{"id":433540,"date":"2023-10-04T06:36:23","date_gmt":"2023-10-04T09:36:23","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=433540"},"modified":"2023-10-04T06:36:23","modified_gmt":"2023-10-04T09:36:23","slug":"a-ascensao-do-publico-de-maior-idade-nas-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-ascensao-do-publico-de-maior-idade-nas-universidades\/","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o do p\u00fablico de maior idade nas universidades"},"content":{"rendered":"<section class=\"mw-article-head\">\n<h1 class=\"mw-h1-1 mw-default-blue\"><\/h1>\n<h2 class=\"mw-h2-1 mw-default-gray\">No Brasil, o n\u00famero de estudantes idosos na gradua\u00e7\u00e3o aumentou 56% entre 2012 e 2021<\/h2>\n<div class=\"mw-article-head-inner\">\n<div class=\"mw-article-head-info\"><span class=\"mw-article-data mw-default-gray\"><abbr title=\"mw-article-date\"><strong>Por: <\/strong><\/abbr><abbr title=\"mw-article-author\"><strong>Isabela Cardoso<\/strong><\/abbr><\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1244360\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1240000\/1200x0\/Sem-barreiras-A-ascensao-do-publico-de-maior-idade0124436000202310032059-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1240000%2FSem-barreiras-A-ascensao-do-publico-de-maior-idade0124436000202310032059.jpg%3Fxid%3D5973620%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1696406423&amp;xid=5973620\" alt=\"Na foto: Simone Maria Evangelista Salles\" data-cls=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-description\">Na foto: Simone Maria Evangelista Salles &#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Denisse Salazar | Ag. A TARDE<\/label><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"mw-article-body\">\n<article data-article-id=\"1244360\">\n<p class=\"mw-texto\">\n<p>Em uma demonstra\u00e7\u00e3o clara de que a busca pelo conhecimento \u00e9 uma jornada atemporal, h\u00e1 um n\u00famero crescente de pessoas com mais de 40 anos que est\u00e3o retornando \u00e0s universidades em busca de novas gradua\u00e7\u00f5es. Elas provam que a sede por se reinventar e o desejo em aprender n\u00e3o tem idade.<\/p>\n<p>No Brasil, o n\u00famero de estudantes idosos na gradua\u00e7\u00e3o cresceu 56% entre os anos de 2012 e 2021. De acordo com o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2012, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), naquele ano, havia 28.041 estudantes com 60 anos ou mais regularmente matriculados no ensino superior; j\u00e1 em 2021, o n\u00famero havia aumentado para 43.722 matr\u00edculas.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, h\u00e1 3.366 alunos ativos com mais de 40 anos de idade no semestre 2023.2, um total de 2.649 deles est\u00e3o matriculados em componentes curriculares nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par1\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CM-D7KqL3IEDFbUAuQYdE1cL3A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com a institui\u00e7\u00e3o, o aluno com mais idade matriculado tem 79 anos e faz o curso de Filosofia. Ele ingressou como diplomado no semestre 2018.2, atrav\u00e9s do processo seletivo de vagas residuais. J\u00e1 a aluna com mais idade tem 78 anos, que tamb\u00e9m \u00e9 do curso de Filosofia, ingressou na UFBA no semestre 2017.1.<\/p>\n<p>\u201cA intera\u00e7\u00e3o entre alunos mais jovens e alunos mais velhos possibilita a troca de experi\u00eancias entre as gera\u00e7\u00f5es, tanto entre os colegas quanto com os docentes, possibilitando o fortalecimento do espa\u00e7o democr\u00e1tico da universidade e de diferentes saberes e subjetividades\u201d, afirmou a assessoria da UFBA.<\/p>\n<p>A baiana Simone Maria Evangelista Salles teve sua primeira forma\u00e7\u00e3o em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1994. No entanto, o gosto pela l\u00edngua inglesa e tradu\u00e7\u00e3o foi se tornando mais forte com o passar dos anos e, em 2016, aos seus 48 anos, ingressou no curso de Licenciatura em Letras &#8211; Ingl\u00eas.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1240000\/0x0\/Sem-barreiras-A-ascensao-do-publico-de-maior-idade0124436000202310032059.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1240000%2FSem-barreiras-A-ascensao-do-publico-de-maior-idade0124436000202310032059.jpg%3Fxid%3D5973626&amp;xid=5973626\" alt=\"Simone Maria Evangelista Salles decidiu fazer l\u00edngua inglesa e tradu\u00e7\u00e3o aos 48 anos\" \/><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-title\">Simone Maria Evangelista Salles decidiu fazer l\u00edngua inglesa e tradu\u00e7\u00e3o aos 48 anos<\/span><span class=\"mw-image-author\">| \u00a0Foto: Denisse Salazar | Ag. A TARDE<\/span><\/div>\n<p>\u201cEm 2016, vi uma not\u00edcia sobre as vagas residuais na UFBA, paguei a inscri\u00e7\u00e3o e comecei a estudar para fazer a prova de sele\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o falei com ningu\u00e9m sobre a inscri\u00e7\u00e3o. N\u00e3o queria frustrar a mim e outras pessoas que viesse compartilhar. Somente no dia da prova que falei com meu namorado, na \u00e9poca, que me deu a maior for\u00e7a e me acompanhou no dia. Quando estava fazendo a prova, vislumbrei que minha motiva\u00e7\u00e3o era estudar para aprender e aperfei\u00e7oar na \u00e1rea da tradu\u00e7\u00e3o. Queria realmente adquirir o m\u00e1ximo de conhecimento poss\u00edvel no campo que tanto adoro e admiro, tinha que agarrar aquela oportunidade\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par2\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CKf6i6yL3IEDFRkCuQYdQA0Btg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_4__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Para Simone, o per\u00edodo da gradua\u00e7\u00e3o teve muitas oportunidades e grandes desafios. Ela conta que, mesmo com sua timidez, sempre foi bem acolhida por todos.<\/p>\n<p>\u201cAprendi muito sobre a vida, sobre pessoas, sobre inclus\u00e3o, sobre o momento que a gente vive, sobre empatia, sobre n\u00f3s mesmos [&#8230;] As dificuldades que senti foram geradas unicamente pela minha timidez que, por sinal, com a faculdade, eu melhorei muito. Passei por experi\u00eancias inimagin\u00e1veis que fizeram com que eu superasse. Outra coisa \u00e9 que nunca gostei de falar da minha idade, mas isso nunca foi questionado por colegas ou professores. Sempre fui muito bem acolhida\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Manoel Ben\u00edcio, de 54 anos, ingressou no curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social com \u00eanfase em Cinema e V\u00eddeo na Faculdade de Tecnologia e Ci\u00eancia (FTC) aos 49, para complementar seus conhecimentos na \u00e1rea de audiovisual e aplicar em seu trabalho.<\/p>\n<p>\u201cA minha motiva\u00e7\u00e3o em fazer gradua\u00e7\u00e3o foi em fun\u00e7\u00e3o de j\u00e1 fazer teatro. Me interessei em melhorar meus conhecimentos e, na \u00e9poca, fui fazer uma pe\u00e7a que acabou se transformando em um curta. Atrav\u00e9s desse curta de natal eu quis estudar cinema [&#8230;] Eu j\u00e1 estava sem estudar h\u00e1 quase 20 anos e foi muito interessante porque eu pude conhecer novas pessoas tamb\u00e9m, aumentar meu networking. Montamos um canal de cinema, ent\u00e3o isso me ajudou muito agora pra poder tocar o projeto de cinema\u201d, diz.<\/p>\n<p>Manoel contou que, durante a gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teve problemas de conviv\u00eancia com os alunos mais novos e se relacionava bem com todos. Ainda assim, a sua maior dificuldade foi na cria\u00e7\u00e3o de grupos.<\/p>\n<p>\u201cEu consegui um bom entrosamento, da parte deles [alunos mais novos] tamb\u00e9m aceitaram de bra\u00e7os abertos. A maior dificuldade foi, de certa forma, criar um grupo mais pr\u00f3ximo. No primeiro semestre, os grupos j\u00e1 estavam praticamente formados, as pessoas j\u00e1 se conheciam. Mas consegui depois de um tempo ter um grupo pra fazer os trabalhos, desenvolver as mat\u00e9rias\u201d, comenta.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1240000\/0x0\/Sem-barreiras-A-ascensao-do-publico-de-maior-idade0124436001202310032059.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1240000%2FSem-barreiras-A-ascensao-do-publico-de-maior-idade0124436001202310032059.jpg%3Fxid%3D5973627&amp;xid=5973627\" alt=\"Na foto: Manoel Ben\u00edcio Dias e seu certificado do curso de extens\u00e3o da \u00e1rea de cinema da FTC\" \/><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-title\">Na foto: Manoel Ben\u00edcio Dias e seu certificado do curso de extens\u00e3o da \u00e1rea de cinema da FTC<\/span><span class=\"mw-image-author\">| \u00a0Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE<\/span><\/div>\n<p>J\u00e1 Rione C\u00e1ssia Loureiro, formada em Estudos Sociais e Pedagogia, realizou um sonho ao ingressar no curso de Psicologia no ano de 2007, aos 51 anos. Hoje, com 67, ela destacou que alguns sonhos valem a pena \u2018pagar mais caro\u2019 por causa da realiza\u00e7\u00e3o e do conhecimento que adquire.<\/p>\n<p>\u201cPagamos caro por alguns sonhos, mas vale a pena. Atualmente, ganho 3 vezes mais do que ganharia com as 2 profiss\u00f5es anteriores. Para realiza\u00e7\u00e3o e conhecimento n\u00e3o existe idade. Muitas vezes a idade e a maturidade ajudam bastante. O conhecimento transformado em sabedoria \u00e9 algo extremamente gratificante para a psiqu\u00ea humana, \u00e9 algo que nos valoriza e ningu\u00e9m pode nos tirar, por isso, em qualquer idade, vale a pena a aquisi\u00e7\u00e3o\u201d, detalha.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par4\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CLanqKuL3IEDFcoJuQYdWoEOSg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_6__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Para Rione, a nova gradua\u00e7\u00e3o foi um momento maravilhoso e ao mesmo tempo complexo, tinha que conciliar trabalhos e estudos, entender a did\u00e1tica dos professores, al\u00e9m de perceber que o foco dos alunos mais novos era diferente do que pensava.<\/p>\n<p>\u201cSenti mais dificuldade na did\u00e1tica de alguns professores que tinham doutorado e p\u00f3s-doutorado, mas n\u00e3o sabiam transmitir o conhecimento, al\u00e9m da administra\u00e7\u00e3o do tempo para equilibrar fam\u00edlia, trabalho e estudos. Outro fator foi, nos \u00faltimos anos do curso, encontrar tempo para fazermos os est\u00e1gios, que s\u00e3o importantes para nossa forma\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m ver colegas t\u00e3o jovens, com tanto tempo, n\u00e3o ter a maturidade de levar a s\u00e9rio a vida estudantil, a ponto de n\u00f3s, com fam\u00edlia e trabalho, tirarmos melhores notas\u201d, relatou.<\/p>\n<p>A mestra e doutoranda em gerontologia, Lilian Cliquet, explica que a intergeracionalidade \u00e9 fundamental n\u00e3o apenas em ambientes universit\u00e1rios, mas tamb\u00e9m nos est\u00edmulos em outras \u00e1reas da vida.<\/p>\n<p>\u201cAs trocas geracionais estimulam a coopera\u00e7\u00e3o, a empatia, as parcerias al\u00e9m das trocas de experi\u00eancias que enriquecem ambas faixas et\u00e1rias. O mercado de trabalho tem conseguido entender que pessoas experientes junto com chefes jovens tem surtido um bom efeito. Mas ainda passamos por essa transi\u00e7\u00e3o e tudo que \u00e9 novo leva tempo para ser assimilado\u201d, detalhou.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par5\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CI_37KqL3IEDFfsmuQYdNBkOPw\"><\/div>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEm 2016, vi uma not\u00edcia sobre as vagas residuais na UFBA, paguei a inscri\u00e7\u00e3o e comecei a estudar para fazer a prova de sele\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o falei com ningu\u00e9m sobre a inscri\u00e7\u00e3o. N\u00e3o queria frustrar a mim e outras pessoas que viesse compartilhar. Somente no dia da prova que falei com meu namorado, na \u00e9poca, que me deu a maior for\u00e7a e me acompanhou no dia. 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