{"id":463296,"date":"2024-09-08T09:07:14","date_gmt":"2024-09-08T12:07:14","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=463296"},"modified":"2024-09-08T09:07:14","modified_gmt":"2024-09-08T12:07:14","slug":"taxa-de-mortes-maternas-e-a-menor-em-22-anos-mas-ainda-e-elevada-em-estados-do-norte-e-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/taxa-de-mortes-maternas-e-a-menor-em-22-anos-mas-ainda-e-elevada-em-estados-do-norte-e-nordeste\/","title":{"rendered":"Taxa de mortes maternas \u00e9 a menor em 22 anos, mas ainda \u00e9 elevada em estados do Norte e Nordeste"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-463297 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1-620x431.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1-620x431.png 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1-300x208.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1-768x534.png 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1-70x50.png 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1-160x111.png 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1-640x445.png 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1.png 777w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O n\u00famero de mortes maternas no Brasil em 2022 caiu para o menor \u00edndice em 22 anos (isto \u00e9, desde 2000).<\/p>\n<p>O n\u00famero de mortes foi de 1.397. No ano anterior, em 2021, ano da pandemia, atingiu o pico de 3.058.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de um levantamento feito pelo Observat\u00f3rio da Sa\u00fade da Umane a partir de dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Mortalidade (SIM), do DataSUS. A Umane \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o isenta e sem fins lucrativo de apoio a iniciativas no \u00e2mbito da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Segundo o painel, a taxa nacional de mortalidade materna (\u00f3bitos que ocorrem durante a gravidez ou at\u00e9 42 dias ap\u00f3s o parto) em 2022 foi de 54,5 a cada cem mil nascidos vivos. Em 2021, pior ano da pandemia, chegou a 117,4 e, no ano anterior, 74,7.<\/p>\n<p>Para fins de compara\u00e7\u00e3o, os Estados Unidos tiveram um aumento tamb\u00e9m significativo da taxa de mortalidade materna nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, segundo o Unicef (Funda\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia), passando de 12, em 2000, para 21 a cada cem mil nascidos vivos, em 2020. Em 2021, o pa\u00eds registrou a maior taxa, de 33.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Brasil registra a queda, mas existe uma desigualdade regional e de ra\u00e7a\/cor das mortes. Enquanto unidades da federa\u00e7\u00e3o como Santa Catarina (33,6), Distrito Federal (36,2) e Rio Grande do Sul (39,7) t\u00eam as menores taxas, Roraima (145,2), Sergipe (98,2), Tocantins (88,7) e Piau\u00ed (87,6) t\u00eam as mais altas.<\/p>\n<p>J\u00e1 a propor\u00e7\u00e3o de mortes \u00e9 de 67,1% (937) entre pretas e pardas e 29,5% (412) brancas.<\/p>\n<p>Para Evelyn Santos, gerente de parcerias e novos projetos da Umane, enquanto a taxa nacional pode ter ca\u00eddo \u2014dentro dos Objetos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), da ONU, que \u00e9 de 70 por cem mil\u2014, nos pa\u00edses de renda mais alta essa queda j\u00e1 est\u00e1 mais consistente h\u00e1 anos. \u201cNos pa\u00edses de alta renda, a mortalidade materna diminui de forma consistente nesse per\u00edodo [de 2000 a 2022] e fica l\u00e1 embaixo, enquanto nos pa\u00edses de m\u00e9dia renda, como o Brasil, reduziram mas continuam em um patamar ainda alto\u201d, explica.<\/p>\n<p>Vendo as diferen\u00e7as regionais, a pesquisadora ressalta que, embora o indicador tenha melhorado de 2021 para 2022, a maioria dos estados n\u00e3o conseguiu atingir patamar igual ou menor \u00e0quele pr\u00e9-pandemia. \u201cMas o ideal para morte materna, \u00e9 claro, seria zero, porque de 75% a 90% [alguns estudos estimam em 75%, outros 90%, dependendo dos fatores] das causas de morte materna s\u00e3o evit\u00e1veis\u201d, diz.<\/p>\n<p>Quando diz que muitas mortes s\u00e3o evit\u00e1veis, Santos lembra que algumas das principais causas que levam \u00e0 morte de mulheres em idade materna s\u00e3o doen\u00e7as infecciosas, como HIV\/Aids, mal\u00e1ria e hepatites virais, hemorragias durante o parto e outras condi\u00e7\u00f5es, como pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia e diabetes. Outras condi\u00e7\u00f5es t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a falta de pr\u00e9-natal adequado.<\/p>\n<p>Paulo Lotufo, professor de epidemiologia na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e superintendente de sa\u00fade da universidade, explica que historicamente as mulheres negras s\u00e3o as que t\u00eam a pior mortalidade dentre todos os n\u00edveis sociodemogr\u00e1ficos, e isto est\u00e1 associado n\u00e3o somente \u00e0 ra\u00e7a, mas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cEm S\u00e3o Paulo mesmo n\u00f3s temos \u00edndices de mortalidade bem discrepantes para doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como diabetes e hipertens\u00e3o, entre o Graja\u00fa [bairro da periferia na zona Sul] e Alto de Pinheiros. E a mulher negra sempre est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o pior\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ele v\u00ea com uma ressalva, no entanto, a an\u00e1lise de mortes causadas por DCNTs (doen\u00e7as cr\u00f4nicas e n\u00e3o transmiss\u00edveis), porque muitas vezes h\u00e1 um preenchimento incorreto do atestado de \u00f3bito. \u201cUm homem de 70 anos que morrer por hipertens\u00e3o, provavelmente \u00e9 um mal preenchimento, j\u00e1 que nessa faixa et\u00e1ria 70% da popula\u00e7\u00e3o tem hipertens\u00e3o, e \u00e9 uma causa associada. Agora uma mulher jovem, de 25 anos, em idade materna, morrer de hipertens\u00e3o, isso sim \u00e9 um problema porque exemplifica um problema maior, de falta de aten\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-natal\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outro fator lembrado pelos especialistas para a alta das mortes maternas, principalmente em estados do Norte, s\u00e3o as altas taxas de gravidez infantil na regi\u00e3o. Roraima tem a taxa mais elevada de gravidez de meninas de 10 a 14 anos.<\/p>\n<p>\u201cTemos que pensar que se essa menina tem uma gesta\u00e7\u00e3o, e provavelmente \u00e9 devido a uma viol\u00eancia sexual, porque para a legisla\u00e7\u00e3o at\u00e9 os 14 anos \u00e9 estupro de vulner\u00e1vel, voc\u00ea tem j\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o em que aquela menina est\u00e1 muito vulnerabilizada. E n\u00e3o d\u00e1 para esperar que ela tenha acesso ao pr\u00e9-natal adequado\u201d, diz Lotufo.<\/p>\n<p>Para santos, as desigualdades tamb\u00e9m no acesso ao pr\u00e9-natal agravam esse problema, j\u00e1 que um ter\u00e7o das mulheres no pa\u00eds apenas faz de 1 a 6 consultas, enquanto o recomendado s\u00e3o 7 ou mais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso repensar como utilizamos as solu\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 sa\u00fade regionais para prevenir e controlar as complica\u00e7\u00f5es, sejam elas gestacionais ou ap\u00f3s o parto, ou seja, todas as mulheres, em todas as situa\u00e7\u00f5es, independentemente da cor da pele, do local onde vivem ou da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, tenham acesso \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"assinatura_exclusiva\">Ana Bottallo\/Folhapress<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dados s\u00e3o de um levantamento feito pelo Observat\u00f3rio da Sa\u00fade da Umane a partir de dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Mortalidade (SIM<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":463297,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-463296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/beber1.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=463296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463296\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/463297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=463296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=463296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=463296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}