{"id":463398,"date":"2024-09-09T07:50:25","date_gmt":"2024-09-09T10:50:25","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=463398"},"modified":"2024-09-09T07:50:25","modified_gmt":"2024-09-09T10:50:25","slug":"pronto-para-decolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pronto-para-decolar\/","title":{"rendered":"Pronto para decolar"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7d2fc729 titulo-post elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"7d2fc729\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-59e555ed elementor-widget elementor-widget-post-info\" data-id=\"59e555ed\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"post-info.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<section class=\"elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-7e25a070 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7e25a070\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-24f401b5\" data-id=\"24f401b5\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6b34b66e elementor-share-buttons--view-icon elementor-share-buttons--skin-flat elementor-share-buttons--align-right elementor-share-buttons--shape-square elementor-grid-0 elementor-share-buttons--color-official elementor-widget elementor-widget-share-buttons\" data-id=\"6b34b66e\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;share_url&quot;:{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/blogdomagno.com.br\\\/pronto-para-decolar\\\/&quot;,&quot;is_external&quot;:&quot;&quot;,&quot;nofollow&quot;:&quot;&quot;,&quot;custom_attributes&quot;:&quot;&quot;}}\" data-widget_type=\"share-buttons.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-grid\">\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_twitter\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no twitter\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_email\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no email\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-full size-full\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/porto-tanger-marrocos-6set2024-83-848x477-1.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 848px) 100vw, 848px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/porto-tanger-marrocos-6set2024-83-848x477-1.jpeg 848w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/porto-tanger-marrocos-6set2024-83-848x477-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/porto-tanger-marrocos-6set2024-83-848x477-1-768x432.jpeg 768w\" alt=\"\" width=\"848\" height=\"477\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-248b1e99-9449-4afa-a2e4-80173520f1dd\" class=\"ub-expand \">\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\">\n<p><strong>Por Marcelo Tognozzi*<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 mais ou menos 1.300 anos, os seguidores do profeta Maom\u00e9 se instalaram no Norte da \u00c1frica, de onde cruzariam o estreito de Gibraltar para ocupar parte da Europa por mais de 700 anos. Os l\u00edderes mu\u00e7ulmanos conquistaram um territ\u00f3rio onde hoje \u00e9 o Marrocos, o qual j\u00e1 havia sido disputado por cartagineses, romanos e outros povos ancestrais.<\/p>\n<p>Amilcar, pai de An\u00edbal, comandante do Ex\u00e9rcito de Cartago, situada onde hoje \u00e9 a Tun\u00edsia, marchou com seu ex\u00e9rcito at\u00e9 o estreito de Gibraltar e cruzou os 14 km que separam o Norte da \u00c1frica da Europa levando seu ex\u00e9rcito em pequenos barcos. Dominou a Hisp\u00e2nia, muito antes de os \u00e1rabes chegarem \u00e0 Andaluzia. H\u00e1 poucos anos, foi encontrado perto de Marraquexe um f\u00f3ssil humano com 300 mil anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p>As terras onde hoje \u00e9 o Marrocos sempre foram um ponto de interse\u00e7\u00e3o de povos, etnias e costumes. Uma via de m\u00e3o dupla, que levou e trouxe conquistadores, comerciantes, refugiados, reis e plebeus. O pa\u00eds lembra hoje um pouco do que foi a Andaluzia dos tempos em que C\u00f3rdoba e Granada eram suas principais metr\u00f3poles. Ali, conviviam em paz crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos at\u00e9 que os ex\u00e9rcitos de Fernando de Arag\u00e3o e Isabel de Castela marcharam para reconquistar a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O historiador Tariq Ali conta no seu \u201cA Sombra das Romanzeiras\u201d, que os ex\u00e9rcitos dos reis cat\u00f3licos comandados pelo cardeal Cisneros, confessor da rainha, eram formados por homens rudes, que n\u00e3o tomavam banho e nem trocavam de roupa. O vento avisava da sua aproxima\u00e7\u00e3o, trazendo um cheiro insuport\u00e1vel de podrid\u00e3o. Para uma popula\u00e7\u00e3o que, s\u00f3 em Granada, tinha ao seu dispor 80 casas de banho e o h\u00e1bito cotidiano de higiene semelhante ao de hoje, aquele ex\u00e9rcito crist\u00e3o era totalmente b\u00e1rbaro.<\/p>\n<p>Derrotados, tanto mu\u00e7ulmanos quanto judeus sobreviventes foram mandados de volta pelo estreito de Gibraltar. Muitos passaram a viver no que hoje \u00e9 o Marrocos. A partir do s\u00e9culo 16 come\u00e7ou a emergir uma na\u00e7\u00e3o cobi\u00e7ada pelos franceses, ingleses e espanh\u00f3is. Em 1631, foi fundada a dinastia alauita, que governa at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Tenho caminhado por Rabat, capital do Marrocos, conversado com as pessoas, embora com alguma dificuldade porque meu franc\u00eas n\u00e3o \u00e9 bom e falar \u00e1rabe nem pensar. O Marrocos de hoje deu um imenso salto de desenvolvimento, que come\u00e7ou no fim dos anos 1950, quando o rei Mohamed 5\u00ba conseguiu se livrar dos franceses e garantir a independ\u00eancia. Mohamed formou seu filho Hassan para governar e, em 1961, ele se tornou o rei Hassan 2\u00ba.<\/p>\n<p>Hassan herdou do pai a capacidade de negociar e conviver com judeus e crist\u00e3os em paz, como fizeram seus ancestrais. Nos anos 1970, endureceu o regime depois de escapar de 2 atentados. Era respeitado por l\u00edderes como John Kennedy e George Pompidou e o papa Jo\u00e3o Paulo 2\u00ba. Construiu as bases para a moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e preparou seu filho para reinar dando continuidade ao projeto de na\u00e7\u00e3o idealizado por seu pai.<\/p>\n<p>Em 1999, Hassan 2\u00ba morreu e seu filho Mohamed 6\u00ba foi coroado rei. A partir de ent\u00e3o, tem focado em investir em infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o e tecnologia. O Marrocos foi o 1\u00ba pa\u00eds da \u00c1frica a ter um trem-bala, construiu em s\u00f3 8 meses uma universidade para quase 6.000 alunos, na qual a l\u00edngua principal \u00e9 o ingl\u00eas, o foco \u00e9 inova\u00e7\u00e3o, tecnologia, pol\u00edticas p\u00fablicas e agroneg\u00f3cio. Seu herdeiro, o pr\u00edncipe Hassan, \u00e9 aluno desta escola.<\/p>\n<p>O Marrocos fez investimentos em produ\u00e7\u00e3o de energia limpa e at\u00e9 2027 pretende produzir 52% do seu consumo por meio de energia solar, e\u00f3lica e hidrog\u00eanio verde.<\/p>\n<p>Em T\u00e2nger, na porta do Mediterr\u00e2neo, construiu um porto capaz de rivalizar com o de Roterd\u00e3, reduzindo em muito o tempo de viagem de navios vindos da Am\u00e9rica do Sul, Central ou da pr\u00f3pria \u00c1frica. Os grandes cargueiros podem aportar em T\u00e2nger e distribuir sua carga em navios menores que podem chegar tanto \u00e0 Europa quanto ao Oriente com custos muito menores.<\/p>\n<p>No Sul, o projeto do porto de Dakhla ter\u00e1 papel semelhante. Atraiu ind\u00fastrias automotivas como a Stellantis, de alimentos, farmac\u00eauticas e de constru\u00e7\u00e3o civil. Assim, vai emergindo uma nova classe m\u00e9dia no pa\u00eds, formada por profissionais de alto n\u00edvel t\u00e9cnico e cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Pouco menor que o Estado de Minas Gerais, tem 34 milh\u00f5es de habitantes, dentre os quais uma comunidade de 500 mil judeus. Mesmo sendo um dos menores pa\u00edses da \u00c1frica, tem conseguido avan\u00e7ar gra\u00e7as a um regime pol\u00edtico est\u00e1vel, um bom sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica e um Judici\u00e1rio capaz de aplicar a lei com previsibilidade. \u00c9 uma monarquia constitucional, que funciona em moldes semelhantes aos da Europa, sem misturar pol\u00edtica com religi\u00e3o.<\/p>\n<p>O chanceler Mauro Vieira esteve por aqui em junho deste ano e mostrou um lado positivo da pol\u00edtica externa brasileira, indicando que ainda h\u00e1 pragmatismo no Itamaraty. A visita rendeu tratados de coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de seguran\u00e7a e defesa, al\u00e9m de boas perspectivas para neg\u00f3cios envolvendo empresas dos 2 pa\u00edses, como a OCP, uma das maiores produtoras de fertilizantes do mundo que pretende abrir uma f\u00e1brica no Brasil, e a Embraer.<\/p>\n<p>Independentemente das quest\u00f5es ideol\u00f3gicas, o Brasil tem hoje a grande oportunidade de estreitar sua parceria com os marroquinos e acessar mercados a um custo menor, beneficiando as empresas nacionais e criando oportunidades.<\/p>\n<p>Com mais de 1.000 anos de hist\u00f3ria e uma diplomacia eficiente, o Marrocos aposta nas parcerias com pa\u00edses como o Brasil para consolidar sua lideran\u00e7a pol\u00edtica no Norte da \u00c1frica, cultivando uma tradi\u00e7\u00e3o de ser porta de entrada para a Europa e o Oriente. Quer fazer isso investindo em educa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, numa terra onde os seguidores do profeta apostam sempre na paz.<\/p>\n<p><strong>*Jornalista<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais ou menos 1.300 anos, os seguidores do profeta Maom\u00e9 se instalaram no Norte da \u00c1frica, de onde cruzariam o estreito de Gibraltar para ocupar parte da Europa por mais de 700 anos. 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