{"id":415807,"date":"2023-03-30T00:52:37","date_gmt":"2023-03-30T03:52:37","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=415807"},"modified":"2023-03-29T15:57:42","modified_gmt":"2023-03-29T18:57:42","slug":"cana-de-acucar-contribuiu-para-remover-carbono-da-atmosfera-nos-ultimos-20-anos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cana-de-acucar-contribuiu-para-remover-carbono-da-atmosfera-nos-ultimos-20-anos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Cana-de-a\u00e7\u00facar contribuiu para remover carbono da atmosfera nos \u00faltimos 20 anos no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"x_cols_1 x_1669661464646 x_ip-section\">\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-349353 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1-620x348.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1-620x348.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1-300x169.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1-768x431.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1-160x90.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1-480x270.jpg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1-640x360.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/canavial1.jpg 906w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div class=\"x_mj-column-per-100 x_mj-outlook-group-fix x_ip-column\">\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x_cols_1 x_1669661495596 x_ip-section\">\n<div>\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div class=\"x_mj-column-per-100 x_mj-outlook-group-fix x_ip-column\">\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"x_ip-text-block\" align=\"left\">\n<div>\n<p class=\"x_ql-align-center\"><em>Pesquisa analisou propriedades rurais da regi\u00e3o Centro-Sul, que concentram mais de 90% da \u00e1rea cultivada com cana no pa\u00eds<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x_cols_1 x_1669661599485 x_ip-section\">\n<div>\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div class=\"x_mj-column-per-100 x_mj-outlook-group-fix x_ip-column\">\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<table role=\"presentation\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"x_ip-text-block\" align=\"left\">\n<div>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">Um estudo realizado pela Agroicone, Unicamp e Embrapa indica que a din\u00e2mica de ocupa\u00e7\u00e3o da terra devido ao cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar ao longo dos \u00faltimos 20 anos no Brasil, ao contr\u00e1rio do esperado, foi respons\u00e1vel pela retirada de carbono da atmosfera, com avan\u00e7o sobre a vegeta\u00e7\u00e3o natural em somente 1,6%. Os resultados da avalia\u00e7\u00e3o t\u00eam repercuss\u00f5es importantes sobre exigentes mercados e certifica\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais de bioenergia, e tamb\u00e9m regulat\u00f3rios, nos quais os impactos do uso da terra s\u00e3o sempre pontos de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">Na avalia\u00e7\u00e3o do professor Joaquim Seabra, da Faculdade de Engenharia Mec\u00e2nica da Unicamp, um dos autores do estudo, o trabalho evidenciou a relev\u00e2ncia de se ter uma parametriza\u00e7\u00e3o mais refinada para se estimar o comportamento dos estoques de carbono no Brasil no setor de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">\u201cFicou muito claro que o uso de par\u00e2metros mais precisos para o estoque de carbono pode alterar significativamente as conclus\u00f5es sobre mudan\u00e7a de uso da terra, que t\u00eam sido difundidas por diferentes esquemas internacionais, quer sejam esquemas de certifica\u00e7\u00e3o ou regulat\u00f3rios. Considerando as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o no contexto nacional, temos fortes ind\u00edcios de que podemos ter mais remo\u00e7\u00f5es de carbono e ao mesmo tempo limitar o risco do efeito indireto (ou seja, expans\u00e3o de \u00e1reas sobre vegeta\u00e7\u00e3o natural) aqui no Brasil\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">A pesquisa avaliou a din\u00e2mica de ocupa\u00e7\u00e3o da terra pelo cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar no Centro-Sul e Norte do Brasil, entre os anos de 2000 e 2020. O resultado desta investiga\u00e7\u00e3o mostrou que 25% da \u00e1rea de cana existente atualmente j\u00e1 era cana em 2000. O acr\u00e9scimo de 6,1 milh\u00f5es de hectares de cana, identificado nesse per\u00edodo, veio de convers\u00f5es de \u00e1reas que, anteriormente, eram pastagens (60%), culturas anuais (16%) e mosaicos (22%) \u2013 ou seja, \u00e1reas que poderiam reunir agricultura e pastagem. Apenas 1,6% da expans\u00e3o de cana ocorreu sobre \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">Este padr\u00e3o de convers\u00e3o do uso da terra, associado \u00e0 troca de tecnologia de cana-queimada (fogo na colheita) para cana-crua (com manuten\u00e7\u00e3o da palha em campo), contribu\u00edram para que as \u00e1reas cultivadas com cana fossem respons\u00e1veis pela remo\u00e7\u00e3o l\u00edquida de aproximadamente 9,8 milh\u00f5es de toneladas de CO2 por ano da atmosfera. Quando considerada a propriedade agr\u00edcola como um todo, e n\u00e3o s\u00f3 a \u00e1rea cultivada com cana-de-a\u00e7\u00facar, a remo\u00e7\u00e3o l\u00edquida foi de 17 milh\u00f5es de toneladas de CO2 por ano, principalmente devido \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o natural e ao aumento de forma\u00e7\u00f5es florestais naturais nestas propriedades.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">Considerando apenas as \u00e1reas cultivadas de cana, a quantidade de carbono removida (9,8 MtCO2\/ano) acumulada nos 20 anos avaliados representa uma remo\u00e7\u00e3o total de 196 MtCO2, o que seria equivalente a plantar 1,4 bilh\u00f5es de \u00e1rvores, ocupando uma \u00e1rea superior a 1 milh\u00e3o de campos de futebol ou 80 vezes a cidade de Paris coberta por floresta.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">No Brasil, a produ\u00e7\u00e3o de bioenergia a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 fundamental para a descarboniza\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica e de transportes. Com isso, ela \u00e9 importante aliada para cumprir os compromissos estabelecidos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de CO2 em sua NDC (Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada ao Acordo de Paris). A mudan\u00e7a de uso da terra associada ao cultivo da cana \u00e9 um processo cr\u00edtico para a sua sustentabilidade e as estimativas at\u00e9 ent\u00e3o realizadas indicavam, predominantemente, emiss\u00f5es de gases do efeito estufa associadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar. Conforme destaca a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Nilza Ramos, \u201ca partir de um amplo conjunto de dados e uma s\u00e9rie de refinamentos metodol\u00f3gicos, o estudo demonstrou uma contribui\u00e7\u00e3o relevante da cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar para remo\u00e7\u00f5es de carbono associadas ao uso da terra no Brasil\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\"><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">Os pesquisadores quantificaram o efeito do cultivo e expans\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar e da mudan\u00e7a do manejo da cultura nos estoques de carbono no solo e biomassa ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas. A an\u00e1lise foi realizada considerando as \u00e1reas de cultivo de cana e as propriedades rurais (Cadastro Ambiental Rural &#8211; CAR) com produ\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima. No total, foram analisados 90,7% da \u00e1rea cultivada de cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil, que correspondem a 93% da produ\u00e7\u00e3o nacional de a\u00e7\u00facar e etanol. Foram analisadas tamb\u00e9m as propriedades rurais com cultivo de cana na regi\u00e3o Norte do pa\u00eds, que apesar de responderem por apenas 0,5% da produ\u00e7\u00e3o nacional, s\u00e3o objeto constante de aten\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">O estudo foi publicado na revista cient\u00edfica internacional\u00a0<em>Land<\/em>\u00a0e se baseou em bases de dados dispon\u00edveis publicamente e reconhecidas internacionalmente. Os dados de convers\u00e3o de \u00e1reas de cana e de qualidade de pastagens foram obtidos da plataforma MapBiomas, os dados das propriedades rurais (CAR) do Imaflora e Servi\u00e7o Florestal Brasileiro e dados de estoque de carbono de novas estimativas feitas pela equipe e do m\u00e9todo BRLUC da Embrapa. \u201cProcuramos utilizar metodologias e fontes de dados que tivessem respaldo da comunidade cient\u00edfica internacional\u201d, afirma Nilza Ramos.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">\u201cOs resultados confirmam um conceito crescente de que podemos ter estocagem de carbono em sistemas de energia, notadamente quando a bioenergia \u00e9 aplicada de maneira correta. Nesse caso espec\u00edfico, dado o per\u00edodo em an\u00e1lise, os resultados refletem o comportamento de mercado da cana, orientado pelo C\u00f3digo Florestal e compromissos do setor sucroenerg\u00e9tico. A expectativa \u00e9 que os crit\u00e9rios de elegibilidade do RenovaBio possam refor\u00e7ar ainda mais esses impactos positivos, mas isso s\u00f3 poder\u00e1 ser verificado com o passar dos anos desta pol\u00edtica a partir da realiza\u00e7\u00e3o de novos estudos\u201d, segundo o condutor do estudo, s\u00f3cio e pesquisador da Agroicone, Marcelo Moreira.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">Adicionalmente, Seabra acredita que os resultados do artigo podem ter repercuss\u00e3o ampliada. \u201cOs resultados podem ser importantes tanto para a avalia\u00e7\u00e3o geral da sustentabilidade de sistemas de produ\u00e7\u00e3o baseados na produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar, como tamb\u00e9m podem suprir par\u00e2metros mais adequados para an\u00e1lises dentro desses contextos regulat\u00f3rios ou de pol\u00edticas, ou de esquemas de certifica\u00e7\u00e3o internacional voltados para biocombust\u00edveis\u201d, acredita ele.<\/p>\n<p class=\"x_ql-align-justify\">O financiamento dessa pesquisa teve recurso do IEA (International Energy Agency) e Ra\u00edzen para Agroicone e Unicamp, e do Minist\u00e9rio de Minas e Energia e da Finep para Embrapa.<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFicou muito claro que o uso de par\u00e2metros mais precisos para o estoque de carbono pode alterar significativamente as conclus\u00f5es sobre mudan\u00e7a de uso da terra, que t\u00eam sido difundidas por diferentes esquemas internacionais, quer sejam esquemas de certifica\u00e7\u00e3o ou regulat\u00f3rios. 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