{"id":448456,"date":"2024-03-22T06:27:35","date_gmt":"2024-03-22T09:27:35","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=448456"},"modified":"2024-03-22T06:27:35","modified_gmt":"2024-03-22T09:27:35","slug":"serie-governadores-joaquim-francisco-de-freitas-cavalcanti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/serie-governadores-joaquim-francisco-de-freitas-cavalcanti\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie governadores: Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-full size-full\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/joaquimfrancisco.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1366px) 100vw, 1366px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/joaquimfrancisco.jpeg 1366w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/joaquimfrancisco-300x164.jpeg 300w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/joaquimfrancisco-1024x561.jpeg 1024w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/joaquimfrancisco-768x421.jpeg 768w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/joaquimfrancisco-1200x657.jpeg 1200w\" alt=\"\" width=\"1366\" height=\"748\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-67c740a7-b810-4d7d-9553-05cc8bb65c3b\" class=\"ub-expand \">\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 16<\/strong><\/p>\n<p>Duas vezes prefeito do Recife com alt\u00edssimas taxas de avalia\u00e7\u00e3o positiva, a primeira de 1983 a 1985, bi\u00f4nico, nomeado pelo ent\u00e3o governador Roberto Magalh\u00e3es, e a segunda, de 89 a 90, eleito no pleito de 1988, Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti chegou ao Governo de Pernambuco em 1991, depois de uma campanha memor\u00e1vel em 1990, derrotando Jarbas Vasconcelos (PMDB), a quem j\u00e1 havia imposto a primeira derrota em 88, vencendo Marcus Cunha (PMDB), candidato apoiado por Jarbas.<\/p>\n<p>Jarbas e Joaquim proporcionam um duelo de gigantes, esquerda x direita, com ataques violentos, at\u00e9 no campo pessoal. Joaquim foi chamado de \u201cDedo duro\u201d do regime militar, com picha\u00e7\u00f5es em muros e panfletagem. O troco veio numa medida extempor\u00e2nea: panfletos nas ruas sobre uma suposta agress\u00e3o de Jarbas ao pai. Na largada, Joaquim liderou todas as pesquisas, at\u00e9 se recusar a ir aos debates na TV.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p>Foi chamado de \u201cfuj\u00e3o\u201d no guia eleitoral de Jarbas e come\u00e7ou a despencar nas pesquisas. Num s\u00e1bado, quando fazia campanha de rua em Garanhuns, Joaquim foi surpreendido com uma pesquisa do Datafolha, caindo oito pontos, com Jarbas se aproximando e amea\u00e7ando liderar. Imediatamente, suspendeu sua agenda, voltou para Recife e com o seu n\u00facleo duro de campanha discutiu a ideia de desafiar Jarbas para um debate na TV.<\/p>\n<p>E de forma inusitada: durante o hor\u00e1rio da propaganda eleitoral, somando o tempo das duas coliga\u00e7\u00f5es. Deu certo! Jarbas topou. O debate foi realizado nos est\u00fadios da TV-Jornal, com 50 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Joaquim levou uma pasta com supostas den\u00fancias que pesavam contra o advers\u00e1rio, n\u00e3o abriu em nenhum momento, mas amedrontou Jarbas, que acabou levando desvantagem no enfrentamento. Joaquim saiu com imagem de vitorioso, voltou a crescer nas pesquisas e ganhou a elei\u00e7\u00e3o no primeiro turno, mas com uma diferen\u00e7a inferior a 1%. Teve 1.238.326 votos (50,95%) contra 1.088.365 (44,78%) de Jarbas.<\/p>\n<p>Na vitrine como um dos melhores prefeitos do Recife, Joaquim chegou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de candidato a governador pelo PFL com autonomia e estilo pr\u00f3prios, desprezando o grupo mais conservador da pefel\u00e2ndia, liderado por Ricardo Fi\u00faza e Gilson Machado. O primeiro sinal disso se deu com a escolha do candidato a vice, que se traduziu numa surpresa e num choque para quem esperava algu\u00e9m mais ligado a Marco Maciel: o empres\u00e1rio Roberto Fontes, de Caruaru, cujo irm\u00e3o, Lourinaldo Fontes, o Maninho, era muito pr\u00f3ximo a PC Farias, piv\u00f4 do maior esc\u00e2ndalo na era Collor, que o levou ao impeachment.<\/p>\n<p>Deu uma guinada maior ainda \u00e0 esquerda, trazendo para perto o cantor Alceu Valen\u00e7a, que havia sido seu colega na escola, e mais um grupo pensante do movimento que se rebelou contra o golpe de 64, todos atra\u00eddos pelo poder de sedu\u00e7\u00e3o do economista Roberto Viana, principal mentor de Joaquim na campanha. Jarbas Vasconcelos, por sua vez, escolheu para vice o empres\u00e1rio Paulo Coelho, pai do ex-senador Fernando Bezerra, e para o Senado o ex-prefeito de Caruaru, Jos\u00e9 Queiroz.<\/p>\n<p>Figura central do PMDB durante os anos 80, o ent\u00e3o governador Miguel Arraes renunciou para disputar um mandato de deputado federal dias ap\u00f3s filiar-se ao PSB, onde abrigou o seu grupo pol\u00edtico, reduzindo ainda mais o alcance de seu antigo partido, j\u00e1 abalado pela morte de Marcos Freire, h\u00e1 tr\u00eas anos. Outro efeito colateral dessa mudan\u00e7a foi o distanciamento progressivo entre Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos.<\/p>\n<p>Embora estivessem formalmente no mesmo palanque, cabendo a Jarbas reagrupar o PMDB em torno de si, Arraes fez corpo mole na campanha para se vingar da postura de Jarbas nas elei\u00e7\u00f5es de 82, pleito no qual j\u00e1 queria ser candidato a governador, para aproveitar a onda favor\u00e1vel da sua volta do ex\u00edlio como mito. Jarbas, entretanto, se abra\u00e7ou com a candidatura de Marcos Freire, que perdeu para Roberto Magalh\u00e3es, este favorecido pelo casu\u00edsmo do voto vinculado.<\/p>\n<p>Favorecido pelas quest\u00f5es internas que pesavam sobre seus advers\u00e1rios, o PFL aproveitou a divis\u00e3o da esquerda e se recomp\u00f4s. Vice de Joaquim, o advogado Gilberto Marques assumiu, automaticamente, a Prefeitura do Recife. Na mesma elei\u00e7\u00e3o, Marco Maciel se reelegeu senador da Rep\u00fablica e as maiores bancadas de deputados federais e deputados estaduais foram de filiados ao PFL.<\/p>\n<p>Natural do Recife, Joaquim Francisco era advogado, formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Iniciou sua carreira pol\u00edtica pela Arena em 1966, depois da experi\u00eancia de oficial de gabinete do governador Nilo Coelho. Deixou o cargo a pedido do tio, Moura Cavalcanti, a quem foi assessora na presid\u00eancia do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (INCRA).<\/p>\n<p>Quando chegou ao Governo, Moura fez do sobrinho chefe da Comiss\u00e3o de Defesa Civil e secret\u00e1rio de Trabalho e A\u00e7\u00e3o Social. Ao deixar os cargos, foi procurador da Junta Comercial de Pernambuco e diretor administrativo-financeiro da Companhia de Alum\u00ednio do Nordeste. Ap\u00f3s o fim do bipartidarismo, ingressou no PDS. Na primeira elei\u00e7\u00e3o para governador, ap\u00f3s o golpe militar, em 1982, Joaquim coordenou a campanha de Roberto Magalh\u00e3es (PDS) ao principal cargo do Executivo pernambucano. Com o fim do mandato, disputou uma vaga de deputado federal em 1986, sendo eleito pelo PFL. Licenciado para assumir o Minist\u00e9rio do Interior no governo Jos\u00e9 Sarney, retornou \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados ap\u00f3s curta gest\u00e3o, que durou apenas cinco meses. Eleito prefeito do Recife em 1988, deixou o cargo em 1990 para disputar o Pal\u00e1cio do Campo das Princesas.<\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o no Bandepe, a maior crise na largada da gest\u00e3o \u2013\u00a0<\/strong>Como prefeito do Recife, um dos marcos da gest\u00e3o \u00e0 frente do Recife foi o Viaduto Tancredo Neves, que liga as Zonas Sul e Oeste da cidade. Tamb\u00e9m foi na gest\u00e3o de Joaquim que o Parque da Jaqueira, na Zona Norte, foi constru\u00eddo. J\u00e1 sua gest\u00e3o \u00e0 frente do Governo do Estado foi marcada pela privatiza\u00e7\u00e3o do banco estadual, o Bandepe, a maior crise do seu Governo. T\u00e3o logo tomou posse, Joaquim teve que fechar 90 ag\u00eancias do banco e demitir mais de tr\u00eas mil funcion\u00e1rios. Tudo porque o ent\u00e3o presidente Fernando Collor n\u00e3o atendeu a um pedido seu, de promover a interven\u00e7\u00e3o no Bandepe ainda na gest\u00e3o de Carlos Wilson, para n\u00e3o ter que sofrer esse desgaste. Mas Collor, amigo de Cali, como era chamado o ex-governador Carlos Wilson, n\u00e3o cumpriu com a promessa a Joaquim. Demitidos, os inconformados e revoltados servidores do banco n\u00e3o deixaram Joaquim em paz, chegando a vai\u00e1-lo por diversas vezes em atos oficiais no Recife, Regi\u00e3o Metropolitana e at\u00e9 no Interior.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.diariodepernambuco.com.br\/diretodaredacao\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/JoaquimFrancisco1992destaque.jpg\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"153\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>P\u00e2nico gerado pelo c\u00f3lera fez Joaquim tomar banho de mar em Boa Viagem \u2013<\/strong>\u00a0Nem mesmo os efeitos dram\u00e1ticos da interven\u00e7\u00e3o do Bandepe haviam sido superados, ainda em 1991, o primeiro da sua gest\u00e3o, Joaquim Francisco se depara com outra tremenda crise: a pandemia do c\u00f3lera, doen\u00e7a que afeta o intestino delgado e \u00e9 causada pela bact\u00e9ria Vibrio cholerae, que entra no organismo por meio do consumo de \u00e1gua e de alimentos que foram previamente contaminados pelo bacilo. Foi t\u00e3o forte e assustadora que, no desespero, baseado num laudo da ent\u00e3o secret\u00e1ria de Sa\u00fade, \u00c2ngela Valente, alertando que tomar banho de mar pegaria c\u00f3lera, Joaquim interditou a praia de Boa Viagem, usando a cavalaria da PM para impedir o acesso. A not\u00edcia foi parar na capa de todos os jornais do Pa\u00eds e at\u00e9 do exterior. No dia seguinte ao fechamento da praia, Joaquim foi a Bras\u00edlia para uma solenidade com Collor, no Pal\u00e1cio do Planalto. Chocado com o que vira, o ent\u00e3o presidente soprou no ouvido de Joaquim para liberar a praia, mas para que as pessoas tivessem a certeza de que o banho de n\u00e3o transmitia a doen\u00e7a, Joaquim teve que mergulhar nas \u00e1guas mornas de Boa Viagem. A cena, mais uma vez, varreu o mundo, mas ningu\u00e9m ficou sabendo que a ideia havia sido de Collor. Revelei em meu livro Hist\u00f3rias de Rep\u00f3rter, muito tempo depois, porque Joaquim havia me contado no avi\u00e3o de volta ao Recife, eu na condi\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rio de Imprensa do seu governo.<\/p>\n<p><strong>O troco a Collor e um Governo sem a marca do sucesso quando prefeito do Recife \u2013<\/strong>\u00a0O troco a Fernando Collor, que n\u00e3o o atendeu no pedido para intervir no Bandepe antes dele tomar posse, ainda no mandato-tamp\u00e3o de Carlos Wilson, Joaquim Francisco deu em 1992, na crise que provocou o impeachment do ent\u00e3o presidente, ao ser o primeiro governador a romper, mesmo tendo recebido o apoio dele na campanha ao Pal\u00e1cio das Princesas dois anos antes, em 1990. Diferente do sucesso que teve como prefeito do Recife, \u00e0 frente do Governo do Estado, Joaquim n\u00e3o deslanchou, fez o feij\u00e3o com arroz, sem uma obra marcante. Em parceria com o governo federal, deu continuidade \u00e0s obras do Metr\u00f4 do Recife, com a inaugura\u00e7\u00e3o do primeiro trecho indo da esta\u00e7\u00e3o central at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de Jaboat\u00e3o dos Guararapes. Atritado com o vice Roberto Fontes e sem direito \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, proibida na \u00e9poca, Joaquim ficou no governo at\u00e9 o fim do seu mandato. Quando cumpriu a miss\u00e3o, foi morar nos Estados Unidos com a fam\u00edlia. Em Washington, capital americana, assumiu um cargo no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Depois, foi para o Banco Mundial (Bird). De volta, em 1996, retomou a atividade pol\u00edtica e se elegeu mais duas vezes para a C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p><strong>Alceu pagou o pre\u00e7o da ades\u00e3o com uma fogueira dos seus discos no Alto da S\u00e9 \u2013<\/strong>\u00a0Um dos \u00edcones da m\u00fasica brasileira nos movimentos de esquerda entre as d\u00e9cadas de 80 e 90, o cantor e compositor Alceu Valen\u00e7a provocou uma debandada no universo dos seus f\u00e3s ao anunciar apoio \u00e0 candidatura de Joaquim Francisco a governador, em 90. Ele j\u00e1 era amigo de Joaquim desde os bancos escolares e da mesma turma de Direito na Faculdade de Direito do Recife. Quando apareceu no guia eleitoral de Joaquim declarando seu apoio e cantando pela primeira vez na campanha, sofreu uma grande hostilidade do seu p\u00fablico. A garotada mais aguerrida e sofrida, f\u00e3 de carteirinha, dizendo-se tra\u00edda, promoveu uma fogueira no Alto da S\u00e9, em Olinda, queimando muitos discos do artista em vinil. Mais tarde, numa entrevista a este blogueiro, Alceu disse que as hostilidades sofridas ao longo da campanha foram a raz\u00e3o do infarto que sofreu, mas sem sequelas, anos depois.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2021\/05\/sarney_eixo-1280x720.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"169\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>\u201cEste Governo Sarney n\u00e3o \u00e9 de transi\u00e7\u00e3o, \u00e9 de transa\u00e7\u00e3o\u201d \u2013<\/strong>\u00a0Filho do ex-deputado Jos\u00e9 Francisco, que chegou a governar o Estado interinamente, Joaquim Francisco era um homem extremamente culto, honrado, nunca teve seu nome envolvido em esc\u00e2ndalos e caprichava no sotaque de matuto de Macaparana, extremamente carregado. Frasista, se imortalizou com esta frase ao largar o Minist\u00e9rio do Interior na era Sarney depois de passar apenas cinco meses no cargo: \u201cPensei tratar-se de um governo de transi\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 de transa\u00e7\u00e3o\u201d. Foi uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de Dorany Sampaio, indicado por Jarbas, para a Sudene, \u00e0 sua revelia. Joaquim tamb\u00e9m tinha tiradas engra\u00e7adas. Quando me convidou para coordenar a sua \u00e1rea de Imprensa na campanha de 90, sendo eleito governador, me disse, diante da resist\u00eancia ao convite: \u201cMeta os peitos! A vida \u00e9 um suti\u00e3\u201d. Outra frase que ouvi muito em sua campanha: \u201cCobra que n\u00e3o anda, n\u00e3o engole sapo\u201d. Era um dos personagens mais interessantes que qualquer interlocutor poderia ter como um pol\u00edtico, pela honestidade de princ\u00edpios, forma\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter e cuidado com a coisa p\u00fablica. Mas Joaquim tamb\u00e9m era um grande contador de \u201ccausos\u201d, inclusive alguns passados com ele mesmo durante a vida p\u00fablica. Um dia ele, jovem prefeito do Recife, chegou \u00e0s sete horas no hangar da antiga Weston, no Aeroporto do Recife, trajando um impec\u00e1vel terno feito na Sartoria Perrelli, marrom, combinando com a camisa e no mesmo tom da gravata francesa. Desceu do carro, mas n\u00e3o recebeu do governador Roberto Magalh\u00e3es nem um \u201cbom dia\u201d. Doutor Magalh\u00e3es advertiu Francisco. \u201cDesculpe, mas comigo o senhor n\u00e3o vai para Bras\u00edlia. Muito menos num jatinho. Marrom \u00e9 uma cor que d\u00e1 um azar danado e eu n\u00e3o viajo com ningu\u00e9m vestido desse jeito. O senhor parece um caix\u00e3o de defunto\u201d. Joaquim contou que teve que abrir a mala e trocar, ali mesmo, toda a indument\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>CURTAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>BUSTO NA JAQUEIRA \u2013<\/strong>\u00a0Em maio de 2022, o prefeito do Recife, Jo\u00e3o Campos (PSB) inaugurou um busto de Joaquim Francisco na entrada do Parque da Jaqueira, uma das maiores obras da passagem dele pela Prefeitura da capital e que passou a frequentar em suas caminhadas di\u00e1rias quando esteve fora do poder, morador do bairro com o mesmo nome. A obra foi modelada e confeccionada em concreto pelo escultor Jos\u00e9 Roberto. Jo\u00e3o Campos fez a entrega simb\u00f3lica ao lado da vi\u00fava Sylvia Couceiro Cavalcanti, de familiares e amigos do homenageado. \u201cSabemos da rela\u00e7\u00e3o dele com essa \u00e1rea da cidade, talvez seja uma das melhores \u00e1reas do Recife, onde as fam\u00edlias convivem, as crian\u00e7as brincam e as pessoas idosas caminham; e a gente pensou em como fazer uma homenagem \u00e0 mem\u00f3ria dele. Todo mundo que conhece, que caminha aqui, sabe que isso aqui \u00e9 a cara dele e que se n\u00e3o fosse por ele, a gente n\u00e3o teria esse parque\u201d, comentou Jo\u00e3o Campos.<\/p>\n<p><strong>FAM\u00cdLIA E MUDAN\u00c7AS DE PARTIDO \u2013<\/strong>\u00a0Joaquim morreu no dia 3 de agosto de 2021 aos 73 anos, v\u00edtima de c\u00e2ncer no p\u00e2ncreas. Com S\u00edlvia Couceiro, teve tr\u00eas filhas \u2013 Luciana, Fernanda e Cristiana, que lhe deram cinco netos. Considerado um pol\u00edtico de perfil conservador, Joaquim trocou muito de partido ao longo da sua vida p\u00fablica. Come\u00e7ou pela Arena, depois foi para o PDS, PFL, PTB, DEM, PSB e PSDB \u2013 desfiliando-se ap\u00f3s cinco anos atuando como presidente do Instituto Teot\u00f4nio Vilela (ITV-PE).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas vezes prefeito do Recife com alt\u00edssimas taxas de avalia\u00e7\u00e3o positiva, a primeira de 1983 a 1985, bi\u00f4nico, nomeado pelo ent\u00e3o governador Roberto Magalh\u00e3es, e a segunda, de 89 a 90, eleito no pleito de 1988, Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti chegou ao Governo de P<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":85329,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-448456","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/joaquim-francisco.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/448456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=448456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/448456\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=448456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=448456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=448456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}