{"id":447807,"date":"2024-03-14T04:26:30","date_gmt":"2024-03-14T07:26:30","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=447807"},"modified":"2024-03-14T04:26:30","modified_gmt":"2024-03-14T07:26:30","slug":"serie-governadores-miguel-arraes-de-alencar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/serie-governadores-miguel-arraes-de-alencar\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie governadores: Miguel Arraes de Alencar"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-full size-full\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/4637c363-a063-478c-b3c6-0d047304750d.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/4637c363-a063-478c-b3c6-0d047304750d.jpg 451w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/4637c363-a063-478c-b3c6-0d047304750d-199x300.jpg 199w\" alt=\"\" width=\"451\" height=\"680\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-67c740a7-b810-4d7d-9553-05cc8bb65c3b\" class=\"ub-expand \">\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Cap\u00edtulo 9<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nascido na Chapada do Araripe, de h\u00e1bitos sertanejos, mas com feeling pol\u00edtico raro, embora aprimorado na escola maquiav\u00e9lica, Miguel Arraes de Alencar foi o \u00fanico dos governadores de Pernambuco transformado em mito. Toda cultura da constru\u00e7\u00e3o da figura mitol\u00f3gica se deu a partir da cassa\u00e7\u00e3o do seu mandato de governador pelo golpe de 64.<\/p>\n<p>Retirado \u00e0 for\u00e7a do Pal\u00e1cio do Campo das Princesas pelo regime militar, Arraes ficou idolatrado. Corria no Sert\u00e3o vers\u00f5es de que santinhos de sua campanha, da volta do ex\u00edlio na Arg\u00e9lia, para entrar pela mesma porta que saiu, uma das tem\u00e1ticas e jingle da elei\u00e7\u00e3o de 1986, na qual derrotou o hoje ministro da Defesa, Jos\u00e9 M\u00facio Monteiro, era dissolvidos na \u00e1gua quente e viravam ch\u00e1 pelos seus eleitores mais fan\u00e1ticos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando chegou em Pernambuco para assumir um cargo no Instituto do A\u00e7\u00facar e do \u00c1lcool (IAA), atrav\u00e9s de concurso p\u00fablico, se aproximou do ent\u00e3o presidente do \u00f3rg\u00e3o, Barbosa Lima Sobrinho, que eleito governador em 1948 o nomeou secret\u00e1rio da Fazenda, cargo que exerceu at\u00e9 1950. Em seguida, passou pelo primeiro teste das urnas, elegendo-se deputado estadual pelo Partido Social-Democrata (PSD), mandato que cumpriu de 1950 a 1958.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1959, o velho cacique candidatou-se a prefeito do Recife pelo (PSD) e elegeu-se, conseguindo derrubar as oligarquias locais, que apoiavam Ant\u00f4nio Pereira, do PRT. Em 1962, Arraes se elegeu governador pelo Partido Social Trabalhista (PST), derrotando Jo\u00e3o Cleofas, candidato da UDN. Iniciou seu mandato em 1963, marcado pelo apoio \u00e0s Ligas Camponesas e \u00e0 reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Firmou um pacto com os usineiros, garantindo os benef\u00edcios para os trabalhadores da cana-de-a\u00e7\u00facar e os direitos sociais e trabalhistas, incluindo o pagamento do sal\u00e1rio-m\u00ednimo. Seu governo foi considerado de esquerda, porque for\u00e7ou usineiros e donos de engenho a fazerem o Acordo do Campo. Deu tamb\u00e9m forte apoio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de sindicatos, associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e \u00e0s ligas camponesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o golpe militar de 1964, tropas do IV Ex\u00e9rcito cercaram o Pal\u00e1cio das Princesas e o for\u00e7aram a renunciar para evitar a pris\u00e3o, o que prontamente ele recusou para, em suas palavras, \u201cn\u00e3o trair a vontade dos que o elegeram\u201d. Em consequ\u00eancia, foi preso na tarde do dia 1\u00ba de abril. Deposto, foi encarcerado em uma pequena cela do 14\u00ba Regimento de Infantaria do Recife, sendo posteriormente levado para a ilha de Fernando de Noronha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ilha, permaneceu por onze meses. Posteriormente, foi encaminhado para as pris\u00f5es da Companhia da Guarda e do Corpo de Bombeiros, no Recife, e da Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Seu pedido de habeas corpus (HC) no Supremo Tribunal Federal, protocolado em 19 de abril, sob o n\u00famero 42 108, foi concedido, por unanimidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabou sendo fundamentado em quest\u00f5es processuais (foro privativo de governadores e necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa). A exce\u00e7\u00e3o foi o voto do ministro Lu\u00eds Gallotti, que concedeu o HC em fun\u00e7\u00e3o do flagrante excesso de prazo da pris\u00e3o. O ent\u00e3o procurador-geral da Rep\u00fablica, Oswaldo Trigueiro, opinou pela manuten\u00e7\u00e3o de sua pris\u00e3o. Libertado em 25 de maio de 1965, exilou-se na Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O ex\u00edlio e a condena\u00e7\u00e3o por subvers\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 Concedido o habeas corpus, Arraes foi orientado por seu advogado, Sobral Pinto, a exilar-se, devido ao risco iminente de uma nova pris\u00e3o. V\u00e1rias embaixadas estavam sitiadas pelos militares, restando apenas poucas op\u00e7\u00f5es de locais para pedir asilo pol\u00edtico. Sendo assim, o pr\u00f3prio Arraes escolheu a Arg\u00e9lia. No continente africano, Arraes atuou como importante articulador dos movimentos de esquerda brasileiros e, at\u00e9 mesmo, em favor das liberta\u00e7\u00f5es das col\u00f4nias portuguesas. Foi a partir de sua iniciativa que foi criado o Boletim da Frente Brasileira de Informa\u00e7\u00e3o, uma publica\u00e7\u00e3o na qual figuras como Paulo Freire e Celso Furtado contribu\u00edram, e que denunciava os desmandos da ditadura brasileira, recebendo forte apoio de pa\u00edses europeus. Durante o ex\u00edlio, foi condenado \u00e0 revelia, no dia 2 de mar\u00e7o de 1967, pelo Conselho Pernambucano de Justi\u00e7a da 7\u00aa Regi\u00e3o Militar, a pena, de 23 anos de pris\u00e3o, pelo crime de \u201csubvers\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-59336\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/2979d2b8-a11c-421a-95e7-eb76c18e1411.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/2979d2b8-a11c-421a-95e7-eb76c18e1411.jpg 756w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/2979d2b8-a11c-421a-95e7-eb76c18e1411-300x161.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"213\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O grande com\u00edcio da volta<\/strong>\u00a0\u2013 Arraes s\u00f3 voltou ao Brasil em 1979, beneficiado pela anistia, que trouxe todos os exilados de volta ao Brasil, como Leonel Brizola. Na chegada ao Recife, depois de dar uma paradinha estrat\u00e9gica no seu Cear\u00e1, para ver a fam\u00edlia, cerca de 50 mil pessoas participaram do ato das boas-vindas, um grande com\u00edcio, no bairro de Santo Amaro. Nas elei\u00e7\u00f5es de 82, Arraes j\u00e1 queria disputar o Governo do Estado, mas Jarbas Vasconcelos, que ocupara a lideran\u00e7a dos movimentos de esquerda no Estado na aus\u00eancia do velho cacique, apoiou a candidatura de Marcos Freire, derrotado por Roberto Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Arraes t\u00e1 a\u00ed de novo!\u00a0<\/strong>\u2013 Arraes engoliu a seco a manobra de Jarbas em apoio a Marcos Freire e disputou uma vaga na C\u00e2mara dos Deputados em 1982 pelo PMDB. Mas seu grande sonho, na verdade, era voltar a governar o Estado, entrando pela porta que foi enxotado pelos militares em 64. Sendo assim, em 1986 protagonizou a maior campanha pol\u00edtica de Pernambuco com manifesta\u00e7\u00f5es de rua e o engajamento da milit\u00e2ncia, simbolizada pelo \u201cArraes est\u00e1 a\u00ed, est\u00e1 a\u00ed de novo\u201d. Foi uma das campanhas mais vibrantes e emocionantes da hist\u00f3ria. Eleito, fez do seu neto Eduardo Campos chefe de gabinete. Implantou programas para o homem do campo como o \u201cChap\u00e9u de Palha\u201d, que consistia na contrata\u00e7\u00e3o de canavieiros, nos per\u00edodos de entressafra da cana, para trabalharem em pequenas obras p\u00fablicas, e a \u201c\u00c1gua na Ro\u00e7a\u201d, que fornecia motobombas para a irriga\u00e7\u00e3o de pequenos agricultores.\u00a0Criou tamb\u00e9m o \u201cVaca na corda\u201d, que financiava a compra de uma vaca leiteira. Outro ponto central foi a universaliza\u00e7\u00e3o da eletrifica\u00e7\u00e3o no campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Arraes se vingou de Jarbas em 90 e Jarbas dele em 98<\/strong>\u00a0\u2013 Ao final do seu mandato, em 1990, Arraes deu o troco a Jarbas. Como na \u00e9poca n\u00e3o havia reelei\u00e7\u00e3o, deixou o PMDB e ingressou no Partido Socialista Brasileiro (PSB) para disputar o mandato de deputado federal. Teve uma avalanche de votos \u2013 339.197 votos. Sua estrondosa vota\u00e7\u00e3o puxou mais quatro federais, o \u00faltimo Roberto Franca, com apenas 3.734 votos. Em 1994, Arraes foi eleito pela terceira vez, derrotando Gustavo Krause, o candidato das for\u00e7as que estavam no Governo sob a lideran\u00e7a de Joaquim Francisco. De volta ao poder, deu continuidade a programas de eletrifica\u00e7\u00e3o rural e abastecimento de \u00e1gua, mas sua gest\u00e3o foi marcada por den\u00fancias de emiss\u00e3o irregular de t\u00edtulos p\u00fablicos para pagamento de d\u00edvidas judiciais. Essa opera\u00e7\u00e3o ficou conhecida como o \u201cesc\u00e2ndalo dos precat\u00f3rios\u201d \u2013 da qual foi inocentado depois. Mesmo com poucas chances de ganhar, Arraes se candidatou \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, mas perdeu para Jarbas Vasconcelos por uma diferen\u00e7a acima de 1 milh\u00e3o de votos \u2013 1.809.792 para 744.280 votos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-59335\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/590c69799da19.arraes.topo_.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/590c69799da19.arraes.topo_.jpg 450w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/590c69799da19.arraes.topo_-218x300.jpg 218w\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"541\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um livro revelador \u2013\u00a0<\/strong>Miguel Arraes morreu aos 88 anos, em 2005, no exerc\u00edcio de seu \u00faltimo mandato pol\u00edtico como deputado federal, sem ver o neto Eduardo Campos chegar ao poder, o que se deu nas elei\u00e7\u00f5es de 2006. Pouco mais de um ano ap\u00f3s sua morte, no dia 15 de dezembro de 2006, data que se comemoraria os 90 anos de seu nascimento, a jornalista Teresa Rozowykwiat lan\u00e7ou o livro \u201cArraes\u201d, a primeira biografia autorizada sobre a vida do ex-governador. A autora contou com informa\u00e7\u00f5es exclusivas repassadas pela vi\u00fava, Magdalena Arraes, principalmente sobre o per\u00edodo em que viveu no ex\u00edlio ap\u00f3s o golpe militar de 1964. O livro aborda fatos que apenas a fam\u00edlia tinha conhecimento e detalhes sobre sua personalidade, que s\u00f3 os mais \u00edntimos conheciam. Tr\u00eas anos depois da morte do mito, em 2008, sua vi\u00fava Magdalena Arraes criou o Instituto Miguel Arraes com o objetivo de preservar a mem\u00f3ria do ex-governador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CURTAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A GRANDE FAM\u00cdLIA<\/strong>\u00a0\u2013 Miguel Arraes foi casado com C\u00e9lia de Sousa Le\u00e3o, com quem teve oito filhos, entre eles, Ana Arraes, m\u00e3e de Eduardo Campos e do advogado Ant\u00f4nio Campos, e Guel Arraes (diretor de TV). Ap\u00f3s a morte da primeira esposa em 26 de fevereiro de 1961, casou-se com Magdalena Fi\u00faza Arraes, com quem teve mais dois filhos: Mariana Arraes de Alencar e Pedro Arraes de Alencar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NETOS NA POL\u00cdTICA \u2013\u00a0<\/strong>Entre os netos de Arraes destacam-se Eduardo Campos (ex-governador, morto em um acidente a\u00e9reo em 13 de agosto de 2014), Ant\u00f4nio Campos (advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras), Mar\u00edlia Arraes (ex-deputada federal) e Lu\u00edsa Arraes (atriz). Seus bisnetos tamb\u00e9m entraram para a pol\u00edtica: Jo\u00e3o Henrique Campos que foi deputado federal e em seguida foi eleito prefeito do Recife e seu irm\u00e3o Pedro Campos, deputado federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por: Magno Martins<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido na Chapada do Araripe, de h\u00e1bitos sertanejos, mas com feeling pol\u00edtico raro, embora aprimorado na escola maquiav\u00e9lica, Miguel Arraes de Alencar foi o \u00fanico dos governadores de Pernambuco transformado em mito. 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