{"id":41072,"date":"2014-01-27T17:30:27","date_gmt":"2014-01-27T20:30:27","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=41072"},"modified":"2014-01-27T15:31:04","modified_gmt":"2014-01-27T18:31:04","slug":"estudo-revela-que-metade-dos-brasileiros-nao-esta-feliz-com-a-vida-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/estudo-revela-que-metade-dos-brasileiros-nao-esta-feliz-com-a-vida-sexual\/","title":{"rendered":"Estudo revela que metade dos brasileiros n\u00e3o est\u00e1 feliz com a vida sexual"},"content":{"rendered":"<p>Daniela*, 35 anos, \u00e9 bonita, solteira, independente, tem v\u00e1rios parceiros sexuais. Mas orgasmo a dois que \u00e9 bom, nada. O prazer quase sempre vem solit\u00e1rio, proporcionado pela masturba\u00e7\u00e3o. \u201cNunca me realizo por completo. N\u00e3o sei se \u00e9 porque s\u00e3o casos e n\u00e3o relacionamentos s\u00e9rios, mas sinto que falta algo\u201d, admite Daniela.<\/p>\n<p>Ela engrossa a lista dos brasileiros que declaram que est\u00e3o insatisfeitos com a vida sexual. Esse n\u00famero n\u00e3o \u00e9 pequeno. Pesquisa lan\u00e7ada na \u00faltima ter\u00e7a-feira pela Durex Global Sexy Survey, entrevistou 1.004 brasileiros, entre homens e mulheres de 18 a 64 anos, e constatou que metade deles n\u00e3o vivencia um sexo t\u00e3o bom quanto gostaria.<\/p>\n<p>E as mulheres s\u00e3o as que menos sentem prazer. Do total de entrevistados insatisfeitos, 56% s\u00e3o do sexo feminino. Por outro lado, a mesma pesquisa aponta que sete em cada 10 homens encaram a satisfa\u00e7\u00e3o da parceira como uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis que surge uma contradi\u00e7\u00e3o: se os homens est\u00e3o afim de agradar as mulheres, por que danado \u00e9 que elas est\u00e3o t\u00e3o infelizes sexualmente? \u201cHoje em dia a satisfa\u00e7\u00e3o da mulher importa para o homem. E reflete um narcisismo masculino que n\u00e3o \u00e9 pejorativo. Ao contr\u00e1rio, eles se satisfazem quando d\u00e3o prazer \u00e0s parceiras\u201d, explica a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>L\u00facio*, 36, avisa que o prazer da sua parceira vem em primeiro lugar. \u201cPara o homem \u00e9 bem mais f\u00e1cil atingir o orgasmo, por isso me preocupo em n\u00e3o ir muito r\u00e1pido aos finalmentes\u201d, diz. Sendo assim, para Carmita, o orgasmo feminino depende da mulher. \u201cEla \u00e9 que tem que conhecer o pr\u00f3prio corpo e dar esse conhecimento ao homem\u201d, completa a psiquiatra.<\/p>\n<p>A sex\u00f3loga Silvana Melo acredita que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Os homens tamb\u00e9m t\u00eam culpa no cart\u00f3rio. \u201cPor tr\u00e1s dessa declarada vontade de satisfazer h\u00e1 uma autocobran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 performance sexual perfeita\u201d, explica. O fato \u00e9 que, mesmo em tempos de p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o sexual, sexo ainda \u00e9 tabu para muita gente.<\/p>\n<p>Se por um lado caras como L\u00facio* juram de p\u00e9s juntos que o prazer da parceira vem em primeiro lugar, por outro, mulheres como Daniela* n\u00e3o querem decepcion\u00e1-los. \u201c\u00c9 um comportamento meio submisso\u201d, admite Daniela. E essa atitude tem a ver com a educa\u00e7\u00e3o. \u201cAinda existe um resqu\u00edcio do comportamento anterior \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o sexual dos anos 60\u201d, diz a sex\u00f3loga Silvana. N\u00e3o \u00e0 toa, mais de 60% tem dificuldade de admitir que t\u00eam problemas sexuais.<\/p>\n<p>E isso inclui os homens. Para o mestre em filosofia do direito Lucas Camarotti, 27, essa hist\u00f3ria de os homens dizerem que s\u00f3 ficam satisfeitos sexualmente se satisfizerem suas parceiras soa mais como um dever do que como um prazer. \u201cA educa\u00e7\u00e3o sexual parece cheia de regras e deveres. Tem muitos caras que n\u00e3o gostam tanto de sexo quanto s\u00e3o obrigados a admitir e poderiam gostar mais se n\u00e3o tivessem essa carga de obriga\u00e7\u00e3o\u201d, acredita Lucas. Ele diz ainda que para sentir prazer n\u00e3o tem que depender sempre do prazer do outro. \u201cEu gosto de fazer minha parceira ter orgasmo, mas n\u00e3o necessariamente cobro isso dela\u201d.<\/p>\n<p>Se o orgasmo \u00e9 um term\u00f4metro da rela\u00e7\u00e3o, a coisa n\u00e3o anda muito boa para as mulheres. Enquanto 52% dos homens declaram que sempre chegam l\u00e1, somente 22% das mulheres conseguem o mesmo. Para resolver esse problema, as especialistas receitam doses cavalares de intimidade e autoconhecimento. \u201cAs mulheres precisam se conhecer e passar esse conhecimento aos homens\u201d, aconselha Carmita. Joana*, 30, acredita piamente que sexo bom tem a ver com a tal qu\u00edmica do casal. \u201cOs dois t\u00eam que funcionar juntos, sem frescura nem pudor\u201d. Mas Joana acha que n\u00e3o \u00e9 preciso falar para o outro o que quer. \u201cGosto quando encontro um parceiro que me entende, sem ficar pedindo, explicando\u201d.<\/p>\n<p>Quando isso n\u00e3o acontece, uma conversa pode fazer muito bem. \u201cA qualidade passa pela intimidade. \u00c9 importante um di\u00e1logo aberto\u201d, avisa Silvana. Preliminares mais elaboradas, segundo a sex\u00f3loga, tamb\u00e9m podem ser a solu\u00e7\u00e3o para as mulheres, que naturalmente precisam de mais est\u00edmulos para chegar ao orgasmo. E de mais tempo. A pesquisa aponta que 40% dos brasileiros dedicam de cinco a 15 minutos \u00e0s preliminares. Pelo visto, \u00e9 muito pouco. \u201cE muitos homens n\u00e3o tocam as mulheres como elas querem. N\u00e3o \u00e9 que sejam grosseiros, mas tocam pesado. E isso vem da educa\u00e7\u00e3o genitalizada que receberam. Preferem ir direto no seio, vulva e n\u00e1degas. Afinal, foram educados assim. Tenho pacientes que tiveram a inicia\u00e7\u00e3o sexual com prostitutas que n\u00e3o estavam preocupadas com o pr\u00f3prio prazer\u201d, analisa Silvana.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente educa\u00e7\u00e3o sexual o que nos falta para abandonarmos velhos pensamentos. Apesar de a pesquisa apontar que 40% das mulheres e 58% dos homens acham aceit\u00e1vel que o primeiro encontro termine em sexo, muita gente ainda acredita que esse relacionamento n\u00e3o tem muitas chances de seguir adiante. \u201cMuitos homens continuam achando que, se a mulher transou com ele, vai transar com qualquer um\u201d, justifica Carmita. O historiador Tiago Maranh\u00e3o, 32, no entanto, discorda. \u201cPara mim a transa na primeira noite pode afirmar uma escolha pr\u00e9via de querer ou n\u00e3o algo mais s\u00e9rio a posteriori. Transei com a minha ex na primeira noite e ficamos cinco anos juntos. E j\u00e1 fiquei com outras mulheres, s\u00f3 por uma noite, e sem nem precisar transar eu j\u00e1 sabia que n\u00e3o teria mais nada com elas\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Ao menos no quesito preservativo, o brasileiro anda bem educadinho em rela\u00e7\u00e3o a outros povos. A pesquisa aponta que somos os que mais usam camisinha na primeira rela\u00e7\u00e3o sexual: 66% dos entrevistados t\u00eam esse h\u00e1bito. Mas basta a rela\u00e7\u00e3o engrenar para esse dado cair para 20%. \u201cAs pessoas confundem estabilidade com exclusividade. Acham que n\u00e3o existe perigo e acabam negligenciando uma prote\u00e7\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o mais fortuita\u201d, adverte Carmita.<\/p>\n<p>No come\u00e7o dos relacionamento, J\u00falia*, 37, costuma usar camisinha porque ainda n\u00e3o conhece a pessoa e tem medo de poss\u00edveis doen\u00e7as ou de gravidez. Mas logo o preservativo \u00e9 deixado de lado. \u201cAtrapalha na hora H, tem que parar para colocar&#8230;. Tem que ser bem lubrificada sen\u00e3o fica a sensa\u00e7\u00e3o de estar transando com um boneco de pl\u00e1stico. Para afastar o risco de uma gravidez, tomo p\u00edlula\u201d, conta J\u00falia, que viveu um relacionamento de 20 anos e com o sexo sempre aceso. Ela \u00e9 mais uma entre os 69% dos brasileiros que concordam que \u00e9 poss\u00edvel manter o desejo mesmo em relacionamentos de longa dura\u00e7\u00e3o. Basta ser criativo. \u201cTinha sempre uma novidade, tipo transar na sala, durante o banho&#8230; \u00c0s vezes uma posi\u00e7\u00e3o levemente diferente faz muita diferen\u00e7a\u201d, conta J\u00falia.<\/p>\n<p>A rotina \u00e9 que \u00e9 a grande inimiga. \u201cCom o tempo, v\u00e3o come\u00e7ando a surgir defeitos, m\u00e1goas que s\u00e3o um veneno para o desejo sexual. O ideal \u00e9 fazer tudo para evitar: n\u00e3o acumular m\u00e1goas, reservar um tempo para os dois, fazer coisas legais juntos e surpreender de vez em quando\u201d, aconselha Silvana.\u00a0 (Carol Botelho\/NE10)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniela*, 35 anos, \u00e9 bonita, solteira, independente, tem v\u00e1rios parceiros sexuais. Mas orgasmo a dois que \u00e9 bom, nada. O prazer quase sempre vem solit\u00e1rio, proporcionado pela masturba\u00e7\u00e3o. \u201cNunca me realizo por completo. N\u00e3o sei se \u00e9 porque s\u00e3o casos e n\u00e3o relacionamentos s\u00e9rios, mas sinto que falta algo\u201d, admite Daniela. 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