{"id":444890,"date":"2024-02-11T10:39:20","date_gmt":"2024-02-11T13:39:20","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=444890"},"modified":"2024-02-11T10:39:20","modified_gmt":"2024-02-11T13:39:20","slug":"deputados-sao-mais-fieis-a-seus-redutos-do-que-a-seus-partidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/deputados-sao-mais-fieis-a-seus-redutos-do-que-a-seus-partidos\/","title":{"rendered":"Deputados s\u00e3o mais fi\u00e9is a seus redutos do que a seus partidos"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os deputados federais do Nordeste foram os mais leais ao governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) nas vota\u00e7\u00f5es do plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados em 2023, enquanto os representantes do Centro-Oeste e do Sul foram os mais oposicionistas, mostra levantamento do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo. Piau\u00ed, Bahia e Maranh\u00e3o formam o \u201ctop 3\u2033 dos Estados mais governistas, enquanto Mato Grosso, Santa Catarina e Rond\u00f4nia foram os que mais votaram contra o governo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-431494 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/plenario-da-camara-dos-deputados1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/plenario-da-camara-dos-deputados1.jpg 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/plenario-da-camara-dos-deputados1-300x225.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/plenario-da-camara-dos-deputados1-80x60.jpg 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/plenario-da-camara-dos-deputados1-118x88.jpg 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/plenario-da-camara-dos-deputados1-160x120.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Os votos dos deputados reproduzem, de forma quase id\u00eantica, o mapa eleitoral do segundo turno da disputa presidencial de 2022: Piau\u00ed, Bahia e Maranh\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m os tr\u00eas Estados onde Lula venceu por maior margem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).<\/p>\n<p>A divis\u00e3o regional se mant\u00e9m dentro dos partidos. Ou seja, deputados da mesma sigla foram mais ou menos governistas a depender do perfil do reduto eleitoral do Estado de onde v\u00eam. No Republicanos, por exemplo, os pernambucanos votaram com o governo em 90,2% das ocasi\u00f5es. J\u00e1 os ga\u00fachos seguiram o governo em s\u00f3 50,4% das vota\u00e7\u00f5es. A mesma coisa no MDB: a taxa de governismo dos pernambucanos da sigla foi de 96%; j\u00e1 a dos ga\u00fachos ficou em 61%. At\u00e9 dentro do PL, partido de Bolsonaro, impera a mesma l\u00f3gica. O representante do partido no Sergipe, \u00cdcaro de Valmir, acompanhou o governo em 80% das vota\u00e7\u00f5es de que participou. J\u00e1 os dois deputados do PL no Mato Grosso do Sul foram governistas em apenas 20% das vezes.<\/p>\n<p>A mesma divis\u00e3o j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel em 2019, primeiro ano do governo de Bolsonaro, mas com sinal trocado: na \u00e9poca, os deputados do Sul e do Centro Oeste foram os mais governistas, e os nordestinos foram os que menos apoiaram o governo do capit\u00e3o da reserva. Assim como acontece agora com Lula, o mapa dos votos no plen\u00e1rio da C\u00e2mara seguiu o resultado do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es de 2018, quando Bolsonaro derrotou o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). A clivagem se manteve ao longo dos anos de Bolsonaro no poder (2019-2022).<\/p>\n<p>Estados nordestinos est\u00e3o entre os mais beneficiados por algumas pol\u00edticas do terceiro governo Lula, como o perd\u00e3o de d\u00edvidas de usu\u00e1rios do Minha Casa, Minha Vida. No sistema bicameral, adotado no Legislativo brasileiro, os deputados representam os interesses da popula\u00e7\u00e3o, enquanto os senadores s\u00e3o considerados representantes dos Estados da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo especialistas e pol\u00edticos ouvidos pela reportagem, a cis\u00e3o ideol\u00f3gica entre os Estados brasileiros se tornou mais forte nos \u00faltimos anos, com o acirramento da polariza\u00e7\u00e3o entre direita e esquerda e o advento das redes sociais. Incentivos como a cobran\u00e7a de governadores e a vigil\u00e2ncia dos eleitores nas redes acabam sendo at\u00e9 mais importantes para os deputados do que a orienta\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes das bancadas. E quem se afasta do figurino com que foi eleito \u00e9 punido de forma implac\u00e1vel. Os congressistas criaram at\u00e9 um termo para isso: \u201cefeito Joice\u201d. A refer\u00eancia \u00e9 \u00e0 ex-deputada Joice Hasselmann, que teve 1.078.666 votos em 2018, mas n\u00e3o se reelegeu em 2022, ap\u00f3s romper com Bolsonaro.<\/p>\n<p>Em 2023, o governo Lula conseguiu aprovar v\u00e1rias medidas importantes no Congresso. Os parlamentares quase deixaram vencer a medida provis\u00f3ria que reorganizou o governo, mas ela acabou aprovada, em junho. C\u00e2mara e Senado Aprovaram o voto de qualidade da Receita no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf); o novo arcabou\u00e7o fiscal, que substituiu o antigo teto de gastos; a taxa\u00e7\u00e3o dos fundos offshore e a reforma tribut\u00e1ria, em dezembro. O governo tamb\u00e9m sofreu algumas derrotas relevantes, como a derrubada do veto de Lula ao marco temporal das demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas e a anula\u00e7\u00e3o de trechos de decretos presidenciais que mudaram o marco legal do saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p><strong>Polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se aprofundou no Brasil em 2018<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista Thomas Traumann \u00e9 coautor do livro Biografia do Abismo (Harper Collins, 2023), sobre a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Pa\u00eds. Segundo ele, o acirramento ideol\u00f3gico se intensificou no Brasil nos \u00faltimos seis anos. \u201cA partir de 2018 \u00e9 que as pessoas passam a levar em conta n\u00e3o s\u00f3 quest\u00f5es econ\u00f4micas, como mais Estado, menos Estado. Passam a ser as coisas do cotidiano. Se a pessoa vai ter direito a se vacinar ou n\u00e3o, se o filho vai ter aula de educa\u00e7\u00e3o sexual ou n\u00e3o. S\u00e3o coisas que mexem com a forma como elas entendem a vida\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cIsso, obviamente, tem aspectos muito ruins. Porque significa que elas continuam o acirramento (pol\u00edtico da \u00e9poca da elei\u00e7\u00e3o) no dia a dia (\u2026). A vida vira uma elei\u00e7\u00e3o permanente. Agora, tem uma coisa que n\u00e3o \u00e9 necessariamente ruim: os deputados s\u00e3o pressionados a manter um discurso similar ao que os elegeu. Se foi eleito num Estado de maioria pr\u00f3-Lula, ele \u00e9 pressionado a ser pr\u00f3-Lula tamb\u00e9m. E vice-versa\u201d. Deputados menos consistentes ideologicamente, ou que n\u00e3o votam conforme a vis\u00e3o dos eleitores tendem a n\u00e3o se reeleger neste contexto, diz Traumann.<\/p>\n<p>O deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) diz que a orienta\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes de bancada n\u00e3o tem mais o mesmo peso de antigamente. \u201cNo Nordeste, o Lula \u00e9 muito forte. Ent\u00e3o, todos n\u00f3s temos simpatia por Lula. H\u00e1 cada vez menos fidelidade \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o do partido, o que prevalece \u00e9 o resultado da elei\u00e7\u00e3o (presidencial). Os deputados do PP que votam com o governo s\u00e3o aqueles que estavam com Lula, no Nordeste, na elei\u00e7\u00e3o. Os do Sul, do Sudeste, estavam com Bolsonaro\u201d, diz ele. \u201c\u00c9 como se a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse acabado ainda\u201d.<\/p>\n<p>Eduardo da Fonte concorda com Thomas Traumann sobre a press\u00e3o das redes: \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil para um pol\u00edtico contrariar as opini\u00f5es do pr\u00f3prio eleitor e sair ileso. \u201c\u00c9 o que a gente chama de \u2018efeito Joice\u2019. Joice teve 1 milh\u00e3o de votos numa elei\u00e7\u00e3o, em 2018, e quando foi para a elei\u00e7\u00e3o seguinte, teve 14 mil (na verdade, foram 13.679). Ela abandonou o eleitor dela, que era um eleitor bolsonarista, e definhou, eleitoralmente. \u00c9 isso, e a press\u00e3o da internet, que impede os deputados de migrar para o governo\u201d, diz o congressista.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico Rafael Cortez, da Tend\u00eancias Consultoria, diz que a divis\u00e3o se expressa de outras formas, como no surgimento de cons\u00f3rcios de governadores. \u201cA pol\u00edtica brasileira tem ganhado uma dimens\u00e3o geogr\u00e1fica n\u00e3o desprez\u00edvel. Haja vista, por exemplo, aquele movimento dos governadores do centro-sul (a cria\u00e7\u00e3o do Cons\u00f3rcio de Integra\u00e7\u00e3o Sul e Sudeste, o Cosud), para fazer frente ao Cons\u00f3rcio Nordeste. \u00c9 mais uma tradu\u00e7\u00e3o dessa dimens\u00e3o geogr\u00e1fica que a pol\u00edtica brasileira tem\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Em agosto passado, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse que o Cosud deveria defender os interesses dos Estados do Sul e do Sudeste na reforma tribut\u00e1ria, em contraposi\u00e7\u00e3o ao Norte e ao Nordeste. \u201cDada a resili\u00eancia do conflito pol\u00edtico no Brasil, \u00e9 bem poss\u00edvel que isso (divis\u00e3o geogr\u00e1fica) permane\u00e7a (nos pr\u00f3ximos anos)\u201d, diz Rafael Cortez.<\/p>\n<p>As nomea\u00e7\u00f5es dos ministros Andr\u00e9 Fufuca (Esportes) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) contribuiu pouco para trazer votos das bancadas dos partidos deles para o governo \u2013 um resultado um pouco melhor foi conseguido no Uni\u00e3o Brasil, com a troca de Daniela Carneiro por Celso Sabino (Turismo). Fatores como o aumento das emendas parlamentares nos \u00faltimos anos corroeram o valor dos minist\u00e9rios como moeda de troca entre Executivo e Legislativo, segundo especialistas.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es desta reportagem foram compiladas a partir da estrutura de Dados Abertos da C\u00e2mara. Foram consideradas algumas centenas de vota\u00e7\u00f5es nominais no Plen\u00e1rio da Casa, nas quais houve orienta\u00e7\u00e3o do l\u00edder do governo, o deputado Jos\u00e9 Guimar\u00e3es (PT-CE). Este tipo de levantamento \u00e9 \u00fatil para proporcionar uma vis\u00e3o geral sobre o comportamento de bancadas, Estados e deputados individuais. \u00c9 usado rotineiramente por consultores, lobistas, partidos e pelo pr\u00f3prio governo, mas possui a limita\u00e7\u00e3o de equiparar vota\u00e7\u00f5es cruciais com outras menos importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"assinatura_exclusiva\">Andr\u00e9 Shalders\/Estad\u00e3o<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os votos dos deputados reproduzem, de forma quase id\u00eantica, o mapa eleitoral do segundo turno da disputa presidencial de 2022: Piau\u00ed, Bahia e Maranh\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m os tr\u00eas Estados onde Lula venceu por maior margem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":431562,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,10],"tags":[],"class_list":["post-444890","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-politica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Camara-dos-deputadoss.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=444890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444890\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=444890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=444890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=444890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}