{"id":478488,"date":"2025-02-10T00:26:32","date_gmt":"2025-02-10T03:26:32","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=478488"},"modified":"2025-02-09T13:29:19","modified_gmt":"2025-02-09T16:29:19","slug":"baixa-escolaridade-e-o-principal-fator-de-risco-para-declinio-cognitivo-no-brasil-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/baixa-escolaridade-e-o-principal-fator-de-risco-para-declinio-cognitivo-no-brasil-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Baixa escolaridade \u00e9 o principal fator de risco para decl\u00ednio cognitivo no Brasil, diz estudo"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nem o sexo, nem doen\u00e7as pr\u00e9-existentes. No Brasil, a baixa escolaridade \u00e9 o principal fator de risco para o decl\u00ednio cognitivo em idosos, de acordo com um estudo publicado na revista The Lancet Global Health.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-294184 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/aluna-sala-aula1.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/aluna-sala-aula1.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/aluna-sala-aula1-80x60.jpeg 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/aluna-sala-aula1-118x88.jpeg 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/aluna-sala-aula1-160x120.jpeg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 algo paradoxal: para evitar o decl\u00ednio cognitivo associado ao envelhecimento, o mais importante \u00e9 investir em educa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da vida. Tudo est\u00e1 conectado\u201d, comenta Eduardo Zimmer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e l\u00edder do estudo.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio cognitivo \u00e9 caracterizado pela redu\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cerebrais, como queda da mem\u00f3ria, linguagem ou racioc\u00ednio. \u00c9 comum que ele aconte\u00e7a em certa medida ap\u00f3s os 50 anos, mas h\u00e1 fatores que aumentam as chances, bem como a intensidade da condi\u00e7\u00e3o. Quadros de dem\u00eancia tamb\u00e9m s\u00e3o marcados por essa diminui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m de um modo que interfere nas atividades di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Depois da escolaridade, os principais fatores de risco para a popula\u00e7\u00e3o brasileira apontados no estudo, realizado com apoio do Instituto Serrapilheira, s\u00e3o sintomas de sa\u00fade mental, falta de atividade f\u00edsica, tabagismo e isolamento social.<\/p>\n<p>Recorte nacional<\/p>\n<p>Os pesquisadores usaram intelig\u00eancia artificial e tecnologia de machine learning para analisar os dados de mais de 41 mil pessoas de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina (Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Uruguai e Chile).<\/p>\n<p>Para avaliar especificamente a popula\u00e7\u00e3o brasileira, foram estudados os dados de 9.412 participantes do Estudo Longitudinal da Sa\u00fade dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil). Segundo Zimmer, a tecnologia cruzou informa\u00e7\u00f5es como incid\u00eancia de decl\u00ednio cognitivo, situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica e n\u00edvel educacional.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s reunimos os dados e os fatores de risco conhecidos e colocamos dentro do algoritmo. Ent\u00e3o, perguntamos a ele quais os maiores fatores de risco associados com decl\u00ednio cognitivo. Assim, ele p\u00f4de desenvolver a resposta\u201d, relata.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise foi motivada pela considera\u00e7\u00e3o de que, enquanto estudos da Am\u00e9rica do Norte e Europa indicam idade, sexo (mulheres s\u00e3o mais suscet\u00edveis) e algumas doen\u00e7as como principais fatores de risco para a queda da cogni\u00e7\u00e3o, no Sul global os motivos poderiam ser diferentes, dada a realidade social e econ\u00f4mica distinta.<\/p>\n<p>Por que a escolaridade?<\/p>\n<p>Em 2022, uma pesquisa da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) destacou que o tempo de educa\u00e7\u00e3o formal tinha impacto na dem\u00eancia no Brasil. A baixa escolaridade tamb\u00e9m \u00e9 listada entre os 14 fatores de risco modific\u00e1veis para a dem\u00eancia, definidos por uma comiss\u00e3o de especialistas da revista The Lancet.<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, o mesmo vale para o decl\u00ednio cognitivo. De modo geral, estudos apontam que a educa\u00e7\u00e3o formal proporciona est\u00edmulos que contribuem para a constru\u00e7\u00e3o da \u201creserva cognitiva\u201d. Assim, acredita-se que idosos com maior escolaridade tenham rotas compensat\u00f3rias que minimizam preju\u00edzos causados \u00e0s vias de ativa\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios por les\u00f5es degenerativas, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se a educa\u00e7\u00e3o fosse um exerc\u00edcio para o c\u00e9rebro\u201d, diz Zimmel. O especialista ilustra essa rela\u00e7\u00e3o da seguinte forma: imagine a comunica\u00e7\u00e3o entre dois neur\u00f4nios, A e B. Para o primeiro acessar uma informa\u00e7\u00e3o do segundo, ele ter\u00e1 de busc\u00e1-la, fazendo um caminho dentro do c\u00e9rebro, por meio das sinapses. Quanto mais uma pessoa estuda, mais caminhos s\u00e3o tra\u00e7ados em seu c\u00e9rebro para essa comunica\u00e7\u00e3o. Assim, ela ter\u00e1 diversas vias para acessar a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 o sujeito que n\u00e3o foi escolarizado ter\u00e1 um \u00fanico trajeto poss\u00edvel. Se, com o passar do tempo, ele perder essa conex\u00e3o, n\u00e3o ir\u00e1 mais conseguir buscar a informa\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria que est\u00e1 no neur\u00f4nio B\u201d, compara.<\/p>\n<p>Mas os achados valem apenas para a educa\u00e7\u00e3o formal? De acordo com o pesquisador, o novo estudo analisou apenas a rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, mas h\u00e1 pesquisas que prop\u00f5em que outras formas de estimula\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro podem ter efeitos ben\u00e9ficos.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o exemplos: ler, praticar exerc\u00edcios que envolvam cogni\u00e7\u00e3o, aprender coisas novas e estudar novas l\u00ednguas\u201d, comenta o cientista. Ele ressalta, no entanto, que os potenciais benef\u00edcios ainda precisam ser mais estudados para que os efeitos sejam comprovados.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/p>\n<p>No Brasil, aproximadamente 8,5% da popula\u00e7\u00e3o com 60 anos ou mais tem algum tipo de dem\u00eancia, o que equivale a cerca de 2,71 milh\u00f5es de casos, de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A proje\u00e7\u00e3o para 2050 \u00e9 de 5,6 milh\u00f5es de indiv\u00edduos com a condi\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Diante disso, para Zimmer, o ponto mais importante da pesquisa \u00e9 reunir informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre a popula\u00e7\u00e3o brasileira para pensar as melhores a\u00e7\u00f5es no contexto nacional.<\/p>\n<p>\u201cA informa\u00e7\u00e3o que costumamos usar para desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 sa\u00fade cerebral s\u00e3o, em sua maioria, aquelas desenvolvidas no Norte global. Essa \u00e9 uma \u00e1rea que ainda tem poucos estudos na Am\u00e9rica Latina\u201d, analisa.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos entender o c\u00e9rebro do brasileiro melhor. Dessa forma, poderemos garantir uma maior qualidade de vida para a popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"assinatura_exclusiva\">Layla Shasta, Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O decl\u00ednio cognitivo \u00e9 caracterizado pela redu\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cerebrais, como queda da mem\u00f3ria, linguagem ou racioc\u00ednio. \u00c9 comum que ele aconte\u00e7a em certa medida ap\u00f3s os 50 anos, mas h\u00e1 fatores que aumentam as chances, bem como a intensidade da condi\u00e7\u00e3o. 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