{"id":447045,"date":"2024-03-06T04:19:46","date_gmt":"2024-03-06T07:19:46","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=447045"},"modified":"2024-03-06T04:19:46","modified_gmt":"2024-03-06T07:19:46","slug":"serie-governadores-moura-cavalcanti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/serie-governadores-moura-cavalcanti\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie governadores: Moura Cavalcanti"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-full size-full\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Moura-Cavalcanti.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Moura-Cavalcanti.jpeg 512w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Moura-Cavalcanti-256x300.jpeg 256w\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"599\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-67c740a7-b810-4d7d-9553-05cc8bb65c3b\" class=\"ub-expand \">\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><b>Opini\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo 2<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia desta s\u00e9rie que mergulha um pouco, superficialmente, para ser mais preciso, na vida e trajet\u00f3ria dos saudosos governadores de Pernambuco, dos bi\u00f4nicos da ditadura aos emergidos pelo voto popular, o personagem de hoje fez hist\u00f3ria adotando um estilo in\u00e9dito.<\/p>\n<p>Andava pelas ruas do Recife e Regi\u00e3o Metropolitana com batedores, carros com seguran\u00e7as que fechavam o tr\u00e2nsito para dar passagem ao chefe de Estado. Falo de Jos\u00e9 Francisco de Moura Cavalcanti, ou simplesmente Moura Cavalcanti, que saiu da sua Macaparana, na Zona da Mata, para ser gente na vida. Gente que impunha respeito com a caneta do poder carregada de tinta ou pela palavra que n\u00e3o tinha recuo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Filho \u00fanico, \u00f3rf\u00e3o na inf\u00e2ncia, Moura Cavalcanti teve r\u00e1pida e ascendente carreira pol\u00edtica. Aos 20 anos, na redemocratiza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ditadura de Get\u00falio Vargas, foi eleito prefeito de Macaparana. Tomou gosto pela pol\u00edtica. Estudante de Direito, participou ativamente com o colega e amigo Carlos Penna Filho, das campanhas de Cid Sampaio e de Cordeiro de Farias, de quem se tornou afilhado pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed foi, sucessivamente, interventor do Amap\u00e1, presidente do Incra, ministro da Agricultura e governador de Pernambuco. \u201cNaquela \u00e9poca, era o pernambucano Jos\u00e9 Francisco ou, simplesmente Z\u00e9 Francisco.\u00a0 At\u00e9 que o jornalista e assessor Ant\u00f4nio Teixeira J\u00fanior, o famigerado Teixeirinha, no dizer bem-humorado de Fernando Menezes, alertou: Z\u00e9 Francisco aqui em Bras\u00edlia, \u00e9 nome de candango, vamos te chamar de Moura Cavalcanti. Pegou\u201d, recorda o jornalista Aldo Paes Barreto, plantonista do Pal\u00e1cio das Princesas na era Moura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nomeado governador de Pernambuco, segundo ele, Moura Cavalcanti se revelou ousado, criativo e formou uma equipe jovem de pouca experi\u00eancia e muito talento. Gustavo Krause, Luiz Ot\u00e1vio Cavalcanti, Jos\u00e9 Jorge Vasconcelos, Anchieta H\u00e9lcias, S\u00e9rgio Higino e um pol\u00edtico fechava o grupo: o deputado Carlos Alberto Oliveira, de Limoeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois deles seriam ministros bem mais na frente \u2013 Jos\u00e9 Jorge e Gustavo Krause. \u201cJ\u00e1 escolhido governador, Moura instalou um escrit\u00f3rio no edif\u00edcio Amirel e dali liderou a campanha para eleger deputados e senadores que seguissem sua cartilha. N\u00e3o conseguiu. Marcos Freyre, l\u00edder das esquerdas, venceu o candidato a senador Jo\u00e3o Cleofas nas elei\u00e7\u00f5es de 1974. Moura era conservador, leal aos seus princ\u00edpios, respeitava a imprensa, a manifesta\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o e definia que ser honesto n\u00e3o era escolha. Era obriga\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta Aldo Paes Barreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Veto a Cordeiro de Farias<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0Ainda durante a forma\u00e7\u00e3o da equipe, Moura convidou o amigo de adolesc\u00eancia, Osvaldo Cordeiro de Farias Filho, para ser o prefeito do Recife. A nomea\u00e7\u00e3o era papel do governador. \u201cOsvaldinho pegou o carro e viajou para o Recife, mas chegou tarde. A linha dura do Ex\u00e9rcito vetou a escolha. O filho do lend\u00e1rio Cordeiro de Farias era esquerdista e n\u00e3o podia ser prefeito. Moura Cavalcanti curvou-se \u00e0 press\u00e3o e nomeou o limoeirense Ant\u00f4nio Farias. Os Osvaldo, pai e filho, ficaram indignados e nunca mais se falaram\u201d, narra Aldo.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-58621\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3c4b2231-d52d-4f98-83d1-35e383914875.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3c4b2231-d52d-4f98-83d1-35e383914875.jpg 470w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3c4b2231-d52d-4f98-83d1-35e383914875-300x147.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"395\" height=\"193\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O bofete no rep\u00f3rter \u2013\u00a0<\/strong>Com a caneta na m\u00e3o, Moura usava todos os benef\u00edcios que o posto de governador conferia, inclusive carros precedidos por batedores com sirenes ligadas, prontamente criticado pela oposi\u00e7\u00e3o. \u201cLiturgia do poder\u201d, dizia o governador.\u00a0 Nem bem se passou um m\u00eas de governo, Moura foi interrompido no Pal\u00e1cio do Governo por um dos assessores com a informa\u00e7\u00e3o: O secret\u00e1rio de Justi\u00e7a, Carlos Alberto Oliveira, insatisfeito com cr\u00edticas que o rep\u00f3rter Ant\u00f4nio Brito fazia no Di\u00e1rio da Noite, o esbofeteou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Demiss\u00e3o sum\u00e1ria\u00a0<\/strong>\u2013\u00a0Moura, segundo Aldo, demitiu Carlos Alberto sumariamente, t\u00e3o logo soube da agress\u00e3o ao rep\u00f3rter do Di\u00e1rio da Noite, jornal vespertino, que tinha mais cheiro de sangue do que de pol\u00edtica e do poder. \u201cImediatamente, Moura nomeou o substituto e o assunto entrou para o folclore da pol\u00edtica pernambucana, sendo objeto at\u00e9 de piadas em Pal\u00e1cio, quando Moura reunia jornalistas para apreciar um bom u\u00edsque e jogar conversa fora, na varanda do Pal\u00e1cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A marca da gest\u00e3o \u2013\u00a0<\/strong>Moura Cavalcanti assumiu o Governo do Estado em 15 de mar\u00e7o de 1975, nomeado pelo ex-presidente Ernesto Geisel, depois de obter a maioria das indica\u00e7\u00f5es dos integrantes da Arena no Estado, numa consulta interna na qual concorreu tamb\u00e9m Paulo Maciel e Marco Maciel. Do ponto de vista administrativo, sua gest\u00e3o ficou marcada pela constru\u00e7\u00e3o das barragens de Carpina e de Goit\u00e1, a drenagem do Rio Capibaribe para conter os efeitos das enchentes daquela \u00e9poca, a constru\u00e7\u00e3o do Terminal Integrado de Passageiros (TIP) e o Centro de Conven\u00e7\u00f5es. Lan\u00e7ou tamb\u00e9m a pedra fundamental do Complexo Industrial de Suape em 1978, projeto j\u00e1 iniciado pelo seu antecessor Eraldo Gueiros.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-58620\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/art_12957_600.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/art_12957_600.jpg 600w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/art_12957_600-300x200.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"265\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Governou dois Estados\u00a0<\/strong>\u2013 Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1960, Moura Cavalcanti acompanhou Cordeiro de Farias no apoio a J\u00e2nio Quadros, trabalhando intensamente em sua campanha. Eleito, J\u00e2nio o nomeou governador do territ\u00f3rio do Amap\u00e1. Em sua gest\u00e3o, priorizou a racionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios (principalmente mangan\u00eas), a partir do aprofundamento das pesquisas de campo e do levantamento aerofotogram\u00e9trico da regi\u00e3o, deu continuidade \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica e iniciou a constru\u00e7\u00e3o da estrada ligando Macap\u00e1 \u00e0 Guiana Francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CURTAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00d3DIO A MACIEL<\/strong>\u00a0<strong>\u2013\u00a0<\/strong>Moura Cavalcanti morreu em rota de colis\u00e3o com Marco Maciel. No livro \u201cBrasis que conheci\u201d, que lan\u00e7ou muito tempo depois, j\u00e1 em cadeira de rodas, revelou todo seu \u00f3dio e desprezo pelo ex-vice-presidente da Rep\u00fablica. As m\u00e1goas come\u00e7aram quando Maciel j\u00e1 queria ser governador bi\u00f4nico na elei\u00e7\u00e3o que Moura ganhou a indica\u00e7\u00e3o da maioria dos integrantes da Arena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CASSA\u00c7\u00c3O \u2013\u00a0<\/strong>Poucas semanas ap\u00f3s a sua posse no Governo do Estado, Moura demitiu todos os diretores do Bandepe, medida ligada ao iminente desenlace do chamado \u201cCaso Moreno\u201d, que, envolvendo opera\u00e7\u00f5es irregulares de financiamento efetuadas pelo banco, provocou a cassa\u00e7\u00e3o do mandato do senador Wilson Campos, eleito pela Arena pernambucana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AMANH\u00c3 TEM NILO COELHO \u2013\u00a0<\/strong>Jos\u00e9 Francisco Moura Cavalcanti faleceu no Recife, no dia 28 de novembro de 1994. Do Estado, segundo o jornalista Aldo Paes Barreto, s\u00f3 ficou com os proventos da aposentadoria, diferente do que ocorre hoje na podrid\u00e3o da pol\u00edtica brasileira. Amanh\u00e3, a s\u00e9rie segue trazendo a era Nilo Coelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por: Magno Martins<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andava pelas ruas do Recife e Regi\u00e3o Metropolitana com batedores, carros com seguran\u00e7as que fechavam o tr\u00e2nsito para dar passagem ao chefe de Estado. 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