{"id":41477,"date":"2014-01-29T04:23:58","date_gmt":"2014-01-29T07:23:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=41477"},"modified":"2014-01-29T04:23:58","modified_gmt":"2014-01-29T07:23:58","slug":"brasil-tem-segundo-maior-indice-de-analfabetismo-da-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/brasil-tem-segundo-maior-indice-de-analfabetismo-da-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Brasil tem segundo maior \u00edndice de analfabetismo da Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><span style=\"color: #003399; line-height: 1.5em;\">Mais da metade dos estudantes que freq\u00fcentam o ensino superior na rede p\u00fablica s\u00e3o ricos<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">A queda de 29,1% na taxa de analfabetismo entre 1996 e 2006 n\u00e3o foi suficiente para tirar o Brasil do inc\u00f4modo pen\u00faltimo lugar no ranking de alfabetiza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) divulgados nesta sexta-feira, o percentual de brasileiros que n\u00e3o sabem ler e escrever \u00e9 inferior apenas ao da Bol\u00edvia, onde a taxa de analfabetismo foi de 11,7% em 2005.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Em rela\u00e7\u00e3o a todos os pa\u00edses latino-americanos e caribenhos, o Brasil tamb\u00e9m vai mal no quesito: tem o 9\u00ba pior \u00edndice do grupo.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Mais grave ainda \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do Nordeste, que tem o mais elevado \u00edndice entre as cinco regi\u00f5es do pa\u00eds. Na m\u00e9dia, um em cada cinco nordestinos declarou que n\u00e3o sabe ler nem escrever um bilhete simples. Se fosse um pa\u00eds, o Nordeste teria o 5\u00ba pior desempenho em alfabetiza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e Caribe, \u00e0 frente apenas de Honduras, Guatemala, Nicar\u00e1gua e Haiti.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Na compara\u00e7\u00e3o de dados de popula\u00e7\u00e3o urbana da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios) com os da Cepal (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina e Caribe) em 2005, o Brasil se saiu pior do que vizinhos de IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano) mais baixo, como Peru, Venezuela e Col\u00f4mbia.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">A taxa brasileira de analfabetismo, 11,1% entre os maiores de 15 anos, ficou, em 2005, acima da m\u00e9dia do grupo, que foi 9,95%. O n\u00famero divulgado pelo IBGE referente a 2006, 10,4%, tamb\u00e9m est\u00e1 acima dessa linha.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">O contingente de analfabetos no Brasil acima de 15 anos, 14 milh\u00f5es de pessoas, coloca o pa\u00eds no grupo das 11 na\u00e7\u00f5es com mais de 10 milh\u00f5es de n\u00e3o-alfabetizados, ao lado do Egito, Marrocos, China, Indon\u00e9sia, Bangladesh, \u00cdndia, Ir\u00e3, Paquist\u00e3o, Eti\u00f3pia e Nig\u00e9ria.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">O grupo \u00e9 considerado priorit\u00e1rio para a Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura), que criou programa de metas de erradica\u00e7\u00e3o de analfabetismo\u00a0<\/span>at\u00e9 2015.<\/p>\n<p align=\"left\"><b style=\"line-height: 1.5em;\">Taxa de analfabetismo de pretos e pardos \u00e9 mais que o dobro da dos brancos<\/b><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">No que diz respeito \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o por grupos \u00e9tnicos, os dados de 2006 parecem corroborar as tend\u00eancias j\u00e1 anotadas para a d\u00e9cada, de pequeno aumento da participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o preta (6,9%) e de diminui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m pequena, da branca (49,7%) e da parda (42,6%). Entre os indicadores sociais para o grupo de brancos, de um lado, e pretos e pardos, de outro, dois conjuntos merecem destaque: os que se referem \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e os que dizem respeito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, as taxas de analfabetismo, analfabetismo funcional e freq\u00fc\u00eancia escolar continuam apresentando diferen\u00e7as significativas. Em n\u00fameros absolutos, em 2006, entre cerca de 14,4 milh\u00f5es de analfabetos brasileiros, mais de 10 milh\u00f5es eram pretos e pardos. As taxas de analfabetismo para a popula\u00e7\u00e3o de 15 anos ou mais de idade foram de 6,5% para brancos e de mais que o dobro, 14%, para pretos e pardos.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">A taxa de analfabetismo funcional tamb\u00e9m era muito menor para brancos (16,4%) do que para pretos (27,5%) e pardos (28,6%). A m\u00e9dia de anos de estudo da popula\u00e7\u00e3o de 15 anos ou mais de idade mostrava uma vantagem de 2 anos para brancos (8,1 anos de estudos), em rela\u00e7\u00e3o a pretos e pardos (6,2). A distribui\u00e7\u00e3o por cor ou ra\u00e7a dos que freq\u00fcentavam escola com idade entre 18 e 24 anos mostrava tamb\u00e9m significativas diferen\u00e7as: enquanto 56% dos brancos nessa faixa eram estudantes de n\u00edvel superior ou terceiro grau, entre pretos e pardos, o percentual era de 22%. Em 1996, essa distribui\u00e7\u00e3o dos estudantes, nessa faixa de idade, era de 30,2% para os brancos e 7,1% para os pretos e pardos. Tais resultados mostram uma melhora para ambos os segmentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defasagem idade e curso freq\u00fcentado.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Uma conseq\u00fc\u00eancia desses diferenciais pode ser percebida entre as pessoas de 25 anos ou mais de idade que alcan\u00e7aram 15 anos ou mais de estudo, ou seja, haviam completado o n\u00edvel superior. No Brasil, em 2006, apenas 8,6% possu\u00edam esse n\u00edvel de escolaridade, sendo que, nesse grupo, 78% eram de cor branca, 3,3% de cor preta, e 16,5% eram pardos. Mais de 12% dos brancos haviam conclu\u00eddo o terceiro grau, enquanto para pretos e pardos a participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o alcan\u00e7ava 4%.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">A pesquisa ainda aponta que, em 2006, 76,4% dos estudantes freq\u00fcentavam universidades particulares, e apenas 23,6% estavam em estabelecimentos p\u00fablicos. No entanto, mais da metade dos estudantes que freq\u00fcentam o ensino superior na rede p\u00fablica (54,3%) pertenciam aos 20% mais ricos.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><b style=\"line-height: 1.5em;\">Brancos ganham em m\u00e9dia 40% mais do que pretos ou pardos com mesma escolaridade<\/b><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Os rendimentos m\u00e9dios de pretos e pardos se apresentavam sempre menores que os dos brancos. Mesmo quando s\u00e3o considerados os rendimentos-hora de acordo com grupos de anos de estudo, as diferen\u00e7as permaneciam, com o rendimento-hora dos brancos em m\u00e9dia 40% mais elevado que o de pretos e pardos para uma mesma faixa de anos de estudo.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na apropria\u00e7\u00e3o da renda nacional, a distribui\u00e7\u00e3o entre os 10% mais pobres e o 1% mais rico mostrava que, enquanto entre os brancos eram, em 2006, 26,1% dos mais pobres; entre os que estavam na classe mais favorecida, eles representaram quase 86%. Por sua vez, os pretos e pardos eram mais de 73% entre os mais pobres e somente pouco mais de 12% entre os mais ricos. As desigualdades se verificavam em todas as grandes regi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><b style=\"line-height: 1.5em;\">Analfabetismo na Am\u00e9rica Latina e Caribe*<\/b><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Haiti 45,2<\/span><\/p>\n<p align=\"left\">Nicar\u00e1gua 31,9<\/p>\n<p align=\"left\">Guatemala 28,2<\/p>\n<p align=\"left\">Honduras 22,0<\/p>\n<p align=\"left\">El Salvador 18,9<\/p>\n<p align=\"left\">Rep\u00fablica Dominicana 14,5<\/p>\n<p align=\"left\">Bol\u00edvia 11,7<\/p>\n<p align=\"left\">Jamaica 11,3<\/p>\n<p align=\"left\"><b>Brasil 11,1<\/b><\/p>\n<p align=\"left\">Peru 8,4<\/p>\n<p align=\"left\">M\u00e9xico 7,4<\/p>\n<p align=\"left\">Col\u00f4mbia 7,1<\/p>\n<p align=\"left\">Equador 7,0<\/p>\n<p align=\"left\">Panam\u00e1 7,0<\/p>\n<p align=\"left\">Venezuela 6,0<\/p>\n<p align=\"left\">Paraguai 5,6<\/p>\n<p align=\"left\">Porto Rico 5,4<\/p>\n<p align=\"left\">Belize 5,3<\/p>\n<p align=\"left\">Bahamas 4,2<\/p>\n<p align=\"left\">Costa Rica 3,8<\/p>\n<p align=\"left\">Chile 3,5<\/p>\n<p align=\"left\">Antilhas Holandesas 3,1<\/p>\n<p align=\"left\">Argentina 2,8<\/p>\n<p align=\"left\">Cuba 2,7<\/p>\n<p align=\"left\">Uruguai 2,0<\/p>\n<p align=\"left\">Trinidad e Tobago 1,2<\/p>\n<p align=\"left\">Guiana 1,0<\/p>\n<p align=\"left\">Barbados 0,3<\/p>\n<p align=\"left\">M\u00e9dia 9,95 k<\/p>\n<p align=\"left\">\n<p align=\"left\">*Dados do Cepal 2005<\/p>\n<p align=\"left\">\n<p align=\"left\">(Paula Theotonio, estagi\u00e1ria &#8211; Ascom\/UFCG, com dados de Bruno Aragaki \u2013 UOL\/Educa\u00e7\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais da metade dos estudantes que freq\u00fcentam o ensino superior na rede p\u00fablica s\u00e3o ricos<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":41478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-41477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/analfabetismo.gif","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41477\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}