{"id":477721,"date":"2025-02-02T14:43:52","date_gmt":"2025-02-02T17:43:52","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=477721"},"modified":"2025-02-02T14:43:52","modified_gmt":"2025-02-02T17:43:52","slug":"o-genio-humberto-teixeira-autor-de-asa-branca-o-hino-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-genio-humberto-teixeira-autor-de-asa-branca-o-hino-do-nordeste\/","title":{"rendered":"O g\u00eanio Humberto Teixeira, autor de Asa Branca, o Hino do Nordeste"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-full size-full\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/2025-02-01-at-20.37.51.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 890px) 100vw, 890px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/2025-02-01-at-20.37.51.jpeg 890w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/2025-02-01-at-20.37.51-209x300.jpeg 209w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/2025-02-01-at-20.37.51-712x1024.jpeg 712w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/2025-02-01-at-20.37.51-768x1105.jpeg 768w\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"1280\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-daeb5cb8-3f57-4b16-9f89-7790378b8bd1\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand \">\n<div id=\"ub-expand-portion-\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\">\n<p>Um g\u00eanio que conviveu com Luiz Gonzaga: Humberto Teixeira, autor de Asa Branca, o Hino do Nordeste. Tamb\u00e9m sertanejo como Z\u00e9 Dantas, personagem retratado domingo passado, o gigante Humberto veio ao mundo em Iguatu, no Cear\u00e1, e desde crian\u00e7a, conforme declarou em v\u00e1rias entrevistas, j\u00e1 conhecia o bai\u00e3o, como Luiz em Exu.<\/p>\n<p>\u201cEu tenho a impress\u00e3o de que fatalisticamente, predestinadamente, eu tinha que me encontrar um dia com Luiz Gonzaga\u201d, disse, no document\u00e1rio \u201cO homem que engarrafava nuvens\u201d, de 2009. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira n\u00e3o inventaram o bai\u00e3o. H\u00e1, inclusive, um registro sonoro deste g\u00eanero musical feito em 1930 por Stefana de Macedo (\u201cEstrela d\u2019alva\u201d, de Jo\u00e3o Pernambuco).<\/p>\n<p>Mas foram eles que urbanizaram e estilizaram o ritmo, dando-lhe uma nova roupagem \u2013 e causando uma revolu\u00e7\u00e3o na m\u00fasica popular brasileira. Atrav\u00e9s das vozes do grupo cearense Quatro Ases e Um Coringa, o \u201cBai\u00e3o\u201d chegou em outubro de 1946 arrasando quarteir\u00f5es, conquistando o Pa\u00eds inteiro e ganhando fama mundial.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-portion-\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p>A parceria Gonzaga-Teixeira, uma das mais importantes de todos os tempos, legaria ao nosso cancioneiro popular 28 composi\u00e7\u00f5es gravadas \u2013 quase a metade delas composta por cl\u00e1ssicos da MPB: \u201cAsa branca\u201d, \u201cAssum preto\u201d, \u201cBai\u00e3o\u201d, \u201cBai\u00e3o de dois\u201d, \u201cEstrada de Canind\u00e9\u201d, \u201cJuazeiro\u201d, \u201cL\u00e9gua tirana\u201d, \u201cLorota boa\u201d, \u201cMangaratiba\u201d, \u201cNo meu p\u00e9 de serra\u201d, \u201cPara\u00edba\u201d, \u201cQui nem jil\u00f3\u201d, \u201cRespeita Janu\u00e1rio\u201d, dentre outras.<\/p>\n<p>\u00c9 comum ver o nome de Humberto Cavalcanti de Albuquerque Teixeira, nascido em 05\/01\/1915, associado ao do pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento. Mas, justi\u00e7a seja feita, Humberto foi uma estrela de brilho pr\u00f3prio na hist\u00f3ria da m\u00fasica popular \u2013 que j\u00e1 corria em suas veias desde o ber\u00e7o, sendo ele sobrinho do maestro Lafaiete Teixeira. N\u00e3o foi s\u00f3 como compositor, poeta e letrista que militou em prol da MPB.<\/p>\n<p>Advogado de forma\u00e7\u00e3o, foi tamb\u00e9m deputado federal nos anos 1950, defendendo o direito autoral \u2013 a lei 3.447 de 23\/10\/1958, sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek, ficaria conhecida como \u201cLei Humberto Teixeira\u201d. Tamb\u00e9m foi o criador das Caravanas de M\u00fasica Brasileira que entre 1958 e 1964 levariam para o exterior os melhores representantes da arte musical brasileira.<\/p>\n<p>O filho de Jo\u00e3o Euclides Teixeira e Luc\u00edola Cavalcanti de Albuquerque ganhou do pai, quando tinha cinco ou seis anos, um \u201cinstrumento estranho\u201d, comprado em Fortaleza, que aprendeu a tocar sozinho. \u00c9 a pr\u00f3pria voz de Humberto Teixeira que aparece narrando a hist\u00f3ria no excelente document\u00e1rio \u201cO homem que engarrafava nuvens\u201d (lan\u00e7ado em 2009), produzido por sua filha, a atriz Denise Dummont, e dirigido por L\u00edrio Ferreira.<\/p>\n<p>Diz Humberto que o instrumento era \u201cuma esp\u00e9cie de uma gaita com bocal, mas tinha um teclado de acordeom. Mas a minha vontade \u2013 eu me lembro muito bem \u2013 era estudar piano\u201d. No que foi recha\u00e7ado pelo pai: \u201cPiano \u00e9 coisa para mulher\u201d. Teria que escolher outro.<\/p>\n<p>Humberto Teixeira, com seus 15\/16 anos, deixou seu Cear\u00e1 natal rumo \u00e0 ent\u00e3o capital federal, o Rio de Janeiro, para estudar Medicina. Acabaria mesmo com o anel de doutor \u2013 mas formado em advocacia. A esta altura, j\u00e1 teria come\u00e7ado tamb\u00e9m sua gradua\u00e7\u00e3o \u2013 com louvor \u2013 na m\u00fasica popular.<\/p>\n<p>Para sobreviver no Rio, Humberto fez \u201ccoisas do arco da velha\u201d: foi vendedor de \u00f3culos Ray-Ban, agente de restaurantes e telefonista. Somente em 1942, debutou em discos de 78 rota\u00e7\u00f5es, com tr\u00eas marchas e um dobrado \u2013 todos em parceria com Caio Lemos \u2013 e um samba com Pijuca (Esdras Falc\u00e3o Guimar\u00e3es). No in\u00edcio de 1943, os conterr\u00e2neos dos Quatro Ases e Um Coringa levaram ao acetato sua primeira composi\u00e7\u00e3o sem parceiros, o samba \u201cNatalina\u201d.<\/p>\n<p>Foi Lauro Maia quem Luiz Gonzaga \u2013 ent\u00e3o j\u00e1 um sanfoneiro de renome, que acabara de se lan\u00e7ar tamb\u00e9m como cantor \u2013 procurou, no intuito de virar seu parceiro e mostrar para o Brasil os ritmos nordestinos que escutava (e tocava) desde a inf\u00e2ncia. Maia, bo\u00eamio e avesso a compromissos, encaminhou-o a algu\u00e9m que sabia ser excelente letrista e que poderia ajud\u00e1-lo na empreitada: seu cunhado, cujo escrit\u00f3rio ficava na Avenida Cal\u00f3geras, Centro do Rio.<\/p>\n<p>Deste primeiro encontro de Humberto Teixeira com Gonzaga, numa tarde de agosto de 1945 (que se estendeu para al\u00e9m da meia-noite), de cara surgiu o xote \u201cNo meu p\u00e9 de serra\u201d. Luiz gravaria \u201cNo meu p\u00e9 de serra\u201d somente em novembro de 1946, quando o \u201cBai\u00e3o\u201d j\u00e1 era uma coqueluche nas vozes dos Quatro Ases e Um Coringa.<\/p>\n<p>Em seguida viriam a imortal \u201cAsa branca\u201d, o singelo e vigoroso \u201cJuazeiro\u201d, a dolente e lind\u00edssima valsa-toada \u201cL\u00e9gua tirana\u201d, \u201cMangaratiba\u201d \u2013 xote com uma pitada de samba que faz refer\u00eancia ao munic\u00edpio no Estado do Rio, onde Humberto tinha casa \u2013, \u201cQui nem jil\u00f3\u201d e outros cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>Para quem pensa em Humberto Teixeira apenas como letrista das m\u00fasicas de Luiz Gonzaga, foi ele pr\u00f3prio quem explicou a Nirez: \u201cN\u00e3o existe isso. Muitas delas s\u00e3o minhas integralmente. Letra, m\u00fasica e tudo. As outras s\u00e3o do Luiz. O solteir\u00e3o convicto Humberto Teixeira daria uma guinada na vida, casando-se no dia 30\/09\/1954, em Bauru, com a atriz e pianista Marg\u00f4 Bittencourt (Margarida Maria Pollice, 1929-2007), natural daquela cidade paulista. Da uni\u00e3o nasceria em Fortaleza, em 1955, a futura atriz Denise Dummont.<\/p>\n<p>O casamento duraria sete anos. Mais tarde, separada de Humberto, Margarida se casaria com o jornalista e locutor Luiz Jatob\u00e1 (1915-1982). No fim da d\u00e9cada, em 1958, junto a colegas de profiss\u00e3o \u2013 entre eles Lamartine Babo, Jo\u00e3o de Barro (Braguinha), Roberto Martins e Ataulfo Alves \u2013, Humberto ajudou a criar a Academia Brasileira de M\u00fasica Popular, com 50 imortais. Sua cadeira, a de n\u00famero 13, tinha Lauro Maia como patrono.<\/p>\n<p>Humberto Teixeira \u2013 que morava no bairro carioca de S\u00e3o Conrado \u2013 faleceu de infarto do mioc\u00e1rdio no apartamento de sua filha, na Lagoa, em 03\/10\/1979, aos 64 anos. Foi merecedor de homenagens musicais: em 1980, a de Dalton Vogeler, \u201cO adeus da asa branca\u201d, pela voz do eterno parceiro Luiz Gonzaga; em 1981, a de Nilo Cearense; no ano seguinte, a de Jacinto Limeira e Jos\u00e9 Miranda; e a do pr\u00f3prio Luiz Gonzaga (feita com Jo\u00e3o Silva) em 1987, \u201cDoutor do Bai\u00e3o\u201d (\u201cQuanta tristeza fazer bai\u00e3o sem tu\u201d\u2026).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas foram eles que urbanizaram e estilizaram o ritmo, dando-lhe uma nova roupagem \u2013 e causando uma revolu\u00e7\u00e3o na m\u00fasica popular brasileira. 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