{"id":45022,"date":"2014-02-18T14:10:06","date_gmt":"2014-02-18T17:10:06","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=45022"},"modified":"2014-02-18T14:54:03","modified_gmt":"2014-02-18T17:54:03","slug":"estiagem-atipica-vai-afetar-o-agronegocio-do-brasil-neste-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/estiagem-atipica-vai-afetar-o-agronegocio-do-brasil-neste-ano\/","title":{"rendered":"Estiagem at\u00edpica vai afetar o agroneg\u00f3cio do Brasil neste ano"},"content":{"rendered":"<p>A estiagem prolongada e at\u00edpica, registrada no in\u00edcio deste ano,\u00a0 vai afetar algumas culturas agr\u00edcolas, que ter\u00e3o quebra de safra e de produ\u00e7\u00e3o, avaliaram\u00a0 nesta segunda-feira (17), em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, especialistas do setor, durante as comemora\u00e7\u00f5es dos 117 anos da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O\u00a0 presidente do Conselho Superior do Agroneg\u00f3cio, da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo (Cosag-Fiesp), Jo\u00e3o Sampaio, disse que s\u00e3o os casos de cana-de-a\u00e7\u00facar, caf\u00e9, laranja, que dever\u00e3o apresentar quebra.<\/p>\n<p>\u201cMesmo a soja, que est\u00e1 indo muito bem, ainda, em Mato Grosso, nos estados onde a estiagem foi mais forte, como Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, vai quebrar\u00a0 um pouco da safra\u201d. A expectativa, segundo explicou Sampaio, \u00e9 que a chuva se torne regular a partir de agora e minimize os estragos. \u201cSe a chuva n\u00e3o vier, pode\u00a0 ter um impacto grande na segunda safra de milho, porque com dificuldade de chuva, n\u00e3o se planta. Certamente, vai ter impacto\u201d.<\/p>\n<p>O presidente do Cosag-Fiesp n\u00e3o acredita, entretanto, que\u00a0 o Produto Interno Bruto (PIB) do agroneg\u00f3cio venha a ser afetado. O que normalmente ocorre, quando h\u00e1 quebra de safra, disse ele, \u00e9 que os pre\u00e7os\u00a0 sobem e a receita bruta do agroneg\u00f3cio pode n\u00e3o ser impactada. Ele explicou que \u201cembora com produ\u00e7\u00e3o menor, se os pre\u00e7os forem maiores, o PIB fica do mesmo tamanho. Mas, com certeza, afeta a renda do setor, porque, produzindo menos, mesmo que o pre\u00e7o seja maior, voc\u00ea\u00a0 tem um impacto nos seus custos e\u00a0 a rentabilidade fica prejudicada\u201d.<\/p>\n<p>O presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), Antonio Alvarenga, se mostrou mais otimista. Ele acha que a estiagem comprometeu\u00a0 pouco a safra de gr\u00e3os. \u201cPoderia ser um pouco melhor, mas n\u00e3o chegou a comprometer\u201d. No caso de culturas como caf\u00e9, ele acha que essa perda \u00e9 muito limitada ainda.<\/p>\n<p>Alvarenga acrescentou que o PIB do agroneg\u00f3cio n\u00e3o vai sofrer grande problema, devido \u00e0 estiagem. A entidade trabalha com a perspectiva de crescimento de 3,5% a 4% no PIB da agricultura brasileira este ano, superando o PIB do pa\u00eds, que ele estima ficar em torno de 2%. \u201cA gente tem uma vantagem no agroneg\u00f3cio, porque, possivelmente, neste ano o d\u00f3lar vai ficar bastante mais alto que o d\u00f3lar m\u00e9dio do ano passado. Voc\u00ea vai ter um crescimento na renda dos produtores tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. O PIB vai crescer tamb\u00e9m por isso\u201d.<\/p>\n<p>Ele destacou que com o d\u00f3lar apresentando varia\u00e7\u00e3o, para cima e para baixo, em fun\u00e7\u00e3o das pesquisas eleitorais, o agricultor tem que estar preparado para aproveitar e saber vender bem o seu produto. Lembrou que a atividade agr\u00edcola est\u00e1 sujeita a pragas, ao c\u00e2mbio e a fatores clim\u00e1ticos, al\u00e9m da flutua\u00e7\u00e3o natural das commodities (produtos agr\u00edcolas e minerais com cota\u00e7\u00e3o internacional).<\/p>\n<p>O diretor t\u00e9cnico da SNA, H\u00e9lio Sirimarco, destacou que a possibilidade de\u00a0 redu\u00e7\u00e3o, em torno de 2 milh\u00f5es de toneladas na safra de soja, ocorrer\u00e1 mais em fun\u00e7\u00e3o da queda de produtividade. Mas admite que a estiagem tamb\u00e9m afetou a produ\u00e7\u00e3o de milho da primeira safra, e que a segunda safra tamb\u00e9m deve ser menor. \u201cMas, por enquanto, nada s\u00e9rio\u201d. Disse, por\u00e9m, que se a estiagem continuar, vai afetar um pouco mais. \u201cO Rio Grande do Sul, por exemplo, que planta por \u00faltimo, pode vir a ser afetado\u201d. Segundo ele, a estiagem afetou a agricultura nacional, \u201cmas nada dram\u00e1tico, por enquanto\u201d. As culturas que est\u00e3o sofrendo mais s\u00e3o caf\u00e9 e laranja. \u201cA\u00ed, o impacto est\u00e1 mais forte\u201d.<\/p>\n<p>O presidente da\u00a0 Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, disse que dependendo das culturas que forem afetadas pela falta de chuvas, isso pode \u201cat\u00e9\u201d contribuir para elevar os pre\u00e7os no mercado internacional, que est\u00e3o muito baixos atualmente. \u201cMas \u00e9 preciso ver o que vai ter em perda de quantidade e se a eleva\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o consegue recuperar essa perda\u201d. No momento, salientou que n\u00e3o se pode afirmar nada de concreto, porque\u00a0 n\u00e3o h\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o de quanto foi a perda. \u201cMas, claramente, \u00e9 prov\u00e1vel que saiamos do preju\u00edzo\u00a0 um pouquinho mais\u201d.<\/p>\n<p>Castro ponderou que a tend\u00eancia de eleva\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar pode ajudar o produtor, ou o exportador, em termos de receita, \u201cmas n\u00e3o o pa\u00eds, em termos de divisas&#8221;. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real pode provocar uma baixa, porque o importador, sabendo que o exportador vai ganhar mais dinheiro, acaba for\u00e7ando\u00a0 uma baixa do pre\u00e7o, e isso n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel ao Brasil &#8211; explicou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m para\u00a0 a agricultura fluminense a estiagem j\u00e1 provocou os primeiros preju\u00edzos em produtos t\u00edpicos dessa \u00e9poca do ano, de acordo com o secret\u00e1rio estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, Christino \u00c1ureo.\u00a0 \u201cS\u00e3o produtos cuja colheita ocorre\u00a0 no ver\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o maioria. \u00c9 o caso das hortali\u00e7as e do leite&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>A safra\u00a0 de leite preocupa um pouco mais o secret\u00e1rio. \u201cComo \u00e9 um per\u00edodo em que, normalmente, voc\u00ea tem maiores ofertas, em fun\u00e7\u00e3o de melhores pastagens, este ano a gente observou um fen\u00f4meno onde o produtor que trata o rebanho no cocho, somente no inverno, que vai normalmente de maio a setembro, este ano teve que estender um pouco mais o trato no cocho, devido\u00a0 \u00e0 seca\u201d, comentou \u00c1ureo.<\/p>\n<p>Isso aumentou os custos da produ\u00e7\u00e3o de leite. Ocorreu estabilidade em termos de valor para o produtor, com tend\u00eancia de eleva\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o para o consumidor, a partir de mar\u00e7o. Sobre verduras e legumes, ele disse que n\u00e3o h\u00e1, ainda, um levantamento preciso sobre preju\u00edzos, mas espera que n\u00e3o haja grandes altera\u00e7\u00f5es. Segundo ele, a estiagem at\u00edpica tamb\u00e9m atrasou um pouco a renova\u00e7\u00e3o da lavoura de cana-de-a\u00e7\u00facar que, tradicionalmente, se d\u00e1 em janeiro, e avaliou que os produtores v\u00e3o esperar ainda o m\u00eas de mar\u00e7o para\u00a0 proceder ao plantio.\u00a0 (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estiagem prolongada e at\u00edpica, registrada no in\u00edcio deste ano,\u00a0 vai afetar algumas culturas agr\u00edcolas, que ter\u00e3o quebra de safra e de produ\u00e7\u00e3o, avaliaram\u00a0 nesta segunda-feira (17), em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, especialistas do setor, durante as comemora\u00e7\u00f5es dos 117 anos da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), no Rio de Janeiro. 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