{"id":483615,"date":"2025-04-01T02:40:49","date_gmt":"2025-04-01T05:40:49","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=483615"},"modified":"2025-04-01T02:41:16","modified_gmt":"2025-04-01T05:41:16","slug":"duas-maos-e-o-sentimento-do-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/duas-maos-e-o-sentimento-do-sertao\/","title":{"rendered":"Duas m\u00e3os e o sentimento do Sert\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-483616 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/eduardo-arraes-620x419.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/eduardo-arraes-620x419.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/eduardo-arraes-300x203.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/eduardo-arraes-768x518.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/eduardo-arraes-160x108.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/eduardo-arraes-640x432.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/eduardo-arraes.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-164554e9-aabb-4475-b25c-514939559c07\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand \">\n<div id=\"ub-expand-portion-\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Campos (PSB) pisou no solo sagrado do Rio Paje\u00fa s\u00e1bado passado. De l\u00e1, seus aliados sa\u00edram energizados pela poesia que brota f\u00e1cil da sua gente. \u201cEu sou da terra onde as almas s\u00e3o todas de cantadores. Sou do Paje\u00fa das flores, tenho raz\u00e3o de cantar\u201d, cantou o gigante Rogaciano Leite, que nasceu e viveu versejando nas veredas com a sua viola entre Itapetim e S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito.<\/p>\n<p>No mesmo poema, ele diz: \u201cN\u00e3o sou Manuel Bandeira, Drummond nem Jorge de Lima. N\u00e3o espereis obra-prima deste matuto plebeu. Eles cantam suas praias, pal\u00e1cios de porcelana. Eu canto a ro\u00e7a, a cabana. Canto o Sert\u00e3o, que ele \u00e9 meu\u201d. De S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito saiu tamb\u00e9m o canto de Lourival Batista, outro fara\u00f3 da poesia, av\u00f4 de Ant\u00f4nio Marinho, o poeta por quem Eduardo Campos, pai de Jo\u00e3o, tinha grande admira\u00e7\u00e3o e virou garoto propaganda do seu governo. Ele deixou os olhos do prefeito recifense marejando com os versos saudando a sua chegada no Paje\u00fa, no \u00faltimo fim de semana.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-portion-\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full\">\n<p>A poesia cantada no improviso tem suas ra\u00edzes nos aedos gregos e na chegada dos mouros \u00e0 Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. J\u00e1 a poesia falada vem de muito tempo, ainda das tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas dos povos origin\u00e1rios que j\u00e1 habitavam a regi\u00e3o. No ch\u00e3o do Paje\u00fa n\u00e3o tem apenas vidas secas, o doloroso retrato de Graciliano Ramos em sua obra-prima.<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m gente que canta e poetiza para minimizar os efeitos da seca e das suas adversidades. Quando era perene, com suas \u00e1guas em um eterno ir e vir, o Rio Paje\u00fa era uma usina de poetas, uma fonte inesgot\u00e1vel de glosadores e repentistas. Bastava apenas beber da sua \u00e1gua para nascer um poeta. H\u00e1 uma lenda que, h\u00e1 s\u00e9culos, uma viola do per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa foi enterrada dentro do rio.<\/p>\n<p>Na terra sagrada, na qual fa\u00e7a sol ou caia chuva, esta coisa rara, pessoas de diferentes of\u00edcios e profiss\u00f5es se encontram para recitais e cantorias. Miguel Arraes, bisav\u00f4 de Jo\u00e3o, vindo da Chapada do Araripe para ganhar o mundo, se encantou pelo verso e a prosa do Paje\u00fa. Afogados da Ingazeira, de onde Jo\u00e3o saiu animado para disputar o Governo do Estado, encheu de poesia a alma do seu bisav\u00f4 e do seu pai, Eduardo. Um encantamento sem tamanho, deslumbre, paix\u00e3o.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo voltou do ex\u00edlio com planos de retomar o mandato de governador, usurpado de suas m\u00e3os pelo golpe militar, Arraes fez peregrina\u00e7\u00f5es constantes \u00e0 regi\u00e3o, que virou quase uma moradia permanente para ele. Ali, era como se estivesse fazendo uma comunh\u00e3o com a sua gente do Araripe que havia deixado para tr\u00e1s. As mesmas caras, a mesma dor, os velhos sonhos da sua regi\u00e3o natal.<\/p>\n<p>Certa vez, j\u00e1 governador pela segunda vez, o encontrei no hotel Brotas, em Afogados da Ingazeira, tomando seu u\u00edsque predileto na companhia de Z\u00e9 Pregui\u00e7a, dono da pousada. Quis saber dele a raz\u00e3o de rotul\u00e1-lo de gestor das coisas pequenas, como os programas sociais Vaca na Corda, n\u00e3o adepto dos grandes empreendimentos geradores de renda e emprego, objeto e quase obsess\u00e3o de qualquer gestor.<\/p>\n<p>Nunca esqueci a sua resposta: \u201cO que \u00e9 ser moderno: um governante tocador de obras fara\u00f4nicas ou quem tira o sertanejo da escurid\u00e3o, que mata a sua sede? Voc\u00ea acha conceb\u00edvel, em pleno s\u00e9culo 21, algu\u00e9m n\u00e3o ter um bico de luz? Entendi perfeitamente o Arraes socialista, que sofreu na sua inf\u00e2ncia na pequena Araripe os horrores da seca inclemente, as injusti\u00e7as sociais, o grito ensurdecedor por um copo d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Mas com o passar do tempo, entendi tudo quando vi os campos do Paje\u00fa e de todo o Estado floridos, quando enxerguei luz el\u00e9trica, quando meus olhos n\u00e3o se depararam com a luz do candeeiro ou os caminhos da ro\u00e7a iluminados pelos pirilampos. Era a universaliza\u00e7\u00e3o da eletrifica\u00e7\u00e3o rural, materializada pelas m\u00e3os de um homem que tinha duas m\u00e3os e o sentimento do Sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Do Blog do Magno Martins<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mesmo poema, ele diz: \u201cN\u00e3o sou Manuel Bandeira, Drummond nem Jorge de Lima. N\u00e3o espereis obra-prima deste matuto plebeu. Eles cantam suas praias, pal\u00e1cios de porcelana. Eu canto a ro\u00e7a, a cabana. 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