{"id":423462,"date":"2023-06-18T08:57:30","date_gmt":"2023-06-18T11:57:30","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=423462"},"modified":"2023-06-18T08:57:30","modified_gmt":"2023-06-18T11:57:30","slug":"2-de-julho-mulheres-tiveram-papel-chave-na-luta-por-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/2-de-julho-mulheres-tiveram-papel-chave-na-luta-por-liberdade\/","title":{"rendered":"2 de Julho: Mulheres tiveram papel chave na luta por liberdade"},"content":{"rendered":"<section class=\"mw-article-head\">\n<h1 class=\"mw-h1-1 mw-default-blue\"><\/h1>\n<h2 class=\"mw-h2-1 mw-default-gray\">Para vencer portugueses, contamos com Maria Felipa, Maria Quit\u00e9ria e Joana Ang\u00e9lica e an\u00f4nimas<\/h2>\n<div class=\"mw-article-head-inner\">\n<div class=\"mw-article-head-info\"><span class=\"mw-article-data mw-default-gray\"><abbr title=\"mw-article-date\"><strong>Por: <\/strong><\/abbr><abbr title=\"mw-article-author\"><strong>Priscila D\u00f3rea<\/strong><\/abbr><\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1232680\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1230000\/2-de-Julho-Mulheres-tiveram-papel-chave-na-luta-po0123268000202306180828.jpg?xid=5858109\" alt=\"Os confrontos foram marcados pela intensa participa\u00e7\u00e3o do povo, entre eles Maria Quit\u00e9ria, Maria Felipa e Joana Ang\u00e9lica\" data-cls=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-description\">Os confrontos foram marcados pela intensa participa\u00e7\u00e3o do povo, entre eles Maria Quit\u00e9ria, Maria Felipa e Joana Ang\u00e9lica &#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Domenico Failutti \/ Marqu\u00eas do Itaja\u00ed \/ Jos\u00e9 Rosael<\/label><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"mw-article-body\">\n<article data-article-id=\"1232680\">\n<p class=\"mw-texto\">\n<p>Encarando os inimigos de frente, protegendo seu povo e suas terras, mantendo a agricultura e a economia girando. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos 17 meses &#8211; de fevereiro de 1822 a julho de 1823 &#8211; de batalhas pela Independ\u00eancia do Brasil na Bahia n\u00e3o se restringe aos nomes que marcaram a hist\u00f3ria. Por toda prov\u00edncia da Bahia, as mulheres an\u00f4nimas contribu\u00edram para a causa da independ\u00eancia e, assim como os homens, foram fundamentais para que n\u00f3s, hoje, possamos ter o que comemorar em todo 2 de Julho.<\/p>\n<p><iframe width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe>Maria Felipa, Maria Quit\u00e9ria e Joana Ang\u00e9lica s\u00e3o alguns dos grandes personagens que marcaram a hist\u00f3ria da independ\u00eancia do Brasil na Bahia, mas a import\u00e2ncia dessas mulheres, explica o professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e coordenador do grupo de pesquisa \u2018O Som do Lugar e o Mundo\u2019, Milton Moura, tamb\u00e9m est\u00e1 justamente em recapitular e arrematar todas aquelas que contribu\u00edram para a vit\u00f3ria dos baianos e brasileiros. Afinal, o que definiu a guerra foi a capacidade de provis\u00e3o alimentar, pois os portugueses n\u00e3o tinham comida em Salvador, aponta o professor.<\/p>\n<p>\u201cOs soldados organizados por l\u00edderes locais como o Periquit\u00e3o, av\u00f4 de Castro Alves, que formou o batalh\u00e3o dos Periquitos, e mais tarde pelo mercen\u00e1rio franc\u00eas Pierre Labatut e pelo Coronel Lima e Silva, conseguiram a vit\u00f3ria porque asseguraram a alimenta\u00e7\u00e3o das suas tropas, assim como bloquearam o acesso dos portugueses \u00e0 comida que havia no Rec\u00f4ncavo e no Baixo Sul. As mulheres participaram de tudo isso, inclusive no transporte dessa comida. A comemora\u00e7\u00e3o mais expressiva disso \u00e9 o folguedo chamado \u2018As Caretas do Mingau\u2019, em Saubara, no dia 2 de Julho\u201d, explica.<\/p>\n<p>Conta-se que essas mulheres, sob a lideran\u00e7a de uma mulher chamada Br\u00edgida, disfar\u00e7avam-se durante a noite para levar comida aos combatentes escondidos para guarnecer a entrada do Rio Paragua\u00e7u. \u201cO interessante \u00e9 que uma das amigas da turma liderada por Maria Felipa chamava-se Br\u00edgida, e o nome da Cabocla de Saubara tamb\u00e9m \u00e9 Br\u00edgida\u201d, conta Milton Moura. Maria Felipa, por sua vez, apesar da propaga\u00e7\u00e3o atual de sua exist\u00eancia, foi um vulto desconhecido por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Isso, claro, at\u00e9 a descoberta de sua relev\u00e2ncia a partir do cotejamento de elementos nas obras de dois itaparicanos: o romancista Xavier Marques (1861-1942), e o cronista e historiador Ubaldo Os\u00f3rio (1883-1974), av\u00f4 do romancista Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro. Assim como, \u00e9 claro, a partir das hist\u00f3rias que permaneceram na mem\u00f3ria popular da Ilha de Itaparica. Maria Felipa era negra, pobre e analfabeta, como consta no \u00fanico documento escrito que at\u00e9 agora conhecemos sobre ela, aponta o professor.<\/p>\n<p>\u201cA tradi\u00e7\u00e3o diz que ela era marisqueira e que liderou um grupo de mulheres que participaram da defesa da Ilha de Itaparica, lutando lado a lado com os soldados e os outros guerreiros, inclusive pescadores e roceiros. Essas hist\u00f3rias despertaram a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico nos \u00faltimos 30 anos e t\u00eam contribu\u00eddo para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia de se considerar a participa\u00e7\u00e3o da mulher na guerra de Independ\u00eancia\u201d, explica Milton Moura.<\/p>\n<p><b>Maria Quit\u00e9ria<\/b><\/p>\n<p>Outra hero\u00edna marcante \u00e9 Maria Quit\u00e9ria, que por si s\u00f3 e seus feitos, \u00e9 uma evid\u00eancia de como o processo de Independ\u00eancia na Bahia possui epis\u00f3dios e personalidades que o tornam \u00fanico. \u201cEla sabia montar, atirar, ca\u00e7ar e plantar, mas isso era diferente de guerrear. Ouvindo a propaganda independentista que corria de s\u00edtio em s\u00edtio, de feira em feira, de povoado em povoado, ela se empolgou, se comoveu e decidiu lutar, tomando para si as roupas do cunhado e se alistando como Soldado Medeiros\u201d, conta Milton Moura.<\/p>\n<p>E s\u00e3o hist\u00f3rias e registros desse tipo &#8211; e tantos outros &#8211; que melhor mostram o quanto \u201ca Independ\u00eancia do Brasil na Bahia foi um processo singular, dram\u00e1tico e \u00e9pico, diferente de todos os outros estados\u201d, salienta o jornalista, pesquisador e membro da comiss\u00e3o de cultura do Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia (IGHB), Jorge Ramos. \u201cFoi uma guerra que durou mais de um ano, e ainda que os acontecimentos de 25 de junho de 1822 em Cachoeira sejam considerados o estopim da fase armada da Independ\u00eancia, desde a morte de Joana Ang\u00e9lica, em fevereiro daquele mesmo ano, j\u00e1 haviam conflitos acontecendo\u201d, aponta o pesquisador.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1230000\/0x0\/2-de-Julho-Mulheres-tiveram-papel-chave-na-luta-po0123268000202306180828.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1230000%2F2-de-Julho-Mulheres-tiveram-papel-chave-na-luta-po0123268000202306180828.jpg%3Fxid%3D5858113&amp;xid=5858113\" alt=\"Est\u00e1tua em homenagem a Maria Quit\u00e9ria no Largo da Soledade\" \/><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-title\">Est\u00e1tua em homenagem a Maria Quit\u00e9ria no Largo da Soledade<\/span><span class=\"mw-image-author\">| \u00a0Foto: Uendel Galter<\/span><\/div>\n<p>Protetora, mas tamb\u00e9m uma v\u00edtima da guerra, Joana Ang\u00e9lica se tornou uma m\u00e1rtir ao se p\u00f4r \u00e0 frente dos port\u00f5es do Convento da Lapa para impedir que soldados portugueses invadissem aquele local que homens n\u00e3o podiam entrar, pois era de freiras enclausuradas. Joana Ang\u00e9lica, que estava com 60 anos na \u00e9poca, recebeu golpes de baioneta dos soldados e sua morte estimulou a revolta dos brasileiros.<\/p>\n<p>A atual abadessa do Mosteiro de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o &#8211; posi\u00e7\u00e3o que Joana Ang\u00e9lica ocupava -, a Madre Lindinalva de Maria, aponta que tal sacrif\u00edcio feito por ela em 1822, pela perspectiva humana, n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o. \u201cA capacidade de dar a vida pelo outro \u00e9 um gesto grandioso e n\u00e3o existem palavras que o definam. E para al\u00e9m disso, nos faz pensar nos tantos outros gestos menores que ela fez em vida. Ela tinha uma vida que, por si s\u00f3, era entregue unicamente com a finalidade de viver para Deus, um Deus ao qual entregamos a vida e que \u00e9 representado pelas pe<\/p>\n<p><b>As an\u00f4nimas das batalhas<\/b><\/p>\n<p>Muitas ainda s\u00e3o as mulheres an\u00f4nimas na hist\u00f3ria da Independ\u00eancia do Brasil na Bahia, mas os estudos tem nos feito tomar conhecimento dessas mulheres, afirma a professora de hist\u00f3ria da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), titular aposentada da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e do N\u00facleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Ufba, Lina Aras.<\/p>\n<p>H\u00e1 exemplos dos estudos sobre as Caretas do Mingau feito por Vanessa Pereira de Almeida (Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia &#8211; UFRB, 2017) e o estudo em desenvolvimento sobre as mulheres presentes nas lutas de Itaparica de Patr\u00edcia Ver\u00f4nica Pereira dos Santos (Ufba).<\/p>\n<p>\u201cSobre o apagamento de Maria Felipa em especial, \u00e9 importante dizer que, por muito tempo, a hist\u00f3ria foi escrita por um vencedor, sujeito universal, branco e de elite. Dessa forma, ao trazer para linha de frente da hist\u00f3ria personagens negras e negros, estamos realizando um trabalho de visibilidade daquelas popula\u00e7\u00f5es invisibilizadas, assim como fora a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, e fazendo justi\u00e7a ao papel da Hist\u00f3ria, que \u00e9 constru\u00edda por todas as pessoas\u201d, afirma a docente, que acredita que por isso o Bicenten\u00e1rio se constitui em um est\u00edmulo para o desenvolvimento de novas pesquisas, mesmo que esse seja um tema recorrente no nosso cotidiano.<\/p>\n<p>\u201cA disponibiliza\u00e7\u00e3o de documentos, nossas abordagens metodol\u00f3gicas e o olhar mais prospectivo tem contribu\u00eddo para que nos pr\u00f3ximos anos tenhamos mais pesquisas e estudos que trar\u00e3o outros olhares sobre o tema. No momento, destacam-se a realiza\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de eventos que poder\u00e3o ser transformados em publica\u00e7\u00f5es e essas que j\u00e1 se encontram no prelo. Chamo a aten\u00e7\u00e3o para os estudos sobre o Dois de Julho nas salas de aulas, o que tem estimulado docentes e discentes a se comprometerem com a luta da Independ\u00eancia do Brasil na Bahia e o refor\u00e7o das nossas identidades\u201d, afirma.<\/p>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para vencer portugueses, contamos com Maria Felipa, Maria Quit\u00e9ria e Joana Ang\u00e9lica e an\u00f4nimas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":423463,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-423462","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/mulheres-de-historia-na-bahia.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=423462"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423462\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/423463"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=423462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=423462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=423462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}