{"id":438416,"date":"2023-11-27T10:28:24","date_gmt":"2023-11-27T13:28:24","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=438416"},"modified":"2023-11-27T10:28:24","modified_gmt":"2023-11-27T13:28:24","slug":"estamos-vendo-uma-aceleracao-das-mudancas-climaticas-globais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/estamos-vendo-uma-aceleracao-das-mudancas-climaticas-globais\/","title":{"rendered":"\u2018Estamos vendo uma acelera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais\u2019"},"content":{"rendered":"<section class=\"mw-article-head\">\n<h1 class=\"mw-h1-1 mw-default-blue\"><\/h1>\n<h2 class=\"mw-h2-1 mw-default-gray\">F\u00edsico alerta para os fort\u00edssimos impactos que a acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento global trar\u00e1 para a sociedade<\/h2>\n<div class=\"mw-article-head-inner\">\n<div class=\"mw-article-head-info\"><span class=\"mw-article-data mw-default-gray\"><abbr title=\"mw-article-date\"><strong>Por: <\/strong><\/abbr><abbr title=\"mw-article-author\"><strong>Divo Ara\u00fajo<\/strong><\/abbr><\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1250056\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1250000\/1200x0\/Estamos-vendo-uma-aceleracao-das-mudancas-climatic0125005600202311261032-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1250000%2FEstamos-vendo-uma-aceleracao-das-mudancas-climatic0125005600202311261032.jpg%3Fxid%3D6029863%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1701075721&amp;xid=6029863\" alt=\"Paulo Artaxo, f\u00edsico e professor da USP\" data-cls=\"\" \/><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info \"><span class=\"mw-image-description\">Paulo Artaxo, f\u00edsico e professor da USP &#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/label><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"mw-article-body\">\n<article data-article-id=\"1250056\">\n<p class=\"mw-texto\">\n<p>A intensidade dos eventos clim\u00e1ticos que estamos vendo hoje, com recordes ap\u00f3s o recordes de temperatura, vem surpreendendo cientistas pelo mundo, a exemplo do f\u00edsico e professor da USP, Paulo Artaxo. \u201cDe certa maneira, a natureza reagiu mais forte do que os modelos clim\u00e1ticos previam\u201d, afirmou ele, que estar\u00e1 em Salvador durante esta semana para participar do XXXVII Encontro de F\u00edsica do Norte e Nordeste, que come\u00e7a hoje no Fiesta Convention Center (Itaigara).<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva ao A TARDE, Artaxo alerta para os fort\u00edssimos impactos que a acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento global trar\u00e1 para a sociedade, tanto em \u00e1reas urbanas quanto em rurais. O semi\u00e1rido, por exemplo, ser\u00e1 uma das regi\u00f5es transformadas pela eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas. \u201cN\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida que o semi\u00e1rido nordestino j\u00e1 est\u00e1 passando por um processo de desertifica\u00e7\u00e3o. Temos que pensar seriamente o que vamos fazer com os milh\u00f5es de brasileiros que moram nessa regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Artaxo \u00e9 um dos membros do IPCC, o Painel Internacional para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU que elabora h\u00e1 20 anos relat\u00f3rios sobre os efeitos do aquecimento global e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no mundo. Para ele, o \u00fanico caminho \u00e9 mudar o sistema econ\u00f4mico que \u00a0temos hoje, baseado na explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais e na concentra\u00e7\u00e3o de renda. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum plano B poss\u00edvel\u201d. Saiba mais sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na entrevista que segue.<\/p>\n<p><b>A temperatura do planeta ultrapassou a marca de 2\u00aaC acima do n\u00edvel pr\u00e9-industrial na sexta-feira (dia 18) passada,\u00a0 considerada limite pelos cientistas . Quais as consequ\u00eancias para o planeta?<\/b><\/p>\n<p>O que n\u00f3s estamos vendo \u00e9 uma acelera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. \u00a0Estamos cada vez mais atingindo recordes ap\u00f3s o recordes de temperatura, de eventos clim\u00e1ticos extremos e assim por diante, com fort\u00edssimos impactos na sociedade, tanto em \u00e1reas urbanas quanto em rurais. E isso \u00e9 causado pelo aumento da concentra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de efeito estufa. J\u00e1 faz 50 anos que a ci\u00eancia alerta os governos e as empresas, principalmente as empresas de petr\u00f3leo, que isso pode levar a um colapso do sistema clim\u00e1tico e absolutamente nada foi feito at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p><b>Falta muito para afirmar que os esfor\u00e7os para limitar o aquecimento global falharam?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida que eles falharam, tanto \u00e9 que n\u00f3s estamos observando esse enorme aumento dos eventos clim\u00e1ticos extremos em 2023. E o recorde de aumento de temperatura no planeta como um todo.<\/p>\n<p><b>A ONU tamb\u00e9m alertou que o mundo caminha para um aumento da temperatura m\u00e9dia entre 2,5\u00baC e 2,9\u00baC neste s\u00e9culo, quase o dobro da meta ideal. O que os l\u00edderes mundiais precisam fazer diante desta informa\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os l\u00edderes mundiais, mas a sociedade como um todo. \u00c9 muito f\u00e1cil passar a responsabilidade \u00a0para \u00a0o presidente dos Estados Unidos, a presid\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia. Na verdade n\u00e3o \u00e9 bem isso. A culpa desse estado \u00e9 principalmente das empresas de petr\u00f3leo. N\u00e3o \u00e9 nem dos governos como um todo. N\u00f3s temos hoje uma emiss\u00e3o de 62 bilh\u00f5es de toneladas a cada ano de gases de efeito de estufa. E temos um conjunto de 20 ou 30 empresas que ganham trilh\u00f5es de d\u00f3lares a cada ano com essas emiss\u00f5es. A ind\u00fastria do petr\u00f3leo \u00e9 certamente o principal problema que n\u00f3s temos hoje no nosso planeta. E tamb\u00e9m o desmatamento de florestas tropicais como a da Amaz\u00f4nia, que s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 13% do total das emiss\u00f5es de gases de efeito de estufa. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos que parar o desmatamento de florestas tropicais, e temos tamb\u00e9m que parar a explora\u00e7\u00e3o e o consumo de petr\u00f3leo para ter alguma chance de estabilizar a temperatura do nosso planeta.<\/p>\n<p><b>Essa onda de calor recorde, vista inclusive em boa parte do Brasil, desafiou as expectativas de parte dos cientistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rapidez com que as temperaturas se aceleraram. O senhor tamb\u00e9m se surpreendeu?<\/b><\/p>\n<p>De fato, os modelos clim\u00e1ticos n\u00e3o previam esse enorme aumento de eventos clim\u00e1ticos que a gente est\u00e1 observando. De certa maneira, a natureza reagiu mais forte do que os modelos clim\u00e1ticos previam. Ent\u00e3o, n\u00f3s estamos, sim, observando fort\u00edssimos aumentos da temperatura e isso mostra que a emerg\u00eancia clim\u00e1tica e a necessidade de atuar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel s\u00e3o a\u00e7\u00f5es fundamentais para nossa sociedade.<\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 a influ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no espalhamento de queimadas no Pantanal e na seca dos rios no Amazonas?<\/b><\/p>\n<p>N\u00f3s estamos vivendo em 2023 duas quest\u00f5es importantes associadas com o clima. A primeira delas \u00e9 o aquecimento global, com o aumento da temperatura. E a segunda \u00e9 a ocorr\u00eancia do El Ni\u00f1o, que estamos tendo \u00a0no Pac\u00edfico. Estamos observando um El Ni\u00f1o ultraforte e \u00e9 importante frisar que ele \u00e9 um fen\u00f4meno natural, \u00a0sempre ocorreu e vai continuar ocorrendo. S\u00f3 que tem um detalhe muito importante: o El Ni\u00f1o \u00e9 causado por um aquecimento an\u00f4malo das \u00e1guas do Pac\u00edfico tropical. Acontece que o aquecimento global est\u00e1 aumentando a temperatura dos oceanos em torno de 1\u00baC., comparado h\u00e1 50 anos. O que acontece? O aquecimento global est\u00e1 realimentando positivamente os El Ni\u00f1os e os tornando mais fortes. Voc\u00ea v\u00ea que h\u00e1 uma conjun\u00e7\u00e3o entre aquecimento do oceano, El Ni\u00f1o e a intensifica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos. Mas a parte mais fundamental desta quest\u00e3o \u00e9 que o aquecimento est\u00e1 acelerando tanto o aumento global de temperatura e de eventos clim\u00e1ticos extremos, como tamb\u00e9m provocando El Ni\u00f1os mais intensos.<\/p>\n<p><b>Relat\u00f3rio divulgado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Meteorologia neste m\u00eas aponta que o El Ni\u00f1o deve perdurar at\u00e9 abril. Devemos nos preparar para, al\u00e9m das altas temperaturas, convivermos com mais eventos clim\u00e1ticos at\u00edpicos, como ciclones e alagamentos?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil fazer uma previs\u00e3o quantitativa da ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos. Tem uma natureza ca\u00f3tica muito forte.\u00a0 Ningu\u00e9m vai dizer que vai ocorrer um tornado semana que vem, ou uma chuva torrencial em Petr\u00f3polis, daqui a dois meses. Isso n\u00e3o existe. O que n\u00f3s olhamos \u00e9 a m\u00e9dia estat\u00edstica desses eventos. E na m\u00e9dia estat\u00edstica desses eventos, eles aumentam quando temos um El Ni\u00f1o forte. Como o El Ni\u00f1o vai durar at\u00e9 abril \u00e9 bom a gente se preparar para o aumento at\u00e9 abril da intensidade de eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p><b>Estamos vendo uma s\u00e9rie de\u00a0 ocorr\u00eancias clim\u00e1ticas por aqui. O Brasil est\u00e1 mais vulner\u00e1vel do que outros pa\u00edses aos efeitos do aumento da temperatura global?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 \u00a0dif\u00edcil voc\u00ea comparar a realidade de pa\u00edses que s\u00e3o muito diferentes. \u00a0N\u00e3o se pode comparar o Brasil com os Estados Unidos, com algum \u00a0pa\u00eds da \u00c1frica, \u00a0com a China. N\u00f3s temos que olhar para n\u00f3s. E, olhando para n\u00f3s, fica muito claro que o Brasil est\u00e1 totalmente despreparado para lidar com eventos clim\u00e1ticos extremos. N\u00f3s temos que refor\u00e7ar nossa Defesa Civil em todos os estados, em todos os munic\u00edpios. Temos que ter uma coordena\u00e7\u00e3o cada vez mais forte no governo federal para a\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas que possam diminuir a mortalidade nas regi\u00f5es afetadas pelos eventos clim\u00e1ticos extremos e assim por diante. Ent\u00e3o, n\u00f3s estamos muito longe efetivamente de estar preparados para enfrentar estes eventos clim\u00e1ticos ao extremo.<\/p>\n<p><b>Por um lado, tem a quest\u00e3o da vulnerabilidade que o senhor fala. Por outro, o Brasil tem vantagens estrat\u00e9gicas enormes na quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O que falta para aproveitarmos essas vantagens?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida que o Brasil tem vantagens estrat\u00e9gicas que poucos pa\u00edses do nosso planeta possuem. Primeiro, n\u00f3s temos a possibilidade de reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em pelo menos 50% at\u00e9 2030 de uma maneira barata, r\u00e1pida e f\u00e1cil, com um monte de benef\u00edcios adicionais. O Brasil tem o maior potencial mundial de gera\u00e7\u00e3o de energia solar e de energia e\u00f3lica. N\u00f3s aproveitamos muito pouco desse potencial ainda. O Brasil \u00a0pode se tornar uma pot\u00eancia energ\u00e9tica verde que nenhum outro pa\u00eds sonha nem chegar perto da nossa possibilidade. Mas n\u00f3s precisamos estruturar, como sociedade, pol\u00edticas p\u00fablicas para aproveitar as nossas vantagens estrat\u00e9gicas. E acho que o governo deveria prestar muito mais aten\u00e7\u00e3o nestas quest\u00f5es<\/p>\n<p><b>A gente sabe que a popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 aumentando muito e com isso, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos vai precisar aumentar tamb\u00e9m. Isso torna o fim das emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa cientificamente imposs\u00edvel?<\/b><\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses t\u00eam planos de zerar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em alguma escala temporal. A Alemanha, por exemplo, quer zerar as emiss\u00f5es em \u00a02040. Os Estados Unidos em 2050 e assim por diante. Acontece que hoje atualmente as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa associados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos correspondem basicamente a cerca de 25%. Isso com a popula\u00e7\u00e3o de oito bilh\u00f5es de pessoas atualmente e seremos dez bilh\u00f5es em 2050. N\u00e3o h\u00e1\u00a0 nenhum m\u00e9todo conhecido pela ci\u00eancia ainda de sequestrar 25% das nossas emiss\u00f5es atuais. Isto faz com que a previs\u00e3o dos pa\u00edses se tornar \u2018march zero\u2019, do ponto de vista de emiss\u00f5es de efeito de estufa fica praticamente imposs\u00edvel. Essa \u00e9 uma dificuldade importante na estrat\u00e9gia energ\u00e9tica mundial, porque ela significa que continuaremos a piorar a situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica bem al\u00e9m de 2050. Isto \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que a ci\u00eancia e a sociedade t\u00eam que enfrentar rigorosamente<\/p>\n<p><b>A gente que mora aqui no Nordeste e convive com o semi\u00e1rido teme muito os efeitos do aumento da temperatura na\u00a0 caatinga. Estamos perto de um processo de desertifica\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida que o semi\u00e1rido nordestino j\u00e1 est\u00e1 passando por um processo de desertifica\u00e7\u00e3o. \u00a0Com redu\u00e7\u00e3o da taxa de precipita\u00e7\u00e3o de chuva que j\u00e1 \u00e9 pouca. Mas ela est\u00e1 sendo reduzida em muitas regi\u00f5es. E com o aumento pronunciado de temperatura. Isso vai fazer com que uma regi\u00e3o semi\u00e1rida passe a ser uma regi\u00e3o \u00e1rida, ou seja uma regi\u00e3o des\u00e9rtica. E o Brasil tem que pensar seriamente o que \u00e9 que n\u00f3s vamos fazer com os milh\u00f5es de brasileiros que moram numa regi\u00e3o semi\u00e1rida hoje e que n\u00e3o v\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia nessa regi\u00e3o j\u00e1 nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. N\u00f3s temos que efetivamente ter um plano de adapta\u00e7\u00e3o para popula\u00e7\u00e3o nordestina que vive na regi\u00e3o do semi\u00e1rido. E isto tem que ser feito mais r\u00e1pido poss\u00edvel em conjunto com os governos municipais, os governos estados do nordeste brasileiro e governo federal.<\/p>\n<p><b>As popula\u00e7\u00f5es de baixa renda acabam sendo as mais afetadas pelo aumento da temperatura global, o que gera uma cruel contradi\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 contradi\u00e7\u00e3o no sentido de que todo sistema econ\u00f4mico do nosso planeta \u00e9 baseado na concentra\u00e7\u00e3o de renda na m\u00e3o de quem j\u00e1 \u00e9 mais rico. Este modelo econ\u00f4mico precisa ser modificado para que a gente possa atingir os 17 objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel da ONU.<\/p>\n<p><b>O senhor acredita que o potencial energ\u00e9tico e\u00f3lico e solar, sobretudo do Nordeste, pode gerar ganhos econ\u00f4micos atrav\u00e9s do mercado de carbono? As energias renov\u00e1veis s\u00e3o o caminho para conter o aquecimento?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida que n\u00f3s temos que parar de \u00a0explorar petr\u00f3leos e de queimar petr\u00f3leo . E temos que substituir a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade por gera\u00e7\u00e3o de eletricidade sustent\u00e1vel, como energia solar e e\u00f3lica, na maior parte das ocasi\u00f5es. \u00c9 claro que existem problemas t\u00e9cnicos na quest\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o solar e e\u00f3lica que \u00e9 a intermit\u00eancia. N\u00e3o tem sol de noite e tem muito menos vento durante a noite. Mas at\u00e9 nisso o Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito sortudo porque n\u00f3s temos potencial hidrel\u00e9trico enorme e uma malha de eletricidade interligada, o que faz com que seja poss\u00edvel, durante o dia, alimentar a rede brasileira com energia solar e e\u00f3lica e, durante a noite, alimentar a rede com energia hidroel\u00e9trica. Nenhum outro pa\u00eds no nosso planeta tem uma possibilidade t\u00e3o boa quanto o Brasil nesse sentido.<\/p>\n<p><b>Professor, para concluir, diante de tudo que o senhor falou, d\u00e1 para ter um olhar positivo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que d\u00e1 para ter um olhar positivo, porque n\u00e3o temos outra alternativa. Mas \u00a0precisamos mudar o sistema econ\u00f4mico que n\u00f3s temos hoje, que \u00e9 baseado na explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais e na concentra\u00e7\u00e3o de renda, ou seja, fazer os ricos ficarem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. \u00c9 um modelo social insustent\u00e1vel a curto prazo. N\u00f3s vamos construir uma sociedade alinhada com os 17 objetivos de desenvolvimentos sustent\u00e1veis da ONU que seja muito mais sustent\u00e1vel socialmente, economicamente e ambientalmente. Essa \u00e9 uma tarefa e n\u00f3s vamos ter que executar ao longo das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhum plano B poss\u00edvel, a n\u00e3o ser construir uma sociedade sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><b>Raio-X<\/b><\/p>\n<p>Paulo Artaxo professor do Instituto de F\u00edsica da USP. \u00c9 vice-presidente da Academia de Ci\u00eancias do Estado de S\u00e3o Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC). \u00c9 membro do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU (IPCC) e da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC). Desenvolveu toda sua carreira trabalhando com Amaz\u00f4nia e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00edsico alerta para os fort\u00edssimos impactos que a acelera\u00e7\u00e3o do aquecimento global trar\u00e1 para a sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":415059,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-438416","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/chuva-de-evaristo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=438416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438416\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415059"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=438416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=438416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=438416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}