{"id":427289,"date":"2023-07-28T06:51:47","date_gmt":"2023-07-28T09:51:47","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=427289"},"modified":"2023-07-28T06:51:47","modified_gmt":"2023-07-28T09:51:47","slug":"capital-baiana-e-a-maior-em-populacao-quilombola-no-pais-diz-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/capital-baiana-e-a-maior-em-populacao-quilombola-no-pais-diz-ibge\/","title":{"rendered":"Capital baiana \u00e9 a maior em popula\u00e7\u00e3o quilombola no pa\u00eds, diz IBGE"},"content":{"rendered":"<section class=\"mw-article-head\">\n<h1 class=\"mw-h1-1 mw-default-blue\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"mw-h2-1 mw-default-gray\" style=\"text-align: justify;\">Segundo os primeiros n\u00fameros oficiais na hist\u00f3ria, Bahia \u00e9 o estado com maior n\u00famero de quilombolas<\/h2>\n<div class=\"mw-article-head-inner\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"mw-article-head-info\"><span class=\"mw-article-data mw-default-gray\"><abbr title=\"mw-article-date\"><strong>Por: <\/strong><\/abbr><abbr title=\"mw-article-author\"><strong>Mauricio Viana*<\/strong><\/abbr><\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1236820\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1230000\/1000x0\/Capital-baiana-e-a-maior-em-populacao-quilombola-n0123682000202307272334-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1230000%2FCapital-baiana-e-a-maior-em-populacao-quilombola-n0123682000202307272334.jpg%3Fxid%3D5901065%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1690536590&amp;xid=5901065\" alt=\"F\u00e1tima Lima (esq.) e Maria Lourdes Marques (dir.) s\u00e3o do quilombo do Alto de Toror\u00f3 em S\u00e3o Tom\u00e9 de Paripe\" data-cls=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-description\">F\u00e1tima Lima (esq.) e Maria Lourdes Marques (dir.) s\u00e3o do quilombo do Alto de Toror\u00f3 em S\u00e3o Tom\u00e9 de Paripe &#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE<\/label><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"mw-article-body\">\n<article data-article-id=\"1236820\">\n<p class=\"mw-texto\" style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de 150 anos de recenseamentos nacionais, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE) incluiu a auto identifica\u00e7\u00e3o quilombola como uma vari\u00e1vel de investiga\u00e7\u00e3o, em 2022, apresentando os primeiros n\u00fameros oficiais da popula\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria ontem. A partir dos dados, Salvador \u00e9 a capital com a maior popula\u00e7\u00e3o quilombola do pa\u00eds, com 15.897 pessoas, e a\u00a0<a href=\"https:\/\/atarde.com.br\/bahia\/bahia-e-o-estado-com-maior-numero-de-quilombolas-no-brasil-diz-ibge-1236717\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bahia \u00e9 o estado com mais pessoas<\/a>\u00a0do grupo, com 397.059.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, mais de 1,3 milh\u00e3o de pessoas se autodeclararam quilombolas, cerca de 0,65% da popula\u00e7\u00e3o total. A Bahia, onde 73% dos munic\u00edpios tem a popula\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 o estado com o maior n\u00famero de domic\u00edlios particulares permanentes ocupados com ao menos uma pessoa quilombola (149.287). O estado, com 2,81%, fica atr\u00e1s em termos relativos apenas do Maranh\u00e3o, onde os quilombolas s\u00e3o 3,97% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tema \u201cBrasil Quilombola: Quantos somos? Onde estamos?&#8221;, a iniciativa e os primeiros resultados s\u00e3o comemorados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsses dados s\u00e3o bastante significativos. \u00c9 importante lembrar que o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds do mundo a abolir a escravid\u00e3o e que s\u00f3 tardiamente tem se comprometido com pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa e de repara\u00e7\u00e3o. Portanto, a apresenta\u00e7\u00e3o desses dados mostra que precisamos de comprometimento n\u00e3o apenas com o reconhecimento e a delimita\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios oficiais, mas, sobretudo, reconhecer o abismo socioecon\u00f4mico e hist\u00f3rico sobre essas comunidades\u201d, pontua a antrop\u00f3loga e coordenadora do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre as cidades do estado que possui 2,81% da sua popula\u00e7\u00e3o como quilombola, Salvador \u00e9 a segunda, atr\u00e1s de Senhor do Bonfim, com 15.999 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Destaque<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O munic\u00edpio de Bonito foi o \u00fanico representante baiano a figurar entre as dez cidades do pa\u00eds com as maiores propor\u00e7\u00f5es dos autodeclarados no 5\u00ba lugar com 50,28%. No entanto, a Bahia tem o terceiro menor percentual de quilombolas residindo em \u00e1reas oficialmente delimitadas do Brasil, com 5,23% dos quilombolas nos 48 territ\u00f3rios.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par2\" class=\"jba filled\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKmcwoiOsYADFaCHlQIdAIgB5A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_5__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O munic\u00edpio de Bom Jesus da Lapa \u00e9 o destaque com o maior n\u00famero absoluto neste quesito com 3.757 quilombolas e Malhada em termos relativos com 82,38% do grupo em territ\u00f3rios formalizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Tijua\u00e7u, entre os munic\u00edpios de Senhor do Bonfim, Filad\u00e9lfia e Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves, contabiliza a maior popula\u00e7\u00e3o de quilombolas em \u00e1reas com delimita\u00e7\u00e3o, com 2.865 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o objetivo de pressionar o poder p\u00fablico a se comprometer e formular pol\u00edticas p\u00fablicas que incorporem os quilombolas, suas demandas e reivindica\u00e7\u00f5es, Jamile lembra que as comunidades, historicamente, sempre estiveram \u00e0 margem do acesso \u00e0s pol\u00edticas, aos bens de consumo, aos bens de capital, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEles ficaram, historicamente, distantes do direito \u00e0 sua terra, uma luta antiga para os quilombolas, os ind\u00edgenas e os aldeados tamb\u00e9m contra o apagamento da sua exist\u00eancia. Este \u00e9 o momento de reconhecimento do Brasil consigo mesmo e com sua d\u00edvida hist\u00f3rica\u201d, finaliza Jamile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Reconhecimento<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na capital baiana, de acordo com um mapeamento realizado pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, sete quilombos s\u00e3o reconhecidos e certificados: Alto do Toror\u00f3, Bananeiras, Maracan\u00e3, Praia Grande, Passa Cavalo, Martelo e Ponta Grossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos de maior representatividade \u00e9 o Alto do Toror\u00f3, em S\u00e3o Tom\u00e9 de Paripe, onde moram cerca de 1500 pessoas divididas em 350 fam\u00edlias, segundo Maria Lourdes Marques, nascida no quilombo de cerca de 300 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela relata que seus familiares sempre moraram ali tamb\u00e9m. No local realizam atividades como pesca, colheita de plantas e ra\u00edzes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resgate hist\u00f3rico e cultural tamb\u00e9m acontece com festas como do Boi-bumb\u00e1, do Samba do Criola, das Matriarcas Mirins, do Maculel\u00ea, do Samba de Roda e da Festa do Pescador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO IBGE mostra nossa cara. Hoje, n\u00e3o somos mais invis\u00edveis. O quilombola tem raiz e hist\u00f3ria, como o quilombo Alto do Toror\u00f3, que \u00e9 resist\u00eancia e legado deixado por nossos antepassados, recontando as hist\u00f3rias que nossos pais falavam neste lugar. N\u00e3o podemos perder essa tradi\u00e7\u00e3o para que os filhos dos filhos dos nossos filhos saibam quem fomos n\u00f3s\u201d, comenta Maria Lourdes Marques.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Adversidades<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o grupo tamb\u00e9m passa por dificuldades. \u201c\u00c9 complicado. Derrubaram quatro hectares de mangue para fazer uma estrada. N\u00f3s estamos trabalhando com a manipula\u00e7\u00e3o de alimentos para complementar nossa renda. Nosso territ\u00f3rio \u00e9 imenso, mas n\u00e3o podemos plantar e o acesso ao mar vai ser por um port\u00e3o mediante identifica\u00e7\u00e3o. Somos uma comunidade que est\u00e1 vivendo espremida e oprimida. Com o trabalho realizado pelo IBGE, teremos maior visibilidade sobre n\u00f3s e sobre o que precisamos. N\u00f3s continuamos resistindo para poder continuar existindo\u201d, pontua F\u00e1tima Lima, pescadora, marisqueira e quilombola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar \u00e9 afetuoso para a integrante mais velha do grupo, com 76 anos, Elizete Maria, que junto com suas irm\u00e3s, El\u00edsia Maria e Alice Maria, s\u00e3o conhecidas como as Tr\u00eas Marias na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu pai era pescador e nos colocou na pescaria. Quando a Marinha chegou aqui, nossos antepassados j\u00e1 estavam. Eu fa\u00e7o isso para sobreviver desde os meus dez anos. Jamais quero sair daqui\u201d, finaliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: A Tarde<\/p>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo os primeiros n\u00fameros oficiais na hist\u00f3ria, Bahia \u00e9 o estado com maior n\u00famero de quilombolas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":427290,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-427289","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/quilombola.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427289\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/427290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}