{"id":45045,"date":"2014-02-18T15:00:26","date_gmt":"2014-02-18T18:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=45045"},"modified":"2014-02-18T15:23:52","modified_gmt":"2014-02-18T18:23:52","slug":"livro-estuda-periodo-subestimado-do-cinema-pernambucano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/livro-estuda-periodo-subestimado-do-cinema-pernambucano\/","title":{"rendered":"Livro estuda per\u00edodo subestimado do cinema pernambucano"},"content":{"rendered":"<p>Entender a constru\u00e7\u00e3o de uma cena cinematogr\u00e1fica numa metr\u00f3pole perif\u00e9rica e pobre, como o Recife do in\u00edcio do s\u00e9culo 20, foi uma esp\u00e9cie de mote que serviu de instiga\u00e7\u00e3o para o pesquisador Paulo Cunha escrever A imagem e seus labirintos \u2013 O cinema clandestino do Recife, resultado de cinco anos de pesquisa, livro que lan\u00e7a hoje, na Biblioteca Central da UFPE.<\/p>\n<p>O desejo de modernidade da prov\u00edncia \u2013 como a cidade \u00e9 tratada no livro \u2013 justifica o pioneirismo do Recife. Como relata o livro, Salvador, por exemplo, s\u00f3 deu in\u00edcio ao seu ciclo de cinema por volta da d\u00e9cada de 1950. O livro, entretanto, n\u00e3o se det\u00e9m nesse assunto, vai de al\u00e9m tra\u00e7ar comparativos entre a produ\u00e7\u00e3o local com a de outras regi\u00f5es do Pa\u00eds.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-45047\" alt=\"57ccccf6dfba5aaf39c88cf9b929bb38\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/57ccccf6dfba5aaf39c88cf9b929bb38-300x146.jpg\" width=\"300\" height=\"146\" \/><\/p>\n<p>\u201cA historiografia narrava que, depois do Ciclo do Recife (de 1923 a 1930), a produ\u00e7\u00e3o de cinema parou na cidade. Isso me incomodava, ent\u00e3o fui pesquisar o que ocorreu ap\u00f3s o per\u00edodo\u201d, conta o autor. Assim, Paulo apresenta a cr\u00f4nica de um tempo subestimado da hist\u00f3ria do cinema recifense, que se revela fundamental para o desenvolvimento da s\u00e9tima arte pernambucana.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de 1930 a 1964 \u2013 que compreende o Estado Novo, a Segunda Guerra e o golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil \u2013 representou uma \u00e9poca de expans\u00e3o das salas de exibi\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o dos primeiros cineclubes locais. \u201cTamb\u00e9m foi um per\u00edodo que formou uma cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica consistente na cidade, algo que existe at\u00e9 hoje\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Abaixo, orelha do livro escrita por Ernesto Barros, cr\u00edtico de cinema do JC:<\/p>\n<p>Por muitos anos, era senso comum afirmar que uma nuvem negra pairava sobre o cinema feito no Recife. E que, entre um espasmo e outro, sem previs\u00e3o, iria surgir uma nova leva de entusiastas \u2013 geralmente jovens, em cada \u00e9poca \u2013 com vontade de criar novos filmes. Nos hiatos entre essas convuls\u00f5es, acreditava-se que a cidade e seus habitantes viveram uma longa noite de espera por um novo ciclo, numa sucess\u00e3o imprevis\u00edvel de quedas e levantes.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 apontara em A utopia Provinciana: Recife, Cinema, Melancolia, ensaio publicado em 2010, o professor e pesquisador Paulo Carneiro da Cunha Filho comprova em A imagem e seus Labirintos: O Cinema Clandestino do Recife \u2013 1930 \u2013 1960, que a aus\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o acabou com o imagin\u00e1rio do cinema, um fen\u00f4meno que circula \u2013 como uma freq\u00fc\u00eancia alternada \u2013 desde os tempos her\u00f3icos do Ciclo do Recife.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir dessa bifurca\u00e7\u00e3o entre o cinema e o Recife que Paulo Cunha retoma seu projeto hist\u00f3rico-afetivo, dessa vez a partir de um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. Apesar de esparsa e quase inexistente \u2013 como acontecera com todas as cinematografias mundiais, ap\u00f3s o advento do som \u2013, ainda assim dois longas-metragens foram realizados no Recife (O coelho sai, em 1942, e O canto do mar, em 1950).<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m de toda a quest\u00e3o econ\u00f4mica, o que Paulo Cunha revolve \u00e9 uma riqueza mais valiosa. Como uma energia que eletrizou estudantes, fil\u00f3sofos, cr\u00edticos, jornalistas e cin\u00e9filos, a discuss\u00e3o em torno dos filmes deu ao Recife a medida exata de sua inequ\u00edvoca voca\u00e7\u00e3o para o cinema.<\/p>\n<p>Com faro de rep\u00f3rter e de historiador \u2013 foi aluno de Marc Ferro, na Sorbonne \u2013 Paulo Cunha nos leva a uma \u00e9poca em que o Recife vivia uma grande efervesc\u00eancia intelectual, com o pensamento sobre o cinema animando dezenas de cineclubes e grupos de afeto. Sem propens\u00e3o ao isolamento, o Recife fazia parte de uma corrente e trocava figurinhas com o que se pensava em Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Das teorias de Evaldo Coutinho, que defendia a pureza do cinema silencioso, \u00e0s posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias da gera\u00e7\u00e3o mais nova, representada por figuras como Orman de Freitas e Jomard Muniz de Brito, Paulo Cunha faz-nos crer que estamos vendo filme feito de palavras e paix\u00e3o. Agora, s\u00f3 nos cabe esperar pelos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos dessa hist\u00f3ria de amor entre o Recife e o fazer cinematogr\u00e1fico, que ora se assume como corpo (filme), ora como esp\u00edrito (ideias).\u00a0 (Jornal do Commercio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entender a constru\u00e7\u00e3o de uma cena cinematogr\u00e1fica numa metr\u00f3pole perif\u00e9rica e pobre, como o Recife do in\u00edcio do s\u00e9culo 20, foi uma esp\u00e9cie de mote que serviu de instiga\u00e7\u00e3o para o pesquisador Paulo Cunha escrever A imagem e seus labirintos \u2013 O cinema clandestino do Recife, resultado de cinco anos de pesquisa, livro que lan\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[345],"tags":[],"class_list":["post-45045","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entretenimento"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45045\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}