{"id":424688,"date":"2023-07-02T06:19:17","date_gmt":"2023-07-02T09:19:17","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=424688"},"modified":"2023-07-02T06:19:17","modified_gmt":"2023-07-02T09:19:17","slug":"baianinha-gigante-conheca-a-menina-de-10-anos-que-enfrentou-as-tropas-portuguesas-com-as-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/baianinha-gigante-conheca-a-menina-de-10-anos-que-enfrentou-as-tropas-portuguesas-com-as-palavras\/","title":{"rendered":"Baianinha gigante: conhe\u00e7a a menina\u00a0de 10 anos que enfrentou as tropas portuguesas com as palavras"},"content":{"rendered":"<section class=\"an-padrao container\">\n<div class=\"mdc-layout-grid\">\n<div class=\"mdc-layout-grid__inner\">\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-12-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet col-a\">\n<div class=\"box \">\n<header>\n<h1 class=\"titulo\"><\/h1>\n<h2 class=\"linha-fina noticia\">Identidade de Ur\u00e2nia Van\u00e9rio s\u00f3 foi descoberta no ano passado por uma professora da Ufba; menina escreveu o panfleto &#8220;mais radical&#8221; pr\u00f3-independ\u00eancia<\/h2>\n<\/header>\n<div class=\"comp assinatura-abertura tipo-2\">\n<p class=\"nome\">Thais Borges<\/p>\n<p class=\"email\">\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<article id=\"noticia\" class=\"noticia container\">\n<div class=\"banner ad-sticky-left\">\n<div class=\"ad-sticky__wrap\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content mdc-layout-grid\">\n<div class=\"main mdc-layout-grid__inner\">\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"img-3\" src=\"https:\/\/midias.correio24horas.com.br\/2023\/07\/01\/a-identidade-de-urania-vanerio-so-foi-conhecida-no-ano-passado-com-a-pesquisa-da-professora-patricia-valim-da-ufba-nao-ha-registros-imageticos-conhecidos-dela-ate-entao-1794071-article.png\" alt=\"A identidade de Ur\u00e2nia Van\u00e9rio s\u00f3 foi conhecida no ano passado, com a pesquisa da professora Patr\u00edcia Valim, da Ufba. N\u00e3o h\u00e1 registros imag\u00e9ticos conhecidos dela at\u00e9 ent\u00e3o\" width=\"600\" height=\"373\" \/><figcaption>A identidade de Ur\u00e2nia Van\u00e9rio s\u00f3 foi conhecida no ano passado, com a pesquisa da professora Patr\u00edcia Valim, da Ufba. N\u00e3o h\u00e1 registros imag\u00e9ticos conhecidos dela at\u00e9 ent\u00e3o. Cr\u00e9dito: Ilustra\u00e7\u00e3o: Quintino Andrade<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<div class=\"ads-paragrafo\">\n<div class=\"ads-paragrafo__wrap no-shift-mrec_destaque-paragrafo\">\n<div id=\"internas_336x280_01\" data-google-query-id=\"CKq7l6rY7_8CFfKFlQId9UcISA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/d_c24h_internas_336x280_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Entre os dias 19 e 21 de fevereiro de 1822, a menina Ur\u00e2nia Van\u00e9rio decidiu colocar em palavras a indigna\u00e7\u00e3o que tanto sentia pela viol\u00eancia entre tropas portuguesas e baianas na guerra pela independ\u00eancia. Da janela de casa, no Centro de Salvador, assistiu a epis\u00f3dios marcados pela brutalidade, como quando a freira Joana Ang\u00e9lica foi morta pelos soldados lusitanos.<\/p>\n<p>Foi assim que, do alto de seus 10 anos de idade, Ur\u00e2nia escreveu aquele que \u00e9 considerado um dos mais radicais panfletos pr\u00f3-independ\u00eancia. &#8220;Justos c\u00e9us, de que nos servem\/ bases da Constitui\u00e7\u00e3o\/se a lusa tropa s\u00f3 quer\/ impor-nos a escravid\u00e3o?&#8221;, dizia, no panfleto intitulado Lamentos de uma Baiana.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Este talvez seja o momento em que voc\u00ea se pergunte por que nunca ouviu falar de Ur\u00e2nia. \u00c9 prov\u00e1vel que nunca tenha escutado seu nome nas aulas da escola, nem mesmo visto por a\u00ed retratos dela ao lado de outras hero\u00ednas da independ\u00eancia, como Maria Quit\u00e9ria, Joana Ang\u00e9lica ou mesmo Maria Felipa, cujas tentativas de apagamento v\u00eam sendo denunciadas h\u00e1 mais tempo por historiadores e movimentos sociais. De fato, nem mesmo h\u00e1 registros imag\u00e9ticos conhecidos de Ur\u00e2nia at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>A exist\u00eancia de Ur\u00e2nia tornou-se conhecida nas \u00faltimas d\u00e9cadas, entre pesquisadores que se dedicam a estudar a hist\u00f3ria da Bahia ou a independ\u00eancia. No livro Guerra Liter\u00e1ria: Panfletos da Independ\u00eancia, de 2014, por exemplo, os autores destacavam o poema escrito pela menina, chamando-o de &#8220;revoltado e dolorido protesto contra a a\u00e7\u00e3o das tropas do general Madeira de Mello&#8221;. S\u00f3 que, durante todo esse tempo, Ur\u00e2nia nem mesmo tinha nome. Era conhecida como a &#8220;baianinha&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Isso s\u00f3 mudou no ano passado, quando a historiadora Patr\u00edcia Valim, professora do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) conseguiu resgatar sua trajet\u00f3ria e sua identidade. &#8220;Ur\u00e2nia Van\u00e9rio \u00e9 a autora do principal panfleto produzido nas lutas das prov\u00edncias&#8221;, diz a professora. A nota de rodap\u00e9 do panfleto dizia que a menina tinha 13 anos, o que foi erroneamente difundido mesmo entre estudiosos do tema, por muito tempo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp destacado destacado--autor\">\n<div class=\"destacado__wrap\">\n<header>\n<div class=\"autor\">por<\/p>\n<h4>Patr\u00edcia Valim<\/h4>\n<\/div>\n<\/header>\n<p><q>&#8220;&#8221;Ur\u00e2nia Van\u00e9rio \u00e9 a autora do principal panfleto produzido nas lutas das prov\u00edncias&#8221;,&#8221;<\/q><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Na \u00e9poca, os panfletos eram uma forma eficaz de comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No artigo em que discorre sobre a identidade de Ur\u00e2nia, a professora Patr\u00edcia Valim explica que eles eram tanto afixados em locais de grande circula\u00e7\u00e3o de pessoas quanto lidos em diferentes estabelecimentos, sempre com o objetivo de mobilizar mais gente em torno de uma causa &#8211; neste caso, a independ\u00eancia. A autoria deles, contudo, era majoritariamente masculina.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>&#8220;S\u00e3o apenas cinco mulheres (autoras de panfletos). Duas s\u00e3o portuguesas e tr\u00eas s\u00e3o brasileiras, sendo uma delas uma menina baiana de 10 anos que precisou alterar a idade para ser lida e ter seu panfleto lido na \u00e9poca&#8221;, reitera, em entrevista ao CORREIO.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Ur\u00e2nia era uma menina branca, filha de portugueses, nascida na Bahia e que se reconhecia como baiana. Ainda hoje, h\u00e1 quem a confunda por uma pessoa parda. &#8220;N\u00e3o adianta escurec\u00ea-la. Ela tem pai e m\u00e3e portugueses, o que n\u00e3o tira sua import\u00e2ncia nesse conjunto de mulheres que lutaram e se envolveram na independ\u00eancia&#8221;, acrescenta Patr\u00edcia, em entrevista.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"banner mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp\">\n<div class=\"banner__wrap container\">\n<div class=\"banner__content no-shift\">\n<div id=\"internas_336x280_02\" data-google-query-id=\"COHl6KvY7_8CFbWHlQIdPoIAEw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/d_c24h_internas_336x280_1__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"img-12\" src=\"https:\/\/midias.correio24horas.com.br\/2023\/06\/30\/o-panfleto-lamentos-de-uma-baiana-foi-escrito-por-urania-vanerio-na-epoca-com-10-anos-1793235-article.jpg\" alt=\"O panfleto Lamentos de Uma Baiana foi escrito por Ur\u00e2nia Van\u00e9rio, na \u00e9poca com 10 anos\" width=\"600\" height=\"969\" \/><figcaption>O panfleto Lamentos de Uma Baiana foi escrito por Ur\u00e2nia Van\u00e9rio, na \u00e9poca com 10 anos. Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p><b>Descoberta<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Ur\u00e2nia nasceu em 1811. Era filha \u00fanica de Ang\u00e9lica e Euz\u00e9bio Van\u00e9rio, dois professores que chegaram a fundar um col\u00e9gio na Barroquinha. Ainda que n\u00e3o fossem uma fam\u00edlia rica, eram pessoas dedicadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. A menina foi, inclusive, alfabetizada tamb\u00e9m em outras l\u00ednguas, como ingl\u00eas, franc\u00eas e italiano &#8211; essas habilidades viriam, no futuro, capacit\u00e1-la at\u00e9 para traduzir obras liter\u00e1rias.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Segundo os achados da pesquisadora Patr\u00edcia Valim, portanto, Ur\u00e2nia pode ser considerada a primeira tradutora do Brasil, j\u00e1 que come\u00e7ou cerca de 10 anos antes de N\u00edsia Floresta, que detinha o posto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>O caminho at\u00e9 essas descobertas &#8211; em especial, a identidade da baianinha -, por\u00e9m, n\u00e3o foi t\u00e3o simples ou r\u00e1pido. Passou pela pr\u00f3pria trajet\u00f3ria de pesquisa da professora Patr\u00edcia, que se tornou docente da Ufba em 2015, mas j\u00e1 se dedicava \u00e0 hist\u00f3ria da Bahia desde o mestrado e o doutorado feitos na Universidade de S\u00e3o Paulo. Com estudos sobre a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, ela entrou em contato com o panfleto de Ur\u00e2nia no passado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Ao ler a tese do pesquisador Roberto Paix\u00e3o sobre o pai de Ur\u00e2nia, Euz\u00e9bio, defendida no doutorado em Educa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de Sergipe, Patr\u00edcia encontrou a men\u00e7\u00e3o de que ele era pai de uma \u00fanica filha, que teria cuidado de sua escola.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>&#8220;Quando vou pesquisar, encontro o nome de Ur\u00e2nia Van\u00e9rio. Isso demora muitos anos. Ouvindo assim, parece que \u00e9 r\u00e1pido&#8221;, lembra. A confirma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m veio com o obitu\u00e1rio de Ur\u00e2nia, publicado no Correio Sergipense em 1850. No texto, o autor cita que ela tinha escrito versos pela &#8220;desgra\u00e7a da p\u00e1tria&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Ao encontrar Ur\u00e2nia, Patr\u00edcia conta ter ficado profundamente emocionada. Foi como uma consagra\u00e7\u00e3o do trabalho. \u201cMe sinto muito agradecida. A hist\u00f3ria da Bahia me d\u00e1 r\u00e9gua e compasso. Sou profissional historiadora gra\u00e7as \u00e0 hist\u00f3ria da Bahia\u201d, afirma. \u201cEu fico andando ali pelas ruas e imaginando que ela viu o assassinato de Joana Ang\u00e9lica da janela do quarto. Ando ali e fico emocionada imaginando essas pessoas nos s\u00e9culos 18, 19, vivendo, andando e sonhando\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"banner mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp\">\n<div class=\"banner__wrap container\">\n<div class=\"banner__content no-shift\">\n<div id=\"internas_336x280_03\" data-google-query-id=\"COeeh63Y7_8CFc-WlQIdS60OgQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/d_c24h_internas_336x280_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p><b>Vida<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Alguns meses ap\u00f3s a circula\u00e7\u00e3o do panfleto, Ur\u00e2nia e os pais se mudam para Cachoeira, porque Euz\u00e9bio se torna integrante do conselho de governo da cidade. No ano seguinte, ap\u00f3s a independ\u00eancia, passam a viver em Sergipe. Em um contexto cheio de tens\u00f5es e diverg\u00eancias pol\u00edticas, as disputas locais fizeram com que ele fosse preso e, assim, enviado ao Forte de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>\u00c9 dessa forma que, em 1824, Ur\u00e2nia e sua m\u00e3e tamb\u00e9m retornam a Salvador e decidem reabrir o col\u00e9gio da fam\u00edlia. Ela chegou a enviar um of\u00edcio ao imperador pedindo uma licen\u00e7a para a abertura da escola, o que foi aceito. Dois anos depois, a imprensa noticiava a tradu\u00e7\u00e3o de Triunfo e o Car\u00e1ter de Patriotismo, obra assinada pelo poeta e romancista franc\u00eas Jean-Pierre Claris de Florian, sob seu pseud\u00f4nimo M. de Florian. Com essa obra, Ur\u00e2nia pode ser considerada a primeira tradutora brasileira.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Para a professora Patr\u00edcia Valim, \u00e9 preciso ter em mente que o conceito de inf\u00e2ncia tido na \u00e9poca era diferente do atual. N\u00e3o seria estranho, portanto, nem o seu envolvimento com a luta pela independ\u00eancia, menos ainda com a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp destacado destacado--autor\">\n<div class=\"destacado__wrap\">\n<header>\n<div class=\"autor\">por<\/p>\n<h4>Patr\u00edcia Valim<\/h4>\n<\/div>\n<\/header>\n<p><q>&#8220;\u201cEla est\u00e1 fazendo isso na prov\u00edncia que tem o porto mais importante. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tem tanta tropa portuguesa e o plano de Portugal era quebrar o que viria a ser o Brasil ao meio a partir da Bahia\u201d.&#8221;<\/q><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Ur\u00e2nia se casou em 1827 com Felisberto Gomes de Argollo Ferr\u00e3o, integrante de uma das fam\u00edlias mais ricas e importantes da Bahia. Mesmo nessa \u00e9poca, ela continuou trabalhando no col\u00e9gio de seus pais. A baianinha e Felisberto tiveram 13 filhos at\u00e9 que, no parto do \u00faltimo, Ur\u00e2nia faleceu devido a uma infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>&#8220;A gente acha que 10 anos \u00e9 cedo, mas, para a \u00e9poca, n\u00e3o era. Ter tido 13 filhos e morrido no parto \u00e9 lament\u00e1vel, mas ela deixou um legado. Ela j\u00e1 estava em outro lugar. N\u00e3o sei se \u00e0 frente de seu tempo, mas numa luta com a pr\u00e1tica para a conquista de direitos&#8221;, acrescenta Patr\u00edcia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p><b>Livro<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"banner mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp\">\n<div class=\"banner__wrap container\">\n<div class=\"banner__content no-shift\">\n<div id=\"internas_336x280_04\" data-google-query-id=\"CKqI463Y7_8CFf2ulQIdCd8JTQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/d_c24h_internas_336x280_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>O artigo com a hist\u00f3ria de Ur\u00e2nia Van\u00e9rio assinado pela professora Patr\u00edcia Valim foi publicado no ano passado no livro Independ\u00eancia do Brasil: As Mulheres que estavam l\u00e1, organizado pela roteirista Ant\u00f4nia Pellegrino e pela professora Helo\u00edsa Starling, docente titular do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>A professora Helo\u00edsa cita um epis\u00f3dio em que a professora L\u00facia Bastos, docente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e uma das autoras do livro Guerra Liter\u00e1ria, encontrou o panfleto de Ur\u00e2nia Van\u00e9rio na Biblioteca Nacional, durante a pesquisa de seu doutorado, defendido na USP em 1992. Ali, Ur\u00e2nia ainda n\u00e3o tinha nome conhecido &#8211; era a \u201cBaianinha\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>\u201cEla (L\u00facia) fez v\u00e1rias fichas, porque naquele tempo n\u00e3o tinha celular e n\u00e3o podia tirar xerox de um documento de 200 anos. Ent\u00e3o, ela copia o panfleto em v\u00e1rias fichas e eu consegui que ela me passasse uma dessas fichas\u201d, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"img-31\" src=\"https:\/\/midias.correio24horas.com.br\/2023\/06\/30\/a-historiadora-lucia-bastos-professora-da-uerj-documentou-o-panfleto-da-baianinha-em-1992-1793247-article.jpeg\" alt=\"A historiadora L\u00facia Bastos, professora da Uerj, documentou o panfleto da baianinha em 1992\" width=\"600\" height=\"450\" \/><figcaption>A historiadora L\u00facia Bastos, professora da Uerj, documentou o panfleto da baianinha em 1992. Cr\u00e9dito: L\u00facia Bastos\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Helo\u00edsa enfatiza o fato de que Ur\u00e2nia escreveu o panfleto em uma prov\u00edncia estrat\u00e9gica. \u201cEla est\u00e1 fazendo isso na prov\u00edncia que tem o porto mais importante. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tem tanta tropa portuguesa e o plano de Portugal era quebrar o que viria a ser o Brasil ao meio a partir da Bahia\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp destacado destacado--autor\">\n<div class=\"destacado__wrap\">\n<header>\n<div class=\"autor\">por<\/p>\n<h4>Helo\u00edsa Starling<\/h4>\n<\/div>\n<\/header>\n<p><q>&#8220;\u201cEla (Ur\u00e2nia) est\u00e1 fazendo isso na prov\u00edncia que tem o porto mais importante. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tem tanta tropa portuguesa e o plano de Portugal era quebrar o que viria a ser o Brasil ao meio a partir da Bahia\u201d.&#8221;<\/q><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p>Para ela, a hist\u00f3ria ficou esquecida por tanto tempo porque \u00e9 comum que mulheres que conseguem romper fronteiras proibidas, como a pol\u00edtica, sejam condenadas ao esquecimento. \u201cA puni\u00e7\u00e3o que se deu a ela foi essa. Os gregos diziam que o esquecimento \u00e9 pior do que a morte. Os baianos t\u00eam que conhecer e bater palma para ela\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este talvez seja o momento em que voc\u00ea se pergunte por que nunca ouviu falar de Ur\u00e2nia. \u00c9 prov\u00e1vel que nunca tenha escutado seu nome nas aulas da escola, nem mesmo visto por a\u00ed retratos dela ao lado de outras hero\u00ednas da independ\u00eancia, como Maria Quit\u00e9ria, Joan<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":424689,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-424688","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/bibinha.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424688\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/424689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=424688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=424688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}