{"id":482526,"date":"2025-03-22T09:38:43","date_gmt":"2025-03-22T12:38:43","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=482526"},"modified":"2025-03-22T09:38:43","modified_gmt":"2025-03-22T12:38:43","slug":"entenda-como-um-consul-dos-eua-roubou-um-cranio-male-e-os-esforcos-do-brasil-para-traze-lo-de-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/entenda-como-um-consul-dos-eua-roubou-um-cranio-male-e-os-esforcos-do-brasil-para-traze-lo-de-volta\/","title":{"rendered":"Entenda como um c\u00f4nsul dos EUA roubou um cr\u00e2nio mal\u00ea e os esfor\u00e7os do Brasil para traz\u00ea-lo de volta"},"content":{"rendered":"<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full\">\n<h1 id=\"titulo-e8l6izl7fk\" class=\"component--titulo font-family-secondary text-[34px] font-semibold leading-[50px] text-tw-theme-text-default md:max-lg:text-[40px] lg:text-[42px] lg:leading-[50px]\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 id=\"linha-fina-tcln5mpeav\" class=\"text-tw-theme-box-linha-fina-default font-normal text-[16px]\">Grupo de trabalho formado por pesquisadores e pela comunidade isl\u00e2mica da Bahia come\u00e7ou a campanha h\u00e1 tr\u00eas anos; Universidade de Harvard diz que vai devolver, ap\u00f3s entrada do Itamaraty nas negocia\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Por: Thais Borges, do Correio<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"informacao-publicacao-gxrrvaemru\" class=\"flex flex-col gap-2 text-tw-theme-text-default font-family-primary m-0 text-sm\">\n<div class=\"flex flex-row justify-between items-center gap-2\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"imagem-20i1sv92m2\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\">\n<div id=\"gft-up-divMM\">\n<div id=\"gft-41012-banner-ad_bg\" class=\"gft-up-divMain center\">\n<div id=\"gft-up_close\" class=\"gft-up-close\"><\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-482527 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-620x463.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"463\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-620x463.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-300x224.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-768x573.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-80x60.webp 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-118x88.webp 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-160x119.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article-640x478.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<p>Universidades como Harvard guardam milhares de cr\u00e2nios roubados\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/National Library of Medicine<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-ee8j1flalc\" style=\"text-align: justify;\">Quase um ano ap\u00f3s a Revolta dos Mal\u00eas, o diplomata americano Gideon Snow chegou a Boston, em 1836, carregando um cr\u00e2nio roubado. Vindo de Salvador, o ent\u00e3o vice-c\u00f4nsul dos Estados Unidos em Alagoas (que logo se tornaria c\u00f4nsul do pa\u00eds em Pernambuco), gabava-se de estar portando uma esp\u00e9cie de trof\u00e9u. Era a cabe\u00e7a de um combatente do levante, liderado por africanos mu\u00e7ulmanos, que tinha tomado as ruas soteropolitanas em janeiro de 1835, contra a escravid\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-lveaycbzjo\">H\u00e1 quase 190 anos, o cr\u00e2nio desse combatente est\u00e1 em solo americano &#8211; mais especificamente, no acervo do Peabody Museum, o museu arqueol\u00f3gico da Universidade de Harvard. Mais do que isso: os restos mortais do guerreiro, que pode ter sido um dos l\u00edderes da batalha, est\u00e3o no centro de uma discuss\u00e3o sobre racismo cient\u00edfico e sobre o papel que grandes institui\u00e7\u00f5es, tal qual Harvard, tiveram para a propaga\u00e7\u00e3o das teorias racistas de eugenia. Agora, a universidade finalmente confirmou que pretende devolv\u00ea-lo ao Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-x713m6a2ka\">Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, uma articula\u00e7\u00e3o entre pesquisadores e o Centro Cultural Isl\u00e2mico da Bahia promoveu uma campanha por esse retorno. O di\u00e1logo com a universidade, contudo, foi infrut\u00edfero durante boa parte do tempo. O cen\u00e1rio s\u00f3 mudou com a entrada do governo brasileiro, especialmente do Itamaraty.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-dqjmm3t6rs\">Para a comunidade mu\u00e7ulmana na Bahia, o combatente mal\u00ea era um irm\u00e3o. \u201cA gente est\u00e1 fazendo a nossa parte. Nenhum de n\u00f3s conheceu ele (o combatente), mas ele \u00e9 um ser humano e \u00e9 mu\u00e7ulmano, ent\u00e3o a gente precisa honrar isso. O Isl\u00e3 n\u00e3o permite que o corpo mu\u00e7ulmano fique em museu&#8221;, explica o sheik Abdul Ahmad, que \u00e9 o l\u00edder do CCIB. Iorubano, Ahmad \u00e9 tamb\u00e9m um mal\u00ea.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-sqqzw5wqhm\">Uma vez que retorne ao Brasil, o cr\u00e2nio deve passar pelos rituais f\u00fanebres do islamismo para, em seguida, ser enterrado. Em nota, o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (Itamaraty) confirmou \u00e0 reportagem que o governo federal est\u00e1 \u201cem tratativas com a Universidade de Harvard para estabelecer os tr\u00e2mites da devolu\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o final dos restos mortais&#8221;. A universidade ainda se comprometeu a devolver outro cr\u00e2nio roubado do Rio de Janeiro, nos anos 1870. De acordo com a documenta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m tratava-se de um homem africano, que teria sido \u2018retirado das ruas&#8217;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-nj0474wsrl\">O processo e a mobiliza\u00e7\u00e3o de diferentes segmentos t\u00eam sido vistos por especialistas como um primeiro passo para fundamentar a repatria\u00e7\u00e3o de restos mortais roubados do Brasil que est\u00e3o em outras institui\u00e7\u00f5es pelo mundo. H\u00e1 ind\u00edcios de que cr\u00e2nios de ind\u00edgenas brasileiros s\u00e3o mantidos por museus na Europa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-fmsaa1if3g\"><b>Di\u00e1logo<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-vnkkfmtt7l\">A exist\u00eancia de um cr\u00e2nio mal\u00ea no Peabody Museum foi descoberta em 2022, quando o jornal estudantil The Harvard Crimson revelou o conte\u00fado de um relat\u00f3rio interno da universidade. Segundo o documento, Harvard mantinha restos humanos de pelo menos 19 indiv\u00edduos escravizados e cerca de sete mil ind\u00edgenas americanos. O texto destacava o que entendia ser um s\u00edmbolo do \u201ccompromisso e da cumplicidade\u201d da institui\u00e7\u00e3o com a escravid\u00e3o e o colonialismo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-qdwo7bljl8\">Naquele mesmo ano, o historiador Christopher D. E. Willoughby publicou o livro Masters of Health, que dedica um trecho detalhado ao cr\u00e2nio mal\u00ea. Ele aponta que a hist\u00f3ria da Revolta dos Mal\u00eas e a di\u00e1spora africana na Bahia eram desconhecidas da maior parte dos estudantes de medicina que manusearam a cabe\u00e7a. \u201cOs \u200b\u200balunos provavelmente viram como apenas mais um cr\u00e2nio africano em uma prateleira cheia de cr\u00e2nios de pessoas negras (tradu\u00e7\u00e3o livre)&#8221;, escreve.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-xdye1szrkc\">Foi neste contexto que o historiador Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e maior pesquisador da Revolta dos Mal\u00eas no mundo, soube do cr\u00e2nio. Seu livro Rebeli\u00e3o Escrava no Brasil, publicado originalmente em 2003, acaba de ganhar uma edi\u00e7\u00e3o comemorativa revista e \u201cbem pouco ampliada\u201d, segundo o autor, pela Companhia das Letras.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-bs54jxwe6s\" style=\"text-align: justify;\">Reis lecionou em Harvard em 2012 e logo acionou a rede de contatos que tem na institui\u00e7\u00e3o. Ele se reuniu com pesquisadores da universidade para discutir, ainda naquela \u00e9poca, o que poderia ser feito para a devolu\u00e7\u00e3o do cr\u00e2nio. No mesmo per\u00edodo, o professor buscou o sheik Abdul Ahmad e a soci\u00f3loga Hannah Bellini, que desenvolve pesquisas com a comunidade isl\u00e2mica na Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sheik e Hannah continuaram a negocia\u00e7\u00e3o (com a universidade), mas com longos sil\u00eancios, porque Harvard alegava que tinha um conselho \u00e9tico que s\u00f3 se reunia de vez em quando. A gente n\u00e3o sabia como esse conselho funcionava, nem seus resultados nos eram comunicados\u201d, conta o historiador. No ano passado, eles decidiram dar um nome ao grupo de trabalho: Arakunrin &#8211; que significa \u2018irm\u00e3o\u2019, em iorub\u00e1.<\/p>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-rguqwnf2rx\">Em 2023, o professor Bruno V\u00e9ras, que \u00e9 docente na Universidade de Toronto e tamb\u00e9m passou a integrar a campanha, organizou um semin\u00e1rio em uma de suas aulas com a participa\u00e7\u00e3o do professor Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis, do sheik Abdul Ahmad e da soci\u00f3loga Hannah Bellini.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-oe4wl4rdup\">Naquele evento, estava o diplomata brasileiro Jackson Lima, acompanhando a discuss\u00e3o. Em novembro de 2024, V\u00e9ras promoveu novamente a sess\u00e3o de aula e contou com a presen\u00e7a de dois outros participantes do debate: a diplomata brasileira Tatiana Teixeira, que atua no departamento respons\u00e1vel pela repatria\u00e7\u00e3o de bens culturais, e da diretora do Peabody Museum, Jane Pickering. \u201cAt\u00e9 aquele momento, Harvard n\u00e3o estava nos considerando um interlocutor leg\u00edtimo. A gente tinha percebido, mas n\u00e3o queria acreditar\u201d, diz o professor Jo\u00e3o Reis.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-dv1gd8yhqv\">Uma vez que uma representante do Itamaraty estava no local, o di\u00e1logo mudou. \u201cQuando ela (a diretora) viu que tinha se tornado uma quest\u00e3o de estado, ela passou a levar mais a s\u00e9rio nossa demanda. Ap\u00f3s dois anos de di\u00e1logo, ela nos fez entender que n\u00e3o \u00e9ramos interlocutores leg\u00edtimos, o governo brasileiro sim\u201d, acrescenta. Desde ent\u00e3o, a negocia\u00e7\u00e3o passou a ser feita entre Harvard e o Itamaraty. Os Minist\u00e9rios da Cultura, dos Direitos Humanos e Cidadania, da Igualdade Racial e da Ci\u00eancia e Tecnologia acompanham e podem atuar na quest\u00e3o no futuro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"imagem-f9b7ine2af\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w-full h-auto\" src=\"https:\/\/midias.correio24horas.com.br\/2025\/03\/21\/livro-encontrado-preso-no-pescoco-de-um-dos-combatentes-males-mortos-no-levante-2657566.jpg\" alt=\"Livro encontrado preso no pesco\u00e7o de um dos combatentes mal\u00eas mortos no levante\" width=\"373\" height=\"511\" \/><\/figure>\n<p>Livro encontrado preso no pesco\u00e7o de um dos combatentes mal\u00eas mortos no levante\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Cole\u00e7\u00e3o Instituto Hist\u00f3rico IHGB\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-bu0mt6rr64\"><b>Cabe\u00e7a<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-o9k8b6v4w2\">O cr\u00e2nio mal\u00ea foi inicialmente enviado por Gideon Snow a J. C. Hayward, um m\u00e9dico de Boston que doou os restos mortais \u00e0 cole\u00e7\u00e3o da Boston Society for Medical Improvement, antes do ano de 1847. Essa cole\u00e7\u00e3o foi oficialmente incorporada pelo Warren Anatomical Museum em 1889. De acordo com o professor Bruno V\u00e9ras, existem documentos no Peabody Museum que tratam da chegada do cr\u00e2nio, a exemplo de livros de entrada e de relat\u00f3rios m\u00e9dicos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-h6wmncb5zx\">A descri\u00e7\u00e3o feita por Gideon Snow, em uma carta que acompanhava o cr\u00e2nio, diz se tratar de um \u201cafricano genu\u00edno, da tribo Nag\u00f4, valorizado entre os outros negros por sua grande estatura, largura de ombros, simetria e for\u00e7a dos membros\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). Snow citava especificamente que o homem tinha sido um dos l\u00edderes da revolta acontecida em janeiro de 1835. \u201cEle foi morto ap\u00f3s um combate violento, a coragem da sua tribo sendo totalmente igual \u00e0 sua for\u00e7a herc\u00falea\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-ykz4ou6m31\">O professor Bruno V\u00e9ras, contudo, \u00e9 cauteloso. \u201cTeria mesmo sido ele um l\u00edder? A gente n\u00e3o sabe. Mas \u00e9 interessante ele (Snow) ter apontado o papel dessa pessoa, porque outra informa\u00e7\u00e3o que temos nesse documento \u00e9 que a cabe\u00e7a desse homem foi retirada ainda fresca, pouco depois de sua morte\u201d, explica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-n0wmkbkvhl\" style=\"text-align: justify;\">A descri\u00e7\u00e3o de Snow dizia, ainda, que o homem foi atingido por um tiro de mosquete (uma arma semelhante a uma espingarda) e morreu no Hosp\u00edcio de Jerusal\u00e9m &#8211; era assim que os hospitais eram chamados na \u00e9poca. O local funcionava como hospital e hospedagem para peregrinos, com a inten\u00e7\u00e3o de coletar esmolas e recursos para serem enviados a Jerusal\u00e9m, para manuten\u00e7\u00e3o dos lugares crist\u00e3os sagrados em Israel.<\/p>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-a6z3xwiwa0\">\u201cA leitura que eu fa\u00e7o \u00e9 que esse homem estava participando das batalhas, sendo l\u00edder ou n\u00e3o, porque as duas coisas s\u00e3o prov\u00e1veis, e foi ferido de bala. Ele foi levado at\u00e9 essa institui\u00e7\u00e3o ou conseguiu, ele mesmo, ir at\u00e9 l\u00e1, onde morreu desse ferimento\u201d, explica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-dmas8hx5rv\">Al\u00e9m de Gideon Snow, seu irm\u00e3o, Theodore Snow, \u00e9 considerado algu\u00e9m com poss\u00edvel envolvimento com a retirada do cranio do Brasil. Theodore, um comerciante que tamb\u00e9m era pastor protestante, estava no Brasil em 1836 e passou pela Bahia. Ele era ex-estudante de Harvard e, segundo V\u00e9ras, ainda tinha conex\u00f5es na universidade. Gideon, por sua vez, morava em Recife, mas tinha neg\u00f3cios de a\u00e7\u00facar na Bahia e sempre vinha a Salvador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-580gaaxcun\">&#8220;Theodore escreveu um manuscrito de viagem que estou analisando agora. Ele n\u00e3o cita o cr\u00e2nio, o que \u00e9 interessante tambem. \u00c9 semelhante ao que ocorreu com o cr\u00e2nio do Rio, que tamb\u00e9m n\u00e3o aparece na documenta\u00e7\u00e3o oficial e nesses registros pessoais. Isso mostra que essas pessoas tinham ci\u00eancia da contradi\u00e7\u00e3o do que eles estavam fazendo. Eles sabiam que o que estavam fazendo era errado&#8221;, diz. O cr\u00e2nio do Rio foi retirado durante uma miss\u00e3o cient\u00edfica oficial americana ao Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"imagem-o7xcq20yyz\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w-full h-auto\" src=\"https:\/\/midias.correio24horas.com.br\/2025\/03\/21\/apos-articulacao-de-pesquisadores-comunidade-islamica-e-itamaraty--harvard-vai-devolver-cranio-de-combatente-male-2658381-article.webp\" alt=\"Ap\u00f3s articula\u00e7\u00e3o de pesquisadores, comunidade isl\u00e2mica e Itamaraty,  Harvard vai devolver cr\u00e2nio de combatente mal\u00ea\" width=\"600\" height=\"373\" \/><\/figure>\n<p>Cr\u00e2nio ao chegar a Salvador deve passar por teste de DNA\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Design de Quintino Andrade com ilustra\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio p\u00fablico<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-jsfab34doq\"><b>Identidade<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-ehewdud3xe\">Uma vez que o cr\u00e2nio chegar a Salvador, ele deve passar tamb\u00e9m por um teste de DNA. Segundo o professor Jo\u00e3o Reis, esse exame ser\u00e1 feito pela Ufba. Uma amostra deve ser retirada e enviada para laborat\u00f3rios que tenham acesso a bancos de dados de DNA ancestral.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-z3wb9sj3us\">\u201cNaquela \u00e9poca, n\u00e3o morreram apenas mal\u00eas. Teve gente que morreu do outro lado tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, para ter certeza de que esse cr\u00e2nio pertence ou pertenceu a um indiv\u00edduo que foi escravizado num territ\u00f3rio onde existia um grupo muito importante de mu\u00e7ulmanos, isso ser\u00e1 feito\u201d, diz. Os planos tamb\u00e9m incluem fazer uma reconstitui\u00e7\u00e3o facial que possa dar uma ideia aproximada. Mesmo com o teste de DNA, ainda n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel afirmar que realmente seria de um l\u00edder da Revolta dos Mal\u00eas, tal como afirma o bilhete de Gideon Snow.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-qz5vzw5uxu\">Para chegar \u00e0 idade do combatente mal\u00ea, contudo, \u00e9 preciso continuar a pesquisa tamb\u00e9m com o Hospital de Jerusal\u00e9m. Segundo Bruno V\u00e9ras, houve um inc\u00eandio no local e boa parte dos livros de registro do hospital foram perdidos. O que foi recuperado foi enviado a outros arquivos religiosos de Salvador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-rqkqqhvfbo\">&#8220;A gente j\u00e1 come\u00e7ou a fazer pesquisas sobre a exist\u00eancia dessa documenta\u00e7\u00e3o em alguns lugares. Se algum livro de 1835 sobreviveu, provavelmente a gente encontraria o nome desse africano com ferimento grave de bala nos idos do final de janeiro&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-y0d4ww9swv\">O cr\u00e2nio n\u00e3o fica exposto no Peabody Museum, mas est\u00e1 em seu arquivo &#8211; a chamada reserva t\u00e9cnica. Para pesquisadores terem acesso a ele, \u00e9 preciso passar por um processo burocr\u00e1tico grande. &#8220;Nenhum brasileiro conseguiu ter acesso a ele ainda&#8221;, acrescenta V\u00e9ras.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-299zkwkruc\" style=\"text-align: justify;\">Essa demora tem a ver tamb\u00e9m com o tamanho de Harvard, na avalia\u00e7\u00e3o do historiador Carlos da Silva J\u00fanior, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e tamb\u00e9m membro do grupo de trabalho.<\/p>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-vaitclzl8o\">&#8220;Harvard, em certa medida, se considerou um Estado que s\u00f3 dialogava com outro Estado. Mas esse di\u00e1logo entre a universidade e o estado brasileiro \u00e9 muito pertinente, pensando no papel que a escravid\u00e3o teve no Brasil. Ter uma interven\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro \u00e9 uma forma de repara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m &#8211; uma das muitas que o Estado brasileiro deve fazer&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-wpwhr9qxyv\">\u00c9 marcante tamb\u00e9m que isso aconte\u00e7a quando se completam 190 anos da Revolta dos Mal\u00eas. De acordo com Silva J\u00fanior, isso faz com que a repatria\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja importante somente para a comunidade isl\u00e2mica, mas para a Hist\u00f3ria da Bahia. &#8220;Foi um dos eventos mais traum\u00e1ticos n\u00e3o s\u00f3 da Bahia, mas das Am\u00e9ricas. \u00c9 a maior revolta urbana das Am\u00e9ricas&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-irz36l4l19\"><b>Comunidade<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-zmql5frudp\">Os ritos f\u00fanebres do islamismo incluem a lavagem do corpo, que deve ser enrolado em tecidos brancos chamados de mortalha. Depois da ora\u00e7\u00e3o, o corpo \u00e9 enterrado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-7u3lhypcor\">&#8220;Para a nossa religi\u00e3o, a morte significa que a pessoa deixou a vida para tr\u00e1s e abriu o caminho para uma segunda vida. Temos que honrar essa pessoa&#8221;, diz o sheik Abdul Ahmad. &#8220;Claro que n\u00e3o d\u00e1 mais para dar banho no cr\u00e2nio, mas vamos honrar e fazer o que precisa ser feito: dirigir a ora\u00e7\u00e3o para o cr\u00e2nio e enterrar no ch\u00e3o&#8221;, completa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-qqbpxk8azh\">A soci\u00f3loga Hannah Bellini, doutora em Cultura e Sociedade, explica que toda a solicita\u00e7\u00e3o de repatria\u00e7\u00e3o foi feita com base \u00e9tnica e religiosa. &#8220;N\u00e3o \u00e9 o pedido de retorno de um bem cultural ou material simplesmente. No contexto americano, existe at\u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o que informa como deve ser feito esse pedido&#8221;, diz, referindo-se \u00e0 norma para repatria\u00e7\u00e3o dos Native American, os ind\u00edgenas americanos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-wtjarot2lw\">Independentemente de o dono do cr\u00e2nio ter sido protagonista ou mero participante da Revolta dos Mal\u00eas, ele era um homem mu\u00e7ulmano. Por isso, devem ser aplicadas todas as premissas que s\u00e3o aplicadas a qualquer outro mu\u00e7ulmano.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-w3grraafhv\">&#8220;Tem a dimens\u00e3o pol\u00edtica da presen\u00e7a do isl\u00e3 na Bahia, que \u00e9 indissoci\u00e1vel desse protagonismo que eles tiveram. A Revolta dos Mal\u00eas \u00e9 central nessa hist\u00f3ria&#8221;, pontua.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\" style=\"text-align: justify;\">\n<p id=\"paragrafo-q8n0tyx5et\">Durante o levante, estima-se que cerca de 20% dos escravizados em Salvador eram mal\u00eas. Nas d\u00e9cadas que seguiram \u00e0 revolta, o islamismo quase desapareceu da paisagem religiosa local. &#8220;S\u00f3 tivemos o retorno dos mal\u00eas com a chegada de um grupo em 1988 e com a funda\u00e7\u00e3o do CCIBA, em 1993. A \u00c1frica, hoje, \u00e9 40% isl\u00e2mica, enquanto a Nig\u00e9ria \u00e9 52%. Essa \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que estabelece um elo pouco vis\u00edvel entre a Bahia e o continente africano, mas \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o significativa para esse di\u00e1logo na contemporaneidade&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col p-2 px-0 w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-7rduo2pe43\" style=\"text-align: justify;\">O Peabody Museum n\u00e3o respondeu aos contatos da reportagem e o Itamaraty n\u00e3o respondeu se j\u00e1 existe um cronograma ou prazo final para a repatria\u00e7\u00e3o. Ainda assim, o processo vem sendo encarado como um movimento que pode inspirar novos pedidos de repatria\u00e7\u00e3o no futuro. &#8220;Consegui fazer um levantamento preliminar e h\u00e1 ind\u00edcios de que temos alguns cr\u00e2nios ind\u00edgenas na Europa, mas eles v\u00eam de relat\u00f3rios antigos. Uma pesquisa mais detalhada de proced\u00eancia e aloca\u00e7\u00e3o desses materiais humanos precisa ser feita e deve ser em v\u00e1rias l\u00ednguas&#8221;, explica o professor Bruno V\u00e9ras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo de trabalho formado por pesquisadores e pela comunidade isl\u00e2mica da Bahia come\u00e7ou a campanha h\u00e1 tr\u00eas anos; Universidade de Harvard diz que vai devolver, ap\u00f3s entrada do Itamaraty nas negocia\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":482527,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6,7],"tags":[],"class_list":["post-482526","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/universidades-como-harvard-guardam-milhares-de-cranios-roubados-2657564-article.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=482526"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482526\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/482527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=482526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=482526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=482526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}