{"id":430789,"date":"2023-09-04T03:02:49","date_gmt":"2023-09-04T06:02:49","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=430789"},"modified":"2023-09-04T03:02:49","modified_gmt":"2023-09-04T06:02:49","slug":"brasileiro-mais-escolarizado-ve-renda-desabar-e-cai-na-informalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/brasileiro-mais-escolarizado-ve-renda-desabar-e-cai-na-informalidade\/","title":{"rendered":"Brasileiro mais escolarizado v\u00ea renda desabar e cai na informalidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"sc-8a384deb-0 gcFtGo\">\n<div class=\"sc-8a384deb-4 ebUzRt\"><\/div>\n<div class=\"sc-8a384deb-5 kVNtCD\">\n<div class=\"nameContainer\">\n<p>Por\u00a0Fernando Canzian | Folhapress<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-c22b9e79-1 ouagm\">\n<div class=\"sc-c22b9e79-2 eknGeG\">\n<div class=\"imgWrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-430790 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/grana.webp\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/grana.webp 597w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/grana-300x191.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/grana-70x45.webp 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/grana-160x102.webp 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/div>\n<div class=\"imgCredits\">Foto: Cl\u00e1udia Cardozo \/ Bahia Not\u00edcias<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-c22b9e79-3 gGKeEu\">\n<p>Os \u00faltimos dez anos foram tr\u00e1gicos em termos de renda e qualidade de empregos para os brasileiros que se esfor\u00e7aram para estudar mais, terminar o ensino m\u00e9dio ou ingressar na faculdade. No conjunto dos trabalhadores, foram os que mais perderam.<br \/>\nJovens e adultos que estudaram de 12 a 16 anos (ou mais) tiveram perda de renda mais acentuada que os menos escolarizados. Houve ainda abrupto aumento da informalidade entre eles, que atingiu tamb\u00e9m pessoas que estudaram de 9 a 11 anos.<br \/>\nA conclus\u00e3o \u00e9 de pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Ibre-FGV) com base em dados do IBGE, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PnadC).<br \/>\nOs resultados revelam uma economia que cria predominantemente empregos de baixa qualidade e pouco produtivos. Isso empurra os mais escolarizados para vagas que pagam menos e que s\u00e3o, cada vez mais, informais \u2014comprometendo o crescimento potencial do pa\u00eds.<br \/>\nNo geral, despencou tamb\u00e9m a vantagem, em termos de rendimentos do trabalho, de quem estudou mais de 16 anos em rela\u00e7\u00e3o aos brasileiros que passaram menos de um ano na escola.<br \/>\nEm 2012, o retorno positivo da educa\u00e7\u00e3o na renda nessa compara\u00e7\u00e3o chegava a 641%. No segundo trimestre deste ano, o pr\u00eamio era de apenas 353%. Entre os que tinham de 12 a 15 anos de estudo (comparados aos com menos de um ano), o percentual caiu de 193% para 102%.<br \/>\nNos mesmos dez anos (2012-2023), o rendimento m\u00e9dio dos que estudaram entre 12 e 15 anos recuou -11,2%. Para aqueles que estudaram 16 anos ou mais, o tombo foi ainda maior: -16,7%.<br \/>\n&#8220;O ensino superior est\u00e1 dando menos retorno no Brasil; uma novidade muito ruim. \u00c9 um claro indicador de uma economia pouco din\u00e2mica, com empresas pouco ativas, e com outras mais produtivas que n\u00e3o crescem&#8221;, afirma Fernando Veloso, um dos autores do trabalho.<br \/>\n&#8220;Como essas empresas n\u00e3o evoluem por todas as mazelas que conhecemos \u2014sistema tribut\u00e1rio, infraestrutura, economia fechada\u2014, o pessoal chega ao ensino superior, mas ou n\u00e3o tem trabalho ou o sal\u00e1rio que esperava.&#8221;<br \/>\nAl\u00e9m do ambiente de neg\u00f3cios em geral ruim, os pesquisadores afirmam que o desequil\u00edbrio nas contas p\u00fablicas \u00e9 um dos principais fatores a empurrar os mais escolarizados para empregos de baixa qualidade.<br \/>\nNos \u00faltimos oito anos, a rela\u00e7\u00e3o entre a d\u00edvida bruta do pa\u00eds e o PIB (principal indicador de solv\u00eancia) saltou 17 pontos, para 74,1%. Deficit\u00e1rio, o governo federal precisa pagar juros altos para se financiar, levando empresas e consumidores a se retrair.<br \/>\nH\u00e1 poucos dias, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que incertezas sobre o compromisso do governo com a consolida\u00e7\u00e3o fiscal elevaram o juro de equil\u00edbrio (capaz de manter os pre\u00e7os est\u00e1veis) de 3% para 4,5% ao ano \u2014o que desestimula investimentos produtivos.<br \/>\nNo in\u00edcio da d\u00e9cada passada, a taxa de investimentos como propor\u00e7\u00e3o do PIB era de 19,3%. Hoje, \u00e9 de 17,2%.<br \/>\n&#8220;\u00c9 aquela hist\u00f3ria do engenheiro formado dirigindo Uber. Porque gerar um emprego para um engenheiro requer investimentos de muitos milhares de reais. O cara dirigindo Uber custa R$ 2.000 por m\u00eas na Localiza [onde aluga o ve\u00edculo]. Assim, ele gera sua renda, o que \u00e9 sinal de falta de dinamismo da economia&#8221;, diz Fernando de Holanda Barbosa, outro dos autores.<br \/>\n\u00c9 o caso do paulistano Fernando Siqueira, 39, formado em curso superior de Gest\u00e3o da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s se graduar em 2019, passou a trabalhar formalizado em uma empresa na \u00e1rea que pagava R$ 2.100 ao m\u00eas.<br \/>\nDepois, foi para uma terceirizada, recebendo R$ 3.400. Por fim, resolveu neste ano abandonar o setor e migrar para a Uber, ganhando R$ 6.000 l\u00edquidos ao m\u00eas (com um dia de folga na semana e um domingo a cada dois finais de semana).<br \/>\n&#8220;Tenho outros amigos com ensino superior nessa mesma situa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<br \/>\nSiqueira \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Apesar de ter ca\u00eddo na informalidade, conseguiu aumentar seus rendimentos nos \u00faltimos dez anos. Na m\u00e9dia, segundo o Ibre-FGV, a renda dos trabalhadores (formais e informais) com 16 anos ou mais de estudo caiu, entre 2012 e 2023, de R$ 7.211 para R$ 6.008, em valores corrigidos pela infla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNesta mesma faixa superior de instru\u00e7\u00e3o, a informalidade dobrou entre 2015 (in\u00edcio da crise gerada ao final do governo Dilma Rousseff) e 2023: passou de 1,9 milh\u00e3o de trabalhadores para 4,1 milh\u00f5es. Os informais em rela\u00e7\u00e3o ao total de ocupados com este n\u00edvel de escolaridade aumentaram de 14% para 19,5% (+5,5 pontos percentuais)<br \/>\nPara aqueles com 12 a 15 anos de estudo, o rendimento m\u00e9dio (formal e informal) tamb\u00e9m caiu de 2012 a 2023, de R$ 2.630 para R$ 2.336. O total de informais nesta faixa subiu de 10 milh\u00f5es para 14,9 milh\u00f5es. Entre eles, a taxa de informalidade saltou 6,6 pontos, de 27% para 33,6%.<br \/>\nDe 2012 a 2023, a renda do trabalho s\u00f3 aumentou para os menos escolarizados. Entre os que n\u00e3o chegaram a completar um ano de estudo, os rendimentos subiram 27,5%. Para eles, houve leve queda na taxa de informalidade, de 75,2% para 72,5%.<br \/>\nA maior parte do ganho deste segmento, no entanto, ocorreu a partir do come\u00e7o de 2020, com a chegada da pandemia. Uma das explica\u00e7\u00f5es \u00e9 que, com o isolamento social, houve valoriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra menos qualificada disposta a trabalhar naquele per\u00edodo.<br \/>\nUm atenuante nessas conclus\u00f5es, segundo a equipe de pesquisadores (que inclui Jana\u00edna Feij\u00f3 e Paulo Peruchetti) \u00e9 que a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ocupada com mais de 12 anos de estudo passou de 49,8% para 66,5% de 2012 a 2023, tornando-se menos escassa. Isso aumentaria a concorr\u00eancia entre os mais escolarizados, diminuindo sal\u00e1rios.<br \/>\n&#8220;Mas, mesmo com o aumento da oferta [de pessoas mais educadas], o retorno da educa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho n\u00e3o deveria estar caindo nessa magnitude&#8221;, diz Veloso.<br \/>\nNa quinta (31), o IBGE anunciou que a taxa m\u00e9dia de desemprego no trimestre encerrado em julho cedeu para 7,9%, a menor desde trimestre equivalente em 2014 (7%). Na sexta (1\u00ba), ap\u00f3s resultado do PIB do segundo trimestre acima do esperado (+0,9% ante trimestre anterior), consultorias passaram a estimar o crescimento neste ano em 3%, com mais empregos.<br \/>\n&#8220;As pessoas olham o mercado de trabalho e acham que est\u00e1 bombando. Mas ainda n\u00e3o atingimos os rendimentos do pr\u00e9-pandemia. Estamos gerando empregos ruins, que pagam pouco. Agora, essa novidade. Ela pega os com maior escolaridade, justamente os que pareciam mais protegidos&#8221;, afirma Veloso.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Ibre-FGV) com base em dados do IBGE, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PnadC).<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>Os resultados revelam uma economia que cria predominan<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":430790,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-430789","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/grana.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/430789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=430789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/430789\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/430790"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=430789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=430789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=430789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}