{"id":47419,"date":"2014-03-02T11:28:08","date_gmt":"2014-03-02T14:28:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=47419"},"modified":"2014-03-02T11:28:08","modified_gmt":"2014-03-02T14:28:08","slug":"esqueleto-de-ricardo-iii-reacende-debate-sobre-aparencia-e-personalidade-do-monarca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/esqueleto-de-ricardo-iii-reacende-debate-sobre-aparencia-e-personalidade-do-monarca\/","title":{"rendered":"Esqueleto de Ricardo III reacende debate sobre apar\u00eancia e personalidade do monarca"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>Universidade inglesa anuncia que ossos encontrados sob o piso de um estacionamento s\u00e3o mesmo do monarca ingl\u00eas, descrito por Shakespeare como um homem cuja apar\u00eancia horr\u00edvel espelhava sua maldade interior<\/em><\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Guilherme Rosa<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div id=\"cont-multimedia\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"galeriaFoto\">\n<div id=\"galeriaImg\"><img decoding=\"async\" title=\"O esqueleto de Ricardo III foi encontrado em uma cova pequena, no terreno que pertenceu a um mosteiro franciscano no s\u00e9culo 15\" alt=\"O esqueleto de Ricardo III foi encontrado em uma cova pequena, no terreno que pertenceu a um mosteiro franciscano no s\u00e9culo 15\" src=\"http:\/\/veja2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2013\/2\/124656\/ciencia-esqueleto-leicester-monarca-20130204-04-size-598.jpg\" \/><\/div>\n<p>O esqueleto de Ricardo III &#8211; Universidade de Leicester\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores da Universidade de Leicester, na Inglaterra,\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/internacional\/esqueleto-encontrado-em-leicester-e-de-ricardo-iii\">confirmaram nesta segunda-feira a descoberta do esqueleto de Ricardo III<\/a>, \u00faltimo monarca da casa York, morto em 1485. Apesar de ter tido um reinado curto \u2013 ele governou entre 1483 e 1485 \u2013 Ricardo III se tornou um dos reis mais famosos e controversos da hist\u00f3ria do pa\u00eds. O monarca foi imortalizado por William Shakespeare na pe\u00e7a Ricardo III, que o descreve como um um vil\u00e3o deformado, disposto a tudo pelo poder. At\u00e9 hoje, no entanto, intelectuais ingleses procuram estabelecer a verdade hist\u00f3rica. O debates abrangem desde a causa de sua morte at\u00e9 a o grau de sua deformidade \u2013 e de seu maquiavelismo. A descoberta do esqueleto n\u00e3o responde a todas essas perguntas, mas esquenta o debate e ajuda os historiadores a montar uma imagem mais precisa do personagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O monarca nasceu em 1452, filho mais novo de Ricardo, duque de York. Sua fam\u00edlia era descendente direta de Eduardo III, rei da Inglaterra no s\u00e9culo 14, e disputava o poder do pa\u00eds com a dinastia Tudor, de mesma ascend\u00eancia. Em 1455, a disputa se tornou uma batalha aberta, no que ficou conhecido como a Guerra das Rosas. Em meio a sangrentos confrontos, que inclu\u00edram a execu\u00e7\u00e3o de seu pai, o irm\u00e3o mais velho de Ricardo tomou o poder ingl\u00eas e se tornou conhecido como Eduardo IV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu reinado durou de 1471 a 1483, data de sua morte. O trono deveria ficar para o filho mais velho do rei, que tinha apenas 12 anos. Nem bem a crian\u00e7a se mudou para o pal\u00e1cio real, no entanto, uma manobra legal mudou a coroa de m\u00e3os. Uma corte de lordes declarou o casamento de seus pais inv\u00e1lido, e o pr\u00edncipe se tornou herdeiro ileg\u00edtimo \u2013 destino que tamb\u00e9m coube ao seu irm\u00e3o mais jovem. Com a reviravolta, Ricardo se tornou rei, e os dois irm\u00e3os, depois de ser aprisionados na Torre de Londres, nunca mais foram vistos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo III enfrentou uma s\u00e9rie de rebeli\u00f5es e depois de sua morte em batalha, no dia 22 de agosto de 1485, o trono foi parar nas m\u00e3os da dinastia Tudor. Seu corpo foi primeiro exposto em pra\u00e7a p\u00fablica, e depois entregue a um grupo de frades franciscanos, para que cuidassem do enterro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os historiadores do s\u00e9culo seguinte, s\u00faditos dos Tudor, deram in\u00edcio ao trabalho de destrui\u00e7\u00e3o de sua imagem. Ricardo III passou a ser descrito pelos artistas ingleses \u2014 entre eles o maior de todos, Shakespeare \u2014 como um dos grandes vil\u00f5es da hist\u00f3ria do pa\u00eds, um tirano cruel, assassino dos pr\u00f3prios sobrinhos, do pr\u00f3prio irm\u00e3o, da pr\u00f3pria mulher. Quando Henrique VIII, criador da Ingreja Anglicana, um dos reis da dinastia Tudor, acabou com os mosteiros no pa\u00eds, os registros sobre onde o corpo de Ricardo III estava enterrado se perderam \u2014 e com eles um peda\u00e7os da hist\u00f3ria inglesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estacionamento real \u2014\u00a0<\/strong>Essa era a situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 agosto do ano passado, quando pesquisadores da Universidade de Leicester come\u00e7aram uma busca pela tumba de Ricardo III. Eles tra\u00e7aram a localiza\u00e7\u00e3o do antigo mosteiro franciscano at\u00e9 o terreno onde se localiza hoje o pr\u00e9dio do Conselho Municipal de Leicester e come\u00e7aram as escava\u00e7\u00f5es. O esqueleto do monarca n\u00e3o foi encontrado em nenhuma \u00e1rea nobre do pr\u00e9dio, mas debaixo do asfalto do estacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma caracter\u00edstica logo chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores: o esqueleto apresentava uma escoliose severa, ou seja, ele realmente tinha uma deforma\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o fosse corcunda (cifose) como diziam os historiadores. Seu corpo media 1,72 metro, alto para os padr\u00f5es medievais, mas a condi\u00e7\u00e3o certamente fazia com que ele n\u00e3o chegasse a essa altura. Os ossos pareciam pertencer a um homem que tinha entre 25 e 40 anos \u2014 Ricardo III foi morto aos 32.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta segunda-feira, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de testes cient\u00edficos, os pesquisadores da Universidade de Leicester finalmente confirmaram a identidade do esqueleto. &#8220;A conclus\u00e3o acad\u00eamica da Universidade \u00e9 que o indiv\u00edduo exumado em agosto de 2012 \u00e9 o rei Ricardo III. \u00c9 uma honra e um privil\u00e9gio estar no centro de um projeto que desperta tanto interesse p\u00fablico. Raramente as conclus\u00f5es de alguma pesquisa acad\u00eamica s\u00e3o esperadas com tanta ansiedade&#8221;, disse o arque\u00f3logo Richard Buckley, um dos autores da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h2>Saiba mais<\/h2>\n<p><strong>RADIOCARBONO<\/strong><br \/>\nMetodologia usada para datar materiais org\u00e2nicos. Um organismo vivo absorve carbono ao longo de sua vida e quando morre come\u00e7a a perder o carbono acumulado. Esse m\u00e9todo consiste em medir a quantidade de carbono que resta em um material org\u00e2nico para saber h\u00e1 quanto tempo ele morreu.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Realeza canadense \u2014\u00a0<\/strong>Para confirmar a identidade, os cientistas realizaram uma s\u00e9rie de experimentos com os restos mortais. Data\u00e7\u00f5es feitas com radiocarbono mostraram que o indiv\u00edduo havia vivido entre a segunda metade do s\u00e9culo 15 e o come\u00e7o do s\u00e9culo 16, o que era consistente com os relatos hist\u00f3ricos. As mesmas medi\u00e7\u00f5es mostraram que ele tinha uma dieta rica em prote\u00edna, com grande consumo de frutos do mar \u2014 a comida da elite da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores tamb\u00e9m tra\u00e7aram a linhagem de Ricardo III at\u00e9 os tempos modernos, encontrando dois descendentes vivos de sua irm\u00e3, com quem poderiam comparar o DNA encontrado no esqueleto. Um dos descendentes preferiu se manter an\u00f4nimo, mas o outro foi revelado como Michael Ibsen, um carpinteiro canadense que at\u00e9 uma d\u00e9cada atr\u00e1s n\u00e3o sabia de seu sangue real. &#8220;A sequ\u00eancia de DNA do esqueleto foi comparada com a dos parentes. Ficamos empolgados em descobrir que existe uma correspond\u00eancia entre o DNA da fam\u00edlia de Ricardo III e os restos encontrados nas escava\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Turi King, geneticista da Universidade de Leicester.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o, restou aos pesquisadores come\u00e7ar a desvendar os segredos que o esqueleto podia guardar. Marcas em seu cr\u00e2nio mostravam que o indiv\u00edduo havia morrido por causa de dois ferimentos na cabe\u00e7a. Um deles foi feito a espada e o outro a alabarda, na parte de tr\u00e1s do cr\u00e2nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esqueleto tinha v\u00e1rias incis\u00f5es na cabe\u00e7a, costelas e ossos p\u00e9lvicos. Segundo os pesquisadores, eles haviam sido causados depois de sua morte, como modo de aumentar a humilha\u00e7\u00e3o de sua derrota. A posi\u00e7\u00e3o pouco comum de suas m\u00e3os indicava que ele podia ter sido enterrado de m\u00e3os amarradas. A cova havia sido cavada de forma apressada, n\u00e3o era grande o suficiente e n\u00e3o existia sinal de caix\u00e3o ou mortalha. O tratamento dado ao corpo do monarca era apenas um sinal dos ataques e humilha\u00e7\u00f5es que a dinastia Tudor iria aplicar \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Arte e pol\u00edtica \u2014\u00a0<\/strong>Shakespeare escreveu a pe\u00e7a Ricardo III nos anos 1590, mais de um s\u00e9culo depois da morte do personagem principal. Seu texto se baseava nos historiadores da \u00e9poca, e \u00e9 um grande exemplo de como as mais altas formas de arte podem ser misturadas \u00e0 pol\u00edtica. Foi a partir da\u00ed que se cimentou a ideia de Ricardo como vil\u00e3o, cuja apar\u00eancia horrenda refletia uma maldade interior. Um trecho c\u00e9lebre mostra como essas duas realidades, a apar\u00eancia e a personalidade, se misturavam no personagem: &#8220;Eu, que privado sou da harmoniosa propor\u00e7\u00e3o, erro de forma\u00e7\u00e3o, obra da natureza enganadora, disforme, inacabado, lan\u00e7ado antes de tempo para este mundo que respira, quando muito meio feito e de tal modo imperfeito e t\u00e3o fora de esta\u00e7\u00e3o que os c\u00e3es me ladram quando passo, coxeando, perto deles. Pois eu, neste ocioso e mole tempo de paz, n\u00e3o tenho outro deleite para passar o tempo afora a espiar a minha sombra ao sol e cantar a minha pr\u00f3pria deformidade. E assim, j\u00e1 que n\u00e3o posso ser amante que goze estes dias de pr\u00e1ticas suaves, estou decidido a ser ruim vil\u00e3o e odiar os prazeres vazios destes dias.&#8221; (tradu\u00e7\u00e3o de Carlos A. Nunes)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme os s\u00e9culos passaram, e novas vers\u00f5es da pe\u00e7a foram sendo encenadas, o corpo de Ricardo III foi se tornando cada vez mais torcido e monstruoso. Isso perdurou at\u00e9 1924, quando historiadores amadores ingleses fundaram a Sociedade Ricardo III com a inten\u00e7\u00e3o de mudar a forma como rei era retratado. Segundo os integrantes da sociedade, o monarca havia inclusive realizado boas a\u00e7\u00f5es no governo, como uma reforma que incluiu o princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia no sistema judicial ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o final do s\u00e9culo 20, j\u00e1 estava aceita a ideia de que ele n\u00e3o era corcunda, a ponto de n\u00e3o ser mais interpretado desse modo em muitas vers\u00f5es da pe\u00e7a de Shakespeare. Em um filme de 1955, por exemplo, Laurence Olivier mostrava o personagem em sua vers\u00e3o cl\u00e1ssica. J\u00e1 em uma reintepreta\u00e7\u00e3o de 1995, Ian McKellen representa o personagem sem a corcunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atual descoberta ajuda a chegar a algumas respostas. Ela prova que o rei tinha, de fato, um grave problema na coluna, a escoliose, por\u00e9m n\u00e3o era corcunda e nem possu\u00eda um bra\u00e7o atrofiado, como descrevia Shakespeare. Seu f\u00edsico era magro e esguio, quase feminino, como alguns relatos da \u00e9poca mostravam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo, \u00e9 \u00f3bvio, n\u00e3o revela nada sobre sua personalidade e sobre seus atos. Ningu\u00e9m sabe, por exemplo, se ele realmente matou os sobrinhos. Segundo os pesquisadores, a descri\u00e7\u00e3o do monarca como um vil\u00e3o pode ser fruto das supersti\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, que ligavam defici\u00eancias f\u00edsicas ao castigo divino. &#8220;Nossas pesquisas n\u00e3o revelam nada sobre o car\u00e1ter de Ricardo III. Mas, agora que podemos comparar os textos antigos com as descobertas arqueol\u00f3gicas, talvez seja poss\u00edvel reescrever um pouco a hist\u00f3ria&#8221;, diz Lin Foxhall, pesquisadora da Universidade de Leicester. Mesmo com o aparecimento do esqueleto, os ingleses ainda devem discutir bastante sobre quem realmente foi Ricardo III.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Universidade inglesa anuncia que ossos encontrados sob o piso de um estacionamento s\u00e3o mesmo do monarca ingl\u00eas, descrito por Shakespeare como um homem cuja apar\u00eancia horr\u00edvel espelhava sua maldade interior<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":47420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-47419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/ciencia-esqueleto-leicester-monarca-20130204-08-size-598.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47419\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}