{"id":44989,"date":"2014-02-18T09:59:17","date_gmt":"2014-02-18T12:59:17","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=44989"},"modified":"2014-02-18T09:59:17","modified_gmt":"2014-02-18T12:59:17","slug":"os-black-bandidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-black-bandidos\/","title":{"rendered":"Os Black bandidos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/tribunadaimprensa.com.br\/?p=81008\" rel=\"bookmark\">\u00a0<\/a><\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQlrvghnLds8-S57Q01I0p2zPJlkB3nYy-iNcdllsYn5rk4Rjha\" name=\"5C-9VJM_tXh-PM:\" data-src=\"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQlrvghnLds8-S57Q01I0p2zPJlkB3nYy-iNcdllsYn5rk4Rjha\" data-sz=\"f\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Sebasti\u00e3o Nery<\/strong><\/p>\n<p>Morto Lampi\u00e3o, \u00c2ngelo Roque, o \u201cLabareda\u201d, cangaceiro, terceiro na hierarquia do bando, logo depois de Virgulino e Corisco, entregou-se \u00e0s autoridades de Geremoabo, no sert\u00e3o da Bahia. Foi a J\u00fari. Tarc\u00edlo Vieira de Melo, o promotor, depois l\u00edder de Juscelino na C\u00e2mara Federal, acusou-o com agressividade. Oliveira Brito, Juiz, depois ministro do governo Jo\u00e3o Goulart, chamou-o de \u201cdesordeiro\u201d.Labareda\u201d levantou-se do banco de r\u00e9u:<\/p>\n<p>&#8211; Desordeiro, n\u00e3o. Os senhores me respeitem. N\u00e3o sou um desordeiro, sou um cangaceiro. N\u00e3o fui pegado no mato. Cheguei aqui de armas na m\u00e3o, com minha cara limpa, meu corpo e minha vontade e me entreguei, confiando na palavra das leis.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m mais o agrediu.<\/p>\n<p><strong>LABAREDA<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLabareda\u201d, pequenininho e valente, n\u00e3o disse mais palavra. Quando acabou tudo, condenado, ele se queixou ao meu amigo o \u00a0tenente e advogado Jo\u00e3o N\u00f4, que o prendera nos sert\u00f5es da Bahia:<\/p>\n<p>&#8211; Tenente, perdi meu tempo no canga\u00e7o. Eu pensava que a pior coisa deste mundo era soldado de pol\u00edcia. Passei a vida empiquetando (emboscando) soldado de pol\u00edcia\u00a0 Hoje, chego aqui preso, os soldados me tratam bem e\u00a0 n\u00e3o disseram uma palavra contra mim. Mas aquele promotor falador e aquele juiz magrelo me disseram tudo quanto foi desaforo. Se eu soubesse, tinha passado meu canga\u00e7o empiquetando promotor e juiz.<\/p>\n<p><strong>LAMPI\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Cangaceiro era desordeiro, era criminoso, mas tinha car\u00e1ter. Lutava com a cara de fora. Jogava a vida nas estradas.<\/p>\n<p>N\u00e3o viviam\u00a0 escondidos atr\u00e1s de m\u00e1scaras, como esses black blocs nazifascistas, andr\u00f3ginos, sem ideologia e sem projeto, cuja histeria \u00e9 sair quebrando tudo, janelas\u00a0 e vitrines comerciais, sinais de tr\u00e2nsito e placas de rua, pr\u00e9dios p\u00fablicos e privados, seculares monumentos nacionais, Pal\u00e1cios, sedes de Governo, C\u00e2maras e Assembleias.<\/p>\n<p><strong>OAB E SEPE<\/strong><\/p>\n<p>Causa espanto, vergonha e asco ver entidades que t\u00eam deveres com a Na\u00e7\u00e3o, como a OAB, SEPE (Sindicato de Professores), jornalistas experientes, vereadores, deputados, partidos pol\u00edticos, como bab\u00e1s do mal, acoitando, defendendo, protegendo, tentando justificar\u00a0 esses covardes bandidinhos de capa preta.<\/p>\n<p>Em alguns pa\u00edses vivi, em outros estive, onde fascismo e nazismo, brutais ditaduras, come\u00e7aram. E come\u00e7aram sempre assim: blocos de ataque escondendo-se atr\u00e1s de roupas pretas, bon\u00e9s e mascaras pretas,cal\u00e7as e camisas pretas ou marrons. E cabe\u00e7as rolando nas avenidas ensanguentadas.<\/p>\n<p>Levianamente desvairadas elites levam suas irresponsabilidades\u00a0 e malditos interesses at\u00e9 um dia acordarem e n\u00e3o d\u00e1 mais tempo. Seus filhos e netos levantar\u00e3o muros e museus para chorarem o passado.<\/p>\n<p><strong>IMPRENSA<\/strong><\/p>\n<p>Escrevi essa coluna \u00a0ai em 22 de outubro de 2013. Em nenhum instante deixei-me enganar pelo vandalismo dos black blocs.<\/p>\n<p>Surpreendia-me a estranha ingenuidade ou m\u00e1 f\u00e9 de alguns colegas da imprensa, a servi\u00e7o n\u00e3o sei de quem, mas evidentemente daqueles que tinham interesse em detonar as manifesta\u00e7\u00f5es populares com as m\u00e1scaras e\u00a0 botas pretas. O nome deles era \u00f3bvio: capit\u00e3es do mato do governo.<\/p>\n<p>Agora estamos todos aqui desolados com o assassinato do Santiago.<\/p>\n<p><strong>HELOISA<\/strong><\/p>\n<p>Sempre brilhante e l\u00facida, a jornalista e escritora Heloisa Seixas p\u00f4s o dedo na ferida, em artigo no \u201cGlobo\u201d:<\/p>\n<p>\u201c- Os black blocs, ou seja l\u00e1\u00a0 que nome tenham, vinham dando sinais nos quais dev\u00edamos ter prestado mais aten\u00e7\u00e3o: havia\u00a0 tintas de neonazistas no comportamento deles, inclusive na hostilidade \u00e0 imprensa\u2026<\/p>\n<p>Poucos de n\u00f3s, na imprensa, tivemos coragem de escrever contra eles com a for\u00e7a necess\u00e1ria\u2026 Melhor ficarmos quietos, em nome da democracia. Em nome do direito \u00e0 livre manifesta\u00e7\u00e3o \u2013 mesmo com bombas e pedras. E agora estamos assim, como meu amigo da Bandeirantes. Com esse n\u00f3 na garganta, essa pergunta presa no peito: ser\u00e1 que nosso sil\u00eancio constrangido nos faz c\u00famplices na morte de Santiago?\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morto Lampi\u00e3o, \u00c2ngelo Roque, o \u201cLabareda\u201d, cangaceiro, terceiro na hierarquia do bando, logo depois de Virgulino e Corisco, entregou-se \u00e0s autoridades de Geremoabo, no sert\u00e3o da Bahia. Foi a J\u00fari. Tarc\u00edlo Vieira de Melo, o promotor, depois l\u00edder de Juscelino na C\u00e2mara Federal, acusou-o com agressividade. 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