{"id":418337,"date":"2023-04-25T06:25:45","date_gmt":"2023-04-25T09:25:45","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=418337"},"modified":"2023-04-25T06:25:45","modified_gmt":"2023-04-25T09:25:45","slug":"putas-comunistas-tortura-focou-na-sexualidade-e-na-intimidade-das-mulheres-dizem-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/putas-comunistas-tortura-focou-na-sexualidade-e-na-intimidade-das-mulheres-dizem-pesquisadores\/","title":{"rendered":"\u201cPutas comunistas\u201d: Tortura focou na sexualidade e na intimidade das mulheres, dizem pesquisadores"},"content":{"rendered":"<header class=\"main-article--header\">\n<h1 class=\"titulo\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"bajada\" style=\"text-align: justify;\">A tortura a que mulheres foram submetidas durante a ditadura militar no Brasil teve um duplo car\u00e1ter, sustentam os historiadores L\u00edvia Pizzi Silveira e Leonardo Luiz Pereira de Paula, da UEMG<\/h2>\n<\/header>\n<div class=\"margen-top1\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"main-article--body\">\n<figure class=\"main-photo\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"i-amphtml-fill-content i-amphtml-replaced-content\" src=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/u\/fotografias\/m\/2023\/4\/24\/f960x540-101235_175310_4.png\" alt=\"\u201cPutas comunistas\u201d: Tortura focou na sexualidade e na intimidade das mulheres, dizem pesquisadores\" data-amp-auto-lightbox-disable=\"\" \/><figcaption class=\"epigrafe\"><strong>Foto tirada durante o per\u00edodo da ditadura militar (1964-1985).<\/strong><span class=\"desc\">\u201cPutas comunistas\u201d: Tortura focou na sexualidade e na intimidade das mulheres, dizem pesquisadores<\/span><span class=\"creditos\">Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article-content\">\n<div class=\"article-content--autor\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"el-autor\">\n<div class=\"foto-autor\"><\/div>\n<div class=\"nombre-autor\"><a class=\"nota-link-autor\" title=\"Ir al perfil de  Luiz Carlos Azenha\" href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/autor\/luizcarlosazenha.html\">Por\u00a0<span class=\"post-author-name change-utf\">Luiz Carlos Azenha<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article-content--cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cEu tenho quase certeza de que n\u00e3o fui estuprada porque eles tinham nojo de mim\u201d<\/strong>, contou \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/noticias\/buscar\/?buscar=comiss%C3%A3o+nacional+da+verdade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comiss\u00e3o Nacional da Verdade<\/a>\u00a0a militante Isabel F\u00e1vero, presa em Nova Aurora, Paran\u00e1, nos anos 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gr\u00e1vida de dois meses, ela foi levada para o Batalh\u00e3o de Fronteira em Foz de Igua\u00e7u e abortou depois de cinco dias de tortura.\u00a0<strong>\u201cEu sangrava muito, eu n\u00e3o tinha como me proteger, eu usava papel higi\u00eanico e j\u00e1 tinha mau cheiro\u201d<\/strong>, dep\u00f4s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/global\/2023\/4\/17\/bolsonaro-sera-denunciado-no-comit-da-onu-contra-tortura-deve-ser-investigado-134397.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>tortura<\/strong><\/a>\u00a0a que mulheres foram submetidas durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/blogs\/cafezinho\/2023\/4\/24\/midia-devora-seu-filho-134765.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ditadura militar<\/strong><\/a>\u00a0no Brasil (1964-1985) teve um duplo car\u00e1ter, sustentam os historiadores<strong>\u00a0L\u00edvia Pizzi Silveira<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Leonardo Luiz Pereira de Paula<\/strong>, da\u00a0<strong>Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG)<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois se debru\u00e7aram sobre os relatos feitos por prisioneiras e descobriram um padr\u00e3o: as mulheres eram torturadas n\u00e3o apenas em busca de informa\u00e7\u00e3o, mas por terem se desviado do que seus algozes, todos homens, tinham como \u201cnorma\u201d para o\u00a0<strong>papel feminino na sociedade brasileira<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, as militantes eram recebidas nas c\u00e2maras de tortura como\u00a0<strong>\u201cputas\u201d<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>\u201cvadias\u201d<\/strong>, submetidas a humilha\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter sexual e amea\u00e7adas em rela\u00e7\u00e3o ao bem que mais protegiam, os filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cVoc\u00eas s\u00e3o mo\u00e7as, jovens, que provavelmente pretendem casar, constituir uma fam\u00edlia, e fica muito mal mo\u00e7as como voc\u00eas estarem frequentando sindicato\u201d<\/strong>, disse um delegado do Departamento de Ordem Pol\u00edtica Social (Dops) a Ana Maria Gomes, quando ela foi presa na sede do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Osasco, S\u00e3o Paulo, em 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karen Keilt mudou-se para os Estados Unidos e escreveu o livro<strong>\u00a0\u201cThe Parrot\u2019s Perch\u201d<\/strong>, uma tradu\u00e7\u00e3o para o nome do pau de arara, o instrumento mais utilizado pelos torturadores brasileiros. A v\u00edtima \u00e9 suspensa em um pau com os p\u00e9s e as m\u00e3os amarradas, o que dificulta a respira\u00e7\u00e3o. Em seguida, \u00e9 espancada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ditadura militar brasileira aplicou \u201ct\u00e9cnicas cient\u00edficas\u201d de tortura que haviam sido aplicadas nas guerras de contrainsurg\u00eancia da Arg\u00e9lia e do Vietn\u00e3, muitas delas ensinadas por agentes a servi\u00e7o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCome\u00e7aram a me bater. Eles me colocaram no pau de arara. Eles come\u00e7aram dando choque no peito. No mamilo\u201d<\/strong>, contou Karen em seu depoimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alta e de olhos azuis, Karen era de classe m\u00e9dia alta, casada com Jack, um empres\u00e1rio bem-sucedido com o qual se mudou para o Arizona depois de deixar a pris\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cEu comecei a sangrar. Da boca. Sangrava de tudo quanto era&#8230; da vagina, sangrava. Veio um dos guardas e me levou para o fundo das celas e me violou. Ele falou que eu era rica, mas que eu tinha a buceta igual a de qualquer outra mulher.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karen foi presa em 19 de maio de 1976, com o marido, e levada para o Departamento Estadual de Investiga\u00e7\u00f5es Criminais, o Deic paulista. A acusa\u00e7\u00e3o informal \u00e9 de que o casal estava envolvido com o tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos anos depois, quando\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/noticias\/buscar\/?buscar=dilma+rousseff\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Dilma Rousseff\u00a0<\/strong><\/a>foi eleita presidenta do Brasil, Karen compartilhou com ela e com o ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, um relato ficcional acompanhado de uma carta \u2013 dizendo que sua hist\u00f3ria era verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os torturadores n\u00e3o a viam como militante pol\u00edtica, mas sim como \u201cputa merecedora de tal viola\u00e7\u00e3o\u201d, disse Karen quando dep\u00f4s \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O casal foi libertado depois de 45 dias no Deic, quando o pai dela, funcion\u00e1rio da Ford, pagou 400 mil d\u00f3lares em propina aos policiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, de maneira dram\u00e1tica, j\u00e1 morando nos Estados Unidos, Karen conseguiu confirmar que o pai, Frederic, era agente da intelig\u00eancia dos Estados Unidos. Ele serviu a uma divis\u00e3o de intelig\u00eancia militar entre 1955 e 1975, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens do Deic que prenderam e torturaram Karen e o marido se serviram de informa\u00e7\u00f5es obtidas na defesa da ditadura para enriquecer. Extorquiram um espi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, o estupro da filha de m\u00e3e norte-americana foi sadismo, demonstra\u00e7\u00e3o de poder e experi\u00eancia sexual com uma mulher supostamente \u201cex\u00f3tica\u201d, fora dos padr\u00f5es brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arb\u00edtrio e crueldade em seus estados mais puros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De acordo com os autores da pesquisa que cita Karen, al\u00e9m de combater as \u201cmulheres comunistas\u201d, os agentes da ditadura, frutos de uma sociedade machista e patriarcal, consideravam que as mulheres deveriam ser \u201csubmissas, fr\u00e1geis e delicadas\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, eram especialmente cru\u00e9is ao tortur\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o levantamento, havia at\u00e9 uma tortura espec\u00edfica para mulheres. Um dos bra\u00e7os era preso de tal forma que, se elas tentassem reagir \u00e0 amea\u00e7a de estupro ou \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de objetos na vagina ou no \u00e2nus, a dor se multiplicava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo que cita Karen e v\u00e1rias outras mulheres foi publicado na primeira edi\u00e7\u00e3o da Revista Hist\u00f3rias P\u00fablicas, da UEMG, que est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das organizadoras \u00e9 a professora Jana\u00edna Teles, que incentiva outros pesquisadores a colaborarem com a revista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira edi\u00e7\u00e3o trata de\u00a0<strong>\u201cDitadura e autoritarismo: necropol\u00edtica, negacionismo, arquivos e usos do passado\u201d<\/strong>. Para Jana\u00edna, o governo Bolsonaro \u201csurfou na falta de uma pol\u00edtica p\u00fablica sistem\u00e1tica de mem\u00f3ria sobre as ditaduras do s\u00e9culo 20 e o autoritarismo no Brasil\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela \u00e9 cr\u00edtica, inclusive, do relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, elaborado durante o governo Dilma: \u201cO relat\u00f3rio da CNV menciona cerca de 10 mil mortos e desaparecidos da ditadura militar, mas pouco avan\u00e7ou na investiga\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias desses crimes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jana\u00edna, o Brasil sofre com os efeitos delet\u00e9rios da ditadura. A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, segundo ela, \u201cn\u00e3o realizou um levantamento sistem\u00e1tico acerca da tortura cometida no per\u00edodo, o que \u00e9 muito grave, tendo em vista que esse \u00e9 o principal legado da ditadura, ao lado das pol\u00edcias militares\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se sabe, submetidas ao Ex\u00e9rcito, as PMs ficaram encarregadas de combater o\u00a0<strong>\u201cinimigo interno\u201d\u00a0<\/strong>nas periferias das metr\u00f3poles brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cInimigo interno\u201d, de acordo com a Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional, adotada pelos militares, era qualquer um que discordasse dos rumos da ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso de Jana\u00edna Teles, a professora que organizou a revista, obviamente n\u00e3o \u00e9 mencionado no estudo. Ela e o irm\u00e3o Edson foram sequestrados pela pol\u00edcia depois da pris\u00e3o dos pais, em dezembro de 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto C\u00e9sar e Maria Am\u00e9lia eram torturados, Jana\u00edna e o irm\u00e3o foram mantidos em local desconhecido. Foram levados ao c\u00e1rcere dos pais, num caso brutal de tortura psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa entrevista a este autor, Amelinha Teles contou que foi torturada com choques em todo o corpo, inclusive nos seios, na vagina e no \u00e2nus. As sess\u00f5es eram comandadas pelo \u00eddolo do ex-presidente Jair Bolsonaro,\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/politica\/2023\/1\/16\/quem-primo-do-torturador-coronel-ustra-levado-por-bolsonaro-em-comitiva-aos-eua-130168.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Carlos Alberto Brilhante Ustra<\/strong><\/a>, que dirigiu o maior centro de torturas do Brasil na Rua Tut\u00f3ia, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amelinha disse a este rep\u00f3rter que nada se comparou \u00e0 dor de mal ser reconhecida pelos pr\u00f3prios filhos, suja de sangue e com o rosto cheio de hematomas. Ela foi torturada na condi\u00e7\u00e3o de militante, mulher e m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amelinha e a fam\u00edlia foram \u00e0 Justi\u00e7a e conseguiram formalizar a condena\u00e7\u00e3o de Brilhante Ustra como torturador, um caso \u00fanico no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3 mais nova de Amelinha, Crim\u00e9ia \u00e9 citada no estudo dos pesquisadores da UEMG. Ela foi presa gr\u00e1vida de seis meses. Dupla tortura, da militante na resist\u00eancia \u00e0 ditadura e da m\u00e3e \u201cde um futuro comunista\u201d, na vis\u00e3o de seus algozes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 Comiss\u00e3o da Verdade \u201cRubens Paiva\u201d, da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, Crim\u00e9ia disse que um m\u00e9dico acompanhava as sess\u00f5es de tortura: \u201cEla aguenta a tortura nos p\u00e9s e nas m\u00e3os, s\u00f3 n\u00e3o pode espancar a regi\u00e3o da barriga\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crim\u00e9ia deu \u00e0 luz presa e s\u00f3 teve o primeiro contato com o filho desnutrido 53 dias depois do nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornalista Rose Nogueira passou pelo mesmo supl\u00edcio. Ela foi presa pouco depois de dar \u00e0 luz. Mantida em c\u00e1rcere por um dos mais ferozes torturadores da ditadura, o delegado da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo, S\u00e9rgio Paranhos Fleury,\u00a0<strong>Rose recebeu inje\u00e7\u00f5es para deixar de produzir leite materno<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi v\u00edtima de abuso de um de seus torturadores, mas ao sair da cadeia recuperou a rela\u00e7\u00e3o com o filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flora Strozenberg n\u00e3o teve a mesma sorte. Ela foi presa por agentes da ditadura em agosto de 1974. \u00c0 \u00e9poca, para confundir a intelig\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es que combatiam a ditadura, militares se escondiam adotando o cargo de civis \u2013 e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparecido Laertes Calandra, delegado da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo, era conhecido como capit\u00e3o Ubirajara.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cUm dia o Calandra me chama para interrogat\u00f3rio e diz: \u2018Senta a\u00ed\u2019. Era a cadeira do ginecologista\u201d, narrou Flora \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gr\u00e1vida, Flora foi submetida a seguidas sess\u00f5es de tortura, at\u00e9 abortar. \u201cTinha perdido mais de 20 quilos nesse tempo. A hemorragia era em todos os buracos poss\u00edveis. Foi muito sangue, n\u00e3o sei como n\u00e3o tive um choque, entendeu?\u201d, ela contou \u00e0 CNV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Flora disse que, no caso dela, havia um sentido em usar a cadeira de ginecologista:\u00a0<strong>\u201c\u00c9 uma cadeira que eles pegam choque el\u00e9trico e botam [na vagina] com as seguintes palavras: \u2018Isto \u00e9 para voc\u00ea nunca mais botar comunista no mundo\u2019\u201d<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUm dia o Calandra me chama para interrogat\u00f3rio e diz: \u2018Senta a\u00ed\u2019. 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