{"id":44289,"date":"2014-02-13T06:26:53","date_gmt":"2014-02-13T09:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=44289"},"modified":"2014-02-13T08:54:24","modified_gmt":"2014-02-13T11:54:24","slug":"metodo-de-fazer-chover-nao-tem-comprovacao-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/metodo-de-fazer-chover-nao-tem-comprovacao-cientifica\/","title":{"rendered":"M\u00e9todo de &#8220;fazer chover&#8221; n\u00e3o tem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">T\u00e9cnica contratada pela Sabesp por 4,47 milh\u00f5es de reais j\u00e1 foi testada no Nordeste brasileiro e abandonada porque sua efic\u00e1cia n\u00e3o foi comprovada<\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Juliana Santos<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Peixe morto no leito do Rio Atibaia na regi\u00e3o de Campinas (SP). Sem chuva, o Sistema Cantareira, que regula a vaz\u00e3o dos principais rios da regi\u00e3o de Campinas, est\u00e1 enfrentando a pior seca da d\u00e9cada\" alt=\"Peixe morto no leito do Rio Atibaia na regi\u00e3o de Campinas (SP). Sem chuva, o Sistema Cantareira, que regula a vaz\u00e3o dos principais rios da regi\u00e3o de Campinas, est\u00e1 enfrentando a pior seca da d\u00e9cada\" src=\"http:\/\/veja3.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/2\/202458\/seca-calor-agua-sp-racionamento-01-size-598.jpg?1391615001\" width=\"598\" height=\"336\" data-original=\"http:\/\/veja3.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/2\/202458\/seca-calor-agua-sp-racionamento-01-size-598.jpg?1391615001\" \/>Peixe morto no leito do Rio Atibaia na regi\u00e3o de Campinas (SP). Sem chuva, o Sistema Cantareira, que regula a vaz\u00e3o dos principais rios da regi\u00e3o de Campinas, est\u00e1 enfrentando a pior seca da d\u00e9cada\u00a0(Denny Cesare\/Futura Press)<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ver\u00e3o quente e seco de S\u00e3o Paulo causou preocupa\u00e7\u00f5es com o abastecimento de \u00e1gua do Estado. Os principais reservat\u00f3rios, entre eles o Sistema Cantareira, que abastece boa parte da capital, est\u00e3o com o mais baixo \u00edndice de reserva da hist\u00f3ria: 19,6%. As pr\u00f3ximas chuvas intensas na regi\u00e3o est\u00e3o previstas para acontecer apenas em mar\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tentar amenizar o problema, a Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo (Sabesp) decidiu investir 4,47 milh\u00f5es de reais na semeadura de nuvens, t\u00e9cnica utilizada com objetivo de induzir chuvas artificiais, no Sistema Cantareira. A empresa ModClima<strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/brasil\/sabesp-contrata-empresa-para-fazer-chover-no-sistema-cantareira\">\u00a0foi contratada para o servi\u00e7o<\/a><\/strong>, mas, ap\u00f3s cinco tentativas, foram registradas apenas duas precipita\u00e7\u00f5es \u2014 insuficientes para elevar o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falta de evid\u00eancias<\/strong>\u00a0\u2014 O uso do bombardeio de nuvens para provocar chuvas est\u00e1 longe de ser uma solu\u00e7\u00e3o ideal para o problema. De acordo com os especialistas ouvidos pelo site de VEJA, trata-se de uma t\u00e9cnica controversa na comunidade cient\u00edfica, porque sua efic\u00e1cia n\u00e3o foi atestada. &#8220;A nuclea\u00e7\u00e3o artificial [o bombardeio ou semeadura das nuvens] \u00e9 objeto de discuss\u00e3o e estudo. Pesquisas ainda n\u00e3o compravam sua efic\u00e1cia&#8221;, afirma Raul Teixeira, pesquisador do n\u00facleo de meteorologia da Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Meteorologia e Recursos H\u00eddricos (Funceme).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo consiste em pulverizar \u00e1gua nas nuvens com uso de um avi\u00e3o, para incentivar a produ\u00e7\u00e3o da chuva. As nuvens s\u00e3o monitoradas com um radar, e aquelas que j\u00e1 apresentam propens\u00e3o \u00e0 chuva s\u00e3o os alvos escolhidos \u2014 um dos fatores que torna dif\u00edcil avaliar se a t\u00e9cnica realmente ajuda, ou se a chuva que se segue \u00e9 um processo natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Uma tempestade considerada modesta em S\u00e3o Paulo produz cerca de 800 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua, sem nenhum aux\u00edlio. Uma nuvem pequena, individual, n\u00e3o alivia muito os reservat\u00f3rios. Seria preciso mudar a condi\u00e7\u00e3o de alta press\u00e3o atmosf\u00e9rica em que nos encontramos&#8221;, afirma Augusto Filho, professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo. Ele explica que nuvens maiores, capazes de provocar chuvas mais intensas, n\u00e3o podem ser escolhidas para receber a pulveriza\u00e7\u00e3o porque s\u00e3o perigosas para serem sobrevoadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um avi\u00e3o com 5 ou 6 metros \u00e9 muito pequeno dentro de uma nuvem de 10 quil\u00f4metros. A \u00e1rea borrifada \u00e9 \u00ednfima&#8221;, afirma Filho. &#8220;Se a gente soubesse o momento exato de pulverizar \u00e1gua, seriam necess\u00e1rias muitas aeronaves para cobrir uma \u00e1rea maior e provocar algum efeito.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o pesquisador, a escassez de chuva est\u00e1 sendo causada por um sistema de alta press\u00e3o, que faz com que o ar seja comprimido e afunde, se aquecendo. Al\u00e9m disso, o ar seco \u00e9 mais pesado, e inibe a forma\u00e7\u00e3o de nuvens. &#8220;Essas anomalias acontecem a cada dez ou quinze anos. A \u00faltima foi em 1998. Agora que essa situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 perdura cerca de tr\u00eas semanas, a tend\u00eancia \u00e9 enfraquecer.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.5em;\">Em busca de provas \u2013\u00a0<\/strong><span style=\"line-height: 1.5em;\">Um\u00a0<\/span><strong style=\"line-height: 1.5em;\"><a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0169809510001584\" target=\"_blank\">estudo\u00a0<\/a><\/strong><span style=\"line-height: 1.5em;\">feito em 2010 em Israel, pa\u00eds que tradicionalmente faz uso de t\u00e9cnicas de indu\u00e7\u00e3o de chuvas, analisou dados sobre pulveriza\u00e7\u00e3o de nuvens durante um per\u00edodo de 50 anos e concluiu que o mecanismo n\u00e3o \u00e9 eficiente. Cientistas da Universidade de Tel Aviv compararam per\u00edodos com ou sem bombardeio de nuvens, assim como a quantidade de chuvas nas proximidades do bombardeio, e conclu\u00edram que a precipita\u00e7\u00e3o ocorria ao acaso, como consequ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas naturais, e n\u00e3o por causa da interfer\u00eancia humana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nos Estados Unidos, em algumas montanhas da Calif\u00f3rnia e do Wyoming, cientistas tentaram incrementar a precipita\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o para aumentar o n\u00edvel de alguns reservat\u00f3rios h\u00eddricos. Eles n\u00e3o provaram que o m\u00e9todo atingiu o objetivo&#8221;, diz Raul Teixeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Experi\u00eancia nacional \u2014<\/strong>\u00a0No Brasil, as tentativas de induzir chuva artificialmente tiveram in\u00edcio como uma tentativa de diminuir os efeitos da seca no semi\u00e1rido, por volta da d\u00e9cada de 1950. No Cear\u00e1, em 1972, foi criada a Funceme, cuja principal atividade era &#8220;bombardear as nuvens e fazer chover&#8221;. O \u00f3rg\u00e3o recebeu um grande investimento governamental e adquiriu tr\u00eas avi\u00f5es para os experimentos. Em 1994, o programa foi desativado devido ao alto custo de opera\u00e7\u00e3o e \u00e0 question\u00e1vel efic\u00e1cia do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano 2000, uma das aeronaves foi transferida para a Universidade Estadual do Cear\u00e1 (Uece), para ser utilizado em pesquisas. Segundo Emerson da Silva, coordenador da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias f\u00edsicas aplicadas da universidade, o grupo pretende realizar novos experimentos para testar a efici\u00eancia da semeadura de nuvens, mas o projeto foi adiado momentaneamente por problemas operacionais com o avi\u00e3o, que est\u00e1 em manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procurada pela reportagem, a Sabesp n\u00e3o quis comentar o caso. Em nota divulgada \u00e0 imprensa, a companhia afirma que \u201cnos anos de 2003 e 2004, quando tamb\u00e9m ocorreu problema de estiagem, a Sabesp utilizou essa tecnologia [de indu\u00e7\u00e3o de chuvas] com bons resultados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Augusto Filho, cuja pesquisa envolve monitoramento e previs\u00e3o de chuvas, realizou um estudo sobre o impacto da semeadura de nuvens no Sistema Cantareira, entre 2003 e 2004. O trabalho foi apresentado no XVI Simp\u00f3sio Brasileiro de Recursos H\u00eddricos, em novembro de 2005, e concluiu que o processo foi incipiente. &#8220;An\u00e1lises adicionais indicaram que as nuvens selecionadas j\u00e1 estavam no est\u00e1gio de precipita\u00e7\u00e3o&#8221;, escreveu o pesquisador no artigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, um melhor planejamento de longo prazo do abastecimento de \u00e1gua e a gera\u00e7\u00e3o de energia s\u00e3o necess\u00e1rios para evitar que a necessidade de recorrer a t\u00e9cnicas caras e sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, al\u00e9m de o desenvolvimento de um programa de conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para evitar o desperd\u00edcio de \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ver\u00e3o quente e seco de S\u00e3o Paulo causou preocupa\u00e7\u00f5es com o abastecimento de \u00e1gua do Estado. Os principais reservat\u00f3rios, entre eles o Sistema Cantareira, que abastece boa parte da capital, est\u00e3o com o mais baixo \u00edndice de reserva da hist\u00f3ria: 19,6%. As pr\u00f3ximas chuvas intensas na regi\u00e3o est\u00e3o previstas para acontecer apenas em mar\u00e7o.  <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":44290,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-44289","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/seca-calor-agua-sp-racionamento-01-size-598.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44289\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}