{"id":409042,"date":"2023-01-14T09:34:49","date_gmt":"2023-01-14T12:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=409042"},"modified":"2023-01-14T09:34:49","modified_gmt":"2023-01-14T12:34:49","slug":"do-sertao-para-a-geladeira-a-umbuzada-faz-deliciosa-festa-no-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/do-sertao-para-a-geladeira-a-umbuzada-faz-deliciosa-festa-no-verao\/","title":{"rendered":"Do sert\u00e3o para a geladeira, a umbuzada faz deliciosa festa no ver\u00e3o"},"content":{"rendered":"<section class=\"mw-article-head\">\n<h1 class=\"mw-h1-1 mw-default-blue\"><\/h1>\n<h2 class=\"mw-h2-1 mw-default-gray\">Umbu ou imbu tem origem no tupi-guarani, e sua \u00e1rvore foi citada na obra de Euclides da Cunha, Os Sert\u00f5es<\/h2>\n<div class=\"mw-article-head-inner\">\n<div class=\"mw-article-head-info\"><span class=\"mw-article-data mw-default-gray\"><abbr title=\"mw-article-date\"><strong>Por: <\/strong><\/abbr><abbr title=\"mw-article-author\"><strong>Isabel Oliveira<\/strong><\/abbr><\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1216871\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1210000\/Artigo-Destaque_01216871_00.jpg?xid=5679529\" alt=\"Imagem ilustrativa da imagem Do sert\u00e3o para a geladeira, a umbuzada faz deliciosa festa no ver\u00e3o\" data-cls=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info \"><span class=\"mw-image-description\">&#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Internet<\/label><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"mw-article-body\">\n<article data-article-id=\"1216871\">\n<p class=\"mw-texto\">\n<p>No munic\u00edpio de Heli\u00f3polis, regi\u00e3o dos ind\u00edgenas da tribo Kiriri, a 317km de Salvador, em certa \u00e9poca, os umbuzeiros imperavam poderosos com suas frondices sem igual. A amplitude dos seus galhos de grosso calibre conseguia sustentar e proteger a quem, por destreza e coragem, para l\u00e1 se esgueirasse atr\u00e1s dos seus deliciosos frutos doces e ao mesmo tempo \u00e1cidos e azedos.<\/p>\n<p>A depender de quantas horas escolhesse ficar pulando de galho em galho \u2014 dezenas ou centenas deles \u2014 no desfrute da sucul\u00eancia dos seus frutos, corria o risco de descer com os dentes em extrema sensibilidade, com uma esp\u00e9cie de \u2018ginge\u2019, como se diz em certas cidades interioranas.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box \"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1210000\/inline_01216871_00.jpg?xid=5679554\" alt=\"Imagem ilustrativa da imagem Do sert\u00e3o para a geladeira, a umbuzada faz deliciosa festa no ver\u00e3o\" \/><\/div>\n<p>Dizem que nos \u00faltimos anos a cidade ceifou muitos p\u00e9s desse xod\u00f3 sertanista, que fez e faz parte da vida de muita gente, principalmente dos vaqueiros. Numa grande necessidade, e sol a pino, retiravam das ra\u00edzes a \u00e1gua que precisavam para tirar o grupo viajante do sufoco.<\/p>\n<p>O umbu ou imbu tem origem no tupi-guarani (ymbu), que significa \u201c\u00e1rvore que d\u00e1 de beber\u201d. Isso porque, al\u00e9m do fruto, a frondosa \u00e1rvore armazena \u00e1gua em suas ra\u00edzes, fazendo a festa dos vaqueiros em plena caatiga. Eles corriam \u2014 muitos ainda correm, mas hoje essa figura \u00e9 mais rara neste peda\u00e7o do sert\u00e3o \u2014 atr\u00e1s da saborosa \u00e1gua dos umbuzeiros.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box \"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1210000\/inline_01216871_01.jpg?xid=5679555\" alt=\"Imagem ilustrativa da imagem Do sert\u00e3o para a geladeira, a umbuzada faz deliciosa festa no ver\u00e3o\" \/><\/div>\n<p>Euclides da Cunha, em seu livro Os Sert\u00f5es, de 1905, fala dessa ilustre fruta nas p\u00e1ginas 46 e 47, como generosamente cita a Biblioteca Digital Curt Nimuendaj\u00fa.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a \u00e1rvore sagrada do sert\u00e3o. S\u00f3cia fiel das r\u00e1pidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros. Representa o mais frizante exemplo de adapta\u00e7\u00e3o da flora sertaneja\u201d.<\/p>\n<p>Em outro trecho replica: \u201cE ao chegarem aos tempos felizes d\u00e1-lhe os frutos de sabor requintado para o preparo da umbuzada tradicional. O gado, mesmo nos dias de abastan\u00e7a, cobi\u00e7a o sumo acidulado das suas folhas. Real\u00e7a-se-lhe, ent\u00e3o, o porte, levantado, em recorte firme, a copa arredondada, num plano perfeito sobre o ch\u00e3o, \u00e0 altura attingida pelos bois mais altos, feito plantas ornamentais entregues \u00e0 solicitude de pr\u00e1ticos jardineiros\u201d.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par2\" class=\"jba\" data-google-query-id=\"COmK4LSIx_wCFWK3lQIdvIsIsw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_6__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<blockquote class=\"mw-citacao \">\n<div class=\"mw-citacao-svg\"><\/div>\n<div class=\"mw-citatao-conteudo\"><cite class=\"mw-citacao-text\">S\u00f3cia fiel das r\u00e1pidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros.<\/cite><span class=\"mw-citacao-autor\"><strong>Euclides da Cunha,<\/strong><\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<p>Eita palavreado bonito, menino!\u00a0 Beleza que se estende aos umbuzeiros, aos umbus, t\u00e3o t\u00edpicos do ver\u00e3o, t\u00e3o baianos. O chef de cozinha e pesquisador Al\u00edcio Charoth lembra o quanto delicioso e sustent\u00e1vel \u00e9 o nosso umbu.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box \"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1210000\/inline_01216871_02.jpg?xid=5679556\" alt=\"Imagem ilustrativa da imagem Do sert\u00e3o para a geladeira, a umbuzada faz deliciosa festa no ver\u00e3o\" \/><\/div>\n<p>\u201cA utiliza\u00e7\u00e3o dos frutos, das folhas e da batata s\u00e3o comuns na alimenta\u00e7\u00e3o humana e animal. Podemos identificar sua import\u00e2ncia como marcador da nossa &#8220;sazonalidade&#8221; ou da \u00e9poca, o que \u00e9 um sinalizador da sua transforma\u00e7\u00e3o em iguarias regionais, agregando valor ao produto in natura, bem como doces, compotas e at\u00e9 produtos de inova\u00e7\u00e3o; cascas e sementes podem ser reutilizadas, abrindo um amplo espectro de possibilidades de uso na culin\u00e1ria, no artesanato\u201d, lista o pesquisador.<\/p>\n<p>Estamos na temporada do fruto euclidiano que j\u00e1 se avista nas feiras, nos supermercados e na cidade de Heli\u00f3polis.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a temporada!\u201d, conta Ev\u00e2nio Oliveira, um dos moradores da cidade, que tem a sorte, durante sua caminhada matinal por algumas ruas, de se deparar com alguns umbuzeiros. \u201cAinda encontramos muitos por aqui, mas a quantidade que existia antigamente n\u00e3o tem mais\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par3\" class=\"jba\" data-google-query-id=\"CJiNwLSIx_wCFUmClQIdci4Fbw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_7__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mw-article-img-box \"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1210000\/inline_01216871_03.jpg?xid=5679557\" alt=\"Imagem ilustrativa da imagem Do sert\u00e3o para a geladeira, a umbuzada faz deliciosa festa no ver\u00e3o\" \/><\/div>\n<p>E Charot nos brinda com uma deliciosa umbuzada, iguaria muito t\u00edpica do ensolarado sert\u00e3o baiano, que tem cheiro de inf\u00e2ncia, de prosas euclidianas, ver\u00e3o, f\u00e9rias e cidades interioranas. Vamos ent\u00e3o comprar essa fruta de pre\u00e7o acess\u00edvel que pode ser encontrada logo ali, na feira de S\u00e3o Joaquim. Aproveitem!<\/p>\n<p>Umbuzada<\/p>\n<p>Ingredientes:<\/p>\n<p>2kg de umbu verde<\/p>\n<p>1\/2 litro de leite<\/p>\n<p>A\u00e7\u00facar a gosto<\/p>\n<p>Depois de lavar os umbus, coloque em uma panela com \u00e1gua fervente at\u00e9 cobri-los e leve ao fogo.<\/p>\n<p>Depois de esfriar, amasse os frutos com a m\u00e3o e retire os caro\u00e7os.<\/p>\n<p>Os umbus ficar\u00e3o na consist\u00eancia de uma massa. Bata no liquidificador junto com o leite e o a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Passe em uma peneira fina at\u00e9 virar um creme.<\/p>\n<p>Sirva deliciosamente gelado.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box \"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1210000\/inline_01216871_04.jpg?xid=5679558\" alt=\"Imagem ilustrativa da imagem Do sert\u00e3o para a geladeira, a umbuzada faz deliciosa festa no ver\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Umbu ou imbu tem origem no tupi-guarani, e sua \u00e1rvore foi citada na obra de Euclides da Cunha, Os Sert\u00f5es Por: Isabel Oliveira &#8211;\u00a0Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Internet No munic\u00edpio de Heli\u00f3polis, regi\u00e3o dos ind\u00edgenas da tribo Kiriri, a 317km de Salvador, em certa \u00e9poca, os umbuzeiros imperavam poderosos com suas frondices sem igual. 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