{"id":459259,"date":"2024-07-24T05:22:28","date_gmt":"2024-07-24T08:22:28","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=459259"},"modified":"2024-07-24T05:22:28","modified_gmt":"2024-07-24T08:22:28","slug":"dez-anos-sem-ariano-suassuna-o-grandioso-do-armorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/dez-anos-sem-ariano-suassuna-o-grandioso-do-armorial\/","title":{"rendered":"Dez anos sem Ariano Suassuna, o grandioso do Armorial"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"titulo_noticia\"><\/h1>\n<h2 class=\"desc_noticia\">Viver relembra mem\u00f3ria Ariano Suassuna, falecido h\u00e1 10 anos no Recife; fam\u00edlia, artistas e amigos falam sobre a marca que o autor deixou na cultura pernambucana e brasileira<\/h2>\n<div class=\"abas\">\n<div id=\"pills-tabContent\" class=\"tab-content\">\n<div id=\"abanoticia\" class=\"tab-pane fade show active\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"pills-noticia-tab\">\n<div id=\"items_noticia\">\n<div class=\"row\">\n<div id=\"autorNoticia\" class=\"w-100 d-block\"><span class=\"d-inline\"><small class=\"text-muted\">Por:<\/small>\u00a0<a class=\"small\" title=\"Andr\u00e9 Guerra\" href=\"mailto:vidaurbana.diario@gmail.com\">Andr\u00e9 Guerra<\/a><br \/>\n<\/span><\/div>\n<div id=\"publicacaoNoticia\" class=\"w-100 d-block text-break\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div class=\"w-100 d-block float-end mb-3\">\n<div id=\"st-1\" class=\"sharethis-inline-share-buttons st-right  st-inline-share-buttons st-animated\">\n<div class=\"st-btn\" data-network=\"copy\"><\/div>\n<div class=\"st-btn st-last\" data-network=\"sharethis\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/platform-cdn.sharethis.com\/img\/sharethis.svg\" alt=\"sharethis sharing button\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"fonteNoticia\">\n<table class=\"table-light table-striped image center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-459260 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna-620x413.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna-620x413.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna-768x511.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna-160x106.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna-450x300.jpg 450w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna-640x426.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">Foto: Anna Clarice Almeida<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div id=\"denakop-horizontal-2\" class=\"horizontal_desktop\" data-google-query-id=\"CIi536Cfv4cDFWw8uQYdORYLww\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,1085900\/desktop_horizontal_1__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div>A defesa do patrim\u00f4nio cultural brasileiro e nordestino em suas muitas express\u00f5es era mais do que uma bandeira para Ariano Suassuna: era filosofia. O escritor, dramaturgo, advogado e professor nascido em Jo\u00e3o Pessoa em 1927, mas com toda a forma\u00e7\u00e3o adulta em Pernambuco, foi a grande mente por tr\u00e1s de uma das maiores iniciativas art\u00edsticas para a preserva\u00e7\u00e3o da cultura do Nordeste: o Movimento Armorial, que, surgido nos anos 1970, foi respons\u00e1vel por uma fus\u00e3o entre o erudito e as ra\u00edzes populares da m\u00fasica, literatura, teatro, dan\u00e7a, artes pl\u00e1sticas, cinema e arquitetura, a fim de refor\u00e7ar a identidade da arte pernambucana perante a hegemonia estrangeira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Hoje completa 10 anos desde que Ariano faleceu, no Recife, aos 87 anos, em decorr\u00eancia de uma parada card\u00edaca. O legado deixado por ele, por\u00e9m, n\u00e3o apenas se perpetua atrav\u00e9s dos livros, pe\u00e7as e pensamentos, mas na esfera da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, j\u00e1 que atuou como secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o e cultura da capital pernambucana de 1975 a 1978, do estado, de 1994 a 1998, e, novamente, como secret\u00e1rio especial de cultural, entre 2007 e 2010, na Assessoria Especial do governo de Eduardo Campos, al\u00e9m de professor de est\u00e9tica da Universidade Federal de Pernambuco.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os causos que arrancaram gargalhadas e grandes reflex\u00f5es pelo pa\u00eds s\u00e3o lembrados at\u00e9 hoje como marcas de uma vis\u00e3o contestadora da desvaloriza\u00e7\u00e3o da arte brasileira em detrimento da internacional. Tornou-se \u00edcone da resist\u00eancia contra o que ele denunciava ser uma tentativa de domina\u00e7\u00e3o intelectual a partir do uso do ingl\u00eas, colocando-se em defesa do portugu\u00eas como a mais rica e musical das l\u00ednguas. Estreando como dramaturgo com Uma mulher vertida de sol, Ariano lan\u00e7ou v\u00e1rias outras pe\u00e7as ic\u00f4nicas, como O castigo da soberba, O rico avarento e\u00a0<em>O santo e a porca<\/em>, mas\u00a0<em>O auto da Compadecida<\/em>\u00a0virou sua obra mais popular devido principalmente \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o para o cinema em 2000.<\/div>\n<div id=\"denakop-horizontal-3\" class=\"horizontal_desktop\" data-google-query-id=\"CPSw4qCfv4cDFWw8uQYdORYLww\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,1085900\/desktop_horizontal_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Artista pl\u00e1stico e sobrinho de Ariano, Romero de Andrade Lima destacou ao Viver o que o escritor representou para a arte popular no Brasil e no mundo. \u201cTio Ariano conseguiu abrir os olhos dos apreciadores de arte para a import\u00e2ncia do popular como elemento fundamental da cultura no geral, j\u00e1 que durante muito tempo havia uma \u2018cultura oficial erudita\u2019, tida como importante e amplamente divulgada, e a cultura popular sobrevivia de maneira paralela, considerada ex\u00f3tica, engra\u00e7ada, mas sem a import\u00e2ncia que ela merecia. Caiu para ele ser o representante em Pernambuco e no Brasil para chamar aten\u00e7\u00e3o de algo que j\u00e1 vinha acontecendo no mundo: essa interpenetra\u00e7\u00e3o entre o erudito e o popular e que ningu\u00e9m tinha parado para louvar e mostrar como aquilo gera grandes resultados da mesma forma e influ\u00eancia que ele\u201d, afirmou o pintor.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O escritor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero, disc\u00edpulo de Ariano e com v\u00e1rios trabalhos realizados junto a ele, destacou sua favorita entre as obras do autor.\u00a0 \u201cA Pedra do Reino, um dos trabalhos mais celebrados dele, \u00e9 um dos maiores livros da literatura brasileira e da Am\u00e9rica Latina. A prosa de Ariano sempre se demonstrou renovadora, agrad\u00e1vel e c\u00f4mica e ao mesmo tempo profunda. Ele \u00e9 seguramente o mais importante autor da literatura nacional do final do s\u00e9culo passado e in\u00edcio do s\u00e9culo 21\u201d, exaltou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"denakop-horizontal-4\" class=\"horizontal_desktop\" data-google-query-id=\"CPWw4qCfv4cDFWw8uQYdORYLww\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,1085900\/desktop_horizontal_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div>\u201cA perman\u00eancia do legado de Ariano est\u00e1 incrustada no nosso cotidiano como pedras preciosas: quando falamos em outra l\u00edngua e pensamos: \u2018Que Ariano n\u00e3o me ou\u00e7a!\u2019; ou quando nos resta pouca esperan\u00e7a e lembramos: \u2018sou um realista esperan\u00e7oso\u2019. Ariano \u00e9 pedra preciosa e farol em um mar revolto que ilumina a luta contra o esquecimento de quem somos e do que somos feitos\u201d, descreveu Maria Paula Costa Rego, core\u00f3grafa do Grupo Grial.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cAriano \u00e9 desses autores raros que parecem criar uma l\u00edngua para falar de um povo, transportando um jeito de sentir e existir para o territ\u00f3rio m\u00e1gico e universal da literatura. Na sua obra, o Nordeste se inventa e reinventa, se confirma e eterniza. Seus personagens e enredos acabam falando de todos n\u00f3s. E para sempre falar\u00e3o\u201d, destacou Milu Megale, secret\u00e1ria de Cultura do Recife.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Manoel Dantas Suassuna, pintor e filho, contou ao Viver sobre a responsabilidade de preservar o legado do pai. \u201cEm 2013, quando ele sentia que algo iria acontecer, tivemos uma conversa sobre o que fazer com a obra, com rela\u00e7\u00e3o a editoras, \u00e0 continuidade dos seus trabalhos ainda incompletos e todas as provid\u00eancias necess\u00e1rias, o que venho fazendo junto com Carlos Newton Jr. e Ricardo Gouveia de Melo\u201d, revelou. \u201cAprendi com ele um olhar \u00fanico sobre o Brasil, uma valoriza\u00e7\u00e3o dos cord\u00e9is e das xilogravuras que levei ao meu trabalho para sempre, mesmo que tenha precisado me afastar tamb\u00e9m para encontrar minha pr\u00f3pria identidade. A obra dele tem um valor inestim\u00e1vel com a qual temos mantido todo o cuidado ao longo desses 10 anos. Eu tenho a sorte de ter duas grandes influ\u00eancias: o \u2018gracioso\u2019 do feminino, da Zona da Mata e do Recife, representado pela minha m\u00e3e, Zelia de Andrade Lima, e o \u2018grandioso\u2019 do masculino, do Sert\u00e3o representado pelo meu pai, Ariano Suassuna\u201d, completou.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viver relembra mem\u00f3ria Ariano Suassuna, falecido h\u00e1 10 anos no Recife; fam\u00edlia, artistas e amigos falam sobre a marca que o autor deixou na cultura pernambucana e brasileira<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":459260,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-459259","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/ariano-suassuna.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/459259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=459259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/459259\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/459260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=459259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=459259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=459259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}