{"id":473090,"date":"2024-12-15T06:12:20","date_gmt":"2024-12-15T09:12:20","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=473090"},"modified":"2024-12-15T06:12:20","modified_gmt":"2024-12-15T09:12:20","slug":"grupo-de-filhos-e-netos-de-perseguidos-pela-ditadura-completa-10-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/grupo-de-filhos-e-netos-de-perseguidos-pela-ditadura-completa-10-anos\/","title":{"rendered":"Grupo de filhos e netos de perseguidos pela ditadura completa 10 anos"},"content":{"rendered":"<header class=\"grid_12 prefix_2\">\n<div class=\"tituloNoticia\">\n<h1 class=\"tituloNoticiaDet\"><\/h1>\n<h2 class=\"subTituloDet\">Data foi lembrada em encontrou na Uerj no \u00faltimo dia 5<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"descricaoNoticia\">\n<aside class=\"dataAutor\">Por<strong>\u00a0Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/aside>\n<\/div>\n<div class=\"spacer40 mobileNao\"><\/div>\n<\/header>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-473091 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos-620x404.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos-620x404.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos-300x196.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos-768x501.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos-70x45.jpg 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos-160x104.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos-640x417.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/netos.jpg 920w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<div class=\"imgPadrao grid_12 prefix_2\"><small class=\"legendaFoto\">Membros das fam\u00edlias dos perseguidos pol\u00edticos durante a ditadura militar\u00a0&#8211;\u00a0<em>Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/small><\/div>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<div class=\"spacer40 mobileNao\"><\/div>\n<article class=\"grid_8 prefix_2 textoArea\">Era 5 de dezembro de 2014. Em uma\u00a0audi\u00eancia p\u00fablica\u00a0realizada no audit\u00f3rio do 11\u00ba andar da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), filhos e netos de perseguidos pol\u00edticos durante a ditadura militar receberam um pedido oficial de desculpas do Estado.<\/p>\n<p>Era algo esperado h\u00e1 muito tempo, que veio verbalizado meio de representantes da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-Rio), criada pela Lei Estadual 6.335\/2012 para apurar delitos e atos antidemocr\u00e1ticos praticados por for\u00e7as do Estado durante o regime militar instaurado a partir do golpe de 1964.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1623283&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1623283&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 hoje eu fico arrepiada toda vez que me lembro desse momento. Parece uma bobagem, mas esse pedido de desculpas tem um sentido muito forte&#8221;, diz a professora universit\u00e1ria L\u00edgia Maria Mota Lima Le\u00e3o de Aquino.<\/p>\n<div class=\"dn_noticiasRelacionadas\">\n<div class=\"spacer30\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Aquela audi\u00eancia p\u00fablica marca a funda\u00e7\u00e3o do Grupo de Filhos e Netos por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, que completa neste m\u00eas 10 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao longo de todos esses anos, conhecendo melhor uns aos outros, passaram a reconhecer que suas vidas s\u00e3o alvos de &#8220;efeitos transgeracionais&#8221; provocados pela viol\u00eancia de Estado. Para relembrar essa trajet\u00f3ria e celebrar essa uni\u00e3o, o grupo voltou a se reunir no mesmo audit\u00f3rio da Uerj no \u00faltimo dia 5.<\/p>\n<p>L\u00edgia faz quest\u00e3o de se apresentar pelo seu nome completo, mencionando que por tr\u00e1s desses sobrenomes h\u00e1 diversos parentes que foram perseguidos pelos militares. Hoje docente da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Uerj, ela considera que as a\u00e7\u00f5es da ditadura geraram impactos sentidos ainda hoje em sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Meu av\u00f4 era o jornalista Pedro Mota Lima. Ele foi diretor do Tribuna Popular e era do Partido Comunista. J\u00e1 no Ato Institucional n\u00famero 1, editado ap\u00f3s o golpe militar de 1964, o nome do meu av\u00f4 e de dois tios estavam l\u00e1 como pessoas cassadas. E no caso dos meus tios, perderam n\u00e3o apenas seus direitos pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m o trabalho no Banco do Brasil. Um deles conseguiu ir para o exterior e o outro foi preso&#8221;, relata.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o dos 10 anos do grupo teve in\u00edcio com o depoimento em v\u00eddeo de artista e professora Rita Maur\u00edcio, filha do ex-preso pol\u00edtico Jos\u00e9 Luiz Maur\u00edcio. Ela relata que as torturas deixaram seu pai louco e ele n\u00e3o conseguiu concluir o sonho de se formar em medicina.<\/p>\n<p>Contou tamb\u00e9m que os familiares, em particular sua m\u00e3e, precisaram abdicar de projetos pessoais para cuidar do pai, que tinha momentos de crise, inclusive com interna\u00e7\u00f5es, e houve at\u00e9 mesmo tentativas de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>&#8220;Aquela arvore que eu gostava tanto de brincar e que depois meu av\u00f4 cortou para que meu pai n\u00e3o tentasse mais se enforcar ali&#8221;, citou. Para Rita, toda esta atmosfera no ambiente familiar a fez com que ela n\u00e3o desenvolvesse na inf\u00e2ncia todas as suas potencialidade e tamb\u00e9m apresentasse uma baixa autoestima.<\/p>\n<p>M\u00e3e de dois filhos, ele conta que se v\u00ea cometendo com eles erros similares ao que sua m\u00e3e cometia com ela.<\/p>\n<p>&#8220;Fam\u00edlia para mim sempre foi dif\u00edcil de assimilar. O fato de muitas vezes fam\u00edlia ser para mim um sin\u00f4nimo de inferno tem tudo a ver com sequelas emocionais que a ditadura provocou na minha fam\u00edlia. Hoje vejo que o meu relacionamento conturbado com a minha m\u00e3e \u00e9 o principal efeito transgeracional da viol\u00eancia de Estado na minha vida&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Cl\u00ednicas do Testemunho<\/strong><br \/>\nO Grupo de Filhos e Netos por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a surge como um desdobramento do projeto Cl\u00ednicas do Testemunho, impulsionado no Rio de Janeiro pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV).<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dele, eram oferecido atendimento psicol\u00f3gico aos perseguidos pol\u00edticos. Logo, por\u00e9m, terapeutas envolvidas come\u00e7am a observar a ocorr\u00eancia dos efeitos transgeracionais e prop\u00f5em estender a iniciativa tamb\u00e9m para abarcar os filhos e netos.<\/p>\n<p>&#8220;O projeto cumpria, inicialmente, um papel de repara\u00e7\u00e3o, porque a viol\u00eancia do Estado no per\u00edodo da ditadura n\u00e3o foi apenas f\u00edsica, mas tamb\u00e9m psicol\u00f3gica. Ent\u00e3o a repara\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria \u00e9 importante, mas ela n\u00e3o \u00e9 \u00fanica e nem \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o uma outra forma de repara\u00e7\u00e3o envolve a constru\u00e7\u00e3o de centros de mem\u00f3ria e a garantia de atendimento para que as pessoas em sofrimento psicol\u00f3gico por conta dessa viol\u00eancia tenham ferramentas para poder lidar com isso e at\u00e9 ressignificar essas experi\u00eancias vividas&#8221;, diz L\u00edgia Maria.<\/p>\n<p>A partir dos atendimentos em grupo, os filhos e netos dos perseguidos pol\u00edticos passaram a ficar mais unidos e passaram a ser organizar, mantendo contato atrav\u00e9s das redes sociais e organizando uma agenda de atividades.<\/p>\n<p>Passados alguns anos, eles buscaram nacionalizar a mobiliza\u00e7\u00e3o incorporando pessoas que participaram das Cl\u00ednicas do Testemunho que foram conduzidos em outros estados, eventualmente com outros nomes.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 11 anos, eu n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m que est\u00e1 aqui. E hoje em dia \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o muito forte&#8221;, conta a professora da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u00a0M\u00e1rcia Curi Vaz Galv\u00e3o. Ela nasceu em 1971 no Uruguai, onde seu pai, Arak\u00e9m Vaz Galv\u00e3o, se exilou ap\u00f3s deixar a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua m\u00e3e, a uruguaia Glady Celina Cury Bermudez, integrava o Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (Tupamaros). Ela tamb\u00e9m foi presa, ficando privada da liberdade por quatro anos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tinha um ano, quando entraram na casa e a levaram. Depois eu passei muitos anos no ex\u00edlio. Com oito anos, eu aprendi meu quinto idioma, porque eu vivi na Su\u00e9cia, na Fran\u00e7a, na Catalunha, na Espanha. Ia aprendendo o idioma e mudando de escola. E nunca me foi explicado o que estava acontecendo. \u00a0Eu era muito pequena e minha m\u00e3e n\u00e3o falava muito. Cheguei no Brasil por ser filha de brasileiro em 1979 com aquela pseudo-anistia, que anistiou torturadores&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Segundo M\u00e1rcia, as Cl\u00ednicas do Testemunho permitiram que ela pudesse compreender melhor suas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Eu pude dizer como me sentia, como uma pessoa fora de lugar. Quando eu era crian\u00e7a, se eu dizia para minhas amigas que eu tinha morado na Fran\u00e7a, achavam chique. Mas eu morei l\u00e1 porque minha fam\u00edlia foi presa. Ent\u00e3o eu tinha dificuldade de fazer parte de grupos, de n\u00facleos, de um circuito de pessoas. E de repente, eu encontro pessoas que t\u00eam quest\u00f5es semelhantes. E come\u00e7o a perceber o sil\u00eancio oce\u00e2nico que eu carregava desde a inf\u00e2ncia. E a\u00ed pude finalmente me identificar. Foi muito poderoso. \u00c9 uma liberta\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de rumo<\/strong><br \/>\nH\u00e1 casos em que o encontro com a hist\u00f3ria familiar gerou uma mudan\u00e7a de rumo na vida profissional. A advogada pernambucana Rose Michelle \u00e9 sobrinha de Rosane Alves Rodrigues, ex-diretora do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Pernambuco (UPE). Perseguida, ela precisou exilar-se no Chile e na Dinamarca.<\/p>\n<p>Rose conta que, mesmo na fam\u00edlia, havia uma certo silenciamento em torno da hist\u00f3ria da tia. A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro em 2018, que adotava um discurso de defesa de agentes envolvidos na ditadura militar, lhe acendeu um alerta de que precisava compreender melhor o que havia acontecido.<\/p>\n<p>Foi quando ela fez contato com o Grupo de Filhos e Netos por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a. Especialista em direito empresarial, Rose passou ent\u00e3o a atuar em outra esfera: direitos humanos.<\/p>\n<p>Relato semelhante foi compartilhado pela professora e psic\u00f3loga Kenia Soares Maia. Ela \u00e9 prima de Jessie Jane, militante que participou do sequestro de um avi\u00e3o na expectativa de trocar os ref\u00e9ns pela liberdade de presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>O plano fracassou. Vital Cardoso de Souza, pai de Kenia e tio de Jessie, filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), tamb\u00e9m chegou a ser preso por dois meses. Pelo parentesco com a sobrinha, os agentes da repress\u00e3o queriam saber se ele tinha envolvimento no caso.<\/p>\n<p>&#8220;Eu assumi minha identidade de filha de preso pol\u00edtico muito por conta do governo Bolsonaro. Porque at\u00e9 ent\u00e3o a minha vida corria relativamente em uma certa normalidade. Foi quando o Bolsonaro assumiu que eu me vi em p\u00e2nico de viver tudo que o meu pai viveu, tudo que a minha prima viveu. E a\u00ed eu me vi obrigada a me engajar na luta por mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a. Eu percebi que essa luta n\u00e3o terminou, n\u00e3o estava resolvido, muito longe disso. Ent\u00e3o eu busquei um coletivo que pudesse me acolher&#8221;, conta Kenia.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da\u00a0terapia<\/strong><br \/>\nEmbora tenha se desdobrado de um projeto com objetivos mais terap\u00eauticos, o Grupo de Filhos e Netos por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a atua hoje em diversas frentes.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0Kenia, h\u00e1 um di\u00e1logo com a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) para que seja levado um pedido de anistia coletivo \u00e0 Comiss\u00e3o de Anistia, \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma anistia simb\u00f3lica, que inclui um conjunto de medidas reparadoras: o fortalecimento da Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos, a facilita\u00e7\u00e3o de acesso aos arquivos, a volta da Cl\u00ednica dos Testemunhos &#8211; que \u00e9 uma medida de repara\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria indicada pela pela Corte Interamericana de Direitos Humanos &#8211; e novas investiga\u00e7\u00f5es sobre o que aconteceu no Cone Sul na Opera\u00e7\u00e3o Condor. Enfim, uma s\u00e9rie de demandas que a gente tem&#8221;, explica.<\/p>\n<p>De acordo com a advogada Rosa Costa Cantal, a reinstala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos, que havia sido dissolvida durante o governo de Jair Bolsonaro, foi uma promessa de campanha do presidente Luiz\u00a0In\u00e1cio Lula da Silva. A\u00a0medida s\u00f3 saiu do papel\u00a0em julho desse ano, segundo ela, ap\u00f3s muita press\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Lula\u00a0orientou para que n\u00e3o houvessem eventos que relembrassem os 60 anos do golpe. Foi muito dif\u00edcil. Agora ficamos sabendo que havia um\u00a0plano para assassinar o presidente Lula. Isso s\u00f3 mostra como as medidas de repara\u00e7\u00e3o do passado s\u00e3o importantes para n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o no presente&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Rosa \u00e9 filha de Maria Aparecida Costa Cantal, militante da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ALN) que ficou presa por cerca de tr\u00eas anos. Seu pai, Wellington Cantal, saiu do Cear\u00e1 para estudar direito no Rio de Janeiro e tamb\u00e9m foi alvo da repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Duque de Caxias (RJ), ele se envolveu com quest\u00f5es judiciais envolvendo disputas de terras.<\/p>\n<p>&#8220;Defendeu in\u00fameros posseiros de terra, na luta contra os grileiros. Os grileiros, muitos deles militares, forjavam t\u00edtulos de propriedades nos cart\u00f3rios, falsificavam documentos e expulsavam fam\u00edlias de posseiros que j\u00e1 estavam na terceira gera\u00e7\u00e3o ocupando aquelas terras e cultivando nelas. E meu pai acaba sendo perseguido e \u00e9 preso&#8221;, conta Rosa, acrescentando que posteriormente ele foi novamente preso e torturado, tendo sobrevivido a um ataque card\u00edaco.<\/p>\n<p>Ela afirma que sentiu que devia dar sequ\u00eancia \u00e0 luta de seus pais por democracia.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 um grupo propositivo tamb\u00e9m. A gente discute diferentes quest\u00f5es como, por exemplo, a puni\u00e7\u00e3o dos torturadores. Essa \u00e9 uma bandeira muito importante. E estamos debatendo quest\u00f5es objetivas envolvendo a viol\u00eancia policial. O grupo tem uma grande atua\u00e7\u00e3o aqui no Rio de Janeiro e l\u00e1 em S\u00e3o Paulo, onde est\u00e3o explodindo essas situa\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Para Felipe Lott, pesquisador em hist\u00f3ria, os recorrentes casos de viol\u00eancia policial no Brasil indicam que a ditadura n\u00e3o foi superada.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o pr\u00e1ticas altamente referendadas institucionalmente. N\u00e3o s\u00e3o casos isolados, apesar de certos setores da sociedade gostarem de repetir isso. Esses casos est\u00e3o arraigados na tradi\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 neto de Edna Lott, deputada que teve seu mandato cassado e foi posteriormente assassinada quando procurava informa\u00e7\u00f5es de seu filho desaparecido. &#8220;Sempre que vem \u00e0\u00a0tona novos casos de viol\u00eancia do Estado fica clara a import\u00e2ncia de a gente continuar fazendo esse trabalho&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 5 de dezembro de 2014. 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