{"id":43645,"date":"2014-02-10T11:07:30","date_gmt":"2014-02-10T14:07:30","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=43645"},"modified":"2014-02-10T11:07:30","modified_gmt":"2014-02-10T14:07:30","slug":"copa-2014-o-dilema-de-ser-sede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/copa-2014-o-dilema-de-ser-sede\/","title":{"rendered":"Copa 2014: O dilema de ser sede"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (20)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ImageProxy-20-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m do desafio de cumprir com a promessa de realizar a &#8220;Copa das Copas&#8221;, o Brasil ter\u00e1 que enfrentar neste ano a press\u00e3o de corresponder \u00e0s expectativas de milh\u00f5es de torcedores que acompanhar\u00e3o o Mundial em casa pela primeira vez ap\u00f3s 64 anos.<\/p>\n<p>Considerada favorito ao t\u00edtulo em 2014, a sele\u00e7\u00e3o brasileira de Neymar, Oscar e companhia come\u00e7ar\u00e1 a caminhada rumo ao hexa no dia 12 de junho, diante da Cro\u00e1cia, na Arena Corinthians, em S\u00e3o Paulo e, da\u00ed em diante, ter\u00e1 sempre casa cheia e toda a torcida a favor durante a Copa \u2013 os ingressos para jogos do Brasil foram os primeiros a se esgotar na primeira fase de vendas da Fifa.<\/p>\n<div>\n<div>\n<h3><\/h3>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<ul>\n<li>Copa do Mundo<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Mas a hist\u00f3ria j\u00e1 provou que ter a torcida a favor n\u00e3o \u00e9 suficiente para conquistar o trof\u00e9u do torneio esportivo mais importante do planeta. Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia, Alemanha \u2013 hoje todas campe\u00e3s mundiais \u2013 j\u00e1 viveram a frustra\u00e7\u00e3o de serem eliminadas de um Copa dentro de casa.<\/p>\n<p>Dos 15 pa\u00edses que j\u00e1 sediaram o torneio, apenas seis comemoraram o t\u00edtulo em seus dom\u00ednios: Uruguai (1930), It\u00e1lia (1934), Inglaterra (1966), Alemanha (1974), Argentina (1978) e Fran\u00e7a (1998).<\/p>\n<p>No caso do Brasil, as mem\u00f3rias do trof\u00e9u perdido em 1950 ainda assombram o imagin\u00e1rio de quem viveu na \u00e9poca aquela decep\u00e7\u00e3o. O gol de Ghiggia na vit\u00f3ria por 2 a 1 que deu o t\u00edtulo ao Uruguai silenciou as quase 200 mil pessoas que estavam no Maracan\u00e3 e criou o fantasma do &#8220;Maracanazo&#8221;. E o medo de que aquela cena se repita em 2014 assusta at\u00e9 mesmo o maior jogador de futebol de todos os tempos, Pel\u00e9.<\/p>\n<p>&#8220;Tem uma coisa que eu j\u00e1 falei algumas vezes, mas n\u00e3o sai da mem\u00f3ria. Na Copa de 1950, vi meu pai chorando com os amigos dele, porque o Brasil tinha perdido. Ent\u00e3o eu n\u00e3o quero que os meus filhos me vejam chorando&#8221;, disse o tricampe\u00e3o mundial ainda no sorteio dos grupos da Copa do Mundo, em dezembro passado.<\/p>\n<p>E justamente para evitar qualquer possibilidade de fracasso, o t\u00e9cnico Luiz Felipe Scolari j\u00e1 montou uma estrat\u00e9gia para aliviar a press\u00e3o sobre os seus jogadores e afastar de vez o fantasma do &#8220;Maracanazo&#8221;.<\/p>\n<p>Assim como em 2002, quando comandou a sele\u00e7\u00e3o que conquistou o pentacampeonato na Copa do Jap\u00e3o e da Coreia, Felip\u00e3o acionou a psic\u00f3loga Regina Brand\u00e3o para ajud\u00e1-lo a administrar o emocional dos atletas. O trabalho dela \u00e9 mapear o perfil de cada jogador e tra\u00e7ar a melhor estrat\u00e9gia para que eles possam lidar com a press\u00e3o.<\/p>\n<p>Em entrevista ao\u00a0New York Times, Regina Brand\u00e3o explicou que criou um question\u00e1rio amplo para os atletas pedindo para que eles classificassem em uma escala num\u00e9rica, como s\u00e3o afetados por determinados eventos (positiva ou negativamente). A partir do resultado dele, ela ir\u00e1 avaliar o perfil de cada jogador e poder\u00e1 come\u00e7ar um trabalho em conjunto com Felip\u00e3o para auxili\u00e1-los na parte emocional.<\/p>\n<h2>&#8216;Brasileiros n\u00e3o sabem lidar com favoritismo&#8217;<\/h2>\n<p>Experiente no trabalho motivacional com atletas, a psic\u00f3loga da sele\u00e7\u00e3o brasileira feminina de handebol, Alessandra Dutra, explica que o brasileiro tem mais dificuldade para lidar com a press\u00e3o do que atletas de outras nacionalidades.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=2TiflK1bpWlXg%2b4PE84%2bDW1HXMnI9%2b0vkC5NP2xmEOg%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwscdn.bbc.co.uk%2fworldservice%2fassets%2fimages%2f2012%2f07%2f20%2f120720220137_neymar_celebrates_goal_304x171_ap.jpg\" width=\"304\" height=\"171\" \/>&#8216;Para o brasileiro, pesa muito, ao inv\u00e9s de trazer for\u00e7a&#8217;, diz psic\u00f3loga<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Alessandra trabalha com a equipe feminina de handebol desde 2009 e passou por duas grandes frustra\u00e7\u00f5es nela: as elimina\u00e7\u00f5es nas quartas de final tanto no Mundial de 2011, disputado no Brasil, quanto na Olimp\u00edada de 2012. Para vencer as decep\u00e7\u00f5es e fazer as meninas sa\u00edrem do &#8220;quase&#8221;, ela iniciou um trabalho de &#8220;blindagem&#8221; nas atletas, que culminou no in\u00e9dito t\u00edtulo mundial do ano passado.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil, ela conta que \u00e9 preciso desenvolver nos esportistas brasileiros uma certa frieza, para que eles possam &#8220;se blindar&#8221; em situa\u00e7\u00f5es de forte press\u00e3o por resultados, como a que a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol enfrentar\u00e1 neste ano.<\/p>\n<p>&#8220;Atleta brasileiro n\u00e3o sabe lidar com favoritismo. Para o brasileiro, pesa muito, ao inv\u00e9s de trazer for\u00e7a, traz responsabilidade e press\u00e3o maior&#8221;, disse Alessandra.<\/p>\n<p>&#8220;Isso ativa mais a ansiedade de corresponder a expectativa do pa\u00eds. A responsabilidade de responder a essa torcida \u00e9 uma coisa que o brasileiro precisa modificar para trazer esse favoritismo a favor dele&#8221;, prosseguiu.<\/p>\n<p>Seguindo o exemplo do que fez com a sele\u00e7\u00e3o feminina de handebol, Alessandra Dutra acredita que o segredo para a sele\u00e7\u00e3o de Felip\u00e3o \u00e9 construir essa blindagem por meio de muita concentra\u00e7\u00e3o e foco.<\/p>\n<p>&#8220;Tem que fazer com que esse grupo se dirija para aproveitar o que a torcida vai trazer de melhor, e n\u00e3o transformar numa press\u00e3o negativa. O favoritismo tira muito a concentra\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h2>A li\u00e7\u00e3o do rival<\/h2>\n<p>Bicampe\u00e3 em 1978 e 1986, a Argentina ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou o Brasil em n\u00famero de t\u00edtulos mundiais, mas j\u00e1 tem na hist\u00f3ria das Copas um feito ainda n\u00e3o atingido pela sele\u00e7\u00e3o canarinho: a conquista da ta\u00e7a em casa.<\/p>\n<p>Foi h\u00e1 36 anos, quando sediavam o torneio, que os &#8220;hermanos&#8221; venceram o mundial pela primeira vez. Um dos her\u00f3is do t\u00edtulo foi justamente um jovem de 23 anos, Mario Kempes, que marcou dois gols na vit\u00f3ria por 3 a 1 sobre a Holanda na prorroga\u00e7\u00e3o do jogo que garantiu a conquista da Copa de 1978 para os argentinos.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC, Kempes conta que o segredo para superar tamanha press\u00e3o \u00e9 simples: ignorar tudo o que est\u00e1 fora das quatro linhas. &#8220;Voc\u00ea entra em campo, v\u00ea a torcida, o est\u00e1dio lotado, mas uma vez que o \u00e1rbitro apita, a\u00ed voc\u00ea voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea mais nada do que est\u00e1 fora, come\u00e7a a ver somente o que acontece dentro do ret\u00e2ngulo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muita concentra\u00e7\u00e3o, pode pode ser 90 minutos ou 120 com a prorroga\u00e7\u00e3o, mas, voc\u00ea tem que dar 100%.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda mais jovem do que Kempes em 1978, Neymar ter\u00e1 a responsabilidade de liderar o Brasil rumo ao hexa em 2014 com 22 anos. Mas o craque do Barcelona parece j\u00e1 ter aprendido a dica do rival argentino.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que tratando de Copa do Mundo, qualquer press\u00e3o fica de lado porque \u00e9 um sonho que voc\u00ea tem desde crian\u00e7a. Por ser um sonho, a press\u00e3o foca de fora&#8221;, disse Neymar, durante a entrega do pr\u00eamio Bola de Ouro da Fifa no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Na mesma ocasi\u00e3o, o atacante brasileiro chegou a dizer que gostaria de jogar uma poss\u00edvel final 13 de julho, no Maracan\u00e3, contra a Argentina. Do outro lado, Mario Kempes tamb\u00e9m n\u00e3o escondeu sua vontade de ver uma das maiores rivalidades do futebol mundial disputando o t\u00edtulo neste ano.<\/p>\n<p>&#8220;Existe uma grande rivalidade entre Brasil e Argentina e seria uma grande final. N\u00e3o digo que seria linda, mas com certeza traria bastante emo\u00e7\u00e3o. Creio que o amor pr\u00f3prio da Argentina e o bom jogo do Brasil fariam uma grande final.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do desafio de cumprir com a promessa de realizar a &#8220;Copa das Copas&#8221;, o Brasil ter\u00e1 que enfrentar neste ano a press\u00e3o de corresponder \u00e0s expectativas de milh\u00f5es de torcedores que acompanhar\u00e3o o Mundial em casa pela primeira vez ap\u00f3s 64 anos. 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