{"id":465517,"date":"2024-09-29T08:41:17","date_gmt":"2024-09-29T11:41:17","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=465517"},"modified":"2024-09-29T08:41:17","modified_gmt":"2024-09-29T11:41:17","slug":"contratacao-de-estrangeiro-cresce-53-e-bate-recorde-venezuelanos-ocupam-maior-parte-das-vagas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/contratacao-de-estrangeiro-cresce-53-e-bate-recorde-venezuelanos-ocupam-maior-parte-das-vagas\/","title":{"rendered":"Contrata\u00e7\u00e3o de estrangeiro cresce 53% e bate recorde; venezuelanos ocupam maior parte das vagas"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A escassez de m\u00e3o de obra no mercado de trabalho tem acelerado as contrata\u00e7\u00f5es formais de estrangeiros no Brasil. De janeiro a agosto deste ano, entre admiss\u00f5es e demiss\u00f5es, o saldo de imigrantes trabalhando no Pa\u00eds cresceu 53% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2023, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-465518 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall-620x426.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall-620x426.png 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall-300x206.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall-768x528.png 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall-160x110.png 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall-290x200.png 290w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall-640x440.png 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/carteira-digitall.png 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O crescimento tem sido puxado sobretudo pela contrata\u00e7\u00e3o de venezuelanos e cubanos, que encontram oportunidades principalmente nas regi\u00f5es Sul e Sudeste, onde a oferta de vagas \u00e9 ampla e os \u00edndices de desemprego est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia nacional. No trimestre terminado em agosto, a taxa de desemprego no Brasil foi de 6,6%, o menor resultado para o per\u00edodo do ano em toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>O estoque total de estrangeiros com carteira assinada no m\u00eas passado atingiu 321.196 trabalhadores. \u00c9 a maior marca da s\u00e9rie iniciada em janeiro de 2020 pela nova metodologia do Caged, aponta um levantamento feito, a pedido do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo pela LCA Consultores. O estudo considerou dados da Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS), atualizados pelo saldo de contrata\u00e7\u00f5es mensais do Caged.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do estoque, a taxa de crescimento anual de estrangeiros empregados m\u00eas a m\u00eas tamb\u00e9m foi recorde em agosto deste ano: avan\u00e7ou 27,6% ante o mesmo m\u00eas de 2023. Al\u00e9m disso, o resultado ficou quase dez pontos acima do aumento registrado em agosto de 2023 na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2022 (17,9%).<\/p>\n<p>Em termos absolutos, o n\u00famero de estrangeiros empregados formalmente ainda \u00e9 pequeno e insuficiente para suprir a falta de m\u00e3o de obra qualificada. Os trabalhadores estrangeiros representam cerca de 0,6% do total de empregados formais, que somam 47 milh\u00f5es de pessoas. De toda forma, o crescimento tanto do estoque como do saldo de contrata\u00e7\u00f5es neste ano reflete a situa\u00e7\u00e3o de aperto na oferta de trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cO mercado de trabalho aquecido \u00e9 um motivo pelo qual tem sido registrado esse crescimento\u201d, afirma o economista da LCA Consultores, Bruno Imaizumi, respons\u00e1vel pelo levantamento. Ele pondera, no entanto, que o n\u00famero de estrangeiros ocupados pode ser maior, porque muitos est\u00e3o trabalhando informalmente. \u201cAgora conseguiram carteira (assinada) num momento melhor do mercado de trabalho\u201d, observa.<\/p>\n<p>Na RHBrasil, por exemplo, uma das cinco maiores consultorias de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o de vagas operacionais, t\u00e9cnicas e administrativas do Pa\u00eds, que tem como clientes gigantes nacionais do varejo e multinacionais da ind\u00fastria, o n\u00famero de estrangeiros contratados mais que dobrou neste ano.<\/p>\n<p>Entre janeiro e julho, a consultoria fechou 907 contratos de trabalho com estrangeiros, um volume 123% maior em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2023. Quase 90% s\u00e3o de venezuelanos, mas h\u00e1 tamb\u00e9m angolanos, argentinos e haitianos, muitos s\u00e3o refugiados. Mais de 90% foram contratados para trabalhar na ind\u00fastria em fun\u00e7\u00f5es operacionais.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o para o forte aumento das contrata\u00e7\u00f5es de estrangeiros, segundo o gerente de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o da consultoria, Joanir Schadeck, \u00e9 o crescimento da oferta de vagas, principalmente no Sul e no Sudeste. \u201cNo Sul, est\u00e1 virando pleno emprego: a taxa de desemprego no Brasil estava em 6,9% no segundo trimestre e em Santa Catarina era de 3,2%\u2033, compara.<\/p>\n<p>Dados do Caged mostram que a regi\u00e3o Sul liderou a absor\u00e7\u00e3o l\u00edquida de trabalhadores (65,1%) entre janeiro e agosto deste ano, seguida pelo Sudeste (18,7%) e o Centro-Oeste (10,7%). A ind\u00fastria puxa fila entre os setores, com 40,6% dos empregos para estrangeiros, especialmente o setor de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2018Fome com a vontade comer\u2019<\/strong><\/p>\n<p>A BRF, por exemplo, gigante de prote\u00edna animal, com ind\u00fastrias no Sul e no Centro-Oeste, tem sentido na pr\u00e1tica os efeitos da escassez de m\u00e3o de obra nessas regi\u00f5es, segundo Alessandro Bonorino, vice-presidente de Gente, Gest\u00e3o e Transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 2019, a companhia tem um programa voltado para contratar imigrantes e as admiss\u00f5es t\u00eam sido crescentes. Atualmente, s\u00e3o 8,3 mil imigrantes contratados num total de 100 mil funcion\u00e1rios da empresa. A maior parte est\u00e1 alocada nas unidades de Chapec\u00f3 (SC), Conc\u00f3rdia (SC), Capinzal (SC), Toledo (PR) e Lucas do Rio Verde (MT).<\/p>\n<p>Bonorino diz que s\u00f3 v\u00ea vantagens ao contratar esses trabalhadores. \u201c\u00c9 a fome com a vontade de comer\u201d, compara ele. A empresa oferece as oportunidades e, como esses imigrantes est\u00e3o querendo recome\u00e7ar a vida, o n\u00edvel de engajamento, a disposi\u00e7\u00e3o para vestir a camisa da empresa, \u00e9 elevado. O engajamento dos venezuelanos \u00e9 um dos mais altos na companhia, supera 90%, diz o executivo.<\/p>\n<p>Asdrubal Jose Chanchamire Hurtado, de 32 anos, casado e com um filho, \u00e9 um dos 5,4 mil venezuelanos empregados na BRF. Desde mar\u00e7o ele trabalha na linha de produ\u00e7\u00e3o de aves da unidade de Chapec\u00f3 (SC). Com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, ele exerceu a profiss\u00e3o em seu pa\u00eds. Tamb\u00e9m por cinco anos foi sargento da guarda nacional venezuelana.<\/p>\n<p>Desde que saiu do pa\u00eds em 2019, trabalhou em pizzaria e na constru\u00e7\u00e3o civil em Roraima, mas de forma informal. Teve pela primeira vez a carteira assinada quando foi para Chapec\u00f3 (SC) h\u00e1 tr\u00eas anos. Inicialmente, conseguiu emprego em um frigor\u00edfico. Depois migrou para constru\u00e7\u00e3o civil, como servente de obra. Foi para a BRF por causa do ganho salarial, de cerca de 40% em rela\u00e7\u00e3o ao emprego anterior, e dos benef\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, pretendo retomar a minha profiss\u00e3o no Brasil e crescer\u201d, diz Hurtado. Ele v\u00ea espa\u00e7o para ir para \u00e1rea administrativa em uma grande empresa como a BRF.<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a meta de outra venezuelana, Liliana Gomez, de 38 anos, solteira e sem filhos. Formada em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, ela trabalhou na \u00e1rea financeira na Venezuela at\u00e9 migrar para o Brasil em 2019. Aqui, enfrentou dificuldades e chegou a viver na rua por cinco meses em Roraima. Posteriormente, conseguiu abrigo e foi selecionada por uma empresa para trabalhar em S\u00e3o Paulo. Desde ent\u00e3o, passou por quatro empregos no setor aliment\u00edcio, atuando em padarias e docerias.<\/p>\n<p>Faz seis meses que Liliana pediu demiss\u00e3o da \u00faltima padaria. Encontrou uma vaga com sal\u00e1rio melhor, para ser balconista, tamb\u00e9m de padaria, mas no supermercado Negreiros, uma pequena rede com 10 lojas na zona leste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Com o sal\u00e1rio de R$ 1.882, fruto da jornada di\u00e1ria que come\u00e7a \u00e0s 7h00 e vai at\u00e9 \u00e0s 15h20, com folga em um dia na semana e em um domingo, Liliana paga aluguel e manda dinheiro para a fam\u00edlia que ficou em seu pa\u00eds e est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o pior do que a sua.<\/p>\n<p>\u201cQuero melhorar na carreira, mas tudo tem o seu tempo\u201d, diz a venezuelana. No futuro, sonha em trabalhar na \u00e1rea administrativa da rede, fazer balan\u00e7o e a contabilidade da empresa, \u00e1rea onde atuava em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ana Paula Abou Roujaili, diretora de Recursos Humanos e Opera\u00e7\u00f5es do supermercado Negreiros, conta que no momento tem 16 estrangeiros trabalhando na empresa e o programa de refugiados est\u00e1 em funcionamento h\u00e1 cerca de 14 anos.<\/p>\n<p>\u201cSempre busquei t\u00ea-los como trabalho social\u201d, diz ela, ressaltando que a contrata\u00e7\u00e3o desses trabalhadores n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 escassez de m\u00e3o de obra, embora hoje ela avalia que haja menos oferta de trabalhadores em geral. A executiva acrescenta que a maioria dos estrangeiros busca uma oportunidade melhor do que em seu pa\u00eds de origem, agarra a chance e quer crescer.<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 para o para o presidente do Sindicato dos Comerci\u00e1rios de S\u00e3o Paulo e presidente da Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, o problema atual do mercado de trabalho \u00e9 o baixo sal\u00e1rio pago pelas empresas do com\u00e9rcio. A m\u00e9dia \u00e9 de R$ 1.850 por 44 horas semanais. \u201cTem de trabalhar domingo, feriado e o jovem n\u00e3o quer isso\u201d, diz.<\/p>\n<p>O dirigente sindical observa que muitas vezes os refugiados se sujeitam a essas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, como ocorre em outros pa\u00edses, onde determinadas atividades s\u00e3o exercidas pelos imigrantes. \u201cTem empresas contratando refugiados ou imigrantes porque n\u00e3o conseguem m\u00e3o de obra\u201d, afirma Patah. Com o desemprego em n\u00edveis baixos, os brasileiros ficam numa posi\u00e7\u00e3o melhor para escolher as vagas, argumenta.<\/p>\n<p>A qualifica\u00e7\u00e3o dos imigrantes como Liliana e Huerta para desempenhar fun\u00e7\u00f5es que muitas vezes est\u00e3o aqu\u00e9m do seu potencial \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o \u201cnormal\u201d, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil de Porto Alegre (RS) e secret\u00e1rio Nacional da Constru\u00e7\u00e3o da UGT, Gelson Santana.<\/p>\n<p>Ele argumenta que geralmente trabalhadores qualificados e com uma condi\u00e7\u00e3o melhor aos demais s\u00e3o aqueles que t\u00eam possibilidade de migrar. E, chegando no Brasil, acabam se submetendo a diversos tipos de trabalho para sobreviver. \u201cTem professoras venezuelanas trabalhando como empregada dom\u00e9stica e pessoas com curso superior em canteiro de obras, at\u00e9 por causa da revalida\u00e7\u00e3o do diploma\u201d.<\/p>\n<p>Dados dos Caged mostram que entre janeiro e agosto deste ano, mais da metade do saldo de admiss\u00f5es de estrangeiros (57%) \u00e9 de trabalhadores com ensino m\u00e9dio completo.<\/p>\n<p><strong>Rotatividade da constru\u00e7\u00e3o civil<\/strong><\/p>\n<p>Depois da ind\u00fastria (40,6%), dos servi\u00e7os (29,3%) e do com\u00e9rcio (17,2%), a constru\u00e7\u00e3o civil aparece com a quarta maior fatia (8,8%) do saldo de estrangeiros contratados este ano at\u00e9 agosto, apontam os dados do Caged.<\/p>\n<p>A construtora Tenda, por exemplo, conta que come\u00e7ou a contratar refugiados na pandemia. Na \u00e9poca, com a crise na Venezuela, o tr\u00e2nsito de imigrantes era intenso. E a construtora enfrentava a alta rotatividade de trabalhadores. \u201cSe contrat\u00e1ssemos venezuelanos, causar\u00edamos um impacto social importante, com carteira assinada e gera\u00e7\u00e3o de renda e, ao mesmo tempo, resolver\u00edamos o problema da instabilidade da m\u00e3o de obra\u201d, conta Lucas Moura, gerente de Comunica\u00e7\u00e3o e Responsabilidade Corporativa da Tenda.<\/p>\n<p>Inicialmente, a construtora testou a contrata\u00e7\u00e3o de estrangeiros em obras de Goi\u00e2nia (GO). Constatou que a rotatividade do refugiado estrangeiro era 67% menor comparada a do trabalhador brasileiro na constru\u00e7\u00e3o civil. \u201cTrabalhamos com um modelo industrial que requer um tempo para a pessoa entender o processo e replic\u00e1-lo. O giro de trabalhadores estressa esse sistema\u201d, explica o executivo.<\/p>\n<p>Diante dos bons resultados, a Tenda expandiu as admiss\u00f5es de estrangeiros para outras obras, o que coincide hoje com o momento de escassez de trabalhadores brasileiros no mercado. \u201cEstamos numa fase que todo mundo da empresa v\u00ea valor no programa e os pr\u00f3prios refugiados indicam outros refugiados, n\u00e3o tenho mais o trabalho de prospectar\u201d, diz Lucas Moura.<\/p>\n<p>Atualmente 150 estrangeiros trabalham na construtora. Eles representam 8,3% da opera\u00e7\u00e3o de obra da companhia em todo Brasil. Mais de 90% dos imigrantes s\u00e3o da Angola e da Venezuela, mas h\u00e1 trabalhadores do Congo, Cuba, Haiti, Tanz\u00e2nia e Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>O momento favor\u00e1vel da constru\u00e7\u00e3o para os estrangeiros se empregar foi sentido por Malamine Mane, conhecido como Maniche, de 44 anos, imigrante da Guin\u00e9-Bissau. Pela segunda vez no Brasil, desde 2019, ele trabalha como pedreiro numa empreiteira que presta servi\u00e7o para construtoras e tamb\u00e9m faz cursos de pintura e acabamento no Sindicato dos Trabalhadores nas Ind\u00fastrias da Constru\u00e7\u00e3o Civil de S\u00e3o Paulo (Sintracon-SP).<\/p>\n<p><strong>Sal\u00e1rio melhor na constru\u00e7\u00e3o civil<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 chegar na constru\u00e7\u00e3o civil, a sua profiss\u00e3o de origem na Guin\u00e9-Bissau, Maniche passou pelo com\u00e9rcio, trabalhando como estoquista, e depois foi para metal\u00fargica, onde operava 18 m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>\u201cNa constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 melhor, ganho mais\u201d, conta. Como pedreiro registrado em carteira, seu sal\u00e1rio gira em torno de R$ 2,5 mil por m\u00eas. Mas com horas extras chega a tirar mais R$ 3 mil. \u201cTrabalho de segunda a sexta-feira, mas se aparece trabalho aos finais de semana, sempre venho trabalhar\u201d.<\/p>\n<p>O pedreiro conta que tem mulher e tr\u00eas filhos que vivem na Guin\u00e9-Bissau. Mensalmente, ele tem de bancar as despesas da fam\u00edlia que deixou na \u00c1frica e se manter no Brasil. O sonho de Maniche \u00e9 conseguir juntar dinheiro e comprar uma casa para a fam\u00edlia em seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>Enquanto esse sonho n\u00e3o se realiza, o pedreiro surfa na onda positiva da constru\u00e7\u00e3o civil. \u201cHoje est\u00e1 mais f\u00e1cil arranjar emprego, tem mais ofertas, mais possibilidades\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No Rio Grande Sul, onde parte do Estado foi afetada pelas enchentes de maio, a demanda por trabalhadores para a constru\u00e7\u00e3o civil nas obras de reconstru\u00e7\u00e3o est\u00e1 aquecida. O Estado tem capacidade para absorver 60 mil trabalhadores no setor, calcula o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o civil de Porto Alegre (RS) e secret\u00e1rio Nacional da Constru\u00e7\u00e3o da UGT, Gelson Santana. \u201cEstamos precisando de m\u00e3o de obra e muita\u201d, diz.<\/p>\n<p>Atualmente, dos cerca de 35 a 40 mil trabalhadores empregados na constru\u00e7\u00e3o civil em Porto Alegre (RS), 5% s\u00e3o estrangeiros, diz o dirigente sindical. \u201cHoje absorver\u00edamos mais 5 mil trabalhadores, no m\u00ednimo\u201d, calcula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"assinatura_exclusiva\">M\u00e1rcia De Chiara\/Estad\u00e3o<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estoque total de estrangeiros com carteira assinada no m\u00eas passado atingiu 321.196 trabalhadores. \u00c9 a maior marca da s\u00e9rie iniciada em janeiro de 2020 pela nova metodologia do Caged, aponta um levantamento feito, a pedido do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo pela LCA Consultores. 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