{"id":459268,"date":"2024-07-24T06:21:20","date_gmt":"2024-07-24T09:21:20","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=459268"},"modified":"2024-07-24T06:21:20","modified_gmt":"2024-07-24T09:21:20","slug":"mulheres-negras-relatam-desafios-do-racismo-e-discriminacao-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mulheres-negras-relatam-desafios-do-racismo-e-discriminacao-na-bahia\/","title":{"rendered":"Mulheres negras relatam desafios do racismo e discrimina\u00e7\u00e3o na Bahia"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<h2>&#8216;O que as mulheres pensam&#8217;: encontro contou a participa\u00e7\u00e3o de mulheres negras potentes<\/h2>\n<\/header>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1279646\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1270000\/500x300\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351.jpg%3Fxid%3D6302332%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1721811745&amp;xid=6302332\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1270000\/1200x720\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351.jpg%3Fxid%3D6302332%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1721811745&amp;xid=6302332\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1270000\/1200x720\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351.jpg%3Fxid%3D6302332%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1721811745&amp;xid=6302332\" alt=\"Imagem ilustrativa da imagem Mulheres negras relatam desafios do racismo e discrimina\u00e7\u00e3o na Bahia\" data-cls=\"\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-description\">&#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Leilane Teixeira \/ Ag. A Tarde<\/label><\/span><\/div>\n<div id=\"dm-h-dimagem\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CK-_oqGsv4cDFeVa3QIdRzYpAw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<article id=\"article\">\u201cQuando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela\u201d. A fala, da fil\u00f3sofa norte-americana Angela Davis, defensora do feminismo negro, traduz em todas as esferas o evento &#8220;O que as Mulheres Pensam&#8221;, realizado pela Escola de Pensar no espa\u00e7o Cultural da Barroquinha, em Salvador, na noite desta ter\u00e7a-feira, 23.<\/p>\n<p>O encontro contou com a participa\u00e7\u00e3o de mulheres potentes, como a cantora\u00a0<a href=\"https:\/\/atarde.com.br\/?q=nara+gil&amp;d=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rel-defined=\"\">Nara Gil<\/a>, a educadora social e militante LGBTQIAPN+\u00a0<a href=\"https:\/\/atarde.com.br\/?q=Paulett+Furac%C3%A3o&amp;d=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rel-defined=\"\">Paulett Furac\u00e3o<\/a>, a jornalista e apresentadora\u00a0<a href=\"https:\/\/atarde.com.br\/?q=Wanda+Chase&amp;d=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rel-defined=\"\">Wanda Chase<\/a>\u00a0e a professora e pesquisadora Daniele Canedo. Mediada por Thaiane Machado, uma das fundadoras e criadoras da Escola de Pensar, o evento surgiu em alus\u00e3o ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25\/07.<\/p>\n<p>Segundo Thaiane, a conversa foi um momento de colocar os temas contempor\u00e2neos na mesa, celebrar conquistas e seguir com as lutas di\u00e1rias. \u201cO evento foi uma oportunidade \u00fanica de reunir mulheres t\u00e3o diferentes, de trajet\u00f3rias e experi\u00eancias de vida t\u00e3o distintas, mas que exp\u00f5em as suas vis\u00f5es de mundo de forma cr\u00edtica e alerta. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio falar, debater e lutar atr\u00e1s de direitos e de uma possibilidade de melhoria nas condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas, al\u00e9m de todo tipo de viol\u00eancia que n\u00f3s, mulheres negras. A data, al\u00e9m de ser importante para todas n\u00f3s, \u00e9 uma homenagem \u00e0 Tereza de Benguella, uma escrava que virou rainha e liderou o quilombo, trazendo lutas e conquistas com outras mulheres negras e tamb\u00e9m ind\u00edgenas\u201d, disse.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par1\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CKzyoqGsv4cDFSxa3QIdYNwDmA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Debates e opini\u00f5es<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o afrodescendente na Am\u00e9rica Latina e no Caribe representa cerca de 21% da regi\u00e3o e \u00e9 afetada racismo, xenofobia e discrimina\u00e7\u00e3o relacionada a raz\u00f5es de g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, idioma, religi\u00e3o e origem social, no qual os efeitos s\u00e3o mais amplos para as mulheres.<\/p>\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, o evento debateu temas como empregabilidade, maternidade, autoestima, preconceito e lugar de fala. Ao falar sobre seu processo de autoestima, a jornalista Wanda Chase explicou que toda base para que ela se reconhecesse com uma mulher negra potente, veio de casa.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/320x250\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351.jpg%3Fxid%3D6302335&amp;xid=6302335\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/724x500\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351.jpg%3Fxid%3D6302335&amp;xid=6302335\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/724x500\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351.jpg%3Fxid%3D6302335&amp;xid=6302335\" alt=\"A jornalista e apresentadora Wanda Chase foi uma das convidadas\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-title\">A jornalista e apresentadora Wanda Chase foi uma das convidadas<\/span>\u00a0<span class=\"mw-image-author\">| Foto: Leilane Teixeira \/ Ag. A Tarde<\/span><\/div>\n<p>\u201cEu tenho 73 anos e sou a mais velha de 5 irm\u00e3os. Essa autoestima, essa consci\u00eancia de ra\u00e7a que eu tenho por d\u00e9cadas, eu aprendi em casa. Na verdade, n\u00e3o foi nem um aprendizado, mas sim uma quest\u00e3o de viv\u00eancia mesmo. Eu sou neta de caribenhos, onde 90% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra. Os meus av\u00f3s,principalmente o vov\u00f4, era uma pessoa que sentava, lia para n\u00f3s. Antes de n\u00f3s sairmos para escola, pass\u00e1vamos por eles e se tivesse um fio de cabelo fora, ele falava para minha m\u00e3e ajeitar.. Ele dizia que por sermos negros, t\u00ednhamos que ser mais estudiosos, mais arrumados&#8230; E isso n\u00e3o era para deixarmos complexados, mas sim confiantes e orgulhosos. Ent\u00e3o o que vimos naquela \u00e9poca eram pessoas bonitas e elegantes. Minha fam\u00edlia sempre investiu muito na educa\u00e7\u00e3o. Na escola, os colegas tentavam fazer \u201cpiadinhas\u201d nos desestabilizar, mas nada nos afetava porque j\u00e1 t\u00ednhamos consci\u00eancia de nossa beleza e todo amparo dentro de casa\u201d, contou.<\/p>\n<p>Assim como na fam\u00edlia de Wanda, Nara Gil, filha do cantor\u00a0<a href=\"https:\/\/atarde.com.br\/tags\/gilberto-gil?d=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rel-defined=\"\">Gilberto Gil<\/a>, tamb\u00e9m teve uma base familiar que investia na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. A diferen\u00e7a, segundo ela, \u00e9 que n\u00e3o havia consci\u00eancia de ra\u00e7a quando era mais nova, sobretudo por ela n\u00e3o ser negra de pele retinta. A consci\u00eancia racial e autoestima para ela, veio mais tarde.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par3\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CPzQoqGsv4cDFcxN3QIdVJ0ELw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br_5__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA minha fam\u00edlia paterna sempre investiu em educa\u00e7\u00e3o desde cedo. Meu tatarav\u00f4 era escravo e trabalhava em um com\u00e9rcio. Ele dominou a leitura, escrita, conseguiu se tornar o comerciante mais influente e comprou sua pr\u00f3pria alforria. J\u00e1 meu av\u00f4, estudou medicina e casou com uma professora.Meu pai estudou administra\u00e7\u00e3o, minha tia, odontologia\u2026Ent\u00e3o minha fam\u00edlia sempre sempre foi educada para o estudo e acabaram chegando a lugares que talvez outras fam\u00edlias n\u00e3o chegassem\u201d, disse.<\/p>\n<p>O estudo, no entanto, n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o com as ra\u00edzes de Nara. \u201cEra estudo para ser algu\u00e9m na vida\u201d,para ter uma profiss\u00e3o, n \u00e3o para se reconhecer como negro. Meu pai diz que quando ele era pequeno, n\u00e3o se enxergava como negro porque n\u00e3o existia esse debate no interior. S\u00f3 quando ele veio para Salvador que ele sentiu. Isso se perpetuou em mim. Eu sempre estudei em col\u00e9gios particulares, n\u00e3o tinha um estudo profundo e, por eu n\u00e3o ser retinta, n\u00e3o me enxergava como negra. S\u00f3 a partir da adolesc\u00eancia que eu fui come\u00e7ar a entender, porque eu fui buscar conhecimento sobre isso. Comecei a ler e a pesquisar e entender todo o cen\u00e1rio. Depois disso, fui entendendo algumas coisas que me aconteceram na inf\u00e2ncia me reconhecendo como mulher negra\u201d.<\/p>\n<p>Lugar de fala<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par4\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CNivpaGsv4cDFRZK3QIdQjQA-Q\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br_6__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O tema lugar de fala foi amplamente debatido no encontro. A ideia de lugar de fala se popularizou no Brasil com o livro da escritora Djamila Ribeiro. Segundo a defini\u00e7\u00e3o da autora, o conceito remete ao local de fala de uma pessoa, a qual se implica a sua realidade social, financeira e pessoal ao proferir um discurso sobre determinado tema.<\/p>\n<p>A educadora social, assessora parlamentar e militante LGBTQIAPN+ Paulett Furac\u00e3o, afirmou que s\u00f3 ela pode falar do local de fala dele, pois s\u00f3 estando no local de mulher transexual \u00e9 poss\u00edvel entender as dores e ang\u00fastias sofridas por esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cFalar desse lugar de falar, \u00e9 lembrar que, sim, eu sou a \u00fanica que posso falar de minhas dores. A gente n\u00e3o consegue ocupar os espa\u00e7os. Pode ter gays, l\u00e9sbicas, mas a gente n\u00e3o encontra transexual e transg\u00eanero nos espa\u00e7os. Sou a \u00fanica pessoa trans na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, por exemplo [&#8230;] Eu n\u00e3o queria ser militante, s\u00f3 queria viver. Mas o primeiro corpo que eu vi \u2018tombado\u2019 foi o da minha amiga, por isso eu mudei. Mudei a perspectiva e vi que precisava fazer algo pela minha comunidade. Nossa caminhada \u00e9 solit\u00e1ria, a gente n\u00e3o sabe o que \u00e9 afeto. A gente sufoca em todos os ambientes, onde n\u00e3o chega absolutamente nada. S\u00e3o m\u00faltiplas ocorr\u00eancias nesse lugar de fala\u201d, desabafou<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par5\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CJC7paGsv4cDFalV3QIdikcNhw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br_7__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/320x250\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964601202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964601202407232351.jpg%3Fxid%3D6302336&amp;xid=6302336\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/724x500\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964601202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964601202407232351.jpg%3Fxid%3D6302336&amp;xid=6302336\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/724x500\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964601202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964601202407232351.jpg%3Fxid%3D6302336&amp;xid=6302336\" alt=\"Evento contou com a presen\u00e7a da cantora Nara Gil, a educadora social e militante LGBTQIAPN+ Paulett Furac\u00e3o, a jornalista e apresentadora Wanda Chase e a professora e pesquisadora Daniele Canedo. A media\u00e7\u00e3o foi Thaiane Machado, ma das fundadoras e criadoras da Escola de Pensar\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-title\">Evento contou com a presen\u00e7a da cantora Nara Gil, a educadora social e militante LGBTQIAPN+ Paulett Furac\u00e3o, a jornalista e apresentadora Wanda Chase e a professora e pesquisadora Daniele Canedo. A media\u00e7\u00e3o foi Thaiane Machado, ma das fundadoras e criadoras da Escola de Pensar<\/span>\u00a0<span class=\"mw-image-author\">| Foto: Leilane Teixeira \/ Ag. A Tarde<\/span><\/div>\n<p>Paulett aproveitou ainda para explicar o porqu\u00ea do \u201cPaulett Furac\u00e3o\u201d, que, segundo ela, \u00e9 uma ato de resist\u00eancia. \u201cEu consigo explicar a Paulete como uma resist\u00eancia transf\u00f3bica. Hoje eu consigo assemelhar que o que aconteceu na 2\u00aa Guerra Mundial n\u00e3o \u00e9 muito diferente do que acontece conosco diariamente. Na adolesc\u00eancia, esse nome estava me adoecendo, porque eu j\u00e1 sabia dentro de mim que eu era uma mulher, mas ainda n\u00e3o tinha for\u00e7as para lidar com isso e eu estava ficando doente. At\u00e9 que ent\u00e3o eu decidi ent\u00e3o ressignificar, prorque o que era para ser violento na minha identidade, ressignifique para essa bandeira de luta. Deixei o Paulett e ainda acrescentei o \u2018Furac\u00e3o\u2019 para destruir. Ent\u00e3o meu nome no registro \u00e9 Paola Beatriz, em homenagem a minha tia que estava no leito de morte, e Paulett Furac\u00e3o como pot\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a professora e pesquisadora Daniele Canedo, mulher negra de pele clara, sinalizou que, assim como a import\u00e2ncia do lugar de fala, as pessoas deveriam tamb\u00e9m praticar o lugar de escuta. Por n\u00e3o ser retinta, muitas vezes, segundo ela, inviabilizam o discurso dela.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre sofri um pouco do processo do que \u00e9 lugar de escuta, que \u00e9 sempre a dificuldade de me ouvirem sem me julgar. Sou filha de dois adolescentes que precisaram largar os estudos para me sustentarem.Eles nunca tiveram como me colocar em escola particular, mas sempre me incentivaram a estudar. Mas,por eu ser mais clara, com cabelo mais ondulado, muitas vezes n\u00e3o me escutam, n\u00e3o me d\u00e3o o direito de contar a minha hist\u00f3ria. Claro que eu nunca sofri preconceito racial na pele e escancarado como pessoas retintas, mas j\u00e1 tive portas fechadas por n\u00e3o ser branca o suficiente para determinados lugares. Ent\u00e3o, se voc\u00ea \u00e9 parda, seu lugar de fala n\u00e3o \u00e9 sobre o preconceito sofrido pelos negros retintos, mas isso n\u00e3o signifiuca que voc\u00ea tamb\u00e9m tenha seu lugar de fala, dentro da sua viv\u00eancia\u201d, pontuou.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par6\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CJO8paGsv4cDFZJb3QIdMJUrTg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br_8__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Riqueza em conhecimento<\/p>\n<p>Para a estudante de cultura, linguagens e tecnologias aplicadas, Priscila Teixeira das Neves, o evento foi rico e necess\u00e1rio para trazer \u00e0 tona debates do cotidiano e acometem, principalmente, mulheres negras.<\/p>\n<p>&#8220;Vim porque enxergo o evento como uma forma de fortalecer pautas como essas, ainda mais para a gente, mulheres negras, s\u00e3o viv\u00eancias que s\u00f3 a gente tem. Ent\u00e3o eu achei muito importante tudo que foi discutido aqui, porque, apesar de a gente j\u00e1 ter acesso a alguns espa\u00e7os, \u00e9 sempre importante reafirmar, principalmente agora, o Julho das Pretas. A gente tem mazelas o tempo todo, a gente tem quest\u00f5es que ainda precisam ser corrigidas. E eu tenho esperan\u00e7a de que de janeiro a dezembro possam ocorrer esses debates de uma forma mais ampla, com a mesma visibilidade que se tem em julho e em novembro&#8221;, pontuou.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par7\" class=\"jba\" data-google-query-id=\"CMy8paGsv4cDFbha3QId1JYK2A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br_9__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/320x250\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964602202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964602202407232351.jpg%3Fxid%3D6302337&amp;xid=6302337\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/724x500\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964602202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964602202407232351.jpg%3Fxid%3D6302337&amp;xid=6302337\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1270000\/724x500\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964602202407232351-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1270000%2FO-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964602202407232351.jpg%3Fxid%3D6302337&amp;xid=6302337\" alt=\"Estudante de cultura, linguagens e tecnologias aplicadas, Priscila Teixeira\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-title\">Estudante de cultura, linguagens e tecnologias aplicadas, Priscila Teixeira<\/span>\u00a0<span class=\"mw-image-author\">| Foto: Leilane Teixeira \/ Ag. A Tarde<\/span><\/div>\n<p>Do Portal A Tarde<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;O que as mulheres pensam&#8217;: encontro contou a participa\u00e7\u00e3o de mulheres negras potentes<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":459269,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-459268","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-que-as-mulheres-pensam-evento-debate-os-desafios0127964600202407232351-ScaleDownProportional.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/459268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=459268"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/459268\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/459269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=459268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=459268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=459268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}