e Rio Grande do Norte j\u00e1 tiveram presidentes. Eles eram relegados do grande acordo e, por isso, sentiam-se mais livres para arriscar um voo solo\u201d, teoriza Zacarias.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Outro consenso \u00e9 a falta de pol\u00edticos\u00a0baianos que tiveram destaque no cen\u00e1rio nacional. Ap\u00f3s Ruy Barbosa, apenas Antonio Carlos Magalh\u00e3es despontou como figura de lideran\u00e7a nessa esfera, tendo presidido o Senado Federal e at\u00e9 assumido a cadeira de presidente por oito dias durante uma viagem de Fernando Henrique Cardoso em 1998.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No entanto, ACM nunca externalizou vontade de disputar o principal cargo do Executivo do pa\u00eds, preferindo dedicar-se a manter sua for\u00e7a na Bahia. A inten\u00e7\u00e3o dele era que o filho Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es despontasse como for\u00e7a nacional para eventualmente postular o cargo. O plano foi interrompido pela morte do ent\u00e3o deputado em 1998.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cAt\u00e9 tivemos nomes menores, como o pr\u00f3prio Manuel Vitorino, presidente por quatro meses, mas enfrentou diversos problemas e perdeu relev\u00e2ncia pol\u00edtica. Vital Soares foi vice na chapa vencedora de J\u00falio Prestes, mas n\u00e3o assumiu por causa da revolu\u00e7\u00e3o de 1930. Jo\u00e3o Mangabeira era uma grande lideran\u00e7a nacional, mas n\u00e3o o suficiente. Waldir Pires tamb\u00e9m saiu como vice na chapa de Ulysses Guimar\u00e3es em 1989, mas n\u00e3o foi eleito\u201d, relembra o historiador Rafael Dantas.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"paywall-barreiras-trial\" class=\"modal hide paywall-barreiras-inread paywall-barreiras--trial-wall is-active\" tabindex=\"-1\" role=\"dialog\" data-type=\"trial\" data-base-url=\"https:\/\/assine.correio24horas.com.br\/v2\" data-enable-modal=\"false\" data-enable-swg=\"true\" data-sku-plan=\"basic_monthly\" data-chartbeat=\"false\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__content\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__header\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Galeria dos Ex-presidentes nos conta que, ao longo dos 132 anos de rep\u00fablica, 44 pessoas assumiram o cargo mais importante do Brasil. 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