{"id":42169,"date":"2014-02-02T09:34:43","date_gmt":"2014-02-02T12:34:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=42169"},"modified":"2014-02-02T09:34:43","modified_gmt":"2014-02-02T12:34:43","slug":"em-pesquisa-64-dos-policiais-assumem-nao-ter-treinamento-adequado-para-lidar-com-protestos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em-pesquisa-64-dos-policiais-assumem-nao-ter-treinamento-adequado-para-lidar-com-protestos\/","title":{"rendered":"Em pesquisa, 64% dos policiais assumem n\u00e3o ter treinamento adequado para lidar com protestos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"metadata\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>JULIANA CASTRO<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"article-body\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\nEstudo da FGV mostra o que os policiais pensam a respeito dos black blocs\nFoto: Marcelo Piu \/ Arquivo O Globo\" src=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/in\/11476812-eb0-84b\/FT500A\/2013-630624977-2013-629852508-2013071813619.jpg_20130718.jpg_20130721.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" \/><figcaption>Estudo da FGV mostra o que os policiais pensam a respeito dos black blocs\u00a0Marcelo Piu \/ Arquivo O Globo<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Manifestantes fugindo de bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e vandalismo eram cenas finais de um enredo que se tornou conhecido no fim de muitos protestos, desde de junho do ano passado. Sete meses depois de a popula\u00e7\u00e3o tomar as ruas, uma pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) revela como as pr\u00f3prias for\u00e7as de seguran\u00e7a se sentem despreparadas para agir diante dos grandes atos \u2014 que prometem se repetir durante a Copa do Mundo. Ao todo, 64% dos policiais militares e civis entrevistados admitiram n\u00e3o ter recebido orienta\u00e7\u00e3o e treinamento adequado para lidar com as manifesta\u00e7\u00f5es e os black blocs.<\/p>\n<p>A pesquisa sobre a percep\u00e7\u00e3o dos policiais a respeito dos manifestantes e do movimento black bloc, produzida pela Diretoria de An\u00e1lise de Pol\u00edticas P\u00fablicas (DAPP-FGV) e obtida pelo GLOBO, fez um raio X do que pensam os policiais sobre os protestos, os black blocs e sua pr\u00f3pria forma de agir diante deles. Foram feitas 5.304 entrevistas, sendo 4.499 com policiais militares e 805 com policiais civis de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. O levantamento foi realizado pela internet, a partir de um cadastro que re\u00fane nomes desses profissionais de todo o Brasil, entre 26 de novembro de 2013 e 14 de janeiro deste ano.<\/p>\n<p>O despreparo revelado pelos pra\u00e7as e oficiais na condi\u00e7\u00e3o do anonimato do levantamento explica outro percentual: o dos 69% que disseram que os agentes agiram como foi poss\u00edvel, devido \u00e0s circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>\u2014 Os policiais se sentiram tendo que improvisar diante de uma situa\u00e7\u00e3o inesperada \u2014 afirmou o diretor da DAPP-FGV, Marco Aur\u00e9lio Ruediger, respons\u00e1vel pela pesquisa.<\/p>\n<p>Apenas 10% apontaram como correto o comportamento dos policiais nas manifesta\u00e7\u00f5es, enquanto outros 19% responderam que \u201calguns colegas n\u00e3o agiram da forma certa, mas n\u00e3o se pode generalizar\u201d. Na hora de atribuir a algu\u00e9m a responsabilidade sobre a maneira como operam nas manifesta\u00e7\u00f5es, os policiais n\u00e3o colocam na pr\u00f3pria conta nem na do comando ou na das secretarias de seguran\u00e7a. A maioria (60%) indicou que a atua\u00e7\u00e3o da tropa \u00e9 determinada pelos governos estaduais.<\/p>\n<p>Um exemplo evidente desse despreparo ocorreu no dia 14 de junho, quando o fot\u00f3grafo Sergio Silva, de 31 anos, que cobria as manifesta\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo, foi atingido por um tiro de bala de borracha, perdendo o olho esquerdo. O mesmo aconteceu \u00e0 publicit\u00e1ria Renata da Paz, de 36 anos, depois de ser atingida por estilha\u00e7os de uma bomba de efeito moral durante protesto no dia 20 de julho no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o sobre atua\u00e7\u00e3o dos black blocs<\/strong><\/p>\n<p>Para Marco Aur\u00e9lio Ruediger, a forma como as manifesta\u00e7\u00f5es aconteceram \u00e9 um fen\u00f4meno novo. Os policiais n\u00e3o possuem treinamento para agir diante delas e reconhecessem isso, o que deve ser visto com aten\u00e7\u00e3o pelo Estado, principalmente porque os grandes atos s\u00e3o um caminho sem volta e atrair\u00e3o mais pessoas organizadas pela internet.<\/p>\n<p>\u2014 Os policiais t\u00eam muita dificuldade de saber agir nessas situa\u00e7\u00f5es, tanto pelo aspecto legal quanto pelo pr\u00f3prio treinamento deles, e isso gera transbordos de viol\u00eancia que afetam a todos, especialmente aos que est\u00e3o l\u00e1 pacificamente. Isso leva a estrutura do Estado a ter que fazer uma reflex\u00e3o e um aprimoramento institucional r\u00e1pido, porque n\u00e3o \u00e9 uma coisa passageira. A sociedade civil est\u00e1 cada vez mais conectada a esses instrumentos digitais.<\/p>\n<p>Por meio da pesquisa, \u00e9 poss\u00edvel saber como os policiais veem os black blocs. Para 35% deles, trata-se de um grupo de baderneiros. Apenas 11% responderam que o grupo \u00e9 de militantes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Os black blocs se definem n\u00e3o como uma organiza\u00e7\u00e3o, mas como uma t\u00e1tica empregada em protestos, com pessoas que se re\u00fanem vestidas de preto e usando m\u00e1scaras. Ao todo, 20% dos policiais disseram que os black blocs s\u00e3o uma t\u00e1tica de a\u00e7\u00e3o em manifesta\u00e7\u00e3o. Em setembro do ano passado, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou projeto de lei que pro\u00edbe o uso de m\u00e1scaras em protestos. Enquanto os black bloc dizem ter uma estrutura n\u00e3o hier\u00e1rquica e descentralizada, os policiais n\u00e3o os enxergam dessa forma. Para 70% deles, esse grupo que protesta mascarado tem uma lideran\u00e7a organizada.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 evidente que os policiais v\u00e3o acreditar que o grupo possui um l\u00edder. Eles est\u00e3o acostumados a lidar com organiza\u00e7\u00f5es que possuem lideran\u00e7a \u2014 afirmou Rafael Alcadipani, especialista do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. \u2014 Black bloc \u00e9 uma coisa nova. Ningu\u00e9m sabia lidar, e a pol\u00edcia foi aos poucos aprendendo. Manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o nova, que demanda viv\u00eancia para ter uma boa intelig\u00eancia \u2014 completa ele, que v\u00ea a percep\u00e7\u00e3o dos policiais sobre o tema como natural.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m questionou os 5.304 policiais sobre o que pensam a respeito das a\u00e7\u00f5es dos black blocs, e a maioria (78%) respondeu que o grupo n\u00e3o tem motiva\u00e7\u00e3o clara, a n\u00e3o ser provocar a viol\u00eancia e o vandalismo gratuitos. Nessa quest\u00e3o, os profissionais podiam marcar at\u00e9 duas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, apareceu que o objetivo dos mascarados era enfrentar e agredir os policiais (24%). Apenas 9% dos agentes afirmaram que os black blocs queriam defender os direitos dos cidad\u00e3os. Por terem uma concep\u00e7\u00e3o de que os black blocs t\u00eam um perfil que tende ao vandalismo, 70% dos policiais afirmaram que o grupo afasta o cidad\u00e3o comum das manifesta\u00e7\u00f5es. Quando julgam somente a a\u00e7\u00e3o dos black blocs e quem eles querem verdadeiramente atingir, 57% dos policiais afirmaram que o grupo n\u00e3o tem alvo definido.<\/p>\n<p><strong>A favor dos juizados m\u00f3veis<\/strong><\/p>\n<p>Durante os protestos, a forma de tipificar eventuais crimes dos manifestantes foi alvo de pol\u00eamica. Em S\u00e3o Paulo, a pol\u00edcia enquadrou um casal com base na Lei de Seguran\u00e7a Nacional, criada durante a ditadura militar para garantir a ordem pol\u00edtica e social. E, segundo 33% dos policiais, \u00e9 nessa lei que os black blocs devem ser enquadrados. A maioria (60%) respondeu que o grupo deveria responder por dano qualificado e incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia. Nessa quest\u00e3o, os profissionais podiam marcar quantas op\u00e7\u00f5es quisessem.<\/p>\n<p>\u2014 Precisamos ter como par\u00e2metro que 70% do que a pol\u00edcia faz s\u00e3o desintelig\u00eancia. \u00c9 ajudar em quest\u00f5es cotidianas. Manifesta\u00e7\u00e3o violenta \u00e9 uma quest\u00e3o nova \u2014 declarou o especialista do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Por conta do vandalismo nos atos, o governo federal e as secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio e de S\u00e3o Paulo anunciaram a cria\u00e7\u00e3o de juizados m\u00f3veis para conter a viol\u00eancia em grandes manifesta\u00e7\u00f5es. Quando questionados em rela\u00e7\u00e3o ao tema, 75% dos policiais disseram aprovar a medida em caso de vandalismo ou de viol\u00eancia policial. A aprova\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos juizados cai para 52% quando a pergunta \u00e9 sobre o uso dele para a apura\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifestantes fugindo de bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e vandalismo eram cenas finais de um enredo que se tornou conhecido no fim de muitos protestos, desde de junho do ano passado. Sete meses depois de a popula\u00e7\u00e3o tomar as ruas, uma pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) revela como as pr\u00f3prias for\u00e7as de seguran\u00e7a se sentem despreparadas para agir diante dos grandes atos \u2014 que prometem se repetir durante a Copa do Mundo. Ao todo, 64% dos policiais militares e civis entrevistados admitiram n\u00e3o ter recebido orienta\u00e7\u00e3o e treinam<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":42170,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,27,6],"tags":[],"class_list":["post-42169","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-justica","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/protesto_sp_violencia_policial.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42169\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42170"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}