{"id":486630,"date":"2025-04-28T16:00:39","date_gmt":"2025-04-28T19:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=486630"},"modified":"2025-04-28T16:00:39","modified_gmt":"2025-04-28T19:00:39","slug":"dona-diuza-e-homenageada-na-camara-municipal-de-petrolina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/dona-diuza-e-homenageada-na-camara-municipal-de-petrolina\/","title":{"rendered":"Dona Diuza \u00e9 homenageada na C\u00e2mara Municipal de Petrolina"},"content":{"rendered":"<h1 dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h1 dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Nesta sexta-feira (25), a C\u00e2mara Municipal de Petrolina concedeu \u00e0 senhora Maria Diuza dos Santos, m\u00e3e do vereador Professor Gilmar-PT, as suas maiores honrarias: o T\u00edtulo de Cidad\u00e3 Petrolinense e a Medalha de Honra ao M\u00e9rito Dom Malan. A homenagem reconhece a trajet\u00f3ria de vida de Dona Diuza, marcada por resist\u00eancia, solidariedade e compromisso com a coletividade, especialmente nas periferias da cidade, onde vive h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-486631 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-scaled-400x500.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-scaled-400x500.jpeg 400w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-scaled-240x300.jpeg 240w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-768x960.jpeg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-1229x1536.jpeg 1229w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-1638x2048.jpeg 1638w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-160x200.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-640x800.jpeg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-flores-scaled.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A cerim\u00f4nia foi realizada na Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Rendeiras do bairro Jos\u00e9 e Maria, local de luta, afeto e forma\u00e7\u00e3o da homenageada, onde dedicou grande parte da vida ao fortalecimento de mulheres perif\u00e9ricas por meio do trabalho digno e da constru\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-486633 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-scaled-400x500.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-scaled-400x500.jpeg 400w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-scaled-240x300.jpeg 240w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-768x960.jpeg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-1229x1536.jpeg 1229w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-1638x2048.jpeg 1638w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-160x200.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-640x800.jpeg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/dona-diuza-scaled.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>O evento lotou o espa\u00e7o e emocionou a todos os presentes. Dona Diuza chegou no sal\u00e3o acompanhada de seus netos e familiares, em uma entrada marcada por grande como\u00e7\u00e3o. Foi homenageada pelas amigas da Associa\u00e7\u00e3o, Dona Santinha e Dona Angelita, al\u00e9m da roteirista Dione Carlos, que acompanhada pelo sanfoneiro Iv\u00e1n Greg, interpretou a m\u00fasica\u00a0Maria Maria, celebrando sua trajet\u00f3ria de for\u00e7a e ternura. Antes do discurso oficial, a cerim\u00f4nia foi encerrada com o vereador Professor Gilmar, seu filho e autor da proposi\u00e7\u00e3o, recitando uma poesia autoral dedicada \u00e0 m\u00e3e, um momento de intensa emo\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o compartilhada com todos os presentes.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O cora\u00e7\u00e3o que floresce<\/h3>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Na casa de Dona Diuza, as plantas t\u00eam nome, hist\u00f3ria e prop\u00f3sito. Cada vaso \u00e9 um pequeno altar onde ela deposita o amor pela terra, o respeito ao tempo e a cren\u00e7a de que a natureza cura. Cultivar n\u00e3o \u00e9 apenas uma ocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 labor, um gesto pol\u00edtico, uma forma de cuidado e um jeito de existir no mundo. Como quem rega o futuro com as m\u00e3os que um dia enfrentaram a enxada, o fogo do fog\u00e3o de feira, e as l\u00e1grimas silenciosas das perdas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Maria Diuza dos Santos nasceu entre os ventos e veredas do sert\u00e3o pernambucano, em 1940, no s\u00edtio Baixa Verde, povoado de Santa Filomena (Piau\u00ed), onde aprendeu desde cedo a transformar desafios em sabedoria. Casou-se com Euclides Paulo dos Santos, o conhecido e querido \u201cDi\u00f3\u201d, com quem construiu uma hist\u00f3ria de parceria, afeto e resist\u00eancia. Dessa uni\u00e3o nasceram oito filhos: Deom\u00e1rio, Vilanir, Francisca, Adercino, Gilberto, Gildenir, Alzenir e Gilmar. Criaram sete, pois o primog\u00eanito faleceu ainda beb\u00ea. Cada filho foi uma extens\u00e3o do amor e da coragem desse casal que, fizeram da vida um exerc\u00edcio constante de entrega e luta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">As dificuldades de criar os filhos na ro\u00e7a, levaram o casal, em 1972, a migrar para Juazeiro, na Bahia. L\u00e1, encontraram na feira uma nova forma de sustento, vendendo alimentos t\u00edpicos e reafirmando a dignidade do trabalho popular. Em 1979, com a iminente amea\u00e7a do rompimento da barragem do S\u00e3o Geraldo, foram obrigados a recome\u00e7ar mais uma vez, agora em Petrolina, Pernambuco, onde se fixaram no bairro Jardim Maravilha e viveram por mais de 30 anos. Foi ali, entre barracas, panelas e redes estendidas, que Dona Diuza consolidou seu papel de refer\u00eancia comunit\u00e1ria e materna.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Filha da caatinga, criou seus filhos na labuta da feira do Ouro Preto, no bairro Jardim Maravilha, vendendo buchada, caldo de mocot\u00f3 e sarapatel, e oferecendo, junto \u00e0 comida, palavras de coragem e acolhimento. N\u00e3o foi o sert\u00e3o que a moldou com dureza, mas ela quem ensinou que, por tr\u00e1s da terra \u00e1rida, h\u00e1 uma pot\u00eancia de vida esperando por cuidado, por m\u00e3os generosas, por f\u00e9.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Mesmo diante das maiores dificuldades, nunca abandonou seu profundo compromisso com o amor crist\u00e3o e a solidariedade. Era conhecida por abrir as portas de sua casa a quem precisasse, gente de Petrolina e de longe, acolhendo, ofertando teto, alimento e palavra amiga, como quem estende um peda\u00e7o do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. Sua religiosidade a guiou pelas missas no bairro Ouro Preto, pelos projetos comunit\u00e1rios, e pelo cuidado com a sa\u00fade por meio das plantas medicinais, numa parceria com as Irm\u00e3zinhas da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Entre folhas, ora\u00e7\u00f5es e partilhas, Dona Diuza fez da f\u00e9 um gesto di\u00e1rio, uma pr\u00e1tica viva, ensinando que a palavra de Jesus \u00e9 sobre cuidar, amparar, dividir o pouco para multiplicar esperan\u00e7a.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">No cora\u00e7\u00e3o de Dona Diuza tamb\u00e9m floresce a luta constante e fecunda das Mulheres Rendeiras. Desde 2009, ao lado de Angelita e Santinha, ela forma um trio formoso e \u201cquente\u201d, como dizem, tecendo dignidade com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Na Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Rendeiras do bairro Jos\u00e9 e Maria, um quilombo urbano onde, h\u00e1 27 anos, mulheres transformam o que parece pouco em abund\u00e2ncia, Diuza cultiva mais que plantas: cultiva vidas. L\u00e1, entre linhas, agulhas e sonhos, ela fortaleceu gera\u00e7\u00f5es de mulheres perif\u00e9ricas, bordando autonomia, trabalho digno e constru\u00e7\u00e3o coletiva no tecido da resist\u00eancia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso, Dona Diuza \u00e9 m\u00e3e de Gilmar Santos, Professor Gilmar, que entre os encontros da Pastoral da Juventude do Meio Popular e as partilhas com a m\u00e3e, aprendeu que pol\u00edtica se faz com gente, com solidariedade, com abra\u00e7o e com coragem. Sua luta pelas periferias, pelo povo preto, pelas mulheres e pela justi\u00e7a social \u00e9 o reflexo vivo do legado materno que carrega. \u00c9 como se cada passo dado por Gilmar na C\u00e2mara, cada lei proposta, cada den\u00fancia feita nas ruas de Petrolina, fosse tamb\u00e9m um desdobramento das li\u00e7\u00f5es que aprendeu com ela: servir, acolher, resistir. A mata que Ox\u00f3ssi protege \u00e9 a mesma que Dona Diuza cultiva no cora\u00e7\u00e3o, com folhas, ora\u00e7\u00f5es e gestos de amor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Essa mesma mulher sertaneja e perif\u00e9rica, que caminhou lado a lado com as Irm\u00e3zinhas da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, que abriu as portas de casa para gente de perto e de longe, \u00e9 agora reconhecida como s\u00edmbolo de cidadania e dignidade. O t\u00edtulo que Petrolina entrega a Dona Diuza \u00e9 mais do que uma honraria: \u00e9 o reconhecimento de que sua hist\u00f3ria borda, com delicadeza e coragem, o tecido da mem\u00f3ria coletiva do povo dessa terra. Com a entrega da Medalha de Honra ao M\u00e9rito Dom Malan, a C\u00e2mara reconhece n\u00e3o apenas sua trajet\u00f3ria, mas a de tantas outras mulheres que, como ela, movem este pa\u00eds com afeto, resist\u00eancia e luta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O evento lotou o espa\u00e7o e emocionou a todos os presentes. Dona Diuza chegou no sal\u00e3o acompanhada de seus netos e familiares, em uma entrada marcada por grande como\u00e7\u00e3o. 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