{"id":450287,"date":"2024-04-14T18:52:43","date_gmt":"2024-04-14T21:52:43","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=450287"},"modified":"2024-04-14T18:52:43","modified_gmt":"2024-04-14T21:52:43","slug":"uma-mulher-que-merece-viver-e-amar-como-outra-qualquer-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/uma-mulher-que-merece-viver-e-amar-como-outra-qualquer-do-planeta\/","title":{"rendered":"Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta"},"content":{"rendered":"<div class=\"x1lliihq\">\n<div class=\"x1yztbdb x1n2onr6 xh8yej3 x1ja2u2z\">\n<div class=\"x1n2onr6 x1ja2u2z\">\n<div class=\"\">\n<div class=\"\">\n<div class=\"x1a2a7pz\" role=\"article\" aria-posinset=\"5\" aria-describedby=\":rbg5: :rbg6: :rbg7: :rbg9: :rbg8:\" aria-labelledby=\":rbg4:\">\n<div class=\"x78zum5 xdt5ytf\">\n<div class=\"x9f619 x1n2onr6 x1ja2u2z\">\n<div class=\"x78zum5 x1n2onr6 xh8yej3\">\n<div class=\"x9f619 x1n2onr6 x1ja2u2z x1jx94hy x1qpq9i9 xdney7k xu5ydu1 xt3gfkd xh8yej3 x6ikm8r x10wlt62 xquyuld\">\n<div class=\"html-div xe8uvvx xdj266r x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\">\n<div class=\"\" dir=\"auto\">\n<div id=\":rbg6:\" class=\"x1iorvi4 x1pi30zi x1l90r2v x1swvt13\" data-ad-comet-preview=\"message\" data-ad-preview=\"message\">\n<div class=\"x78zum5 xdt5ytf xz62fqu x16ldp7u\">\n<div class=\"xu06os2 x1ok221b\">\n<div class=\"xdj266r x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs x126k92a\">\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">&#8220;Ela nasceu em 1918. Nasceu mulher, negra e pobre. Foi batizada como mais uma Maria: Maria do Carmo, mas ficou conhecida apenas por Carminha. Mal acabou o b\u00e1sico do ensino ofertado aos pobres, ainda uma menina, migrou de Minas Gerais para a cidade do Rio de Janeiro.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">A Carminha tinha 1,63m de altura e, embora pequena, carregava a for\u00e7a das Marias, o dom das negras e a marca das mulheres. Maria Carmem. Esse era o seu nome.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Maria amava cantar, contam, \u00e0queles que a conheceram, que seus grandes olhos castanhos e amendoados se fechavam sempre que ela cantava Ataulfo Alves. Mas na pobreza \u00e9 preciso ter gana sempre, cantar era s\u00f3 um sonho, a vida e a fome falavam mais alto.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Em 1939, aos vinte e um anos, Carminha j\u00e1 lavava roupas para fora e cozinhava em casas de fam\u00edlias cariocas. Trabalhava no que fosse preciso, jamais teve medo do servi\u00e7o. Um dia, ela conseguiu um trabalho de &#8220;carteira assinada&#8221;, foi parar na rua Conde de Bomfim, no bairro da Tijuca. Maria recebia o sal\u00e1rio de 150 mil r\u00e9is, era dom\u00e9stica. Trabalhava numa pens\u00e3o e a sua patroa se chamava Dona Augusta de Jesus Pitta.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">No in\u00edcio de 1942, enquanto esperava o bonde na frente da pens\u00e3o da Dona Augusta, Carminha conheceu um homem chamado Jo\u00e3o, ele era motorneiro, motorista do bonde da linha Tijuca. E uma paix\u00e3o avassaladora tomou conta dos dois, nascia ali o amor entre Carminha e Jo\u00e3o.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Os dois se encontravam todos os dias ap\u00f3s o trabalho. E num dia desses, Carminha ficou gr\u00e1vida. Jo\u00e3o n\u00e3o queria casar. Mas, ainda assim, casaram-se. Era a for\u00e7a da Maria se impondo sobre o machismo da \u00e9poca. Vai casar, sim!<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Gr\u00e1vida, Carminha seguiu trabalhando com a Dona Augusta. E numa tarde, enquanto trabalhava na pens\u00e3o, as dores do parto foram crescendo, at\u00e9 que seu beb\u00ea chegou. Nasceu ali, em um quarto da casa de Dona Augusta. Era um menino. E todos na pens\u00e3o adoravam a crian\u00e7a. Mas num certo dia, Carminha e Dona Augusta se desentenderam, coisas da vida, e Carminha se demitiu do emprego.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Com a crian\u00e7a no colo, foi morar com a fam\u00edlia de Jo\u00e3o, mudou-se para a favela Barreira do Vasco, que ficava na Baixada de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Com saudades da crian\u00e7a, Dona Augusta resolver ir visitar Carminha. E chegando na maloca em que ela morava, em Barreira do Vasco, Augusta viu uma Carminha magra e uma crian\u00e7a igualmente mal nutrida. Dona Augusta pediu que Carminha voltasse com seu filho para Pens\u00e3o. Ela n\u00e3o quis. Orgulhosa, preferia ficar ali, misturando a dor e a alegria. Carminha n\u00e3o vivia, apenas aguentava.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Aos vinte e cinco anos, Carminha contraiu tuberculose. Cada vez mais magra, come\u00e7ou \u00e0 temer que seu pequeno filho tamb\u00e9m viesse a se contagiar. Ent\u00e3o, por amor, abriu m\u00e3o do filho, pediu para que o menino fosse levado de volta para a pens\u00e3o. Augusta levou, cuidaria dele at\u00e9 Carminha melhorar.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Carminha voltou para a casa da m\u00e3e, queria se tratar em Minas. Mas chegou muito mal, extremamente magra e doente, passou a sangrar e a ter alucina\u00e7\u00f5es. Maria do Carmo n\u00e3o conseguiu viver e amar como qualquer mulher do planeta, morreu aos 26 anos, era 1944.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Jo\u00e3o, marido de Carminha, achou melhor que a Dona Augusta ficasse com a crian\u00e7a na pens\u00e3o por um tempo. Ele nunca mais procurou o filho&#8230;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">Um dia, a filha de Dona Augusta, L\u00edlia Silva Campos, estudante de piano, aos 22 anos, disse para toda a fam\u00edlia que queria adotar o pequeno menino. Ela explicou que n\u00e3o podia ir embora e deixar aquela crian\u00e7a ali, sem uma m\u00e3e. Aconteceu. \u00c9 que ela tinha se apaixonado, com a for\u00e7a do amor de uma m\u00e3e, pelo filho de Maria Carmem. E assim ela o fez. Pediu autoriza\u00e7\u00e3o para a av\u00f3, m\u00e3e de Carminha, que envolta em pobreza era incapaz de cuidar do menino. Pediu ao pai, o Jo\u00e3o. L\u00edlia virou m\u00e3e.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">A crian\u00e7a foi morar com L\u00edlia na cidade mineira de Tr\u00eas Pontas, onde foi amado e cuidado. Cresceu vendo a m\u00e3e adotiva tocar piano na sala de casa, tinha na alma a heran\u00e7a de Carminha, era o seu canto, uma mania de ter f\u00e9 na vida. Ele tinha os olhos da m\u00e3e Maria. E das tantas maneiras que acontecem, foi nos olhos que a m\u00e3e ficou para sempre em seu filho. Um olhar t\u00e3o lindo. O menino cresceu, tomou o gosto pela m\u00fasica. Come\u00e7ou a cantar em bailes.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">O filho da Maria, o filho da L\u00edlia, com o tempo ficou bastante conhecido. Hoje o chamam pelo nome de Milton Nascimento, o Bituca&#8230;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\">\n<div dir=\"auto\">E eu duvido que agora, depois dessa hist\u00f3ria, voc\u00ea ou\u00e7a a can\u00e7\u00e3o Maria, Maria da mesma maneira&#8230; &#8220;Maria \u00e9 o som, \u00e9 a cor, \u00e9 o suor, \u00e9 a dose mais forte e lenta, de uma gente que ri quando deve chorar. E n\u00e3o vive, apenas aguenta.&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\":rbg7:\" class=\"x1n2onr6\">\n<div class=\"x1n2onr6\">\n<div class=\"x6s0dn4 x1jx94hy x78zum5 xdt5ytf x6ikm8r x10wlt62 x1n2onr6 xh8yej3\">\n<div>\n<div class=\"xqtp20y x6ikm8r x10wlt62 x1n2onr6\">\n<div class=\"x10l6tqk x13vifvy\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"x1ey2m1c xds687c x5yr21d x10l6tqk x17qophe x13vifvy xh8yej3 xl1xv1r\" src=\"https:\/\/scontent.fssa12-2.fna.fbcdn.net\/v\/t39.30808-6\/438205315_748827167360413_5393968493251502098_n.jpg?stp=dst-jpg_s640x640&amp;_nc_cat=104&amp;ccb=1-7&amp;_nc_sid=5f2048&amp;_nc_eui2=AeEVGrhyrwaCjYh6_o9Tw_tZNZSkaH5uibs1lKRofm6Ju_gTezU3pCjLY0KMB3YDTVasJm2WsmUkV0ojj8jPA5Mv&amp;_nc_ohc=vSd4QCFrT_4Ab4VdbMe&amp;_nc_ht=scontent.fssa12-2.fna&amp;oh=00_AfCGZ9UmM6Zbf2mBlBtW9Ds64dW3C2YNVGgvs4SCdr16dQ&amp;oe=66221129\" alt=\"Pode ser uma imagem de 1 pessoa\" width=\"501\" height=\"640\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"x1ey2m1c xds687c x17qophe xg01cxk x47corl x10l6tqk x13vifvy x1ebt8du x19991ni x1dhq9h x1o1ewxj x3x9cwd x1e5q0jg x13rtm0m\" role=\"none\" data-visualcompletion=\"ignore\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Carminha tinha 1,63m de altura e, embora pequena, carregava a for\u00e7a das Marias, o dom das negras e a marca das mulheres. Maria Carmem. Esse era o seu nome.<br \/>\nMaria amava cantar, contam, \u00e0queles q<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":450288,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-450287","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/carminha.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/450287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=450287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/450287\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/450288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=450287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=450287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=450287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}