{"id":435351,"date":"2023-10-23T18:15:05","date_gmt":"2023-10-23T21:15:05","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=435351"},"modified":"2023-10-23T18:15:05","modified_gmt":"2023-10-23T21:15:05","slug":"pacientes-oncologicos-do-sus-vivem-menos-do-que-os-tratados-na-rede-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pacientes-oncologicos-do-sus-vivem-menos-do-que-os-tratados-na-rede-privada\/","title":{"rendered":"Pacientes oncol\u00f3gicos do SUS vivem menos do que os tratados na rede privada"},"content":{"rendered":"<div class=\"sc-8a384deb-0 gcFtGo\">\n<h3 class=\"sc-8a384deb-1 kVUytV\"><\/h3>\n<div class=\"sc-8a384deb-4 ebUzRt\"><\/div>\n<div class=\"sc-8a384deb-5 kVNtCD\">\n<div class=\"nameContainer\">\n<p>Por\u00a0Luana Lisboa | Folhapress<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-c22b9e79-1 ouagm\">\n<div class=\"sc-c22b9e79-2 eknGeG\">\n<div class=\"imgWrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-435352 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1-620x326.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1-620x326.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1-300x158.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1-768x403.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1-93x50.webp 93w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1-160x84.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1-640x336.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<div class=\"imgCredits\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ FGM<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-c22b9e79-3 gGKeEu\">\n<p>Pacientes com c\u00e2ncer tratados no SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) vivem menos do que aqueles que cuidam da doen\u00e7a na rede privada. \u00c9 o que aponta estudo apresentado na confer\u00eancia anual da Sociedade Americana de Oncologia Cl\u00ednica, maior da \u00e1rea no mundo.<br \/>\nO trabalho analisou a sobrevida de 132 mil pacientes que receberam o diagn\u00f3stico dos 17 tipos mais comuns de tumor em 19 hospitais do Rio Grande do Sul. Para 13 variedades, o \u00edndice do sistema p\u00fablico foi menor.<br \/>\nA maior disparidade registrada foi na doen\u00e7a na tireoide, com uma taxa 326% menor entre aqueles que se trataram no SUS. A base de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 uma sobrevida global de cinco anos, padr\u00e3o comum na medicina para quantificar o tempo de vida de pacientes mortos por qualquer causa.<br \/>\nNos c\u00e2nceres de bexiga, ov\u00e1rio, \u00fatero e leucemia n\u00e3o houve diferen\u00e7a estat\u00edstica entre os dois grupos. Foram inclu\u00eddos os indiv\u00edduos com diagn\u00f3stico confirmado entre 2005 e 2017.<br \/>\nAlguns fatores s\u00e3o apontados por Fernando Maluf, oncologista do Hospital Albert Einstein e coautor da pesquisa, como causas da disparidade: d\u00e9ficit no programa de rastreamento da doen\u00e7a e a longa janela entre a suspeita, o diagn\u00f3stico e o in\u00edcio do tratamento, o que permite que o c\u00e2ncer se alastre pelo corpo.<br \/>\n&#8220;O Brasil n\u00e3o tem programa para c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, intestino e pr\u00f3stata. Os [tumores] que t\u00eam [rastreamento] t\u00eam grau de ades\u00e3o baixo, ou porque faltam aparelhos ou porque as pessoas n\u00e3o t\u00eam informa\u00e7\u00e3o sobre eles&#8221;, afirma Maluf.<br \/>\nO rastreamento permite identificar a doen\u00e7a antes dos sintomas. Conforme lei de 2008, o SUS deve assegurar \u00e0s mulheres assist\u00eancia na preven\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o e no tratamento apenas dos c\u00e2nceres do colo uterino, de mama e colorretal.<br \/>\nJ\u00e1 o in\u00edcio do tratamento deve come\u00e7ar em at\u00e9 dois meses ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, de acordo com a Lei dos 60 Dias. No entanto, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, dados do painel de oncologia apontam que, no ano passado, 59% dos pacientes atendidos na rede p\u00fablica n\u00e3o deram in\u00edcio ao tratamento dentro do per\u00edodo previsto.<br \/>\nA pasta informou que a expectativa \u00e9 que de melhora no \u00edndice com 82 obras do Novo PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento), que devem ampliar os servi\u00e7os de radioterapia. O projeto inclui 34 projetos parados em 16 estados. As outras 48 novas instala\u00e7\u00f5es ainda ser\u00e3o selecionadas por editais.<br \/>\nOutra pesquisa, feita no A.C.Camargo Cancer Center, refer\u00eancia no tratamento da doen\u00e7a em S\u00e3o Paulo, constatou que pacientes de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata metast\u00e1tico do SUS t\u00eam risco de morte 66% maior do que aqueles do sistema suplementar.<br \/>\nOs pesquisadores relacionam menor sobrevida ao acesso desigual a linhas de tratamento. Dos 213 analisados entre 2014 e 2018, aqueles que buscaram o sistema p\u00fablico tiveram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o 2,59 linhas de tratamento, em m\u00e9dia, e os da rede privada, a 3,04.<br \/>\nAs linhas consistem no uso de diferentes abordagens contra a doen\u00e7a, abordagem importante pois c\u00e9lulas cancerosas costumam criar resist\u00eancia ap\u00f3s meses.<br \/>\nOs pesquisadores consideram ainda que o tempo de incorpora\u00e7\u00e3o de drogas no SUS pode afetar o acesso. O processo \u00e9 conduzido pela Conitec (Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias) e inclui o per\u00edodo de avalia\u00e7\u00e3o do novo medicamento e o tempo de disponibiliza\u00e7\u00e3o. Cada uma das fases dura 180 dias.<br \/>\nMas, no caso do tratamento oncol\u00f3gico, mesmo ap\u00f3s a incorpora\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o costuma fazer a compra direta. Em vez disso, repassa valores por meio da Apac (Autoriza\u00e7\u00e3o de Procedimentos Ambulatoriais) aos hospitais, que compram as drogas.<br \/>\nAs institui\u00e7\u00f5es privadas, por terem maior capacidade de financiamento, fazem a incorpora\u00e7\u00e3o de forma mais r\u00e1pida, diz Adriano Massuda, pesquisador do Centro de Estudos em Planejamento e Gest\u00e3o de Sa\u00fade da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas).<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o representa uma quest\u00e3o \u00e9tica para os profissionais de sa\u00fade, que se veem obrigados a fornecer cuidados distintos aos pacientes com a mesma doen\u00e7a tratados na mesma institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA pesquisa apresentada no congresso americano concluiu ainda que 81,5% daqueles tratados no sistema p\u00fablico recebiam diagn\u00f3stico no est\u00e1gio 4 do c\u00e2ncer, o mais avan\u00e7ado, ante 51% na rede privada, o que tamb\u00e9m contribui para resultados desiguais na sobrevida.<br \/>\nSegundo dados do Radar do C\u00e2ncer, do portal Oncoguia, entre 2019 e 2021, 63% dos pacientes oncol\u00f3gicos no Brasil iniciaram tratamento quando a doen\u00e7a j\u00e1 estava disseminada em outros \u00f3rg\u00e3os, o chamado estadiamento avan\u00e7ado.<br \/>\nFoi o caso de Maria Paula Soares, 20, que come\u00e7ou a trata linfoma n\u00e3o Hodgkin pelo SUS no est\u00e1gio 4 em 2020. A doen\u00e7a tem 47,3% dos tratamentos iniciados em estadiamento avan\u00e7ado.<br \/>\nAntes do diagn\u00f3stico, Maria, que mora em S\u00e3o Paulo, foi a v\u00e1rios m\u00e9dicos do sistema p\u00fablico e da rede privada, que a diagnosticaram erroneamente com sarna e virose.<br \/>\nInternada no Hospital Infantil Menino Jesus, no bairro da Bela Vista, com febre, coceira e dores, ela enfrentou ainda outras dificuldades. &#8220;Precisei fazer uma tomografia, mas a m\u00e1quina estava quebrada. Consertaram depois de cinco dias.&#8221;<br \/>\nAp\u00f3s o exame e uma bi\u00f3psia, ela precisaria ser encaminhada a outro hospital, para iniciar o tratamento, mas um impasse burocr\u00e1tico atrasou o processo. &#8220;Eu faria 18 anos no m\u00eas seguinte, ent\u00e3o a ala infantil n\u00e3o me aceitava e a ala adulta tamb\u00e9m n\u00e3o.&#8221;<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi resolvida uma semana depois, quando o cirurgi\u00e3o conseguiu uma vaga para ela no Hospital Infantil Darcy Vargas, no Morumbi. Ap\u00f3s sess\u00f5es de quimioterapia, os exames mostraram remiss\u00e3o total do c\u00e2ncer.<br \/>\nJ\u00e1 Ana Carolina Gil, 32, moradora de S\u00e3o Paulo, trata do linfoma n\u00e3o Hodgkins pela rede privada. Ela descobriu o c\u00e2ncer tamb\u00e9m em est\u00e1gio 4, no \u00faltimo dia 14 de agosto. Mas, diferentemente de Maria, o in\u00edcio do tratamento foi mais r\u00e1pido. Menos de um m\u00eas depois, em 6 de setembro, ela come\u00e7ou o primeiro ciclo de quimioterapia.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>SOBREVIDA GLOBAL DE PACIENTES DO SUS EM COMPARA\u00c7\u00c3O AOS DA REDE PRIVADA<br \/>\nC\u00e2ncer de tireoide: 326% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de boca: 66% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de est\u00f4mago: 60% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de laringe: 53% menor<br \/>\nC\u00e2ncer linfoide: 48% menor<br \/>\nC\u00e2ncer colorretal: 43% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de es\u00f4fago: 41% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de mama: 40% menor<br \/>\nMelanoma: 37% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de pr\u00f3stata: 42% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de pulm\u00e3o: 26% menor<br \/>\nC\u00e2ncer de c\u00e9rebro: 20% menor<br \/>\nC\u00e2ncer da cervical: 24% menor<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Esta reportagem foi produzida durante o 8\u00ba Programa de Treinamento em Jornalismo de Ci\u00eancia e Sa\u00fade da Folha, que conta com o apoio do Instituto Serrapilheira, do Laborat\u00f3rio Roche e da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho analisou a sobrevida de 132 mil pacientes que receberam o diagn\u00f3stico dos 17 tipos mais comuns de tumor em 19 hospitais do Rio Grande do Sul. Para 13 variedades, o \u00edndice do sistema p\u00fablico foi menor.<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>A maior disparidade registrada foi na doen\u00e7a na tireoide<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":435352,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-435351","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/sus1.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=435351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/435352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=435351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=435351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=435351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}