{"id":434627,"date":"2023-10-16T11:48:30","date_gmt":"2023-10-16T14:48:30","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=434627"},"modified":"2023-10-16T11:48:30","modified_gmt":"2023-10-16T14:48:30","slug":"a-seca-e-os-retirantes-nordestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-seca-e-os-retirantes-nordestinos\/","title":{"rendered":"A seca e os retirantes nordestinos"},"content":{"rendered":"<div class=\"topo-page\">\n<h1 class=\"titulo-conteudo\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<figure style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"area-img-destaque-conteudo\">\n<div class=\"area-img-destaque-conteudo\">\n<div class=\"full-div\"><img decoding=\"async\" class=\"img-destaque-interna \" title=\"\" src=\"https:\/\/educador.brasilescola.uol.com.br\/estrategias-ensino\/a-seca-os-retirantes-nordestinos.htm\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"interact\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"controles-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<article>\n<div class=\"texto-completo\">\n<div class=\"texto-conteudo\">\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s1.static.brasilescola.uol.com.br\/be\/e\/Seca%20retirantes%20-%20CANAL%20DO%20EDUCADOR.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"261\" \/><figcaption>Discorra sobre os retirantes nordestinos a partir dos dados pr\u00f3ximos \u00e0 vida do aluno.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mis\u00e9ria na regi\u00e3o Nordeste, desde muito tempo, \u00e9 debatida como um fen\u00f4meno hist\u00f3rico que assola essa por\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro. Geralmente, diversas fam\u00edlias pressionadas pela falta de oportunidade de emprego e a aus\u00eancia de qualquer outro meio de vida se deslocam de seu local de origem para tentar uma vida melhor em outras partes do pa\u00eds. Sendo um fen\u00f4meno comum em nossa hist\u00f3ria, o professor pode iniciar um trabalho no tema por meio de uma pesquisa.<\/p>\n<p>Nessa atividade, ele deve elaborar um roteiro de perguntas junto aos membros da turma. O conjunto de quest\u00f5es formar\u00e1 um guia pelo qual o aluno entrevistar\u00e1 algu\u00e9m que saiu de sua terra natal em busca de novas oportunidades. Neste roteiro, tenha o cuidado de salientar as motiva\u00e7\u00f5es da mudan\u00e7a e as regi\u00f5es envolvidas no processo de deslocamento. Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da tarefa, selecione o resultado de alguns alunos para compartilh\u00e1-los entre os demais colegas.<\/p>\n<p>Dessa forma, o aluno tem uma primeira vis\u00e3o de que o \u00eaxodo n\u00e3o s\u00f3 acontece na regi\u00e3o nordeste e que atinge grupos populacionais de outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Ao mesmo tempo, a familiaridade com o tema se transforma em outro fator atrativo para que cada um reflita a quest\u00e3o. Superada essa primeira etapa de aproxima\u00e7\u00e3o, o professor tem condi\u00e7\u00f5es de promover uma \u00faltima atividade interpretativa utilizando um trecho do romance \u201cO quinze\u201d, da escritora Rachel de Queiroz.<\/p>\n<p>Sendo uma obra extensa, recomendamos o destaque especial a esse trecho espec\u00edfico do romance:<\/p>\n<p><em>Agora, ao Chico Bento, como \u00fanico recurso, s\u00f3 restava arribar.<br \/>\nSem legume, sem servi\u00e7o, sem meios de nenhuma esp\u00e9cie, n\u00e3o havia de ficar morrendo de fome, enquanto a seca durasse.<br \/>\nDepois, o mundo \u00e9 grande e no Amazonas sempre h\u00e1 borracha&#8230;<br \/>\nAlta noite, na camarinha fechada que uma lamparina moribunda alumiava mal, combinou com a mulher o plano de partida.<br \/>\nEla ouvia chorando, enxugando na varanda encarnada da rede, os olhos cegos de l\u00e1grimas.<br \/>\nChico Bento, na confian\u00e7a do seu sonho, procurou anim\u00e1-la, contando-lhe os mil casos de retirantes enriquecidos no Norte.<br \/>\nA voz lenta e cansada vibrava, erguia-se, parecia outra, abarcando projetos e ambi\u00e7\u00f5es. E a imagina\u00e7\u00e3o esperan\u00e7osa aplanava as estradas dif\u00edceis, esquecia saudades, fome e ang\u00fastias, penetrava na sombra verde do Amazonas, vencia a natureza bruta, dominava as feras e as visagens, fazia dele rico e vencedor.<\/em><\/p>\n<p>Dessa vez, sem contar com a presen\u00e7a de um interlocutor, o aluno deve responder as mesmas quest\u00f5es do question\u00e1rio com os dados do texto de Rachel de Queiroz. Dessa forma, utilizando uma experi\u00eancia ligada ao seu cotidiano, o aluno tem condi\u00e7\u00f5es para observar a perspectiva dessa mesma quest\u00e3o explorada na arte. Com isso, conte\u00fados de Reda\u00e7\u00e3o, Literatura e Hist\u00f3ria podem interagir simultaneamente.<\/p>\n<p>Caso ache interessante, o mestre pode fechar a atividade promovendo uma diferen\u00e7a entre o teor das informa\u00e7\u00f5es do texto liter\u00e1rio e da entrevista. A cada pergunta respondida, vemos que a abordagem da mesma quest\u00e3o se modifica em fun\u00e7\u00e3o de seus autores. Por fim, realidade e arte se misturam como meios de se entender o que ocorreu no passado.<\/p>\n<p>Por Rainer Sousa<br \/>\nGraduado em Hist\u00f3ria<br \/>\nEquipe Brasil Escola<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mis\u00e9ria na regi\u00e3o Nordeste, desde muito tempo, \u00e9 debatida como um fen\u00f4meno hist\u00f3rico que assola essa por\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro. 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