{"id":43891,"date":"2014-02-11T00:27:22","date_gmt":"2014-02-11T03:27:22","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=43891"},"modified":"2014-02-12T09:25:52","modified_gmt":"2014-02-12T12:25:52","slug":"globo-nao-deve-indenizacao-por-divulgar-escuta-sigilosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/globo-nao-deve-indenizacao-por-divulgar-escuta-sigilosa\/","title":{"rendered":"Globo n\u00e3o deve indeniza\u00e7\u00e3o por divulgar escuta sigilosa"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Devido ao interesse informativo da reportagem, a\u00a0utiliza\u00e7\u00e3o de intercepta\u00e7\u00e3o judicial sigilosa em programa jornal\u00edstico n\u00e3o gera danos morais ao investigado. Esse foi o entendimento aplicado pela\u00a010\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo ao negar um pedido de indeniza\u00e7\u00e3o contra a TV Globo.<\/span><\/div>\n<div itemprop=\"articleBody\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>No caso, Jean Cleber Brito alegou que a emissora divulgou no programa\u00a0<em>Fant\u00e1stico<\/em>\u00a0uma reportagem noticiando a ocorr\u00eancia de crimes que est\u00e3o sendo em processo que corre sob segredo de Justi\u00e7a. De acordo com Brito, na reportagem houve ofensa \u00e0 sua honra pois a not\u00edcia mostrou sua foto e uma reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0de intercepta\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica\u00a0coberta pelo sigilo judicial, como se fosse integrante de uma quadrilha, sem que houvesse prova ou que tivesse sido condenado.<\/p>\n<p>Representada pelo advogado\u00a0Luiz de Camargo Aranha Neto, do\u00a0Camargo Aranha Advogados, a TV Globo alegou que apenas agiu no seu dever de informar e que h\u00e1 interesse p\u00fablico na divulga\u00e7\u00e3o da not\u00edcia. Al\u00e9m disso, a emissora afirmou que a reportagem \u00e9\u00a0ver\u00eddica e que o autor responde a processo crime pelos\u00a0fatos divulgados.<\/p>\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia o juiz deu raz\u00e3o \u00e0 Globo. Segundo o juiz Ricardo Hoffmann, da 3\u00aa Vara C\u00edvel de Campinas (SP), a emissora limitou-se\u00a0a exercer seu direito de informar a sociedade. &#8220;Todas as reportagens\u00a0veiculadas pela r\u00e9 retrataram fatos aparentemente ver\u00eddicos,\u00a0devidamente apurados em sede policial e com a fiscaliza\u00e7\u00e3o do\u00a0Minist\u00e9rio P\u00fablico, o que afasta qualquer ilicitude na conduta da rede&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>De acordo com o juiz, para que houvesse o direito ao dano moral, o autor da a\u00e7\u00e3o deveria comprovar que as reportagens\u00a0exibidas narravam fatos inver\u00eddicos ou falsos, &#8220;o\u00a0que caracterizaria inten\u00e7\u00e3o da emissora de televis\u00e3o de prejudicar\u00a0ou causar danos \u00e0 imagem da autora&#8221;.<\/p>\n<p>Inconformado, Jean Cleber Brito recorreu ao Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, pedindo que a senten\u00e7a fosse reformada e a Globo condenada a indeniz\u00e1-lo. Por\u00e9m, a 10\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do TJ-SP manteve a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda que a grava\u00e7\u00e3o fosse sigilosa,\u00a0concluir que bastasse, apenas, a viola\u00e7\u00e3o \u00e0 vida privada daquele que\u00a0est\u00e1 sendo investigado para impor \u00e0 r\u00e9 a responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos fatos\u00a0veiculados, ainda que verdadeiros e altamente reprov\u00e1veis, estar-se-ia\u00a0suprimindo o interesse p\u00fablico na not\u00edcia veiculada&#8221;, concluiu o desembargador Araldo Telles, relator do recurso.<\/p>\n<p>Em seu voto, o desembargador explicou que o caso trata do embate entre dois direitos Constitucionais: \u00a0a vida privada do cidad\u00e3o e a liberdade de imprensa. Segundo ele, nesses casos \u00e9 necess\u00e1rio analisar cada caso isoladamente para se chegar a uma conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso dos autos, por se tratar\u00a0de publica\u00e7\u00e3o de reportagem que se baseou em conte\u00fado de\u00a0intercepta\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica sob sigilo, o juiz seguiu jurisprud\u00eancia do TJ-SP e entendeu que deve prevalecer o interesse informativo da not\u00edcia veiculada.<\/p>\n<p>&#8220;Se h\u00e1 grande debate acerca do conceito de prova\u00a0il\u00edcita no processo judicial, ao jornalista \u00e9 resguardado o direito de\u00a0sigilo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fonte de informa\u00e7\u00e3o. Se, para a a\u00e7\u00e3o criminal, o\u00a0desfecho n\u00e3o pode ser amparado com base em prova ilicitamente\u00a0obtida, j\u00e1 que a busca pela justi\u00e7a efetiva \u00e9 intranspon\u00edvel, o mesmo\u00a0rigor n\u00e3o pode ser carreado \u00e0 imprensa, que conta com a liberdade de\u00a0manifesta\u00e7\u00e3o, cujo impedimento do exerc\u00edcio \u00e9 mal\u00e9fico \u00e0 coletividade\u00a0que anseia pelos seus pr\u00e9stimos, tamb\u00e9m, investigat\u00f3rios&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>Fonte: Conjur<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devido ao interesse informativo da reportagem, a\u00a0utiliza\u00e7\u00e3o de intercepta\u00e7\u00e3o judicial sigilosa em programa jornal\u00edstico n\u00e3o gera danos morais ao investigado. Esse foi o entendimento aplicado pela\u00a010\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo ao negar um pedido de indeniza\u00e7\u00e3o contra a TV Globo. 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