{"id":434445,"date":"2023-10-14T09:32:42","date_gmt":"2023-10-14T12:32:42","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=434445"},"modified":"2023-10-14T09:32:42","modified_gmt":"2023-10-14T12:32:42","slug":"o-guarana-e-nosso-saiba-como-a-bahia-se-tornou-o-maior-produtor-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-guarana-e-nosso-saiba-como-a-bahia-se-tornou-o-maior-produtor-do-mundo\/","title":{"rendered":"O guaran\u00e1 \u00e9 nosso: saiba como a Bahia se tornou o maior produtor do mundo"},"content":{"rendered":"<section class=\"an-padrao container\">\n<div class=\"mdc-layout-grid\">\n<div class=\"mdc-layout-grid__inner\">\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-12-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet col-a\">\n<div class=\"box \">\n<header>\n<h1 class=\"titulo\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"linha-fina noticia\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de esp\u00e9cie ser nativa da Amaz\u00f4nia, estado responde por 64% da produ\u00e7\u00e3o nacional<\/h2>\n<\/header>\n<div class=\"comp assinatura-abertura tipo-2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"nome\">Thais Borges<\/p>\n<p class=\"email\">\n<footer>\n<div class=\"publicado-em\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434446 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-vermelho.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-vermelho.png 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-vermelho-300x192.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-vermelho-70x45.png 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-vermelho-160x102.png 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/div>\n<\/footer>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<article id=\"noticia\" class=\"noticia container\">\n<div class=\"content mdc-layout-grid\">\n<div class=\"main mdc-layout-grid__inner\">\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-3 grid-sticky-container\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"grid-sticky-element\">\n<div class=\"banner\">\n<div class=\"ad-sticky__wrap\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet\">\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">O guaran\u00e1 come\u00e7ou a ser produzido comercialmente na d\u00e9cada de 1960, no Sul do estado. Cr\u00e9dito: Leonardo Ara\u00fajo\/Guaran\u00e1 do Brasil\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"ads-paragrafo\">\n<div class=\"ads-paragrafo__wrap no-shift-mrec_destaque-paragrafo\">\n<div id=\"internas_336x280_01\" data-google-query-id=\"CITsxIjD9YEDFXdB3QIdEKgMEg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/d_c24h_internas_336x280_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A lenda \u00e9 antiga e conhecida. Apesar das diferen\u00e7as, muitas vers\u00f5es narram a trajet\u00f3ria de um casal de ind\u00edgenas Mau\u00e9s que queria ter filhos e fez um pedido a Tup\u00e3. A divindade concedeu o desejo e, um tempo depois, veio um menino que cresceu lindo e generoso. Por\u00e9m, o garoto despertou a inveja de Jurupari, a entidade do mal. Um dia, Jurupari se transformou em serpente e mordeu a crian\u00e7a, que morreu na hora.<\/p>\n<p>A m\u00e3e chorava, desesperada, ao passo que trov\u00f5es e rel\u00e2mpagos surgiam no c\u00e9u. Ela entendeu que era um recado de Tup\u00e3 para plantar os olhos do filho e assim o fez. Naquele local, cresceu uma planta cujos frutos lembram olhos humanos \u2013 o guaran\u00e1. Pela hist\u00f3ria \u2013 seja a lenda, seja a factual, j\u00e1 que Mau\u00e9s tanto \u00e9 o nome da etnia quanto de uma cidade amazonense cuja economia gira em torno da fruta -, pouca gente imaginaria que \u00e9 poss\u00edvel associar o guaran\u00e1 a qualquer outro lugar que n\u00e3o seja a regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A realidade, contudo, \u00e9 que boa parte do guaran\u00e1 que voc\u00ea consome &#8211; das bebidas aos comprimidos, passando por produtos de beleza \u2013 pode at\u00e9 ser s\u00edmbolo da Amaz\u00f4nia, mas provavelmente veio da Bahia. Maior produtor de guaran\u00e1 do mundo, o estado respondeu por quase 64% de toda a colheita brasileira no ano passado, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A \u00faltima safra chegou a alcan\u00e7ar 1,5 mil toneladas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Al\u00e9m disso, das 15 cidades que mais produzem guaran\u00e1 no pa\u00eds, dez s\u00e3o baianas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A lideran\u00e7a no Brasil \u00e9 de Ituber\u00e1, no Baixo Sul do estado, e as &#8216;colegas&#8217; de regi\u00e3o Valen\u00e7a e Tapero\u00e1 tamb\u00e9m fazem bonito: s\u00e3o, respectivamente, a terceira e a quarta do pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Comercializado em p\u00f3 ou em gr\u00e3os, o guaran\u00e1 baiano atende tanto ao mercado interno quanto ao exterior, com envios para pa\u00edses como Alemanha, It\u00e1lia, Fran\u00e7a e Estados Unidos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Embora o guaran\u00e1 n\u00e3o seja uma esp\u00e9cie nativa, a Bahia tem mais do que o dobro do segundo estado &#8211; o Amazonas, de onde o guaran\u00e1 vem originalmente, e que fica em torno de 28%. &#8220;Quase todos os estados brasileiros compram o guaran\u00e1 da Bahia. O mercado do Amazonas \u00e9 voltado para c\u00e1, para o pr\u00f3prio estado, e tem algumas coisas para exporta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o da Bahia \u00e9 muito comercializado pelo pre\u00e7o&#8221;, explica o agr\u00f4nomo Andr\u00e9 Atroch, pesquisador da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental da \u00e1rea de melhoramento gen\u00e9tico do guaranazeiro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434447 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-branco.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"796\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-branco.jpg 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-branco-226x300.jpg 226w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-branco-377x500.jpg 377w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-branco-160x212.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>As lendas ind\u00edgenas indicam que a apar\u00eancia do guaran\u00e1 foi devido aos olhos de um menino ind\u00edgena terem sido plantados por ordem de Tup\u00e3. Cr\u00e9dito: Leonardo Ara\u00fajo\/Guaran\u00e1 do Brasil<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Mas se o guaran\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem mesmo uma fruta local, o que explica o dom\u00ednio da Bahia? Para entender as raz\u00f5es pelas quais o estado se tornou o maior produtor do pa\u00eds &#8211; e, consequentemente, do planeta, uma vez que o Brasil responde por mais de 90% da produ\u00e7\u00e3o mundial -, \u00e9 preciso analisar tanto aspectos hist\u00f3ricos quanto o contexto atual.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Mudas<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O primeiro registro de que se tem not\u00edcia do guaran\u00e1 na Bahia \u00e9 de 1925, quando a ent\u00e3o Sociedade Bahiana de Agricultura introduziu mudas da esp\u00e9cie no Retiro. Menos de uma d\u00e9cada depois, em 1933, 30 mudas foram plantadas na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de \u00c1gua Preta &#8211; que depois viria a ser Escola M\u00e9dia de Agricultura da Regi\u00e3o Cacaueira, em Uru\u00e7uca, e atualmente \u00e9 um campus do Instituto Federal Baiano (IF Baiano). Mas foi apenas em 1961 que o primeiro plantio de guaran\u00e1 com fins comerciais foi feito na Bahia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Outro ponto importante na linha do tempo do guaran\u00e1 aconteceu a n\u00edvel nacional: foi a promulga\u00e7\u00e3o do decreto 5.823, que ficou conhecido como Lei dos Sucos, em 1973. Essa legisla\u00e7\u00e3o, de acordo com a Embrapa, acaba por beneficiar a chamada domestica\u00e7\u00e3o. Uma vez que ficou estabelecido que cada litro de refrigerante teria entre 0,2g a 2g de guaran\u00e1, enquanto o xarope deveria ter de 1g a 10g de guaran\u00e1 por litro, a consequ\u00eancia direta foi que a demanda pelo produto aumentou.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cQuando o decreto foi regulamentado, foi um divisor de \u00e1guas. Muita gente passou a se interessar por isso\u201d, explica o pesquisador Lucio Pereira Santos, da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental. \u201cA Bahia viu essa oportunidade, porque era um neg\u00f3cio que estava crescendo muito no mundo e o clima tinha muita similitude com o daqui (do Amazonas)\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>As pesquisas com o guaran\u00e1 na Bahia foram iniciadas pela Comiss\u00e3o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em 1975. Naquele momento, materiais do antigo Centro de Pesquisa Agropecu\u00e1ria do Tr\u00f3pico \u00damido (Cpatu), hoje Embrapa da Amaz\u00f4nia Ocidental, foram levados para a esta\u00e7\u00e3o experimental no munic\u00edpio de Una.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Produzir uma cultura permanente, que era a ideia do guaran\u00e1 na Bahia, envolve um manejo diferente de uma cultura tempor\u00e1ria, segundo o chefe da se\u00e7\u00e3o de pesquisas agropecu\u00e1rias do IBGE no estado, Rodrigo Anuncia\u00e7\u00e3o. \u201cAquela planta fica alguns anos produzindo, porque envolve um custo. Essa produtividade da Bahia se d\u00e1 por ter uma \u00e1rea muito grande plantada. \u00c9 uma agricultura essencialmente de pequeno porte\u201d, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Aos poucos, mais fazendas do Baixo Sul baiano come\u00e7aram a plantar guaran\u00e1. Dentro de alguns anos, o guaranazeiro se popularizou naquelas terras. Segundo o engenheiro agr\u00f4nomo Assis Pinheiro Filho, diretor de desenvolvimento da agricultura da Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria, Irriga\u00e7\u00e3o, Pesca e Aquicultura do Estado (Seagri), a grande vantagem da regi\u00e3o \u00e9 que se trata de uma \u00e1rea prop\u00edcia para o cultivo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Al\u00e9m da possibilidade de plantar o ano todo, com chuva e Sol, o solo est\u00e1 sempre \u00famido. Assim, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes das encontradas na Amaz\u00f4nia, local de origem do guaran\u00e1. \u201cAcho que o principal para a Bahia ter conseguido isso foi essa quest\u00e3o da pesquisa, do clima do Baixo Sul ser prop\u00edcio e a EBDA ter criado essa cadeia produtiva do guaran\u00e1, difundindo o plantio\u201d, diz Pinheiro Filho, citando a extinta Empresa Baiana de Desenvolvimento Agr\u00edcola, que deixou de existir em 2016.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A forma de produ\u00e7\u00e3o do guaran\u00e1 tamb\u00e9m \u00e9 diferente na Bahia. Por muito tempo, o Amazonas tinha uma produ\u00e7\u00e3o que poderia ser comparada ao extrativismo, ainda que novas mudas sejam plantadas. J\u00e1 os produtores baianos focaram no plantio comercial, com t\u00e9cnicas de espa\u00e7amento, o que possibilitou o crescimento.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Produtividade<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>De fato, segundo o pesquisador Andr\u00e9 Atroch, da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental, o Baixo Sul baiano tem solos considerados mais f\u00e9rteis, o que j\u00e1 leva a uma produtividade maior. Al\u00e9m disso, embora os dias sejam quentes, as noites costumam ter temperaturas mais amenas. Isso evita que doen\u00e7as f\u00fangicas, como a antracnose, que ataca o guaranazeiro, se espalhem. Elas s\u00e3o comuns na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, sendo um desafio para os produtores de l\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cEnt\u00e3o, em meados da d\u00e9cada de 1980, a Bahia come\u00e7ou sem problemas de doen\u00e7a e alta produtividade\u201d, explica. Pela oferta, \u00e9 comum que o guaran\u00e1 daqui seja mais barato do que o do Amazonas. Mas em agosto deste ano, quando atingiu um pre\u00e7o razo\u00e1vel para os produtores, a diferen\u00e7a era de R$ 50 pagos aos produtores baianos por quilo contra R$ 43,61 no Amazonas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Foi justamente a presen\u00e7a da antracnose que fez com que a unidade de pesquisa come\u00e7asse o trabalho de melhoramento no Amazonas, como explica o pesquisador Lucio Pereira Santos, tamb\u00e9m da Embrapa. Por isso, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que era necess\u00e1rio mudar a forma de propaga\u00e7\u00e3o do guaranazeiro. Ao inv\u00e9s de sementes, passaram a usar mudas clonadas, tal qual a ind\u00fastria de celulose.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434448 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/mudas-de-guarana.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/mudas-de-guarana.jpg 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/mudas-de-guarana-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/mudas-de-guarana-160x106.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/mudas-de-guarana-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>No Amazonas, na Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental, s\u00e3o utilizadas . Cr\u00e9dito: Foto: S\u00edglia Souza\/Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>No entanto, em suas \u00faltimas visitas \u00e0 Bahia, ele chegou a identificar focos de antracnose surgindo, assim como exemplares com Tripes, insetos pequenos conhecidos como tesourinhas e que tamb\u00e9m s\u00e3o uma praga.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cN\u00e3o existia explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para n\u00e3o ter atacado a\u00ed. Por isso, acredito que muitos plantios podem ter convivido com isso sem ningu\u00e9m saber. Por isso, estamos com a proposta de levar materiais resistentes e trabalhar com nossos tratos. J\u00e1 fui dar aula de poda a v\u00e1rios munic\u00edpios produtores\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Segundo ele, ainda que a Bahia se mantenha na lideran\u00e7a, os n\u00fameros t\u00eam indicado uma queda gradual na produtividade. Em 2015, por exemplo, a Bahia tinha 6.736 hectares de \u00e1rea colhida, com produ\u00e7\u00e3o de 400 quilos por hectare. Em 2022, foram apenas 5,5 mil hectares, com produ\u00e7\u00e3o de 281 quilos por cada um deles.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cFiquei pasmo com isso. Eu n\u00e3o sei o que aconteceu. Acho que \u00e9 falta de est\u00edmulo. Por que o guaran\u00e1 despenca? Falta de poda, de aduba\u00e7\u00e3o e de tratos culturais. Parece que o pessoal est\u00e1 abandonando e na hora errada, porque o guaran\u00e1 em ramo j\u00e1 bateu R$ 70 o quilo\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Variar a produtividade, segundo o presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e da Pecu\u00e1ria na Bahia (Fameb), Humberto Miranda, \u00e9 a \u201cnorma\u201d para cadeias como a do guaran\u00e1. Seria um fator sazonal, j\u00e1 que o guaranazeiro produz, em geral, apenas depois do quinto ano de idade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cVejo o guaran\u00e1 como uma cultura do futuro, porque est\u00e1 entrando numa possibilidade de mercado cada vez maior. Ele tem sido muito utilizado em produtos naturais, na sa\u00fade de atletas e de pessoas que praticam exerc\u00edcios, como fonte de energia\u201d, avalia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434449 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/preco-guarana.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/preco-guarana.png 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/preco-guarana-300x166.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/preco-guarana-93x50.png 93w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/preco-guarana-160x88.png 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/preco-guarana-225x123.png 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>Pre\u00e7o do guaran\u00e1 . Cr\u00e9dito: Conab\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Parceria<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Foi na d\u00e9cada de 1980 que os fundadores da empresa Guaran\u00e1 do Brasil, uma das principais do estado, adquiriram a primeira fazenda produtora de guaran\u00e1, em Ituber\u00e1. Depois da Jacarand\u00e1, veio a fazenda Karina, tamb\u00e9m refer\u00eancia para a colheita da regi\u00e3o. No come\u00e7o, foi um trabalho com erros e acertos, como conta o propriet\u00e1rio das fazendas e representante da Guaran\u00e1 do Brasil, Leonardo Ara\u00fajo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Ele e seu irm\u00e3o est\u00e3o hoje \u00e0 frente da empresa, criada por seus pais. Por iniciativa pr\u00f3pria, os fundadores buscaram a parceria com a Embrapa da Amaz\u00f4nia ainda no in\u00edcio dos anos 2000. Segundo ele, isso ajudou tanto a desenvolver o guaran\u00e1 na regi\u00e3o quanto a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Atualmente, a Guaran\u00e1 do Brasil tem uma \u00e1rea de 72 hectares destinada ao cultivo do guaran\u00e1. \u201cIniciamos um processo de reprodu\u00e7\u00e3o intenso onde a maior parte dessas plantas ser\u00e1 da variedade BRS No\u00e7oqu\u00e9m, que \u00e9 a primeira variedade de guaran\u00e1 do mundo a ser propagada por sementes\u201d, explica, sobre o replantio que ser\u00e1 feito em parceria com a Embrapa (veja mais abaixo).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434450 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/fazenda-de-guarana.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/fazenda-de-guarana.png 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/fazenda-de-guarana-300x224.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/fazenda-de-guarana-80x60.png 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/fazenda-de-guarana-118x88.png 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/fazenda-de-guarana-160x119.png 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>\u00c1reas das fazendas Jacarand\u00e1 e Karina, da empresa Guaran\u00e1 do Brasil, somam 72 hectares destinados \u00e0 cultura. Cr\u00e9dito: Leonardo Ara\u00fajo\/Guaran\u00e1 do Brasil<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A meta tamb\u00e9m \u00e9 plantar cerca de 1,5 mil plantas entre 2023 e 2024, sendo elas propagadas por estacas. Al\u00e9m da BRS No\u00e7oqu\u00e9m, o plano \u00e9 que cinco novas variedades sejam introduzidas nas fazendas. Para o ano que vem, os planos s\u00e3o de fazer o primeiro estudo sobre guaran\u00e1 org\u00e2nico no Brasil. A empresa vem investindo no guaran\u00e1 org\u00e2nico, cujo manejo \u00e9 diferente do guaran\u00e1 convencional.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Enquanto o tradicional depende menos do trabalho de ro\u00e7agem e usa herbicidas para controle do mato, o guaran\u00e1 org\u00e2nico exige que a ro\u00e7agem seja feita quatro vezes por ano. Al\u00e9m disso, a colheita aqui acontece do final de novembro at\u00e9 fevereiro. Depois da colheita, \u00e9 preciso fazer um cronograma de aduba\u00e7\u00e3o que segue at\u00e9 o per\u00edodo de flora\u00e7\u00e3o. Em seguida, \u00e9 feito o controle de ervas daninhas para a safra seguinte.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Um dos maiores desafios de se produzir guaran\u00e1 org\u00e2nico na Bahia, hoje, \u00e9 a falta de pesquisas sobre o manejo desse tipo de fruta, para Ara\u00fajo. &#8220;S\u00e3o muitas coisas diferentes do convencional. \u00c9 come\u00e7ar a olhar com outros olhos para aduba\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica ao inv\u00e9s de olhar apenas para aduba\u00e7\u00e3o mineral. S\u00e3o as maneiras de enfrentar esses nossos problemas, como o controle do mato&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434451 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/folha-do-guarana.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/folha-do-guarana.png 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/folha-do-guarana-225x300.png 225w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/folha-do-guarana-375x500.png 375w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/folha-do-guarana-160x213.png 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>Com foco no guaran\u00e1 org\u00e2nico, a meta da empresa \u00e9 plantar 1,5 mil plantas entre 2023 e 2024. Cr\u00e9dito: Leonardo Ara\u00fajo\/Guaran\u00e1 do Brasil<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A outra quest\u00e3o a ser enfrentada \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o no guaran\u00e1. Segundo ele, atualmente, na Bahia, existe um movimento para dar um pre\u00e7o justo ao guaran\u00e1. Muitos pequenos produtores acabavam vendendo por valores muito abaixo dos custos, por isso, o valor foi elevado nos \u00faltimos tempos. Ainda assim, existe varia\u00e7\u00e3o praticamente todos os meses.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Ind\u00fastria<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A ind\u00fastria tamb\u00e9m tem representantes de peso que usam o guaran\u00e1 da Bahia. Al\u00e9m de refrigerantes de empresas de pequeno e m\u00e9dio porte pelo Brasil, h\u00e1 casos como o da Natura, que usou o produto baiano na linha Ekos. Embora tenha sido descontinuada, a linha do guaran\u00e1 foi vendida por cerca de dez anos, segundo a empresa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A produ\u00e7\u00e3o local tornou poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o da primeira f\u00e1brica de energ\u00e9tico natural \u00e0 base de guaran\u00e1 do Brasil, em 1988: a F\u00e1brica Arrebite, em Ituber\u00e1. O guaran\u00e1 de bolso Arrebite foi criado pelos mesmos fundadores do Guaran\u00e1 do Brasil. Na \u00e9poca, o ent\u00e3o casal Luciano e Ana Claudia Queiroz tinha come\u00e7ado com pequenas planta\u00e7\u00f5es e vendia guaran\u00e1 mo\u00eddo praticamente de porta em porta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cNaquela \u00e9poca, o guaran\u00e1 custava 0,50 centavos o quilo\u201d, lembra Ana Claudia, que \u00e9 propriet\u00e1ria da F\u00e1brica Arrebite. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o do casal e da morte de Luciano, h\u00e1 seis anos, ela assumiu a f\u00e1brica enquanto os filhos tocam as fazendas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A ideia para o Arrebite veio em meio a uma viagem a Feira de Santana. \u201cA gente fez uma entrega de guaran\u00e1 a uma distribuidora e, quando voltou para Ituber\u00e1, j\u00e1 tarde da noite, ele (Luciano) come\u00e7ou a ter aquele sono de apag\u00e3o. Eu era muito nova e n\u00e3o sabia dirigir\u201d, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Por alguns instantes, ela chegou a olhar para os c\u00e9us e perguntar o que fazer. At\u00e9 que veio uma imagem \u00e0 mente: e se usasse extrato de guaran\u00e1 como uma mistura capaz de caber em um recipiente como o Epocler? O popular rem\u00e9dio para o f\u00edgado vinha em recipientes individuais e foi uma inspira\u00e7\u00e3o para a forma de envase do que viria a ser o produto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cO pai de Luciano era qu\u00edmico aposentado e nos ensinou como fazer para tirar o extrato de guaran\u00e1 no fog\u00e3o. A gente chegou em casa, foi para a cozinha, fez o extrato, mexeu a panela com colher de pau e fui para a farm\u00e1cia comprar uma caixa de Epocler. Joguei fora o produto e coloquei o extrato de guaran\u00e1 dentro, como tinha visualizado. Deu certo e o sabor ficou bacana\u201d, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Dali em diante, o produto ficou profissional e popular e a f\u00e1brica passou a existir. Como pioneira, Ana Claudia viu surgirem outros produtos parecidos nos anos seguintes, mas acredita que a credibilidade da marca estava atrelada ao compromisso com o guaran\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434452 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/energetico.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/energetico.png 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/energetico-300x300.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/energetico-502x500.png 502w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/energetico-150x150.png 150w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/energetico-160x159.png 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/energetico-30x30.png 30w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>Criado h\u00e1 35 anos, o Arrebite foi o primeiro guaran\u00e1 de bolso do Brasil. Cr\u00e9dito: Guaran\u00e1 Arrebite\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Hoje, o arrebite \u00e9 vendido em farm\u00e1cias, mas os planos para o futuro s\u00e3o maiores. Depois de um per\u00edodo de crise econ\u00f4mica e pandemia, ela acredita que \u00e9 preciso trazer novos p\u00fablicos, inclusive jovens, que est\u00e3o acostumados a outros produtos energ\u00e9ticos. A f\u00e1brica est\u00e1 passando por ajustes para o pr\u00f3ximo ano e, al\u00e9m disso, devem vir novas formula\u00e7\u00f5es, inclusive de uma bebida que, al\u00e9m de energ\u00e9tica, tenha maior concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Algo que possa matar a sede, sem necessariamente ser um refresco.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cEstamos reformulando tudo. Minha ideia \u00e9 envasar, continuar com o arrebite, mas estamos com um projeto para atender as cooperativas da regi\u00e3o, porque temos uma f\u00e1brica muito grande. Temos condi\u00e7\u00e3o de estrutura para atender a regi\u00e3o e fazer parcerias com produtores de outras cidades, como Nilo Pe\u00e7anha, Tapero\u00e1, Valen\u00e7a. Vai ser para todos que quiserem moer seu guaran\u00e1 e ter um valor maior agregado\u201d, adianta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Exporta\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A empresa Sousa Ribeiro exporta guaran\u00e1 baiano desde 2006. Assim, o produto \u00e9 comprado, beneficiado e vendido para 18 pa\u00edses, em praticamente todos os continentes, com exce\u00e7\u00e3o da Oceania. Isso porque, de acordo com o propriet\u00e1rio da companhia, Roberto Lessa, a decis\u00e3o era n\u00e3o trabalhar com a exporta\u00e7\u00e3o de commodities, mas com produtos que pudessem ter valor agregado por meio de qualidade e servi\u00e7os.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cCom o guaran\u00e1 conseguimos essa agrega\u00e7\u00e3o de valor\u201d, diz ele. O processo come\u00e7a com parcerias com produtores. Uma vez que recebem a mat\u00e9ria-prima, a empresa analisa as condi\u00e7\u00f5es de qualidade em laborat\u00f3rio para saber se o produto est\u00e1 apto a ser beneficiado. \u201cEm nosso fluxo, conseguimos fazer a limpeza e padroniza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias aos mais exigentes mercados\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Ele explica que a demanda do guaran\u00e1 cresceu tamb\u00e9m pela alta do caf\u00e9 verde, o green coffee. Por isso, o pre\u00e7o do guaran\u00e1 tamb\u00e9m cresceu: saiu de R$ 9 o quilo para R$ 70, em alguns meses, em quatro anos. Isso, contudo, pode ser o pren\u00fancio de uma situa\u00e7\u00e3o indesejada. \u201cO perigo pode estar \u00e0 frente e bem pr\u00f3ximo. O aumento expressivo pode causar um \u2018crash\u2019 vigoroso na demanda, fazendo com que os pre\u00e7os sejam derrubados nos pr\u00f3ximos cinco anos\u201d, calcula.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Para Lessa, a produ\u00e7\u00e3o baiana n\u00e3o acompanhou o aumento da demanda. Os novos plantios v\u00eam sendo feitos, mas pelo pr\u00f3prio tempo do guaranazeiro, ele estima que os resultados devem aparecer timidamente entre cinco e seis anos. \u201cA Bahia precisa renovar seus pomares de guaran\u00e1, com melhor gen\u00e9tica, mais tecnifica\u00e7\u00e3o do manejo e uma gest\u00e3o e planejamento agr\u00edcola mais eficazes\u201d, sugere.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Marca<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Apesar de uma caminhada t\u00e3o longa, muita gente n\u00e3o sabe nem mesmo que a Bahia produz qualquer guaran\u00e1. Para muitos produtores e especialistas, a cadeia carece de uma divulga\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que mostre que o guaran\u00e1 tamb\u00e9m pode ser baiano.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cAcredito que falta comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma coisa que n\u00e3o \u00e9 falada. Tem que fazer na internet, feiras, ir na televis\u00e3o. N\u00f3s investimos muito para trazer esses doutores (os pesquisadores da Embrapa da Amaz\u00f4nia) para Ituber\u00e1, por exemplo. \u00c9 um trabalho de formiguinha, nada acontece por acaso\u201d, opina Ana Claudia Queiroz, da F\u00e1brica Arrebite.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>N\u00e3o existe, at\u00e9 o momento, segundo nenhuma das fontes ouvidas, a cria\u00e7\u00e3o de uma marca ou selo espec\u00edfico que identifique o guaran\u00e1 da Bahia. O presidente da Faeb, Humberto Miranda, concorda que \u00e9 preciso mostrar a quem consome guaran\u00e1 que a Bahia \u00e9 o maior produtor da fruta. Isso poderia ser alcan\u00e7ado tanto com a cria\u00e7\u00e3o de um selo quanto com campanhas que falem sobre a qualidade do guaran\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cIsso j\u00e1 passou de ser feito. A Bahia tem o carimbo de ser a produtora do melhor cacau do Brasil e tem uma regi\u00e3o chamada de regi\u00e3o cacaueira. Precisa de uma campanha para mostrar a import\u00e2ncia que o cacau tamb\u00e9m tem\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"banner mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"banner__wrap container\">\n<div class=\"banner__content no-shift\">\n<div id=\"internas_336x280_04\" data-google-query-id=\"CLjVppbD9YEDFfpK3QIdcuoJyQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/d_c24h_internas_336x280_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Os s\u00edmbolos comerciais criam uma identidade geogr\u00e1fica que indica que um produto feito naquele local tem caracter\u00edsticas espec\u00edficas daquela regi\u00e3o ou que s\u00f3 aqueles produtores conseguem resultados como aqueles. Na avalia\u00e7\u00e3o de Miranda, por\u00e9m, \u00e9 preciso de um esfor\u00e7o conjunto, envolvendo entidades do setor, a pr\u00f3pria Faeb, o governo e outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para um empres\u00e1rio sozinho fazer isso. \u00c9 um movimento que tem que ser compartilhado. Mas, para ser sincero, a gente est\u00e1 longe disso porque a gente n\u00e3o tem dado devida import\u00e2ncia \u00e0 cultura do guaran\u00e1\u201d, reflete ele, que defende que os produtores provoquem pol\u00edticas p\u00fablicas do guaran\u00e1, como a recria\u00e7\u00e3o da c\u00e2mara setorial. \u201cA Bahia \u00e9 um estado muito diverso e tem muitas culturas. O governo tamb\u00e9m n\u00e3o tem como tomar a iniciativa de todas as atividades, ent\u00e3o \u00e9 bom os produtores se manifestarem por essa c\u00e2mara\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Para Assis Pinheiro Filho, da Seagri, \u00e9 poss\u00edvel discutir o futuro do guaran\u00e1 com produtores e entidades. Neste momento, a secretaria est\u00e1 reativando as c\u00e2maras setoriais de diversas cadeias produtivas. O guaran\u00e1 era uma das culturas que tinha c\u00e2mara setorial e deixou de ter. As inscri\u00e7\u00f5es para o cadastro de entidades interessadas, inclusive, foi prorrogada at\u00e9 o dia 20 de outubro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cMas o pessoal do guaran\u00e1 tem que se manifestar para reativar (a c\u00e2mara espec\u00edfica). Foi definido que reativar\u00edamos as c\u00e2maras a partir da demanda, porque n\u00e3o adianta criar de cima para baixo. A gente captando a demanda de baixo para cima, tem o comprometimento do pessoal\u201d, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Problemas<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Outro problema enfrentado pelo guaran\u00e1 \u00e9 algo que, na verdade, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dele. O chefe de pesquisas agropecu\u00e1rias do IBGE na Bahia, Rodrigo Anuncia\u00e7\u00e3o, explica que, nos \u00faltimos anos, cresceram os relatos de escassez de m\u00e3o de obra no campo, tanto porque essa m\u00e3o de obra n\u00e3o est\u00e1 mais dispon\u00edvel quanto pelo pre\u00e7o elevado de quem ainda se disp\u00f5e a trabalhar com esse setor.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201cV\u00e1rias culturas permanentes t\u00eam perdido a produtividade. N\u00e3o s\u00f3 o guaran\u00e1, mas tamb\u00e9m o dend\u00ea no Baixo Sul e a laranja no Nordeste do estado v\u00eam necessitando de m\u00e3o de obra e assist\u00eancia t\u00e9cnica. As pessoas pedem um valor que os produtores n\u00e3o t\u00eam como pagar porque o pre\u00e7o do produto n\u00e3o compensa\u201d, diz. Isso se d\u00e1 tamb\u00e9m porque boa parte desses produtos \u00e9 vendido por atravessadores intermedi\u00e1rios, o que aumenta custos e diminui a margem dos produtores. \u201cO cooperativismo \u00e9 uma boa sa\u00edda, porque fortalece mais a produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Recuperar a assist\u00eancia t\u00e9cnica para os produtores \u00e9 um caminho sugerido pelo engenheiro agr\u00f4nomo Assis Pinheiro Filho, da Seagri. Ele admite que seria preciso fortalecer mais a pesquisa sobre o guaranazeiro. \u201cCom a extin\u00e7\u00e3o da EBDA, o estado ficou muito capenga nesse aspecto\u201d, admite.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Outra possibilidade \u00e9 a mecaniza\u00e7\u00e3o, que poderia responder o problema sobre a m\u00e3o de obra. Essa sa\u00edda, inclusive, estaria sendo buscada pelos produtores de laranja do Nordeste baiano. Atualmente, a secretaria tem um programa de distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos por meio de permuta e cess\u00e3o de uso a associa\u00e7\u00f5es e prefeituras.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Um dos desafios, agora, \u00e9 garantir que a Bahia n\u00e3o apenas siga como maior produtora do guaran\u00e1 do pa\u00eds, como tamb\u00e9m que o plantio cres\u00e7a mais. Para o presidente da Faeb, Humberto Miranda, uma das maiores dificuldades \u00e9 a abertura de novos mercados &#8211; em especial, internacionais.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Para isso, seriam necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas tanto da Bahia quanto do Brasil. \u201cEstou falando de rela\u00e7\u00f5es internacionais, como a gente faz com a carne brasileira, como faz com a soja, o milho, o algod\u00e3o. Seria o caso de abrir relacionamento com pa\u00edses consumidores para esse tipo de bebida\u201d, diz, citando isot\u00f4nicos e energ\u00e9ticos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp subtitulo \" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Com menos cafe\u00edna, guaran\u00e1 da Bahia ainda n\u00e3o passou por melhoramento gen\u00e9tico<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Enquanto o guaran\u00e1 da Bahia ainda \u00e9 o tradicional &#8211; ou seja, apenas a esp\u00e9cie Paullinia cupana var. sorbilis -, o do Amazonas vem passando por melhoramento gen\u00e9tico, devido aos estudos da Embrapa nos \u00faltimos anos. Enquanto o Amazonas tem maioria de guaranazeiros da variedade BRS Mau\u00e9s, a Bahia n\u00e3o tem nenhuma dessas feitas em plantio comercial sendo acompanhadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp img-lightbox\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"abre-lightbox\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434453 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-fruta.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-fruta.jpg 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-fruta-300x271.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-fruta-555x500.jpg 555w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-fruta-160x144.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>Uma das variedades que pode vir para a Bahia \u00e9 a BRS No\u00e7oqu\u00e9m. Cr\u00e9dito: Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Algumas mudas chegaram a ser introduzidas aqui, no in\u00edcio dos anos 2000, mas n\u00e3o foram avaliadas, segundo o pesquisador Andr\u00e9 Atroch, da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental. H\u00e1 alguns anos, a empresa p\u00fablica tem conv\u00eanio com a Guaran\u00e1 do Brasil, empresa de Ituber\u00e1, inclusive com o uso de sementes provenientes dessa \u00e1rea. No entanto, com limita\u00e7\u00f5es como os cortes or\u00e7ament\u00e1rios no investimento \u00e0 pesquisa no governo federal desde 2015, bem como a pandemia da covid-19, o projeto foi prejudicado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Agora, por\u00e9m, tanto com a recomposi\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria federal em 2023 quanto com a parceria com a empresa, a previs\u00e3o de Andr\u00e9 \u00e9 de introduzir variedades diferentes e acompanhar quais v\u00e3o se dar melhor na Bahia nos pr\u00f3ximos meses. \u201cVamos introduzir com mais orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, com avalia\u00e7\u00f5es e acompanhamento. Inclusive, temos materiais com alto n\u00edvel de cafe\u00edna que pretendemos introduzir a\u00ed e tamb\u00e9m materiais descafeinados, que tamb\u00e9m t\u00eam nicho de mercado\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Outra diferen\u00e7a entre os dois \u00e9 que o guaran\u00e1 da Bahia tem menos cafe\u00edna do que o do Amazonas. Enquanto o daqui tem um teor de 2,5% a 3% de cafe\u00edna, o de l\u00e1 come\u00e7a em 3% e pode chegar a 10% em algumas variedades. At\u00e9 ent\u00e3o, esse \u00e9 um fator que n\u00e3o vem sendo levado em conta pelas empresas que compram o guaran\u00e1, mas nada impede que esse seja um crit\u00e9rio no futuro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201c\u00c9 como a cana de a\u00e7\u00facar. No come\u00e7o, ningu\u00e9m pagava a cana pelo teor de sacarose, mas depois viram que uma casca grossa com teor de sacarose baixo implicava no maior custo industrial. Por isso, o mercado come\u00e7ou a exigir canas mais finas e com alto teor de sacarose. Da\u00ed entrou o melhoramento gen\u00e9tico. \u00c9 a mesma coisa com o guaran\u00e1\u201d, explica Atroch.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Desde 2015, atividades que tinham sido planejadas com o guaran\u00e1 da Bahia tiveram que ser interrompidas. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a Embrapa da Amaz\u00f4nia s\u00f3 recebeu or\u00e7amento suficiente para manter as plantas cultivadas l\u00e1, sem atividades de expans\u00e3o. \u201cA gente n\u00e3o estava de bra\u00e7os cruzados, a perna que n\u00e3o estava comprida o suficiente para ir. Mas agora n\u00f3s vamos voltar\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mdc-layout-grid__cell mdc-layout-grid__cell--span-6-desktop mdc-layout-grid__cell--span-8-tablet comp paragrafo cXenseParse\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o tamb\u00e9m pesquisador da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental Lucio Pereira Santos, o guaran\u00e1 nunca recebeu o fomento que deveria ter recebido, ainda que tenham havido momentos de altos e baixos. \u201cO guaran\u00e1 tem uma car\u00eancia estupenda de pesquisa, de pol\u00edticas p\u00fablicas e de investimentos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de esp\u00e9cie ser nativa da Amaz\u00f4nia, estado responde por 64% da produ\u00e7\u00e3o nacional<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":434446,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6,7],"tags":[],"class_list":["post-434445","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/guarana-vermelho.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=434445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434445\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/434446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=434445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=434445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=434445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}