{"id":480798,"date":"2025-03-06T04:26:48","date_gmt":"2025-03-06T07:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=480798"},"modified":"2025-03-06T04:26:48","modified_gmt":"2025-03-06T07:26:48","slug":"eu-sozinho-e-os-ultimos-acordes-de-momo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/eu-sozinho-e-os-ultimos-acordes-de-momo\/","title":{"rendered":"Eu sozinho e os \u00faltimos acordes de momo"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7d2fc729 titulo-post elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"7d2fc729\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-59e555ed elementor-widget elementor-widget-post-info\" data-id=\"59e555ed\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"post-info.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<section class=\"elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-7e25a070 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7e25a070\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-24f401b5\" data-id=\"24f401b5\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6b34b66e elementor-share-buttons--view-icon elementor-share-buttons--skin-flat elementor-share-buttons--align-right elementor-share-buttons--shape-square elementor-grid-0 elementor-share-buttons--color-official elementor-widget elementor-widget-share-buttons\" data-id=\"6b34b66e\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;share_url&quot;:{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/blogdomagno.com.br\\\/eu-sozinho-e-os-ultimos-acordes-de-momo\\\/&quot;,&quot;is_external&quot;:&quot;&quot;,&quot;nofollow&quot;:&quot;&quot;,&quot;custom_attributes&quot;:&quot;&quot;}}\" data-widget_type=\"share-buttons.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-grid\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-480799 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mascara-carnaval-620x465.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mascara-carnaval-620x465.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mascara-carnaval-300x225.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mascara-carnaval-80x60.jpg 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mascara-carnaval-118x88.jpg 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mascara-carnaval-160x120.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mascara-carnaval.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-9c7ee031-1662-4151-ac26-a4cca72025cf\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand \">\n<div id=\"ub-expand-portion-\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\">\n<p><strong>Por Blog do Fl\u00e1vio Chaves*<\/strong><\/p>\n<p>A noite j\u00e1 se despede, arrastando consigo os \u00faltimos acordes de frevo, os ecos de risos e os suspiros de quem ainda tenta prolongar a magia ef\u00eamera do Carnaval. As ruas, outrora inundadas de cores, brilhos e alegria, agora respiram o sil\u00eancio cansado de quem dan\u00e7ou at\u00e9 n\u00e3o poder mais. E l\u00e1 ia ele, o foli\u00e3o solit\u00e1rio, carregando nas m\u00e3os o estandarte que, como um espelho da alma, confessava ao mundo: \u201cEu sozinho\u201d.<\/p>\n<p>Ele havia sa\u00eddo de casa com o cora\u00e7\u00e3o cheio de esperan\u00e7as, como quem carrega um bal\u00e3o colorido, pronto para subir aos c\u00e9us. Acreditava que, em meio aos blocos l\u00edricos, aos maracatus pulsantes, aos caboclinhos que dan\u00e7avam como se o ch\u00e3o fosse um altar, ele encontraria ela. A mulher dos seus sonhos, a que completaria a letra do frevo que ele cantava baixinho enquanto se arrumava diante do espelho. Mas o Carnaval, esse mestre ilusionista, brincou com ele. Mostrou-lhe rostos, sorrisos, olhares que cruzaram os seus, mas nenhum que parasse para ficar.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-portion-\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p>Ele seguiu todos os ritmos, como quem segue pistas de um tesouro perdido. Nos blocos de rua, misturou-se \u00e0 multid\u00e3o, sentindo o calor dos corpos, o suor que escorria como um rio de vida. Nas passarelas, aplaudiu as fantasias que pareciam sa\u00eddas de sonhos, mas nenhuma delas trouxe consigo o rosto que ele ansiava. Nos maracatus, deixou-se embalar pelos tambores, que batiam como se fossem o cora\u00e7\u00e3o da cidade, mas nem mesmo a cad\u00eancia mais forte conseguiu sincronizar o seu cora\u00e7\u00e3o com outro. E nos caboclinhos, onde as penas coloridas voavam como p\u00e1ssaros em \u00eaxtase, ele buscou, em v\u00e3o, o olhar que o faria sentir-se em casa.<\/p>\n<p>A quarta-feira de cinzas chegou como um suspiro melanc\u00f3lico. O sol ainda n\u00e3o havia nascido, mas a madrugada j\u00e1 vestia o manto cinzento da despedida. Ele caminhava devagar, como quem carrega um fardo invis\u00edvel. O estandarte, que antes era leve, agora pesava como uma l\u00e1pide. \u201cEu sozinho\u201d, lia-se nele, em letras que pareciam chorar. Mas, em um gesto de pura solidariedade humana, outros foli\u00f5es, cansados mas ainda cheios de ternura, juntaram-se a ele. Formaram uma pequena prociss\u00e3o, uma \u00faltima roda de Carnaval, e come\u00e7aram a cantar um frevo de bloco, daqueles que falam de amores perdidos, de saudades que doem e de esperan\u00e7as que teimam em renascer.<\/p>\n<p>Era um canto nost\u00e1lgico, mas tamb\u00e9m cheio de beleza. Como se dissessem a ele: \u201cN\u00e3o est\u00e1s sozinho, amigo. A vida \u00e9 um Carnaval, e nem sempre encontramos o amor que buscamos, mas seguimos dan\u00e7ando, porque a m\u00fasica n\u00e3o pode parar.\u201d Ele sorriu, um sorriso pequeno, mas verdadeiro. E, enquanto caminhavam, as luzes da cidade come\u00e7avam a se apagar, uma a uma, como estrelas que se despedem do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Ao chegar em casa, ele colocou o estandarte no canto da sala, onde a luz do amanhecer pudesse ilumin\u00e1-lo. \u201cEu sozinho\u201d, lia-se ainda, mas agora as palavras pareciam menos duras, menos definitivas. Ele sabia que o Carnaval havia acabado, mas tamb\u00e9m sabia que a vida era feita de ciclos. E, em algum lugar, talvez no pr\u00f3ximo ano, ou no pr\u00f3ximo bloco, ou na pr\u00f3xima esquina, ele encontraria o amor que buscava. At\u00e9 l\u00e1, seguiria dan\u00e7ando, porque a m\u00fasica, ah, a m\u00fasica nunca pode parar.<\/p>\n<p>E assim, enquanto o sol nascia, ele fechou os olhos e deixou que o frevo de bloco, agora apenas uma melodia na mem\u00f3ria, o embalasse em um sono tranquilo. Porque, no fim das contas, mesmo sozinho, ele ainda tinha a m\u00fasica, a poesia e a promessa de que, um dia, o cora\u00e7\u00e3o bateria no mesmo ritmo que outro.<\/p>\n<p>E, naquele instante, enquanto a cidade acordava e o Carnaval se transformava em lembran\u00e7a, ele percebeu que a vida era como um grande cortejo: \u00e0s vezes estamos \u00e0 frente, carregando o estandarte; outras vezes, nos perdemos no meio da multid\u00e3o, mas sempre seguimos em frente, porque a marcha n\u00e3o pode parar.<\/p>\n<p>E, no sil\u00eancio que se seguia \u00e0 festa, ele encontrou uma quietude que n\u00e3o era vazia, mas cheia de possibilidades. Porque, afinal, at\u00e9 mesmo a solid\u00e3o pode ser um ref\u00fagio onde se aprende a ouvir o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. E, enquanto ele dormia, sonhou com um novo Carnaval, onde o estandarte j\u00e1 n\u00e3o dizia \u201cEu sozinho\u201d, mas sim \u201cEu esperei, e valeu a pena\u201d.<\/p>\n<p><strong>*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele seguiu todos os ritmos, como quem segue pistas de um tesouro perdido. Nos blocos de rua, misturou-se \u00e0 multid\u00e3o, sentindo o calor dos corpos, o suor que escorria como um rio de vida. 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