{"id":47495,"date":"2014-03-02T13:12:51","date_gmt":"2014-03-02T16:12:51","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=47495"},"modified":"2014-03-02T13:12:51","modified_gmt":"2014-03-02T16:12:51","slug":"investimento-privado-vai-nos-tirar-da-armadilha-diz-mendonca-de-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/investimento-privado-vai-nos-tirar-da-armadilha-diz-mendonca-de-barros\/","title":{"rendered":"\u2018Investimento privado vai nos tirar da armadilha\u2019, diz Mendon\u00e7a de Barros"},"content":{"rendered":"<div><em><a title=\"OE\" href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/\">\u00a0<\/a><\/em><\/div>\n<h2><em>Para ex-secret\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Fazenda no Plano Real, Pa\u00eds volta a crescer se mobilizar empres\u00e1rios<\/em><\/h2>\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs\">\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs-1\">\n<div>Alexa Salom\u00e3o e Ricardo Grinbaum<\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"line-height: 1.5em;\">Faz algum tempo que o economista Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros tem dito que o Brasil est\u00e1 preso numa armadilha de baixo crescimento. O resultado do PIB de 2013, que ficou dentro de suas expectativas, foi interpretado por ele como uma confirma\u00e7\u00e3o. &#8220;Quatro anos de baixo crescimento, com m\u00e9dia inferior a 2%, n\u00e3o traduz uma coisa casual&#8221;, disse ao\u00a0<\/span><strong style=\"line-height: 1.5em;\">Estado.<\/strong><\/div>\n<div>\n<p>Ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda e ex-secret\u00e1rio-executivo da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, nos anos 90, ele credita para voltar a crescer o Pa\u00eds precisa de mais investimentos privados. Mas para isso, deve reconquistar e estabelecer uma nova rela\u00e7\u00e3o com os empres\u00e1rios. &#8220;Investir precisa valer mais do que ir a Bras\u00edlia&#8221;, diz ele.\u00a0A seguir,\u00a0os principais pontos da entrevista<\/p>\n<p><strong>Qual ser\u00e1 a miss\u00e3o do pr\u00f3ximo governo na \u00e1rea econ\u00f4mica?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar com 2014. O in\u00edcio do ano foi muito surpreendente. Tr\u00eas grupos de eventos inesperados, alguns que n\u00e3o tem liga\u00e7\u00e3o direta com a economia, est\u00e3o dando um tom muito incisivo &#8211; o que \u00e9 uma coisa rara. O primeiro deles \u00e9 a fraqueza da economia no final do ano passado. Mesmo n\u00f3s, que nunca fomos particularmente otimista quanto ao crescimento, nos surpreendemos com a fraqueza do com\u00e9rcio e da ind\u00fastria no final do ano. Mesmo n\u00f3s, que nunca fomos particularmente otimista quanto ao crescimento, nos surpreendemos com a fraqueza do com\u00e9rcio e da ind\u00fastria. Isso garante, de vez, que o governo Dilma, na m\u00e9dia, vai ter crescimento inferior a 2%. O n\u00famero oficial do PIB s\u00f3 vai sair no final de fevereiro (a entrevista foi concedida uma semana antes do an\u00fancio), mas deve ficar entre 2,2% e 2,4%, pelas nossas estimativas. Para 2014, a nossa estimativa na MB \u00e9 que fique por volta de 1,6%. Mas gente muito competente tem n\u00fameros inferiores, por volta de 1,4% O pr\u00f3prio Focus (relat\u00f3rio de mercado do Banco Central) veio com um n\u00famero inferior &#8211; 1,8%. O segundo evento envolve um conjunto de pa\u00edses emergentes. Crises pol\u00edticas ou econ\u00f4micas \u2013 em certos casos, a combina\u00e7\u00e3o de ambas, em maior o menor grau \u2013 levaram a um movimento de sa\u00edda de capitais dos emergentes, que afetou o Brasil. Temos casos de pa\u00edses com crises eminentemente pol\u00edtica. A Tail\u00e2ndia rachou no meio, mas tem uma economia arrumadinha. Na Ucr\u00e2nia, a crise \u00e9 essencialmente de natureza pol\u00edtica. Mas h\u00e1 pa\u00edses como a Turquia, em que a crise \u00e9 pol\u00edtica e econ\u00f4mica. A Turquia tem muitas fragilidades \u2013 d\u00e9ficit em conta corrente, infla\u00e7\u00e3o, juros mais altos \u2013 e uma crise pol\u00edtica detonada pela tentativa de fazer valer uma plataforma de islamiza\u00e7\u00e3o em um pa\u00eds que desde a sua funda\u00e7\u00e3o \u00e9 orgulhoso de ser mu\u00e7ulmano, mas laico. Na Am\u00e9rica do Sul, os dois casos grav\u00edssimos s\u00e3o Venezuela e Argentina. Em ambos, h\u00e1 uma crise pol\u00edtica misturada com problemas na economia. Na minha avalia\u00e7\u00e3o, a Venezuela \u00e9 um caso terminal. A escassez atingiu uma magnitude espantosa. Quase 70% do consumo \u00e9 atendido por importa\u00e7\u00f5es, o que praticamente garante a incapacidade da economia para suprir a demanda. A resposta tem sido pol\u00edtica e meio destrambelhada. A Argentina n\u00e3o chega a tanto, mas est\u00e1 num caminho parecido, com pol\u00edticas p\u00fablicas heterodoxas e expansionistas, escassez de divisas, infla\u00e7\u00e3o em alta \u2013 o que reflete que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tende a piorar. Nos dois casos, o Brasil paga o pre\u00e7o por uma aposta equivocada na pol\u00edtica latino americana \u2013 se alinhar ao lado bolivariano que hoje, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 como esconder, \u00e9 mesmo o lado perdedor. Do ponto de vista econ\u00f4mico, estamos amarrados, entalados, nessa decis\u00e3o. Esse segundo grupo de problemas ajuda a pressionar o real e leva at\u00e9 um certo movimento de liquida\u00e7\u00e3o de ativos no Brasil. Parte disso acontece \u2013 j\u00e1 vimos isso muitas outras vezes \u2013 porque o mercado brasileiro \u00e9 mais l\u00edquido que o de outros emergentes. O Brasil n\u00e3o tem a fragilidade de uma Turquia, mas sofre junto. No mercado internacional, o grupo emergentes est\u00e1 numa categoria \u00fanica, embora os pa\u00edses n\u00e3o sejam iguais entre si. O terceiro ponto foi o ver\u00e3o muito seco e muito quente, absolutamente fora do padr\u00e3o. Na esfera pessoal, prejudicou o bem-estar das pessoas. \u00c9 uma dureza pegar o metro \u00e0s seis horas da tarde com um calor de 36 graus.<\/p>\n<p><strong>A seca est\u00e1 afetando a economia de diferentes maneira, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Afeta bastante. Na agricultura, n\u00e3o d\u00e1 para ter uma avalia\u00e7\u00e3o definitiva, porque depende da chuva daqui para frente, mas \u00e9 certo que vamos ter dificuldades. Temos o exemplo do feij\u00e3o. A primeira safra foi muito boa e fez o pre\u00e7o cair. Mas a segunda ser\u00e1 prejudicada. O pre\u00e7o j\u00e1 est\u00e1 subindo. No mercado internacional, a cota\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 explodiu porque a seca no Brasil criou problemas para safra deste e do outro ano. Aconteceu o mesmo com a cana-de-a\u00e7\u00facar. Com a carne bovina, o problema foi a redu\u00e7\u00e3o de pasto, que prejudicou a engorda. O pre\u00e7o da carne j\u00e1 est\u00e1 subindo no atacado. Os problemas foram um pouco menores na soja e no milho, porque os gr\u00e3os estavam em processo de colheita. Mas a primeira estimativa da MB era de uma colheita de 196 milh\u00f5es de toneladas para safra de 2013 a 2014. Ela pode cair a 188 milh\u00f5es de toneladas. O outro aspecto ruim do calor sobre a economia foi a press\u00e3o sobre a infraestrutura. Estamos tendo d\u00e9ficit na oferta de \u00e1gua e sobrecarga no setor el\u00e9trica. A energia voltou com tudo ao debate. Nesse caso, h\u00e1 dois problemas. Um \u00e9 a dificuldade de curto prazo \u2013 o sistema est\u00e1 operando no limite. O apag\u00e3o foi o exemplo. A outra quest\u00e3o \u00e9 uma de fragilidade estrutural. O risco de acidentes \u2013 ou incidentes, seja l\u00e1 o nome que queiram dar para isso \u2013 aumenta quando \u00e9 preciso transportar grandes massas de energia de uma regi\u00e3o para outra. O pre\u00e7o da energia literalmente explodiu e isso n\u00e3o vai se alterar, uma vez que todas t\u00e9rmicas est\u00e3o ligadas, inclusive porque \u00e9 preciso poupar \u00e1gua nas hidrel\u00e9tricas para a Copa. Ligaram at\u00e9 as t\u00e9rmicas, como diz o mercado, movidas a Channel N\u00famero 5, que usam combust\u00edvel com pre\u00e7o de R$ 1,7 mil o MW. Isso ter\u00e1 implica\u00e7\u00e3o sobre as contas p\u00fablicas. \u00c9 dif\u00edcil tomar a decis\u00e3o de repassar esse custo para o consumidor, j\u00e1 que estamos em ano de elei\u00e7\u00e3o, mas alguma coisa precisa ser repassada ainda em 2014. J\u00e1 est\u00e1 dado que uma das dificuldades fiscais do governo \u00e9 o tamanho da conta do setor el\u00e9trico que precisa ser absorvida pelo Tesouro. A conta ir\u00e1 al\u00e9m daqueles R$ 9 bilh\u00f5es j\u00e1 previstos no or\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>Como esse conjunto de problemas vai influenciar a agenda do pr\u00f3ximo governo a partir de 2015?<\/strong><\/p>\n<p>Tudo indica que o crescimento deste ano ser\u00e1 significativamente inferior ao do ano passado. Gente muito competente est\u00e1 prevendo valores baixos para o PIB. O que isso caracteriza \u00e9 que estamos mesmo presos a uma armadilha de baixo crescimento \u2013 e que essa armadilha n\u00e3o pode ser atribu\u00edda a fatores internacionais. Outros pa\u00edses com a mesma conjuntura est\u00e3o crescendo mais do que a gente. Quatro anos de baixo crescimento, com uma m\u00e9dia inferior a 2%, n\u00e3o traduz uma coisa casual. H\u00e1 um problema maior.<\/p>\n<p><strong>E por que o crescimento est\u00e1 sendo t\u00e3o baixo?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar do fim para o come\u00e7o. Crescemos pouco, porque investimos pouco. E n\u00e3o adianta fica se enganando com os n\u00fameros. Se a gente pegasse as expectativas de crescimento de trilh\u00f5es de investimentos que o BNDES solta, de tempos em tempos, estar\u00edamos com uma taxa de investimento de 25%. Mas estamos com 19% feitos a duras penas. N\u00e3o adianta pegar o vale da taxa de investimento, que, se n\u00e3o me engano, \u00e9 de 2004, e fazer uma reta com a r\u00e9gua para dizer que cresce de 4% a 5% ao ano. Voc\u00ea precisa pegar os tr\u00eas anos anteriores, ajustar a r\u00e9gua, e vamos ver que estamos h\u00e1 muito tempo com uma taxa de investimento em torno de 18%. N\u00e3o \u00e9 verdade que temos um crescimento puxado por investimentos. O investimento no ano passado foi muito bom, bem-vindo, mas sofreu um bocado de influ\u00eancia daquele fen\u00f4meno dos caminh\u00f5es e do excelente desempenho do setor agropecu\u00e1rio &#8211; que n\u00e3o vai se repetir neste ano. Nossa proje\u00e7\u00e3o para o crescimento da agricultura vai de 8%, no ano passado, para 3% neste ano \u2013 o que \u00e9 muito bom. Ent\u00e3o, antes de tudo, o investimento \u00e9 pouco.<\/p>\n<p><strong>Por que isso ocorre?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que isso ocorre por dois fen\u00f4menos diferentes, mas que se somam. O primeiro, foi a frustra\u00e7\u00e3o da expectativa, criada nos \u00faltimos anos, de que o setor p\u00fablico seria um poderoso elemento para impulsionar o investimento direto. Isso n\u00e3o se verificou. Os projetos est\u00e3o atrasados, assistimos as desventuras do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) com as estradas, os portos n\u00e3o avan\u00e7aram. Existiu muita boa vontade, mas a forma de fazer, infelizmente, n\u00e3o deu certo. Quero dizer que n\u00e3o tenho nada contra o investimento do Estado. Eu cresci e me formei no momento em que rodovias eram abertas pelo DNER (o extinto Departamento Nacional de Estradas e Rodagens). N\u00e3o tenho nada contra. O problema \u00e9 que \u2013 apesar de esse n\u00e3o ser o momento para discutir as causas \u2013 o Estado n\u00e3o fica de p\u00e9. N\u00e3o faz. N\u00e3o consegue concretizar. Os projetos n\u00e3o andam. Atrasam tr\u00eas, quatro, cinco anos. E pior \u2013consomem cada vez mais recursos. \u00c9 enorme a lista de grandes projetos com atraso superior a quatro anos. A Transnordestina. As refinarias da Petrobras. Hidrel\u00e9tricas. Numa esp\u00e9cie de Sebastianismo (alus\u00e3o ao milagre messi\u00e2nico criado pelo rei portugu\u00eas Sebasti\u00e3o), bem ao estilo do governo Ernesto Geisel, se imaginou que o Estado faria tudo. Do lado do investimento privado, os est\u00edmulos foram contr\u00e1rios ao que deveriam ter sido. Veio o controle de pre\u00e7o, a tentativa de controle da taxa de retorno de certos projetos, uma discuss\u00e3o sobre concess\u00e3o ou privatiza\u00e7\u00e3o, sem falar nos problemas de regula\u00e7\u00e3o que chegaram a paralisar alguns setores. Exemplo: o novo c\u00f3digo de minera\u00e7\u00e3o. O setor est\u00e1 parado h\u00e1 quatro anos esperando o c\u00f3digo. \u00c9 verdade que no final do ano passado foram feitas algumas coisas que melhoraram o ambiente, mas se pegarmos os \u00faltimos quatro anos, n\u00e3o aconteceu praticamente nada. E olhando para frente, se n\u00e3o fizermos coisas fundamentais, os avan\u00e7os n\u00e3o ocorreram. O grande exemplo para mim \u00e9 porto. Se olharmos o mundo, vamos ver que os portos est\u00e3o se preparando para receber navios que possam cruzar o novo canal do Panam\u00e1. Todos est\u00e3o gastando um monte de dinheiro com isso. Mas em Santos, o problema \u00e9 o calado. N\u00e3o conseguimos manter 15 metros de calado \u2013 j\u00e1 voltou a assorear. Vai come\u00e7ar a novela do assoreamento outra vez. O desassoreamento do canal de Santos consumiu 10 anos e voltamos a isso E ainda chamo a aten\u00e7\u00e3o para uma coisa importante que infelizmente foi se perdendo. Infraestrutura precisa de bons projetos. A pressa em fazer as coisas tornou normal a aus\u00eancia de projetos mais detalhados. Sem eles, voc\u00ea descobre v\u00e1rios problemas durante a execu\u00e7\u00e3o, problemas que somados a outras defici\u00eancias, como a demora para conseguir licen\u00e7as ambientais, levam os empres\u00e1rios a investir muito menos. Boa parte dos incentivos apontam na dire\u00e7\u00e3o errada. Um exemplo micro e pouco conhecido \u00e9 a nova regulamenta\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a do trabalho, a NR-12. Ela foi revisada em 2010 e traz equ\u00edvocos de conceitua\u00e7\u00e3o fundamentais. N\u00e3o distingue, por exemplo, o estoque de m\u00e1quinas com o fluxo de novas m\u00e1quinas. Trata de tantas caracter\u00edsticas que m\u00e1quinas aprovadas na Alemanha n\u00e3o seriam liberadas no Brasil. Tamb\u00e9m h\u00e1 equ\u00edvocos no pressuposto do financiamento de investimentos. Parte-se do princ\u00edpio de que os recursos do Tesouro Nacional s\u00e3o infinitos e que o caixa das companhias s\u00e3o ilimitados. Voltemos a RN-12. Ela \u00e9 o exemplo de como ideias generosas desincentivam o investimento. Ningu\u00e9m \u00e9 contra a seguran\u00e7a no trabalho. Mas essa regra, na pr\u00e1tica, sucateia boa parte das m\u00e1quinas em opera\u00e7\u00e3o num momento em que as companhias, principalmente as de bens de capital, passam por dificuldades. Isso come o investimento. S\u00f3 quem acompanha de perto entende. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a ind\u00fastria est\u00e1 sofrendo.<\/p>\n<p><strong>O senhor define que temos um desarranjo generalizado e que o pr\u00f3ximo desafio do governo \u00e9 nos tirar dessa armadilha. Como se faz isso na pr\u00e1tica e qual deve ser o modelo a partir de ent\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Todo agenda, quando posta em pr\u00e1tica, vai ficando complexa. Mas \u00e9 preciso come\u00e7ar com ideias simples que possam tra\u00e7ar o norte. Voc\u00ea precisa perguntar: por que isso come\u00e7ou? E a partir de ent\u00e3o, alterar as coisas. Exemplo. Na d\u00e9cada passada, especialmente quando a China cresceu como um foguete, houve a formaliza\u00e7\u00e3o de muitas empresas no Brasil, houve o aumento do consumo interno, a arrecada\u00e7\u00e3o cresceu expressivamente e \u2013 a despesa p\u00fablica correu atr\u00e1s. N\u00e3o se percebeu na \u00e9poca que muita coisa era insustent\u00e1vel no tempo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que uma taxa de desemprego caia e o gasto com seguro desemprego suba constantemente. Tem algo errado nisso. N\u00e3o se percebeu que uma taxa de crescimento da arrecada\u00e7\u00e3o duas vezes superior a taxa de crescimento do PIB n\u00e3o \u00e9 uma coisa sustent\u00e1vel. E foi o que sei viu. A arrecada\u00e7\u00e3o cresce hoje uma taxa muito pr\u00f3xima a do PIB. No entanto, a estrutura de muitos projetos, a concep\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios servi\u00e7os, a universaliza\u00e7\u00e3o de tantas coisas, pressup\u00f4s que o Tesouro teria uma fonte infinita de recursos. Essa fonte acabou. Essa \u00e9 uma mudan\u00e7a essencial e o Pa\u00eds precisa se adequar a ela. Outro problema de concep\u00e7\u00e3o: boa parte da pol\u00edtica traz a ideia de que a empresa privada precisa ser totalmente regulada para n\u00e3o fazer bobagem. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel. Muitas vezes, quando voc\u00ea olha no detalhe, descobre que \u00e9 a regula\u00e7\u00e3o que leva a empresa a conviver com bobagens. N\u00e3o d\u00e1, por exemplo, para elevar o sal\u00e1rio a um m\u00faltiplo acima da produtividade. Por mais generoso que seja o argumento, isso \u00e9 insustent\u00e1vel em qualquer idioma, em qualquer lugar, em qualquer \u00e9poca. E estamos nessa situa\u00e7\u00e3o. Os custos associados ao trabalho n\u00e3o param de crescer. Por causa desse ambiente, n\u00e3o temos mais investimento privado, num cen\u00e1rio em que o investimento p\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 baixo. A poupan\u00e7a do governo n\u00e3o existe. E n\u00e3o usamos a poupan\u00e7a do setor privado. Esse \u00e9 o primeiro n\u00f3 que precisamos desatar para fazer com que as coisas andem. H\u00e1 ai uma quest\u00e3o de vis\u00e3o de mundo. Volto a dizer: o Estado sempre teve um papel importante. Como investidor diretor, como indutor do investimento privado, o indutor da expans\u00e3o do conhecido. Falar em coisas como defesa do Estado m\u00ednimo, radicalismo neoliberal \u00e9 fora de prop\u00f3sito nos dias de hoje. N\u00e3o existe isso em lugar nenhum do mundo. Mas certamente n\u00e3o \u00e9 da hist\u00f3ria do Brasil querer controlar todas as empresas, todas as decis\u00f5es, porque vai dar em bobagem se o Estado n\u00e3o regular. Isso \u00e9 uma bobagem que gera impasses &#8211; impasses parecidos com o da Argentina. N\u00e3o quero entrar nesse discuss\u00e3o agora \u2013 n\u00e3o estou dizendo que o que o Brasil vai virar uma Argentina. Mas se voc\u00ea olhar de perto percebe que h\u00e1 um pouco da mesma convic\u00e7\u00e3o \u2013 que se o Estado n\u00e3o regular tudo, n\u00e3o vai dar certo. Para mim, isso n\u00e3o funciona. Nesse sentido, a forma de come\u00e7ar qualquer mudan\u00e7a \u00e9 mais simples. Come\u00e7a com poucas ideias. Qualquer projeto estrat\u00e9gico de uma empresa, de um pa\u00eds, come\u00e7a com tr\u00eas, quatro ideias b\u00e1sicas. Mas se voc\u00ea errar na partida, segue errando. Existe uma massa de empresas, empres\u00e1rios e recursos que est\u00e3o doidos para trabalhar. Se acionados devidamente, eles v\u00e3o trabalhar na melhor dire\u00e7\u00e3o. J\u00e1 vivi o suficiente para saber o quanto \u00e9 dif\u00edcil de fazer. Mas tenho convic\u00e7\u00e3o que uma alternativa para nos tirar dessa armadilha \u00e9 mobilizar o investimento privado \u2013 mas tamb\u00e9m acho que isso s\u00f3 vai acontecer com a reconquista da confian\u00e7a, com a estabilidade das regras, com projetos bem feitos a priori. Eu sou do tempo que era inconceb\u00edvel fazer uma licita\u00e7\u00e3o sem um projeto detalhado de engenharia. O sistema el\u00e9trico nasceu dessa forma. Com estudos hidrol\u00f3gicos muito detalhados, tanto que sempre foi um sucesso. O Brasil tinha uma experi\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o de barragens reconhecida no mundo. Depois, isso foi sendo perdido e s\u00f3 agora retomado. N\u00e3o d\u00e1 para soltar uma estrada sem projeto. N\u00e3o tem exemplo mais bem acabado que disso que o finado trem bala, que nem tra\u00e7ado tinha.<\/p>\n<p><strong>Como se administra essa transi\u00e7\u00e3o a partir de 2015 para sair do modelo de controle da iniciativa privada e de pressuposto que o cofre p\u00fablico n\u00e3o tem limite?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 dif\u00edcil. Ser\u00e3o necess\u00e1rios alguns elementos. Primeiro, resgatar a confian\u00e7a. Inclusive da contabilidade p\u00fablica, que se pereceu nos \u00faltimos tempos. Vamos ter de fazer um ajuste. e100% das pessoas sabem disso. Evidentemente, h\u00e1 ajustes e ajustes, mas algum dever\u00e1 ser feito. N\u00e3o \u00e9 preciso uma recess\u00e3o imediata. O Brasil avan\u00e7ou, o que facilita as coisas. Exemplo: convergir para a meta em tr\u00eas anos numa pol\u00edtica que de fato inspire confian\u00e7a, \u00e9 perfeitamente fact\u00edvel. Dizer que vai convergir para meta quando uma boa parte dos analistas acha que as autoridades est\u00e3o satisfeita com o topo, \u00e9 diferente. O ajuste \u00e9 uma coisa que precisa ser constru\u00eddo politicamente. N\u00e3o da para fazer uma discuss\u00e3o sobre previd\u00eancia. Por outro lado, o espa\u00e7o da pol\u00edtica macro depende de uma concep\u00e7\u00e3o que seja bem aceita pelos diversos agentes, que tenha um n\u00edvel de base t\u00e9cnicas, n\u00fameros cr\u00edveis. Como n\u00e3o temos mais hiperinfla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acho razo\u00e1vel \u2013 \u00e9 uma opini\u00e3o estritamente pessoal \u2013 um pacot\u00e3o que leve a recess\u00e3o num primeiro momento. N\u00e3o deveria acontecer. Mas precisa ter consist\u00eancia. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso deixar claro que os benef\u00edcios sociais v\u00e3o ser preservados. Esse \u00e9 um avan\u00e7o a ser mantido. O que precisamos refor\u00e7ar \u00e9 a quest\u00e3o dos investimentos. Quanto mais r\u00e1pido os investidores, os empres\u00e1rios, os trabalhadores e o Pa\u00eds acreditarem no conjunto de regras, fica mais f\u00e1cil fazer as coisas.<\/p>\n<p><strong>Qual deve ser o pr\u00f3ximo motor de crescimento. A China ajudou no passado e daqui para frente?<\/strong><\/p>\n<p>O grande mote \u00e9 o mercado interno do Brasil. Ele n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 muito grande, como vai continuar a crescer e, mais importante, vai continuar se sofisticando. Todas as pesquisas mostram claramente que h\u00e1 uma avenida nas aspira\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o para ser percorrida. Mas o problema n\u00e3o est\u00e1 do lado da demanda. Est\u00e1 do lado da oferta. Se n\u00e3o aumentar mais rapidamente a produtividade, n\u00e3o h\u00e1 como sustentar isso. Seria preciso importar todo o adicional, o que n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, nem desej\u00e1vel. O motor de crescimento precisa ser o investimento que eleve a produtividade do setor produtor. Mas, nesse caso, \u00e9 preciso, antes de tudo, estabelecer uma nova vis\u00e3o de mundo, ter algo importante em mente \u2013 n\u00e3o \u00e9 o crescimento do pr\u00f3ximo ano que est\u00e1 em jogo, \u00e9 um horizonte de quatro anos. Todo mundo. Que seja consumidor, trabalhador no campo e da cidade, est\u00e1 disposto a fazer sua parte se vir a melhora no horizonte. E como asfalto na frente de casa. A obra \u00e9 um enorme aborrecimento no curto prazo. Tem barro. N\u00e3o d\u00e1 para passar com o carro. Mas se obra segue um ritmo adequado, todo mundo aprova porque sabe que vai ter um benef\u00edcio. Isso vale para os agentes econ\u00f4micos. O crescimento da produtividade precisa valer mais do que ir a Bras\u00edlia para conseguir um caramelo tribut\u00e1rio. Os caramelos tribut\u00e1rios at\u00e9 podem ser gostosos no curto prazo, mas s\u00e3o destrutivos no longo prazo. N\u00e3o vai ter mais balinha, porque o Tesouro est\u00e1 em dificuldade. O governo e as pessoas precisam colocar na cabe\u00e7a que o passado n\u00e3o vai se repetir. A China n\u00e3o vai crescer mais que 7,5%. A Arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai ser um m\u00faltiplo do PIB. O Tesouro ter\u00e1 dificuldades reais para mobilizar recursos. A demanda interna n\u00e3o vai crescer a taxas chinesas, porque boa parte do efeito inclus\u00e3o sobre as vendas, sobre o cr\u00e9dito, sobre os formalizados acabou. Agora \u00e9 hora do investimento com produtividade, sobre bases reais e n\u00e3o s\u00f3 com o jogo de transfer\u00eancias \u2013 que s\u00e3o v\u00e1lidas \u2013 mas n\u00e3o duram para sempre. Aos meus clientes, eu aviso: \u00e9 preciso rever o modelo de neg\u00f3cio. Quem tem modelo que depende s\u00f3 de viagem a Bras\u00edlia, est\u00e1 aconselhado a repensar seus neg\u00f3cios. Eu n\u00e3o vejo problema especificamente nisso, porque a tend\u00eancia do ser humano \u00e9 buscar o mais f\u00e1cil. Mas a empresa agora precisa voltar a crescer com p\u00e9 no ch\u00e3o. Tudo isso \u00e9 constru\u00eddo. N\u00e3o tem regra. O mais importante \u00e9 ter um norte e fazer o jogo da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 algo que possa ser feito no curto prazo para elevar a produtividade. Fala-as muito em educa\u00e7\u00e3o, mas ela surte efeito no longo prazo. H\u00e1 algo pontual a ser feito?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 coisas no n\u00edvel micro. Muitas empresas investem em equipamentos para determinadas \u00e1reas da f\u00e1brica para combater o que se chama de pesco\u00e7os &#8211; gargalos na produ\u00e7\u00e3o. Isso eleva significativamente a produtividade, n\u00e3o apenas do trabalho, mas da f\u00e1brica como um todo. Inclusiva, j\u00e1 usam rob\u00f4s. Essas m\u00e1quinas custam cada vez mais barato. Empresas m\u00e9dias utilizam rob\u00f4s em \u00e1reas mais sens\u00edveis para a sa\u00fade e a seguran\u00e7a do trabalho, como soldagem. O mais importante, que deve vir do governo, \u00e9 deixar de onerar o custo do capital e do trabalho. Isso precisa ser uma meta. Daremos um passo extraordin\u00e1rio. O c\u00e2mbio desvalorizado ajuda nisso. Veja bem: a combina\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio mais desvalorizado, um pouco de efici\u00eancia na infraestrutura \u2013 que reduz custos \u2013 e um pouco menos de peso no custo do investimento dentro das plantas pode gerar um resultado fortemente ganhador. Eu acho tamb\u00e9m que \u00e9 preciso modernizar uma quest\u00e3o conceitual. Estou falando de uma mudan\u00e7a de postura. O conceito de agricultura, ind\u00fastria e com\u00e9rcio \u00e9 ultrapassado. N\u00e3o existe mais. A agricultura funciona integrada com a industria. Essa integra\u00e7\u00e3o precisa ser mais estimulada como forma de aumentar a produtividade do conjunto da economia e criar empregos. O mais importante \u2013 que j\u00e1 ocorre no mundo, mas aqui precisa avan\u00e7ar \u2013 \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o entre ind\u00fastria e servi\u00e7os. Boa parte das ind\u00fastrias de t\u00eaxteis, cal\u00e7ados e vestu\u00e1rio, que foi t\u00e3o prejudicada pelas importa\u00e7\u00f5es, utilizou uma composi\u00e7\u00e3o dessa natureza. Estou falando de ind\u00fastria que expandiram a atividade comercial por terceiriza\u00e7\u00e3o, franquia ou abertura de lojas pr\u00f3prias. Em boa parte do mundo, \u00e9 esse tipo de integra\u00e7\u00e3o que est\u00e1 gerando mais valor para as industrias. A industria n\u00e3o vende mais apenas m\u00e1quinas. Ela precisa vender solu\u00e7\u00f5es. E as solu\u00e7\u00f5es podem levar junto servi\u00e7os. Para aperfei\u00e7oar essas integra\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental que o governo crie regula\u00e7\u00e3o e tributa\u00e7\u00e3o adequadas. Hoje, infelizmente, o nosso imposto de valor adicionado e a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o trabalhista n\u00e3o permitem essas intera\u00e7\u00f5es de forma mais flex\u00edvel. O segundo motor, que n\u00e3o \u00e9 do mesmo tamanho, mas \u00e9 importante, \u00e9 a exporta\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso resgatar a ideia, o orgulho, de um Brasil global trader. Aposentar a vis\u00e3o antiga, perdedora, que temos em rela\u00e7\u00e3o ao Mercosul e a Am\u00e9rica Latina. At\u00e9 porque quem est\u00e1 crescendo \u00e9 o Estados Unidos. O mundo \u00e9 um pouco diferente.<\/p>\n<p><strong>O que fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica externa?<\/strong><\/p>\n<p>O Mercosul caminha para o naufr\u00e1gio e isso nos causa enormes problemas. Aproveito para fazer um par\u00eanteses que j\u00e1 alimentou observa\u00e7\u00f5es de l\u00edderes empresariais \u2013 o Brasil est\u00e1 fora das cadeias globais de valor, principalmente por causa do Mercosul. Por que? Porque as cadeias globais sempre nasceram com uma caracter\u00edstica geogr\u00e1fica, onde uma economia l\u00edder se expande, se integra, em regi\u00f5es pr\u00f3ximas. Na Am\u00e9rica do Norte, foram os Estados Unidos. A europa oriental foi puxada pela Alemanha. E a China e o Jap\u00e3o integrando o sudeste da \u00c1sia. O nosso espa\u00e7o era menor, mas tinha tudo haver com o projeto original do Mercosul &#8211; que transformar num verdadeiro mercado, coisa que ele n\u00e3o \u00e9 sob nenhum hip\u00f3tese, e, ai sim, n\u00f3s poder\u00edamos ter um mercado de verdade. O primeiro setor a se beneficiar teria sido a ind\u00fastria automotiva, pela sua escala, pela sua tecnologia. O Brasil era visto como um competente produtor de carros pequenos. Perdemos isso. A qualidade dos nossos carros pequenos est\u00e1 muito atras da feita em outros lugares. Por isso sou t\u00e3o cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao Mercosul &#8211; pela oportunidade que n\u00f3s perdemos. Ao inv\u00e9s de se transformar em um mercado comum, foi reduzido a uma pol\u00edtica de compreens\u00e3o com o desvio de nossos irm\u00e3os, como o recorrente protecionismo argentino. Hoje a crise Argentina nos afeta diretamente por causa da balan\u00e7a comercial. O Brasil exportou no ano passado, mais de 500 mil carros para a Argentina. E agora, como \u00e9 que fica? A probabilidade de vender ficou menor e, se vender, vai ficar mais dif\u00edcil receber. O que mostra mais uma vez a imperiosa necessidade de o Brasil reformular suas rela\u00e7\u00f5es externas para dar mais \u00eanfase \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de global trader. O relacionamento efetivo do Brasil com o mundo j\u00e1 foi bem maior. A pr\u00f3pria ind\u00fastria automotiva \u00e9 um indicador disso. Se consultarmos o destino das exporta\u00e7\u00f5es de carro em 2000, veremos que as vendas eram para o mundo. E hoje, 80% das nossas exporta\u00e7\u00f5es de carros v\u00e3o para Argentina.<\/p>\n<p><strong>Para onde vai a elei\u00e7\u00e3o deste ano?<\/strong><\/p>\n<p>Eu gostaria muito de poder prever. A \u00fanica coisa que d\u00e1 pra dizer, a partir de conversa com analistas e consultores pol\u00edticos, \u00e9 que, at\u00e9 pouco meses, a hip\u00f3tese era um \u00fanico caminho &#8211; a reelei\u00e7\u00e3o. Agora, por todas as mudan\u00e7as que conversamos aqui, surge a percep\u00e7\u00e3o de que a disputa vai ser bem mais competitiva.<\/p>\n<p><strong>A economia ter\u00e1 um papel importante na disputa deste ano, ent\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza. E d\u00e1 para dizer isso por causa da mudan\u00e7a nas expectativas. Nos tr\u00eas \u00faltimos anos, o ano abriu mais otimista do que realmente foi depois. Basta abrir os relat\u00f3rios Focus do Banco Central para ver isso. Os economistas ouvidos come\u00e7avam otimista. Neste ano est\u00e1 diferente, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento do PIB. Se voc\u00ea tem uma expectativa ruim no come\u00e7o do ano, em termos de PIB, \u00e9 dif\u00edcil mudar. O PIB \u00e9 um grande navio. N\u00e3o vira de uma hora para outra. O cen\u00e1rio do ano \u00e9 nebuloso. O que vai, por exemplo, ocorrer na Copa? Vai ter ou n\u00e3o vai ter passeata? Assim, o cen\u00e1rio eleitoral ficou mais.<\/p>\n<p>Fonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ex-secret\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Fazenda no Plano Real, Pa\u00eds volta a crescer se mobilizar empres\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-47495","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47495\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}