{"id":412742,"date":"2023-02-26T10:03:36","date_gmt":"2023-02-26T13:03:36","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=412742"},"modified":"2023-02-26T10:10:34","modified_gmt":"2023-02-26T13:10:34","slug":"pequi-por-que-a-arvore-que-servia-para-carvao-virou-xodo-de-fazendeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pequi-por-que-a-arvore-que-servia-para-carvao-virou-xodo-de-fazendeiros\/","title":{"rendered":"Pequi: por que a \u00e1rvore que servia para carv\u00e3o virou xod\u00f3 de fazendeiros"},"content":{"rendered":"<section class=\"bg-gray-extra\">\n<div class=\"container container-full-width\">\n<div class=\"row head-cover\">\n<div class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 head-cover-title\">\n<h1 class=\"txt-serif center-wall mt-0\"><\/h1>\n<p class=\"h4 txt-gray-medium mb-0 center-wall\">Ligado ao extrativismo e antes desvalorizado, s\u00edmbolo do cerrado agora \u00e9 replantado, tem financiamento, apoio da ci\u00eancia e sua cadeia d\u00e1 lucro como nunca<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section>\n<div class=\"container container-full-width mt-20 mb-20\">\n<div class=\"row\">\n<div id=\"esquerda_8_12_1\" class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 col-md-6 mb-35 js-tools-fixed-parent\">\n<div class=\"article-content\">\n<article>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-6\">\n<div class=\"author mb-xs-5\">\n<div class=\"align-center wrap js-columnist\">\n<div class=\"ml-10 \"><span class=\"h6 author-name mb-xs-24 name\">Luiz Ribeiro<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"rs_read_this2\" class=\"txt-serif js-article-box article-box mt-15 article-box-capitalize p402_premium\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-412745 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/mario-verissimo_1_215438-620x372.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/mario-verissimo_1_215438-620x372.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/mario-verissimo_1_215438-300x180.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/mario-verissimo_1_215438-768x461.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/mario-verissimo_1_215438-160x96.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/mario-verissimo_1_215438-640x384.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/mario-verissimo_1_215438.webp 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><br \/>\nM\u00e1rio Ver\u00edssimo e uma das 100 mudas de pequi que plantou em sua propriedade, onde j\u00e1 h\u00e1 cerca de 2 mil p\u00e9s nativos: &#8220;Conv\u00eanio com a natureza&#8221;<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Luiz Ribeiro\/EM\/D.a press)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><b>Japonvar e Lontra &#8211;<\/b>\u00a0Desde o\u00a0 in\u00edcio de dezembro, a vida melhorou em diversos pequenos munic\u00edpios do Norte de Minas gra\u00e7as \u00e0 chegada da colheita do pequi, que garante alimento no prato e dinheiro do bolso para milhares de fam\u00edlias de comunidades historicamente castigadas pela seca. A safra do fruto s\u00edmbolo do cerrado termina este m\u00eas, mas a renda sagrada que brota na frutifica\u00e7\u00e3o da planta nativa deve circular por mais tempo, e ainda com mais for\u00e7a em 2023 do que em anos anteriores \u2013 resultado de uma nova cultura em torno da esp\u00e9cie, que envolve financiamento, tecnologia e conscientiza\u00e7\u00e3o para impulsionar uma produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 aqui basicamente provida pela natureza.<\/p>\n<div class=\"containerads\">\n<div id=\"publicidade-retangulo-interna-1\" class=\"publicidade interna ads__with-bg\" data-google-query-id=\"CPa3xLyds_0CFfM0uQYdAMgBqQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/uai\/em\/gerais\/Interna_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>Nos \u00faltimos anos, a cadeia produtiva do pequi expandiu de tal forma que o fruto, at\u00e9 ent\u00e3o, conhecido como \u201couro do cerrado\u201d por seu valor nutricional, agora tamb\u00e9m \u00e9 visto como precioso por seu rendimento financeiro, que faz circular mais dinheiro tanto no campo quanto na \u00e1rea urbana de cidades produtoras.<\/p>\n<div class=\"containerTeads\">\n<div id=\"em-publicidade-teads-inread-1x1\" data-google-query-id=\"CMqos7ids_0CFVQN1AodS9gH_A\">\n<div class=\"teads-adCall\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Embora, historicamente, associado \u00e0 cultura extrativista, o pequi j\u00e1 \u00e9 comercializado como qualquer outro produto da agricultura tradicional. Se antes fazendeiros derrubavam pequizeiros para fazer carv\u00e3o ou formar pastagens, hoje, produtores preservam a \u00e1rvore para ter renda com a venda do fruto. E j\u00e1 existem agricultores que est\u00e3o plantando pequi, fomentando tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o e a venda de mudas da esp\u00e9cie. Junto de pesquisadores e t\u00e9cnicos, eles tamb\u00e9m travam uma luta contra a broca do pequi, praga que vem dizimando esp\u00e9cimes cerrado afora.<\/div>\n<div>\n<p><b>TEMPERO A MAIS<\/b><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de cultura e a multiplica\u00e7\u00e3o da renda do pequizeiro se devem \u00e0 mudan\u00e7a no aproveitamento do fruto no mercado consumidor. A mat\u00e9ria-prima teve valor agregado por inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que viabilizaram seu beneficiamento e a venda da polpa congelada.<\/p>\n<\/div>\n<div>Foi o primeiro passo para que surgissem v\u00e1rios derivados que v\u00e3o de farinha, \u00f3leo e at\u00e9 cerveja de pequi. Assim, o com\u00e9rcio movimentado pela cadeia produtiva do fruto se mant\u00e9m o ano inteiro. Outras iniciativas tamb\u00e9m incrementam o consumo do produto, como a inclus\u00e3o de frutos do cerrado na merenda escolar, medida adotada no m\u00eas passado no Distrito Federal.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Na safra que chega ao fim neste m\u00eas, al\u00e9m do crescimento do beneficiamento foi verificado o avan\u00e7o da comercializa\u00e7\u00e3o do fruto \u201cin natura\u201d, com a sa\u00edda de centenas de caminh\u00f5es carregados de Japonvar e de outros pequenos munic\u00edpios norte-mineiros para Belo Horizonte e outras regi\u00f5es de Minas. As cargas tamb\u00e9m s\u00e3o transportadas em dire\u00e7\u00e3o aos estados de Goi\u00e1s, Bahia e Mato Grosso.<\/p>\n<div class=\"containerads\">\n<div id=\"publicidade-retangulo-interna-3\" class=\"publicidade interna ads__with-bg\" data-google-query-id=\"CJzMybyds_0CFWIyuQYdlCEFRg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/uai\/em\/gerais\/Interna_4__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-412743 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155-620x372.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155-620x372.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155-300x180.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155-768x461.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155-160x96.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155-640x384.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155.webp 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Wanderson Mendes trabalha na cata do pequi: garantia de renda<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Luiz Ribeiro\/EM\/D.a press)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>OUTRO OLHAR PARA A PLANTA<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O novo status do fruto do cerrado, de aroma e sabor inconfund\u00edveis, mudou o olhar dos produtores rurais sobre o pequizeiro. Que o diga o fazendeiro e coronel reformado da Pol\u00edcia Militar M\u00e1rio Ver\u00edssimo Pinto Souza. Na Fazenda Samba\u00edba, de 106,48 hectares, no munic\u00edpio de Japonvar, no Norte de Minas, existem pelos seus c\u00e1lculos cerca de 2 mil p\u00e9s da \u00e1rvore. Um pequizal que ele quer aumentar ainda mais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para isso, Ver\u00edssimo plantou 100 mudas em uma \u00e1rea da propriedade que estava devastada e foi recuperada. \u201cEstou fazendo um conv\u00eanio com a natureza\u201d, disse o produtor em v\u00eddeo, ao plantar as mudas, em dezembro de 2021. Boa parte delas n\u00e3o sobreviveram, mas ele anuncia que vai continuar o \u201crepovoamento\u201d e que pretende chegar a 500 pequizeiros plantados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Para o produtor, mesmo que a grande gera\u00e7\u00e3o de emprego e o ganho financeiro do fruto s\u00edmbolo do cerrado se concentrem na \u00e9poca de safra, o pequizeiro j\u00e1 pode ser considerado uma fonte de renda do agroneg\u00f3cio. Ele lembra ainda que a \u00e1rvore n\u00e3o pode ser cortada, por ser protegida por lei, o que ajuda a popula\u00e7\u00e3o mais humilde, auxiliando no sustento de pequenos agricultores. E revela que outros produtores da regi\u00e3o tamb\u00e9m aderiram ao plantio da esp\u00e9cie nativa.<\/p>\n<div class=\"containerads\">\n<div id=\"publicidade-retangulo-interna-5\" class=\"publicidade interna ads__with-bg\" data-google-query-id=\"CI3uvL-ds_0CFcE2uQYdtUEAyA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/uai\/em\/gerais\/Interna_6__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m do \u201cconv\u00eanio com a natureza\u201d, M\u00e1rio Ver\u00edssimo trabalha em parceria com os moradores que catam e vendem os frutos que caem dos p\u00e9s de pequi da Fazenda Samba\u00edba. Um desses parceiros \u00e9 Wanderson Mendes de Jesus, de 33 anos. \u201cSe n\u00e3o fosse o pequi, a gente n\u00e3o teria renda nenhuma\u201d, diz ele.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Wanderson conta que a atividade como catador de pequi durante a safra, de dezembro a fevereiro, garante dinheiro para a comprar algum bem de valor e fazer reserva para os demais meses do ano, quando leva a vida como lavrador, remunerado por dia trabalhado em fazendas da regi\u00e3o. \u201cNem sempre a gente encontra servi\u00e7o\u201d, lamenta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-412744 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-620x465.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-620x465.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-300x225.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-768x576.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-80x60.webp 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-118x88.webp 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-160x120.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001-640x480.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gustavo-ferreira-_3_84001.webp 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Gustavo Ferreira segue os passos do pai no com\u00e9rcio do fruto em casca<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Luiz Ribeiro\/EM\/D.a press)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/e4Ca270OYZxv-OPah_AxxbMHAcI=\/360x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2023\/02\/26\/1461907\/jose-reinaldo-noronha_4_91935.jpg 360w\" media=\"(max-width: 767px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/3tPrHt1ytiBOyYgUJVOkXrwr4tw=\/675x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2023\/02\/26\/1461907\/jose-reinaldo-noronha_4_91935.jpg 675w\" media=\"(max-width: 1365px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/UHF0RXxKPAS1myLOuO4tyJz6IGc=\/820x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2023\/02\/26\/1461907\/jose-reinaldo-noronha_4_91935.jpg 820w\" media=\"(min-width: 1366px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/L68zke9WWZYK2onMNqmVJqutTT4=\/332x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2023\/02\/26\/1461907\/jose-reinaldo-noronha_4_91935.jpg\" \/><img decoding=\"async\" title=\"Em Montes Claros, Jos\u00e9 Reinaldo Noronha diz que safra \u00e9 o momento de lucrar (foto: Luiz Ribeiro\/EM\/D.a press)\" src=\"https:\/\/i.em.com.br\/ZnafLByEQ-qQkB6wWjr-6i2yb8g=\/790x\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2023\/02\/26\/1461907\/jose-reinaldo-noronha_4_91935.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Reinaldo Noronha\" \/><\/picture><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Em Montes Claros, Jos\u00e9 Reinaldo Noronha diz que safra \u00e9 o momento de lucrar<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Luiz Ribeiro\/EM\/D.a press)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Uma esp\u00e9cie que sustenta gera\u00e7\u00f5es<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A partir de dezembro, a vida muda no pequeno munic\u00edpio de Japonvar. Fruto de mais dinheiro circulando e do aumento de vendas no com\u00e9rcio local, incrementado pela chegada da safra do pequi, que envolve pessoas de todas as idades \u2013 de \u201cmamando a caducando\u201d, como se diz no linguajar do sert\u00e3o. Segundo estudo da Empresa de Extens\u00e3o Rural e Assist\u00eancia T\u00e9cnica de Minas Gerais (Emater-MG), 63% da popula\u00e7\u00e3o local, de 8,3 mil habitantes, cata o fruto no mato ou o revende durante a safra. Um neg\u00f3cio que passa de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o no lugar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O comerciante Joaquim Antunes, de 63 anos, se orgulha de ter sido uma das primeiras pessoas da regi\u00e3o a \u201cexportar\u201d o pequi produzido em Japonvar e munic\u00edpios vizinhos para outras regi\u00f5es de Minas e outros estados. \u201cComecei a vender pequi aos 16 anos\u201d, afirma ele, que se tornou um dos maiores comerciantes do produto de Minas Gerais \u2013 sua estimativa \u00e9 atingir a venda de 140 mil caixas do fruto s\u00edmbolo do cerrado na safra 2022\/2023.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m do produto in natura, a empresa de Joaquim decidiu investir em tecnologia para aumentar as vendas e elevar o faturamento. Na safra deste ano, empacotou 25 mil quilos de pequi para congelamento \u2013 condi\u00e7\u00e3o que permite a conserva\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio do fruto nos demais meses do ano.<\/div>\n<div>Hoje, Joaquim conta com a ajuda do filho, Gustavo Mendes Ferreira, de 27, que aos poucos vai assumindo lugar no comando do neg\u00f3cio da fam\u00edlia, que compra o fruto de catadores da regi\u00e3o e o envia, ainda em casca, transportado em caminh\u00f5es e carretas, aos centros consumidores \u2013 al\u00e9m de Minas, Bahia, Goi\u00e1s e Mato Grosso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Gustavo afirma ter orgulho de seguir os passos do pai no com\u00e9rcio de pequi em Japonvar, onde a cada safra a empresa da sua fam\u00edlia, direta e indiretamente, gera emprego e renda para mais de 200 pessoas, entre catadores, carregadores, motoristas e vendedores. \u201cAqui, na \u00e9poca da safra, o pessoal compra moto, lote e reforma a casa com dinheiro do pequi\u201d, diz o jovem comerciante. \u201cMuita gente compra a mob\u00edlia nova para a casa e feira para outros meses do ano\u201d, completa o pai.<\/div>\n<div>Para Gustavo, no futuro \u201co pequi ser\u00e1 um produto de luxo\u201d, devido ao aumento do consumo e redu\u00e7\u00e3o da oferta, por causa da mortandade de \u00e1rvores da esp\u00e9cie, provocada pela broca do pequizeiro. \u201cAntigamente, como a ro\u00e7ada dos pastos era feita com foice, o pessoal preservava os novos p\u00e9s de pequi. Hoje, as \u2018mangas\u2019 (pastos) s\u00e3o limpas com ro\u00e7adeiras, que cortam tudo que encontram pela frente\u201d, observa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><b>BENEFICIAMENTO<\/b><\/p>\n<p>Outro empres\u00e1rio do ramo em Japonvar \u00e9 Fernando Lima. Al\u00e9m de vender o produto in natura, ele conta com uma pequena agroind\u00fastria que faz o beneficiamento, comercializando o produto\u00a0 congelado, a polpa e o \u00f3leo. A unidade gera 40 empregos diretos e indiretos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\u201cO consumo cresceu muito nos \u00faltimos anos. Antes, o pequi era considerado comida de pobre. Hoje, tem mais valor e \u00e9 vendido nos grandes centros como qualquer outro produto da agricultura\u201d, afirma Lima, que tamb\u00e9m aposta na maior valoriza\u00e7\u00e3o do fruto nos pr\u00f3ximos anos, diante do aumento do consumo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>A \u201cdomestica\u00e7\u00e3o\u201d do pequizeiro\u00a0<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O pequi gera renda no campo, mas ainda n\u00e3o se pode considerar o fruto um produto agr\u00edcola tradicional, com plantio, manejo e aduba\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 ocorreu com outras esp\u00e9cies nativas do Brasil, como o a\u00e7a\u00ed, a seringueira e o cacau. Mas h\u00e1 estudos que visam \u00e0 \u201cdomestica\u00e7\u00e3o\u201d do pequizeiro. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 da bi\u00f3loga e pesquisadora Sarah Alves de Melo Teixeira, assessora executiva do N\u00facleo do Pequi e Outros Frutos do Cerrado, que re\u00fane associa\u00e7\u00f5es e cooperativas de agroextrativistas de diversos munic\u00edpios do Norte de Minas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cAs pesquisas de domestica\u00e7\u00e3o do pequizeiro t\u00eam aproximadamente 30 anos, mas \u00e9 uma esp\u00e9cie bastante sens\u00edvel e muitas mudas acabam morrendo quando transplantadas em campo\u201d, afirma Sarah. Segundo ela, os principais estudos s\u00e3o feitos por pesquisador do c\u00e2mpus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Montes Claros, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) Cerrados e da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural de Goi\u00e1s (Emater-GO).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sarah Melo lembra que, no ano passado, a Embrapa Cerrados e a Emater-GO disponibilizaram mudas de variedades de pequizeiro para plantio. \u201cMas s\u00f3 saberemos da viabilidade comercial depois de seis anos, quando essas variedades plantadas come\u00e7arem a frutificar\u201d, pontua.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cMesmo sendo uma esp\u00e9cie ainda ligada ao extrativismo, podemos afirmar que o pequi \u00e9 um importante alimento, com grande potencial econ\u00f4mico e nutricional, cujas estat\u00edsticas de produ\u00e7\u00e3o v\u00eam crescendo a cada ano. N\u00e3o porque est\u00e3o fazendo plantio comercial da esp\u00e9cie, mas por causa da organiza\u00e7\u00e3o de cadeia produtiva, que a cada safra vem ficando mais organizada em Minas Gerais. Mas muito ainda precisa ser feito para retirar essa esp\u00e9cie da invisibilidade produtiva\u201d, comenta a assessora executiva do N\u00facleo do Pequi.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ela salienta que grande parte da organiza\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva est\u00e1 relacionada a pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o e de valoriza\u00e7\u00e3o do pequi existentes em Minas Gerais. Iniciativas que t\u00eam estimulado agricultores familiares a se organizarem para aumentar o volume de produ\u00e7\u00e3o e garantir as boas pr\u00e1ticas de fabrica\u00e7\u00e3o dos derivados do fruto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A bi\u00f3loga e pesquisadora ressalta que tem crescido a cada ano o n\u00famero de produtores rurais interessados em plantio do pequi. \u201cIsso \u00e9 muito positivo, principalmente se seu manejo ocorrer em formato agroflorestal ou em mecanismos agrocerratenses (relativo ao povo do cerrado).\u201d Por outro lado, alerta: \u201cO que n\u00e3o \u00e9 interessante \u00e9 pensar em monocultura de pequizeiro, j\u00e1 que a esp\u00e9cie pode sofrer perda de diversidade e ser atacada por diversas pragas, o que pode trazer preju\u00edzos pro agricultor\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>\u201cPARA MIM, PEQUI \u00c9 COMO UMA PEPITA\u201d<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O pequi tamb\u00e9m gera renda para moradores de outros munic\u00edpios mineiros, como Lontra, de 9,8 mil habitantes, a 12 quil\u00f4metros de Japonvar. \u201cPara mim, o pequi \u00e9 como uma pepita de ouro. \u00c9 dele que tiro o sustento da minha casa\u201d, declara a agricultora Maria Valdete da Silva Nize, de 64, l\u00edder comunit\u00e1ria da comunidade de Vila Uni\u00e3o. Ela beneficia o fruto e produz polpa, castanha e \u00f3leo, al\u00e9m da conserva. Os derivados s\u00e3o vendidos durante todo o ano.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Maria Valdete conta que, para manter e ampliar a atividade, recorre ao programa de cr\u00e9dito Crediamigo, do Banco do Nordeste. Recebeu o \u00faltimo financiamento, no valor de R$ 3 mil, em outubro passado. \u201cTem grande import\u00e2ncia, porque ajuda a gerar emprego e renda. Com os produtos que fazemos com o pequi, a gente multiplica o dinheiro\u201d, assegura.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O \u201cmilagre\u201d da multiplica\u00e7\u00e3o da renda com a safra do fruto s\u00edmbolo do cerrado se repete em Montes Claros, cidade-polo do Norte de Minas. \u201cTrabalho com a venda de frutas o ano inteiro, mas \u00e9 quando chega a safra do pequi que a gente ganha dinheiro mesmo. A lucratividade \u00e9 muito boa\u201d, assegura Jos\u00e9 Reinaldo Noronha, feirante no Mercado Municipal de Montes Claros. Reinaldo recorre ao mesmo programa de cr\u00e9dito do BNB, tendo feito o \u00faltimo empr\u00e9stimo, no valor de R$ 8 mil, h\u00e1 cinco meses.<\/div>\n<\/div>\n<div>Fonte: Estado de Minas<\/div>\n<div id=\"rs_read_this2\" class=\"txt-serif js-article-box article-box mt-15 article-box-capitalize p402_premium\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo status do fruto do cerrado, de aroma e sabor inconfund\u00edveis, mudou o olhar dos produtores rurais sobre o pequizeiro. Que o diga o fazendeiro e coronel reformado da Pol\u00edcia Militar M\u00e1rio Ver\u00edssimo Pinto Souza. Na Fazenda Samba\u00edba, de 106,48 hectares, n<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":412743,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-412742","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/wanderson-mendes_2_196155.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=412742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/412743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=412742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=412742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=412742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}