{"id":44673,"date":"2014-02-17T07:28:06","date_gmt":"2014-02-17T10:28:06","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=44673"},"modified":"2014-02-17T07:28:06","modified_gmt":"2014-02-17T10:28:06","slug":"memorias-de-abuso-sexual-e-possivel-cria-las","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/memorias-de-abuso-sexual-e-possivel-cria-las\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias de abuso sexual: \u00e9 poss\u00edvel cri\u00e1-las?"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>A falsa recorda\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia \u00e9 um tema vastamente discutido por neurologistas, psic\u00f3logos e juristas. Ao site de VEJA, especialistas explicam a mec\u00e2nica da mem\u00f3ria e mostram como, para n\u00f3s, lembran\u00e7as verdadeiras ou mentirosas t\u00eam o mesmo impacto<\/em><\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Rita Loiola<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Woody Allen e Mia Farrow \" alt=\"Woody Allen e Mia Farrow \" src=\"http:\/\/veja3.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/2\/203116\/Mia-Farrow-e-Woody-Allen-03-size-598.jpg?1391884763\" width=\"598\" height=\"336\" data-original=\"http:\/\/veja3.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/2\/203116\/Mia-Farrow-e-Woody-Allen-03-size-598.jpg?1391884763\" \/>Woody Allen e Mia Farrow com os filhos: para o c\u00e9rebro, todas as mem\u00f3rias s\u00e3o iguais, sejam elas verdadeiras ou n\u00e3o(Time &amp; Life Pictures\/Getty Images)<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando tinha 7 anos, Woody Allen me pegou pela m\u00e3o e me levou a um pequeno espa\u00e7o mal iluminado do segundo andar de nossa casa. Ele disse para que eu deitasse com a barriga para baixo e brincasse com um trem el\u00e9trico do meu irm\u00e3o. Ent\u00e3o ele me agrediu sexualmente&#8221;, afirma Dylan Farrow, filha adotiva do diretor e da atriz Mia Farrow, em um texto publicado no in\u00edcio de fevereiro no site do jornal\u00a0<em>The New York Times.<\/em>\u00a0Foi uma das primeiras vezes em que Dylan, hoje aos 28 anos, falou publicamente sobre o epis\u00f3dio ocorrido em 1992. Na \u00e9poca, a acusa\u00e7\u00e3o foi investigada pela pol\u00edcia com a ajuda de especialistas do Hospital Yale-New Haven, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, que n\u00e3o comprovaram o abuso. No \u00faltimo dia 7, no mesmo jornal, Woody Allen negou o crime e acusou Mia de manipular as lembran\u00e7as da filha.<\/p>\n<p>Mais de duas d\u00e9cadas depois, o caso ainda divide a opini\u00e3o p\u00fablica. Seria poss\u00edvel que as mem\u00f3rias de Dylan fossem falsas? O tema \u00e9 largamente discutido na psicologia jur\u00eddica. Desde os anos 1980, juristas e psic\u00f3logos perceberam que um dos recursos usados em lit\u00edgios conjugais \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias falsas de abuso sexual nos filhos. No Brasil, estimativas de psic\u00f3logos ligados a varas de fam\u00edlia indicam que at\u00e9 metade dessas acusa\u00e7\u00f5es feitas durante div\u00f3rcios conflituosos n\u00e3o s\u00e3o verdadeiras.<\/p>\n<p>&#8220;Isso acontece quando um dos c\u00f4njuges tenta denegrir a imagem do outro. Trata-se do ataque mais perverso que pode ocorrer\u201d, afirma o psic\u00f3logo Jorge Trindade, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Jur\u00eddica. \u201cPara quem acredita ter sofrido uma viol\u00eancia, verdadeira ou n\u00e3o, o impacto emocional \u00e9 o mesmo: terr\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Mec\u00e2nica da recorda\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2014 Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, estudos como o do psic\u00f3logo franc\u00eas Alfred Binet, considerado pioneiro em testes de intelig\u00eancia, indicam que a mem\u00f3ria \u00e9 formada por distor\u00e7\u00f5es. Nos \u00faltimos trinta anos, pesquisas comprovaram que grande parte das nossas lembran\u00e7as \u00e9 forjada. Recorda\u00e7\u00f5es, reais e falsas, e esquecimentos s\u00e3o os elementos que, combinados, formam a mem\u00f3ria. Esse \u00e9 o funcionamento padr\u00e3o das lembran\u00e7as, em um c\u00e9rebro normal. Ele faz de nossas recorda\u00e7\u00f5es\u00a0algo flex\u00edvel e male\u00e1vel para que o ser humano aprenda coisas novas, raciocine,\u00a0tenha\u00a0criatividade para enfrentar as situa\u00e7\u00f5es do presente e intelig\u00eancia para compreender o passado. Combinamos eventos, fatos, sons, imagens, nossos ou alheios,\u00a0o que nos possibilita viver o dia a dia.\u00a0\u00c9 o que acontece quando preenchemos\u00a0mentalmente uma frase com palavras que\u00a0nosso interlocutor deixou de dizer. No futuro, provavelmente, a lembran\u00e7a ser\u00e1 da\u00a0senten\u00e7a inteira, uma falsa recorda\u00e7\u00e3o\u00a0que auxilia a conectar\u00a0epis\u00f3dios vividos. Tempo e influ\u00eancias externas\u00a0tingem\u00a0a mem\u00f3ria,\u00a0tornando-as\u00a0adequadas ao momento vivido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMenores de 6 anos s\u00e3o mais suscet\u00edveis a criar falsas lembran\u00e7as, porque, nessa idade, eles ainda n\u00e3o distinguem fantasia e realidade. Mentiras de abuso sexual normalmente s\u00e3o sugeridas por algum adulto que tenha proximidade afetiva e seja percebido como autoridade. Nesse papel entram pais, professores, amigos mais velhos, conselheiros tutelares ou profissionais de sa\u00fade. Na maioria das vezes a sugest\u00e3o \u00e9 intencional, mas tamb\u00e9m pode ser feita sem dolo. \u00c9 o caso da formula\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es que mais afirmam do que interrogam, e que t\u00eam influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o das reminisc\u00eancias. &#8220;A forma como uma pergunta \u00e9 feita vai influenciar a resposta e pode, inclusive, contaminar a mem\u00f3ria&#8221;, afirma a psic\u00f3loga Lilian Stein, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). &#8220;Com o tempo, nos lembramos, de fato, de coisas que n\u00e3o aconteceram.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Como confirmar o abuso<\/strong>\u00a0\u2014 Den\u00fancias de viol\u00eancia sexual infantil s\u00e3o dif\u00edceis de comprovar. A maior parte dos casos acontece sem testemunhas, s\u00e3o cometidas por pessoas pr\u00f3ximas \u00e0 crian\u00e7a e n\u00e3o deixam marcas f\u00edsicas \u2014 o relato da v\u00edtima \u00e9 a \u00fanica evid\u00eancia. Como as lembran\u00e7as s\u00e3o formadas por um sistema din\u00e2mico e suscet\u00edvel a mudan\u00e7as, n\u00e3o existe um m\u00e9todo confi\u00e1vel para averiguar sua veracidade. O instrumento recomendado s\u00e3o avalia\u00e7\u00f5es e entrevistas, feitas por psic\u00f3logos, assistentes sociais, psiquiatras e promotores. Uma crian\u00e7a que \u00e9 denunciada como v\u00edtima de viol\u00eancia sexual tem pelo menos sete encontros com esses profissionais, at\u00e9 chegar ao juiz.<\/p>\n<p>&#8220;As perguntas s\u00e3o abertas, para a crian\u00e7a poder falar qualquer coisa ou mesmo n\u00e3o falar. Perguntas do tipo &#8216;sim ou n\u00e3o&#8217; ou &#8216;certo\/errado&#8217; s\u00e3o a \u00faltima op\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma C\u00e1tula Pelisoli, pesquisadora do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em Adolesc\u00eancia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). &#8220;Altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas medidas em um detector de mentiras ou em um teste poligr\u00e1fico n\u00e3o funcionariam nesse caso, porque a pessoa acredita na mem\u00f3ria. Exames de neuroimagem tamb\u00e9m s\u00e3o descartados, pois o c\u00e9rebro recria os mesmos padr\u00f5es em casos verdadeiros e falsos.&#8221;<\/p>\n<p>Em alguns Estados americanos e em pa\u00edses como Dinamarca ou Finl\u00e2ndia, as entrevistas feitas em casos de suspeita de abuso s\u00e3o padronizadas. No Brasil, foi lan\u00e7ado em outubro de 2013 um instrumento que pode ajudar a distinguir mem\u00f3rias, resultado de pesquisas de doze juristas, psiquiatras e psic\u00f3logos do Rio Grande do Sul. O m\u00e9todo, um question\u00e1rio\u00a0chamado\u00a0<a href=\"http:\/\/www.escaladealienacaoparental.com\/\" target=\"_blank\">Escala de Aliena\u00e7\u00e3o Parental,<\/a>\u00a0busca identificar o processo de induzir uma crian\u00e7a ou adolescente a detestar o pai ou a m\u00e3e. &#8220;Esses instrumentos apresentam um grau interessante de confiabilidade, mas ainda precisam ser mais estudados em casos de abuso sexual&#8221;, diz C\u00e1tula.<\/p>\n<p>De acordo com um estudo feito pelo psic\u00f3logo Antonio Serafim, do N\u00facleo Forense do Instituto de Psiquiatria da Universidade de S\u00e3o Paulo, os principais sinais de abuso s\u00e3o depress\u00e3o, ansiedade e fobias. Meninas podem ter altera\u00e7\u00f5es no sono e na alimenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de apresentar erotiza\u00e7\u00e3o do comportamento, enquanto garotos mostram-se isolados, agressivos e com dist\u00farbios de conduta. &#8220;Crian\u00e7as com suspeita de abuso normalmente sinalizam dificuldade em lidar com as figuras abusadoras e demonstram inseguran\u00e7a&#8221;, afirma Serafim.<\/p>\n<p>At\u00e9 Freud, o pai da psican\u00e1lise, confundiu-se acerca da mem\u00f3ria de relatos de abuso sexual. No in\u00edcio de seus estudos, em 1890, ele formulou a hip\u00f3tese de que suas pacientes hist\u00e9ricas teriam sido v\u00edtimas do crime. Essa ideia simplesmente desaparece em seus escritos ap\u00f3s 1897, substitu\u00edda pela fantasia incestuosa \u2014 em vez de sofrer abuso, as pacientes teriam apenas ilus\u00f5es dessa viol\u00eancia. Pouco tempo depois, os pesquisadores perceberiam que n\u00e3o h\u00e1 meios de diferenciar, no c\u00e9rebro, lembran\u00e7as falsas das reais.<\/p>\n<p><strong>Falsas reminisc\u00eancias em adultos\u00a0<\/strong>\u2014 Embora crian\u00e7as pequenas sejam mais suscet\u00edveis \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias, o processo tamb\u00e9m acontece com adultos \u2014 e com alta frequ\u00eancia. Em 2005, um estudo da pesquisadora Lilian Stein descreveu a implanta\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias em adultos. Sua equipe apresentou a cerca de 500 participantes uma lista de palavras que deveriam ser recordadas minutos depois. Em seguida, pediu para que os termos fossem marcados em folhas de papel. Nessa \u00faltima etapa, os participantes selecionaram palavras que jamais apareceram nas primeiras listas, como aquelas semanticamente pr\u00f3ximas ao assunto ou que resumiam o tema. Tratava-se de falsas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Momentos importantes da vida, como o nascimento de um filho ou a morte dos pais, podem ser invadidos por lembran\u00e7as n\u00e3o verdadeiras tanto quando eventos banais. Em 1995, um das principais estudiosas do assunto no mundo, a psic\u00f3loga Elizabeth Loftus, da Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, verificou em um experimento que recorda\u00e7\u00f5es emocionalmente fortes tamb\u00e9m podem ser implantadas. Para isso, ela recrutou 24 pessoas e, com a ajuda das fam\u00edlias, apresentou a elas tr\u00eas eventos que teriam acontecido na inf\u00e2ncia. Dois deles eram reais, mas o terceiro, um epis\u00f3dio dram\u00e1tico em que a crian\u00e7a ficava perdida em um shopping, foi inventado pela pesquisadora. Ap\u00f3s o relato, um quarto dos participantes afirmou lembrar-se do fato. &#8220;Na vida real, muitas pessoas s\u00e3o induzidas a lembrar-se de eventos m\u00faltiplos e imposs\u00edveis&#8221;, afirma Elizabeth.<\/p>\n<p><strong>O que diz a neuroci\u00eancia<\/strong>\u00a0\u2014 Nos estudos atuais de neuroci\u00eancia e neurobiologia, falsas lembran\u00e7as s\u00e3o um tema central. H\u00e1 d\u00e9cadas os pesquisadores perceberam que reminisc\u00eancias est\u00e3o distantes de ser como uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica ou filmadora que registra os acontecimentos e os arquiva. &#8220;Mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma grava\u00e7\u00e3o, mas sim a representa\u00e7\u00e3o mental de um evento que ocorreu. E, como representa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre o que aconteceu e o que algu\u00e9m acredita que aconteceu&#8221;, afirma o neurocientista Martin Cammarota, pesquisador do Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).<\/p>\n<p>Como parte dessa representa\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, h\u00e1 dados objetivos que podem ser verificados \u2014 como em uma foto. J\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sutis passam despercebidas pelos sentidos. A\u00ed entram as falsas lembran\u00e7as, para completar os &#8220;brancos&#8221; do c\u00e9rebro. Esse \u00e9 o processo de armazenamento de qualquer uma de nossas mem\u00f3rias, seja ao completar uma palavra que o interlocutor deixou de dizer em um di\u00e1logo que aconteceu h\u00e1 poucos segundos, seja para reconstruir um evento de anos atr\u00e1s.<strong><br \/>\n<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estados emocional e f\u00edsico tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais na forma\u00e7\u00e3o de lembran\u00e7as. Estar ansioso, triste, alegre ou apressado pode manipular mesmo dados objetivos. &#8220;Quando falamos de falsas mem\u00f3rias, parece que elas s\u00e3o feitas de prop\u00f3sito. Mas elas fazem parte processo de recordar. Ser incorreta n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o seja verdadeira&#8221;, afirma Cammarota.<\/p>\n<p>Como um processo composto de v\u00e1rios elementos, as lembran\u00e7as n\u00e3o existem isoladamente. Dados do passado se misturam no momento em que uma mem\u00f3ria est\u00e1 sendo formada. Essas lembran\u00e7as s\u00e3o aquelas que ajudam a compreender o presente e projetar o futuro. No hipocampo, \u00e1rea do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pela mem\u00f3ria, as reminisc\u00eancias s\u00e3o reconstru\u00eddas, editadas e renovadas. E, a cada vez que evocadas, elas se modificam \u2014 novos elementos s\u00e3o perdidos ou incorporados.<\/p>\n<p>&#8220;Recorda\u00e7\u00f5es dependem do que esperamos delas. Ao contr\u00e1rio de uma foto ou de um documento com come\u00e7o e fim, trata-se de sistemas din\u00e2micos, com um conte\u00fado que se modifica ao longo do tempo&#8221;, diz o neurocientista. &#8220;Mem\u00f3rias n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticas no tempo nem no c\u00e9rebro.&#8221; Assim, longe de parecer um computador repleto de arquivos que poderiam ser acessados e abertos a qualquer momento, a mem\u00f3ria \u00e9 mais semelhante a um baralho. Ao escolhermos um naipe, v\u00e1rias outras cartas saem ao mesmo tempo. Em diversos estudos detalhando imagens de observa\u00e7\u00f5es por resson\u00e2ncia feitos nos \u00faltimos anos, cientistas perceberam que lembran\u00e7as v\u00edvidas produzem ampla ativa\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro, envolvendo \u00e1reas sensoriais, emocionais e executivas.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado em 2013 na revista\u00a0<em>The New York Review of Books,<\/em>\u00a0o neurologista brit\u00e2nico Oliver Sacks, professor da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, elencou uma s\u00e9rie de pesquisas que comprovam o quanto os seres humanos precisam desconfiar de suas mem\u00f3rias. Entre elas, as de viol\u00eancia sexual. &#8220;N\u00e3o existe um modo pelo qual os acontecimentos do mundo possam ser transmitidos ou gravados diretamente em nossa mente; eles s\u00e3o experimentados e constru\u00eddos de modo altamente subjetivo, que \u00e9 diferente em cada indiv\u00edduo e reinterpretado ou revivido diferentemente a cada vez que s\u00e3o recordados&#8221;, diz Sacks. &#8220;Com frequ\u00eancia nossa \u00fanica verdade \u00e9 a verdade narrativa, as hist\u00f3rias que contamos uns aos outros e a n\u00f3s mesmos \u2014 hist\u00f3rias que reclassificamos e refinamos sem cessar.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A falsa recorda\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia \u00e9 um tema vastamente discutido por neurologistas, psic\u00f3logos e juristas. 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