{"id":426445,"date":"2023-07-20T09:13:16","date_gmt":"2023-07-20T12:13:16","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=426445"},"modified":"2023-07-20T09:13:16","modified_gmt":"2023-07-20T12:13:16","slug":"ex-aluna-denuncia-escola-civico-militar-estao-mais-preocupados-com-piercing-do-que-com-acesso-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ex-aluna-denuncia-escola-civico-militar-estao-mais-preocupados-com-piercing-do-que-com-acesso-a-educacao\/","title":{"rendered":"Ex-aluna denuncia escola c\u00edvico-militar: \u201cEst\u00e3o mais preocupados com piercing do que com acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<header class=\"main-article--header\">\n<h1 class=\"titulo\"><\/h1>\n<h2 class=\"bajada\">Adolescente diz que sonhava tornar-se policial, mas desistiu do projeto ap\u00f3s se decepcionar na institui\u00e7\u00e3o; \u201cO que aconteceu comigo foi leve, tem relatos muito piores\u201d<\/h2>\n<\/header>\n<div class=\"margen-top1\"><\/div>\n<div class=\"main-article--body\">\n<figure class=\"main-photo\"><img decoding=\"async\" class=\"i-amphtml-fill-content i-amphtml-replaced-content\" src=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/u\/fotografias\/m\/2023\/7\/19\/f960x540-107040_181115_15.jpg\" alt=\"Imagem ilustrativa\" data-amp-auto-lightbox-disable=\"\" \/><figcaption class=\"epigrafe\"><strong>Alunos da E.E. Maria Jos\u00e9 fazem performance contra o projeto Escola Sem Partido em SP. Dezembro de 2015.<\/strong><span class=\"desc\">Imagem ilustrativa<\/span><span class=\"creditos\">Cr\u00e9ditos: Raphael Sanz<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article-content\">\n<div class=\"article-content--autor\">\n<div class=\"el-autor\">\n<div class=\"foto-autor\"><\/div>\n<div class=\"nombre-autor\"><a class=\"nota-link-autor\" title=\"Ir al perfil de  Raphael Sanz\" href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/autor\/raphael-sanz.html\">Por\u00a0<span class=\"post-author-name change-utf\">Raphael Sanz<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"share-group\"><\/div>\n<div class=\"article-content--cuerpo\">\n<p>Patr\u00edcia* tem 16 anos e vive na zona rural de uma capital brasileira. No per\u00edodo da tarde trabalhava em uma loja no centro da cidade para ajudar a fam\u00edlia e tinha muitas dificuldades de encontrar uma escola com o hor\u00e1rio da manh\u00e3 vago, para que pudesse estudar sem precisar deixar o emprego. Ap\u00f3s muita procura, conseguiu uma vaga em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/brasil\/2022\/9\/17\/militar-do-exercito-acusado-de-estupro-de-vulneravel-em-escola-civico-militar-em-sc-123433.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>escola c\u00edvico-militar<\/strong><\/a>, gerida pela\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/brasil\/sudeste\/2023\/7\/18\/vamos-provar-ao-juri-que-policia-mente-diz-me-de-vitima-do-massacre-da-dz7-em-paraisopolis-139704.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Pol\u00edcia Militar\u00a0<\/strong><\/a>local, em munic\u00edpio da regi\u00e3o metropolitana da capital onde vive. A distancia entre seu bairro e a nova escola era de 50 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Ela relata que acordava todos os dias \u00e0s 4 horas da manh\u00e3 para tomar a condu\u00e7\u00e3o e chegar \u00e0 escola c\u00edvico-militar antes das 7h15, que \u00e9 quando come\u00e7a a primeira aula e o port\u00e3o se fecha.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes eu chegava com um minuto de atraso, literalmente, chegava sete e dezesseis, e era barrada por um minuto. Cheguei a questionar o por qu\u00ea eles n\u00e3o deixavam entrar, j\u00e1 que deveria ter minutos de toler\u00e2ncia, mas nunca justificavam de fato. Isso aconteceu muitas vezes, se o metr\u00f4 atrasava tinha que ficar l\u00e1 esperando outro hor\u00e1rio\u201d, relata a adolescente para a Revista F\u00f3rum.<\/p>\n<p>Ela conta que \u00e0s 7h15 era a hora de\u00a0<strong>\u201centrar em forma\u201d<\/strong>. Esse \u00e9 um momento quase \u2018espiritual\u2019 para os policiais militares, pois \u00e9 quando enfileiram os alunos da referida escola para que prestem contin\u00eancia antes das aulas come\u00e7arem. Segundo a percep\u00e7\u00e3o da aluna Patr\u00edcia e tamb\u00e9m de pesquisadores da \u00e1rea, como a pedagoga e doutora em educa\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/brasil\/2023\/7\/17\/exclusivo-as-escolas-civicas-militares-so-parte-de-um-projeto-das-foras-armadas-para-2036-139627.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Catarina de Almeida Santos<\/strong><\/a>, tais praticas militarizadas n\u00e3o condizem com o que se espera do ambiente escolar e muitas vezes colocam os ideais de disciplina e rigidez por cima do pr\u00f3prio acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o principal objetivo da escola p\u00fablica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNa escola, a perspectiva de disciplina com a qual trabalhamos \u00e9 a da capacidade de formar sujeitos para conviver e respeitar coletivamente, viver em sociedade. A l\u00f3gica da disciplina escolar \u00e9 o aprendizado do respeito. Conviver e respeitar uns aos outros, n\u00e3o porque algu\u00e9m armado diz para fazer aquilo, mas sim porque temos respeito pelo outro, o que \u00e9 diferente. Na escola militarizada, isso inverte. \u00c9 a l\u00f3gica do bater contin\u00eancia, obedecer comando, da uniformiza\u00e7\u00e3o, da nega\u00e7\u00e3o do sujeito. Quando voc\u00ea tenta padronizar todo mundo, voc\u00ea est\u00e1 negando a diversidade, o diverso dentro da escola\u201d, disse Catarina de Almeida Santos em entrevista \u00e0 Revista F\u00f3rum.<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>\u201cExpulsa\u201d da escola c\u00edvico-militar<\/strong><\/h2>\n<p>Foi nesse contexto de apelo a uma disciplina que simplesmente n\u00e3o cabe em jovens dessa idade, que os PMs &#8211; que faturam uma bela cifra do Estado para estarem onde n\u00e3o deveriam estar \u2013 criaram uma situa\u00e7\u00e3o que tornou imposs\u00edvel a perman\u00eancia de Patr\u00edcia naquela institui\u00e7\u00e3o. E tudo por conta de um\u00a0<em>piercing<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTinha ido para a escola em um dia normal e tinha que imprimir um documento, ent\u00e3o a minha m\u00e3e foi comigo. Perguntei ao policial onde poderia imprimir o documento, mas ele olhou pra mim e disse: \u2018e esse piercing a\u00ed?\u2019, e pediu para eu tirar antes de entrar na sala. Mas estava gripada e o piercing tinha inflamado por dentro, n\u00e3o dava para tirar, precisava esperar desinflamar\u201d, conta Patr\u00edcia.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ela fez o tr\u00e2mite do documento com a m\u00e3e e saiu do radar do policial por alguns momentos, tendo conseguido entrar na sala de aula.\u00a0<strong>\u201cEle ent\u00e3o foi de sala em sala com a minha m\u00e3e, me procurando, dizendo que era para eu entregar de novo o mesmo documento, mas n\u00e3o era isso, ele queria mesmo era ver se eu estava com o\u00a0<em>piercing<\/em>\u201d,<\/strong>\u00a0contou.<\/p>\n<p>Quando a encontrou, o PM n\u00e3o quis nem saber e deu o ultimato: ou tira o\u00a0<em>piercing<\/em>\u00a0ou sequer entra na escola. Ela tentou argumentar que estava inflamado, em v\u00e3o. Nesse momento, Patr\u00edcia conta que come\u00e7ou a chorar, pois aquela era a \u00fanica escola que poderia estudar sem ter que abandonar o emprego.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSorte que minha m\u00e3e estava l\u00e1, sen\u00e3o eu teria que voltar sozinha, e \u00e9 perigoso. Fiquei bem traumatizada com isso. Mudei de escola, n\u00e3o tinha turno da manh\u00e3, e acabei saindo do emprego. Sinceramente acho que poucas pessoas teriam disposi\u00e7\u00e3o de acordar t\u00e3o cedo para estudar, trabalhar, chegando super tarde, e se manter na linha. Eu vivo estudando, tenho mais de 30 cursos, sou destaque desde o sexto ano, mas o absurdo \u00e9 eu estar usando um\u00a0<em>piercing<\/em>\u201d, desabafou a estudante.<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>Desistiu de ser policial<\/strong><\/h2>\n<p>Patr\u00edcia ainda conta que sonhava em ser policial, mas ficou t\u00e3o traumatizada com a experi\u00eancia na escola c\u00edvico-militar, que desistiu do projeto.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu me pergunto quando que uma escola come\u00e7ou a cobrar mais e se importar mais com acess\u00f3rios como piercings e colares que os alunos usam do que com a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o. Quanto antes acabarem as escolas c\u00edvico-militares, melhor. L\u00e1 dentro tive a certeza que os alunos pegam trauma dos policiais, que por sua vez passam a imagem de serem pessoas agressivas e intolerantes. O que aconteceu comigo foi leve, tem relatos muito piores\u201d, concluiu a estudante, que agora tenta reorganizar a pr\u00f3pria vida.<\/p><\/blockquote>\n<p>Catarina de Almeida Santos faz uma observa\u00e7\u00e3o sobre este caso e outros semelhantes, que tem acompanhado.\u00a0<strong>&#8220;Em todos casos as v\u00edtimas saem da escola, sejam alunos ou docentes, e a pol\u00edcia fica. S\u00e3o sempre os sujeitos da escola que se enquadram aos ditames das for\u00e7as e n\u00e3o seus agentes que se adaptam as escolas. Continua a l\u00f3gica do &#8216;pede pra sair&#8217;, quem n\u00e3o se adequar ao projeto n\u00e3o cabe na escola ou s\u00f3 fica la quem se ad\u00e9qua \u00e0 forma dos militares e seus princ\u00edpios&#8221;<\/strong>, explicou.<\/p>\n<p><em>*O nome da estudante foi trocado para manter seu anonimato, assim como foi omitida sua cidade de resid\u00eancia e a escola c\u00edvico-militar referida. A conversa foi gravada e a hist\u00f3ria verificada.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adolescente diz que sonhava tornar-se policial, mas desistiu do projeto ap\u00f3s se decepcionar na institui\u00e7\u00e3o; \u201cO que aconteceu comigo foi leve, tem relatos muito piores\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":426446,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-426445","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ex-aluna.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=426445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426445\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/426446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=426445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=426445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=426445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}