{"id":429817,"date":"2023-08-24T05:47:03","date_gmt":"2023-08-24T08:47:03","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=429817"},"modified":"2023-08-24T05:47:03","modified_gmt":"2023-08-24T08:47:03","slug":"em-carne-viva-de-emiliano-jose-traz-relatos-de-lutas-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em-carne-viva-de-emiliano-jose-traz-relatos-de-lutas-na-ditadura\/","title":{"rendered":"\u2018Em Carne Viva\u2019, de Emiliano Jos\u00e9, traz relatos de lutas na ditadura"},"content":{"rendered":"<section class=\"mw-article-head\">\n<h1 class=\"mw-h1-1 mw-default-blue\"><\/h1>\n<h2 class=\"mw-h2-1 mw-default-gray\">Livro ser\u00e1 lan\u00e7ado nesta sexta-feira, 25, no Museu de Arte da Bahia<\/h2>\n<div class=\"mw-article-head-inner\">\n<div class=\"mw-article-head-info\"><span class=\"mw-article-data mw-default-gray\"><abbr title=\"mw-article-date\"><strong>Por: <\/strong><\/abbr><abbr title=\"mw-article-author\"><strong>Israel Risan*<\/strong><\/abbr><\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1239925\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1230000\/1200x0\/Em-Carne-Viva-de-Emiliano-Jose-traz-relatos-de-lut0123992500202308232234-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1230000%2FEm-Carne-Viva-de-Emiliano-Jose-traz-relatos-de-lut0123992500202308232234.jpg%3Fxid%3D5931008%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1692847797&amp;xid=5931008\" alt=\"Emiliano: \u2018Costumo dizer que n\u00e3o h\u00e1 aquele que, tendo lutado contra a ditadura, n\u00e3o tenha sentido medo\u2019\" data-cls=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-description\">Emiliano: \u2018Costumo dizer que n\u00e3o h\u00e1 aquele que, tendo lutado contra a ditadura, n\u00e3o tenha sentido medo\u2019 &#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Adilton Venegeroles \/ Ag. A Tarde\u00a0<\/label><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"mw-article-body\">\n<article data-article-id=\"1239925\">\n<p class=\"mw-texto\">\n<p>O Museu de Arte da Bahia (MAB) receber\u00e1 nesta sexta-feira, 25, \u00e0s 18h, o lan\u00e7amento do novo livro do\u00a0 jornalista e escritor\u00a0 Emiliano Jos\u00e9: Em Carne Viva. A obra mergulha profundamente na hist\u00f3ria de quatro personagens marcados por lutas revolucion\u00e1rias e sofrimentos na \u00e9poca da ditadura.<\/p>\n<p><iframe width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe>O enredo atravessa a conturbada luta contra o regime militar nas cidades, explorando o emaranhado de eventos hist\u00f3ricos que culminaram na Guerrilha do Araguaia. Esta \u00faltima \u00e9 especialmente impactante, ao abordar o tr\u00e1gico destino de dois militantes baianos que desapareceram durante aquele sombrio massacre.<\/p>\n<p>Emiliano tamb\u00e9m aborda o sangrento epis\u00f3dio de Pau de Colher, no norte da Bahia, apresentando personagens que se deparam com uma dura realidade. O autor, em v\u00e1rios momentos, compartilha a pr\u00f3pria presen\u00e7a, uma vez que foi parte ativa nas lutas travadas pelos protagonistas.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par1\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CNby7oDz9IADFXaklQIdhIEKQg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_4__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Os personagens s\u00e3o companheiros de luta do autor, que considera ir de encontro ao que considera ser um mito do jornalismo, o que explica como uma discuss\u00e3o sobre ser ou n\u00e3o poss\u00edvel escrever linhas sobre pessoas com as quais voc\u00ea tem rela\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00f3 escrevi sobre pessoas pelas quais eu tinha alguma admira\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o tive nenhuma dificuldade para tratar desses personagens. E n\u00e3o \u00e9 uma biografia onde eu tenho que investigar as dificuldades e os defeitos deles\u201d, explica.<\/p>\n<p>A primeira figura a ser apresentada no livro \u00e9 Pedro de Oliveira, cuja trajet\u00f3ria pol\u00edtica se entrela\u00e7a com a de Emiliano desde os tempos de milit\u00e2ncia na Zona Norte de S\u00e3o Paulo, especificamente, no Ja\u00e7an\u00e3. Ambos se uniram \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria A\u00e7\u00e3o Popular e se envolveram em lutas ideol\u00f3gicas e sonhos audaciosos. A dissid\u00eancia posterior na organiza\u00e7\u00e3o levou Pedro de Oliveira a se juntar ao PCdoB, onde ele permanece at\u00e9 os dias atuais, uma parte vital da narrativa que o livro revela.<\/p>\n<p>Diva Santana, outra figura de destaque, compartilhou com o autor um compromisso firme com a milit\u00e2ncia pol\u00edtica e os direitos humanos. Ela \u00e9 irm\u00e3 de Dinaelza Coqueiro, uma desaparecida pol\u00edtica assassinada durante a Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p>Diva e o marido, Vandick Coqueiro, ambos ligados ao PCdoB, representam um fio crucial da hist\u00f3ria tr\u00e1gica e comovente que permeia o livro. A busca implac\u00e1vel de Diva por respostas sobre o destino da irm\u00e3 a levou a se tornar uma incans\u00e1vel militante no Grupo Tortura Nunca Mais. Outra personagem de destaque \u00e9 Ana Guedes, que, a exemplo dele, militou na A\u00e7\u00e3o Popular em 1970.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par2\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CJ6YpYLz9IADFWmGlQIdwpIMVw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_5__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ela seguiu a maioria da organiza\u00e7\u00e3o na dissid\u00eancia e ingressou no PCdoB, onde se tornou uma defensora dos direitos humanos e uma formadora de novos ativistas pol\u00edticos. O autor ressalta a surpresa de ter inadvertidamente reunido esses tr\u00eas militantes do PCdoB na trama, descrevendo-o como um feliz acidente que enriqueceu o enredo.<\/p>\n<p><b>Pau de Colher<\/b><\/p>\n<p>Um elemento singular do livro \u00e9 o personagem Z\u00e9 Camilo, que emerge de um tempo diferente, no final dos anos 30 do s\u00e9culo passado. Z\u00e9 Camilo foi um l\u00edder na revolta de Pau de Colher, evento marcante que aconteceu na pequena Canudos, no norte da Bahia. Emiliano Jos\u00e9 explora essa comovente hist\u00f3ria, trazendo \u00e0 luz as vozes de Alberto e Paulo Dourado, bem como Isabel Gouv\u00eaa, cujas vidas se entrela\u00e7aram com a de Z\u00e9 Camilo.<\/p>\n<p>Apesar das diferentes \u00e9pocas e contextos, Z\u00e9 Camilo compartilha com os outros tr\u00eas personagens a condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima da viol\u00eancia ditatorial. Enquanto Pedro, Diva e Ana enfrentaram a ditadura que surgiu em 1964, Z\u00e9 Camilo experimentou a brutalidade do regime de Get\u00falio Vargas, que tinha dificuldades em compreender as reivindica\u00e7\u00f5es camponesas e as express\u00f5es religiosas como leg\u00edtimas. A narrativa transcende os anos, pintando um retrato de um Brasil desigual, violento e sangrento.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par3\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"COn474Dz9IADFbCGlQId-pIDHg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_6__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O livro trata tamb\u00e9m de uma dimens\u00e3o mais emocional e humana dos personagens, para al\u00e9m dos aspectos pol\u00edticos. \u201cAl\u00e9m da viol\u00eancia direta, al\u00e9m da tortura, al\u00e9m do pau de arara, do choque el\u00e9trico. Tudo a ditadura atinge profundamente, por isso mesmo, a subjetividade dos personagens. A \u00e9poca provoca traumas profundos em cada um deles\u201d, explica. Segundo o escritor, o desafio para o militante que estava na luta contra a ditadura era o medo ser menor do que a coragem. \u201cEu costumo dizer sempre que n\u00e3o h\u00e1 aquele que, tendo lutado contra a ditadura, n\u00e3o tenha sentido medo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em Carne Viva poderia ser situado como o sexto volume da s\u00e9rie Galeria F &#8211; Lembran\u00e7as do Mar Cinzento, na qual Emiliano Jos\u00e9 explora hist\u00f3rias de viol\u00eancia e resist\u00eancia da ditadura de 1964. Mas o autor optou por apresent\u00e1-lo como um livro independente, contribuindo para preservar a mem\u00f3ria de tempos sombrios.<\/p>\n<p>A obra \u00e9 um lembrete inquietante do hero\u00edsmo dos combatentes e da terr\u00edvel viol\u00eancia que marcou uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do livro \u00e9 uma refer\u00eancia a um epis\u00f3dio que pode ser considerado s\u00edmbolo de resist\u00eancia na \u00e9poca. \u201cH\u00e1 um epis\u00f3dio comovente da Dinaelza, onde ela, ao tentar, depois de aprisionada pelos capangas na Guerrilha do Araguaia, aproveita o vacilo dos caras que estavam dormindo ali do lado para fugir. Ela precisava queimar a corda que a aprisionava [usando uma lamparina que estava pr\u00f3xima] e tinha que queimar, n\u00e3o conseguiu fazer isso sem queimar a pele para valer. Ficou em carne viva a pele dela\u201d, cita.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par4\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CLHBi4Lz9IADFTCjlQId2cQPNA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_7__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O pref\u00e1cio do livro \u00e9 escrito por um dos maiores lutadores pelos direitos humanos no Brasil, o professor Joviniano de Carvalho Neto, que ressalta a perspicaz observa\u00e7\u00e3o de que, em certo ponto, aquele que conta uma hist\u00f3ria est\u00e1, na verdade, contando a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. O autor expressa sua honra pelo pref\u00e1cio escrito por Joviniano, que persiste nessa luta, mesmo aos 80 anos de idade. \u201c\u00c9 o principal dirigente da luta pelos direitos humanos, o principal dirigente da luta pela anistia na Bahia e, por isso, \u00e9 uma presen\u00e7a tamb\u00e9m muito importante e significativa para mim, por ser um livro que \u00e9 parte de uma caminhada minha e que eu n\u00e3o escrevo \u00e0 toa\u201d, se orgulha Emiliano.<\/p>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro ser\u00e1 lan\u00e7ado nesta sexta-feira, 25, no Museu de Arte da Bahia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":429818,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-429817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/emiliano-jose.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=429817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/429818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=429817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=429817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=429817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}