{"id":447457,"date":"2024-03-11T05:51:11","date_gmt":"2024-03-11T08:51:11","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=447457"},"modified":"2024-03-11T05:51:11","modified_gmt":"2024-03-11T08:51:11","slug":"serie-governadores-etelvino-lins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/serie-governadores-etelvino-lins\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie governadores: Etelvino Lins"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-full size-full\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.30.00.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.30.00.jpeg 500w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.30.00-254x300.jpeg 254w\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"590\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-67c740a7-b810-4d7d-9553-05cc8bb65c3b\" class=\"ub-expand \">\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 6<\/strong><\/p>\n<p>O Estado Novo, regime ditatorial implantado por Get\u00falio Vargas, vigorou de 1937 a 1945. No seu \u00faltimo ano, em 3 de mar\u00e7o de 1945, tombava morto, com um tiro na testa, na Pra\u00e7a da Independ\u00eancia, palco de manifesta\u00e7\u00f5es populares do Recife, o estudante de Direito Dem\u00f3crito C\u00e9sar de Souza Filho. Foi assassinado quando aguardava, da sacada do pr\u00e9dio do bicenten\u00e1rio Di\u00e1rio de Pernambuco, o discurso de Gilberto Freyre. Socorrido, morreu no antigo Hospital do Pronto Socorro do Recife.<\/p>\n<p>Dias depois, tamb\u00e9m morreu o carvoeiro Manuel Elias dos Santos, que estava na manifesta\u00e7\u00e3o e foi atingido pelos disparos. Os estudantes da Faculdade de Direito do Recife tiveram grande atua\u00e7\u00e3o contra o Estado Novo. O Governo de Vargas procurava alternativas para se manter. As liga\u00e7\u00f5es do ex-governador Agamenon Magalh\u00e3es com Vargas eram bem estreitas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p>O assassinato de Dem\u00f3crito foi atribu\u00eddo \u00e0 pol\u00edcia pol\u00edtica de Vargas. Agamenon Magalh\u00e3es deixou a interventor\u00eda no in\u00edcio de 1945, quando Get\u00falio Vargas o nomeou ministro da Justi\u00e7a, mas n\u00e3o sem assegurar Etelvino Lins como seu sucessor \u00e0 frente do Executivo pernambucano. Contudo, a morte de Dem\u00f3crito de Sousa Filho fragilizou a posi\u00e7\u00e3o do novo interventor, que renunciou a tempo de eleger-se senador pelo PSD, em dezembro de 1945.<\/p>\n<p>Neste mesmo ano, seu pai Ulysses Lins, que escreveu dois livros de mem\u00f3rias, foi eleito deputado federal. Etelvino, investido de poderes constituintes, ajudou a conceber e subscreveu a Constitui\u00e7\u00e3o de 1946, exercendo o mandato parlamentar at\u00e9 eleger-se governador de Pernambuco em 1952, num pleito extempor\u00e2neo, convocado ap\u00f3s a morte do governador Agamenon Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Mas a condi\u00e7\u00e3o de interventor, em pleno Estado Novo, n\u00e3o evitou que Etelvino tamb\u00e9m fosse acusado de omiss\u00e3o na seguran\u00e7a do ato que acabou na morte de Dem\u00f3crito. H\u00e1 historiadores, entretanto, que o inocentam daquele infausto acontecimento. Etelvino Lins de Albuquerque, pernambucano de Alagoa de Baixo, hoje Sert\u00e2nia, nasceu em 20 de novembro de 1908 e, muito cedo, come\u00e7ou a mostrar o quanto importa saber querer.<\/p>\n<p>Teve uma inf\u00e2ncia parecida com a de qualquer crian\u00e7a de seu estrato social, sofrida pelas agruras do Sert\u00e3o, mas em 1930 se graduou em Direito e deu in\u00edcio a uma vitoriosa carreira: secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a de 1937 a 1945, interventor em Pernambuco, em 1945; Senador Constituinte em 1946 e Governador de Pernambuco eleito entre 1952 e 1955, al\u00e9m de deputado federal por duas legislaturas: 1959\/1963 e 1970\/1975.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi ministro do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o de 1955 a 1959. Em 1935, reprimiu a Insurrei\u00e7\u00e3o Comunista no Recife. Diante do impacto causado pelo suic\u00eddio de Vargas em agosto de 1954, Etelvino prop\u00f4s, sem sucesso, o adiamento das elei\u00e7\u00f5es legislativas de outubro, sustentando que o pleito poderia dar uma esmagadora vit\u00f3ria aos candidatos do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), aumentando os riscos de uma interven\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, sugeriu o lan\u00e7amento de um candidato \u00fanico \u00e0 presid\u00eancia no ano seguinte, propondo, para tanto, que o PSD se aproximasse da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN) e das outras for\u00e7as pol\u00edticas do Pa\u00eds, numa tentativa de constituir uma alian\u00e7a interpartid\u00e1ria. Suas propostas n\u00e3o tiveram o apoio da c\u00fapula do PSD e foram combatidas por Juscelino Kubitschek, que, a esta altura, j\u00e1 lan\u00e7ara sua candidatura a presidente.<\/p>\n<p>Eleito em 1952, Etelvino Lins governou Pernambuco at\u00e9 31 de janeiro de 1955, transmitindo o cargo a Cordeiro de Farias. Com a homologa\u00e7\u00e3o da candidatura de Juscelino e o malogro da tese da uni\u00e3o nacional, foi lan\u00e7ado, em abril, candidato a presidente da Rep\u00fablica com o apoio da UDN e de dissidentes do PSD. Recebeu tamb\u00e9m a ades\u00e3o do Clube da Lanterna, organiza\u00e7\u00e3o civil liderada por Carlos Lacerda. Em junho, no entanto, renunciou \u00e0 indica\u00e7\u00e3o e passou a apoiar a candidatura de Juarez T\u00e1vora.<\/p>\n<p><strong>Autonomia do TCU<\/strong>\u00a0\u2013 Lins, como o seu pai Ulysses Lins de Albuquerque o travava, segundo o livro \u201cMem\u00f3rias que eu guardei de mem\u00f3ria\u201d, teve um posicionamento marcante ao discordar do presidente Castelo Branco, que enviara ao Congresso um anteprojeto de constitui\u00e7\u00e3o restringindo a compet\u00eancia do TCU, o que suscitou forte rea\u00e7\u00e3o dos que compunham o corpo de ministros daquele tribunal. Senador, imediatamente elaborou emenda ao anteprojeto que, aprovada, integraria o texto constitucional promulgado em 1967 e facultaria ao TCU manter a prerrogativa de analisar as contas da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, e emitir opini\u00e3o sobre as emiss\u00f5es de papel-moeda.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-59022\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.31.12.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.31.12.jpeg 663w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.31.12-300x210.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"241\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Transporte de eleitores \u2013\u00a0<\/strong>Como congressista, Etelvino Lins foi um dos primeiros a liderar um movimento por reformas pol\u00edticas. Um projeto de sua autoria, batizado mais adiante de Lei Etelvino Lins, transferiu para a Justi\u00e7a Eleitoral todos os gastos com alimenta\u00e7\u00e3o e transporte para os votantes do meio rural no dia das elei\u00e7\u00f5es, mas restringindo despesas da mesma fonte com a campanha em geral. Deputado reformista, restaurou o direito de votar aos residentes no Distrito Federal, permitindo a remessa de seus votos aos estados de origem em 1974, 1978 e 1982. A partir de 1963, dedicou-se somente ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, assumindo a presid\u00eancia da corte em 1965, quatro anos antes de pedir a aposentadoria.<\/p>\n<p><strong>Apoio a Maciel e desist\u00eancia\u00a0<\/strong>\u2013 Nas elei\u00e7\u00f5es indiretas para a sucess\u00e3o em Pernambuco, em 1974, Etelvino Lins se uniu a antigos l\u00edderes pol\u00edticos da \u00e9poca em apoio ao nome do secret\u00e1rio-geral da Arena, Marco Maciel, para o Governo do Estado. Diante da indica\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Francisco de Moura Cavalcanti, que contava com a prefer\u00eancia do presidente Geisel, Lins recusou-se a concorrer \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara Federal, concluindo seu mandato em janeiro de 1975. Mais na frente, em 1978, lan\u00e7ou-se candidato \u00e0s elei\u00e7\u00f5es para a C\u00e2mara Federal marcadas para novembro, mas em 5 de agosto desistiu da candidatura.<\/p>\n<p><strong>Algoz da Intentona Comunista \u2013\u00a0<\/strong>Em 1935, nomeado pelo ex-governador Carlos de Lima Cavalcanti delegado auxiliar com jurisdi\u00e7\u00e3o no Recife, Etelvino Lins combateu fortemente a Intentona Comunista, levante armado para derrubar Vargas do poder, liderado por Carlos Prestes. Coube a ele instaurar e presidir um inqu\u00e9rito que resultou na condena\u00e7\u00e3o dos revoltosos pelo Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional. Decretado o Estado Novo em 1937, o coronel do Ex\u00e9rcito, Amaro de Azambuja Vilanova, assumiu interinamente o governo estadual e escolheu Etelvino Lins secret\u00e1rio de Governo, fun\u00e7\u00e3o ocupada at\u00e9 Agamenon Magalh\u00e3es ascender ao Pal\u00e1cio do Campo das Princesas e realocar Etelvino Lins como secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-59021\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.32.42.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 344px) 100vw, 344px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.32.42.jpeg 648w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/WhatsApp-Image-2024-03-10-at-12.32.42-300x219.jpeg 300w\" alt=\"\" width=\"344\" height=\"250\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Fazer o que sabemos ser errado \u00e9 trair a consci\u00eancia \u2013\u00a0<\/strong>Etelvino Lins foi, enfim, um dos pol\u00edticos mais h\u00e1beis surgidos no Estado Novo e desenvolvidos no regime de 1946. Foi, igualmente, um dos mais destacados dirigentes do extinto PSD e, apesar de suas boas maneiras e de sua eleg\u00e2ncia pessoal, jamais dispensava um chap\u00e9u Borsalino preto impecavelmente limpo. H\u00e1bil, manteve-se na pol\u00edtica mesmo sem mandato e, em 1970, defendeu a tese da incorpora\u00e7\u00e3o do AI-5 \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. Assegurava ao governo que isso seria poss\u00edvel sem alterar o quadro pol\u00edtico do futuro \u201cporque o AI-5 \u00e9 o golpe e ningu\u00e9m d\u00e1 golpe no golpe\u201d. Sua ideia n\u00e3o foi aceita pelo governo Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici e, mais tarde, com a abertura, o presidente Ernesto Geisel n\u00e3o incorporou o Ato \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 de sua autoria a seguinte frase: \u201cFazer o que sabemos ser errado \u00e9 trair a consci\u00eancia. Insistir, \u00e9 trein\u00e1-la a aceitar o errado como se fosse o certo.\u201d<\/p>\n<p><strong>CURTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>PERDA DO EMPREGO<\/strong>\u00a0\u2013 Opositor do governador Est\u00e1cio Coimbra, Etelvino Lins deixou seu emprego nos Correios por apoiar as candidaturas de Get\u00falio Vargas e Jo\u00e3o Pessoa \u00e0 presidente e vice-presidente da Rep\u00fablica pela Alian\u00e7a Liberal, em 1930, enquanto o Governo Washington Lu\u00eds lutou pela vit\u00f3ria de J\u00falio Prestes e Vital Soares nas elei\u00e7\u00f5es de 1\u00ba de mar\u00e7o, mas, apesar do resultado favor\u00e1vel, a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 impediu a posse deles.<\/p>\n<p><strong>FAM\u00cdLIA E MORTE \u2013\u00a0<\/strong>Casado com Djanira Falc\u00e3o em 1933, Etelvino constituiu uma prole de oito filhos: In\u00e1, Roberto, Maria Christina, Rosa, Rog\u00e9rio, Maria da Concei\u00e7\u00e3o, Maria Regina e Rodrigo. Seu cunhado, Djaci Falc\u00e3o, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal em 1967 pelo presidente Castelo Branco, e presidiu a corte entre 1975 e 1977. Etelvino Lins morreu na capital fluminense v\u00edtima de um aneurisma cerebral, em 1980.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado Novo, regime ditatorial implantado por Get\u00falio Vargas, vigorou de 1937 a 1945. 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